terça-feira, 17 de outubro de 2017

Olhai pr'o céu rafael...


Resultado de imagem para olhai pro ceu frederico


Campos dos Goytacazes é uma cidade sui generis...

É a única cidade do país, que eu saiba, que tem a sede administrativa central da sua prefeitura localizada em uma rua cujo nome é um personagem fictício...

Para quem não sabe, Coronel Ponciano de Azeredo Furtado é aquela figura principal do livro de Zé Cândido de Carvalho, o Coronel e o Lobisomem, que virou adaptação cinematográfica, com Diogo Vilela no papel principal e Selton Mello como antagonista, e Ana Paula Arósio como a bela disputada por ambos...

Ou seja, em Campos dos Goytacazes, a rua da prefeitura é uma "rua de mentira"...ou seria "da mentira"?

Aqui essa diferença inexiste...

Para sermos fieis a lembrança de Zé Cândido, fico a imaginar o que ele escreveria, se vivo estivesse, e se assim fosse de seu querer, acerca do prefeito atual de Campos dos Goytacazes...

Impossível não associar o atual prefeito ao personagem Frederico, da sua obra Olhai para o céu, Frederico...

Vejam só aí abaixo um comentário de um blog que achei na rede mundial de computadores...

Incrível como a trama reflete que pouca coisa ou nada mudou em relação às nossas classes chamadas proprietárias, cujos hábitos e trejeitos parasitários se perpetuam como tradição de família...e que hoje se fazem representar na cadeira de alcaide dessa terra chata...



"(...)Eduardo, nosso narrador, um menino órfão, vai morar com o tio Frederico e nunca chega a entender o velho.  Não percebe como o tio era uma raposa velha, sempre comendo  beiradas, parecendo um cordeirinho, mas que na  hora H, dava o bote certeiro arrancando tudo do vizinho, do parente mais próximo, de quem fosse mais fraco,  mesmo sem o saber.  Frederico era um estrategista, com homem com olho grande, matreiro, conhecedor das fraquezas humanas. 
Tendo passado os primeiros anos de sua vida na família de outro tio, Eduardo, chega à casa de Frederico cheio de orgulho por seus antepassados, nobreza brasileira, dona de terras e de gente.  Depois de quase quinze anos no engenho São Martinho, com Frederico, ele recebe uma vistosa herança quando o tio morre.  Mas Eduardo mostra que todo o tempo passado nessa usina de açúcar, pouco o atingiu.  Só mesmo o aprendizado de sem-vergonhice vingou.  No mais, ele que parece aberto à modernidade, às máquinas para melhor aproveitamento da cana de açúcar, mas logo, logo, mostra que em seu íntimo ainda vive de um esplendor imaginado da época de seus antepassados e espalha arrogância e desprezo pelos outros.
E assim vai o romance, com a prosa descontraída das conversas de varanda, com ritmo próprio que acompanha um enrolar de cigarro de palha, ou se cala para ouvir os primeiros grilos de um início de noite.  Mas, por trás desta ingenuidade quase caipira, há uma forte crítica à sociedade dos usineiros, dos donos das terras, dos decadentes baronatos, gente com mentalidade de estupradores da terra, piratas permissionários pela monarquia, (...)Este grupo de irresponsáveis, mal letrados, preferiu continuar com a exploração nos moldes escravagistas, em que todos de quem dependia cresciam abandonados, sem recursos financeiros ou intelectuais, fadados a perpetuar a pobreza no campo por gerações e gerações futuras.(...)"





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