quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Considerações apressadas sobre a prisão do garotinho...

Primeiro, a mais óbvia: cumprir um mandado no meio do programa é quase um atestado de que a pf (a guarda pretoriana dos monarcas do judiciário) articulou sua vingança particular contra o ex-governador, após o episódio de sua transferência para Bangu...

Qualquer policial ou rábula de tribunal sabe que essa prisão poderia ser cumprida em outras circunstâncias, ainda mais porque o réu já estava confinado em seu imóvel na Capital do Estado, impedido de vir a Campos dos Goytacazes...

A outra é a natureza estranha da prisão...

Bem, não conheço a sentença, muito menos o teor do mandado, mas parece contraditório que o réu, que estava desterrado por oferecer suposta ameaça ao processo, venha cumprir sua pena domiciliar justamente na cidade onde exerce seu poder maior...

Na verdade, dirão que com o fim do processo, vai com ele essa ameaça, e a prisão agora é decorrente de uma sentença...concordo...

Sim, mas aí é que a porca torce o rabo...embora proveniente de sentença, a parte da sentença que li tem condições que a equiparam a um decreto preventivo...uai, que catzo é esse? 

Prisão preventiva decorrente de sentença...?

Dias desses, debati fervorosamente com um amigo promotor, aqui na Capital do RJ, sobre o tema, e não chegamos a um consenso sobre essa possibilidade...

Não há nas progressões de regime de cumprimento de pena (semi-aberto, domiciliar e aberto), pelo que saiba, nenhuma restrição a comunicação dos réus, que é característica exclusiva de regimes fechados, quando os dispositivos de comunicação externa são vedados e/ou controlados pelo sistema penitenciário...

As progressões são, por natureza, restrições ambulatórias parciais, e querem justamente o contrário: possibilitar a recuperação dos laços sociais do réu, e se a comunicação (social) é parte desses direitos de reinserção, como sentenciar pela prisão distinta da prisão com condições tão gravosas quanto a restrição de liberdade?

Se não há mais esse risco (de ameaça ou coação a testemunhas e agentes públicos), porque impedir o réu de falar e ter contato com outras pessoas, além dos parentes de 1º e 2º graus?

Uai, se há necessidade de mantê-lo segregado, deveria então decretar o início do cumprimento da sentença em regime fechado, e mandá-lo para instituição penal, não?

Caso contrário, o réu poderia esperar o recurso em liberdade...

Será que  juiz teve medo e trouxe o réu até a Comarca, justamente esperando que o réu descumpra as esdrúxulas condições, para então imputar a ele a causa de seu próprio infortúnio?

Não acredito que a maldade tenha se revelado tão descuidada a esse ponto...

Na citada sentença, o que me parece é que o juiz deseja calar o réu...porque é a fala do réu que lhe incomoda, ou seja, parece uma prisão política...

Eu quero acreditar na lisura (ou pelo menos, na inteligência) do judiciário, portanto, se não foi essa a intenção, ou se era, pelo menos deveriam disfarçar...


Em resumo: ou tem culhão para prender ou solta...




Agora as considerações sobre o réu, o napoleão da lapa...


O fato desse blog criticar o estado judicialesco que se abate sobre nós, com a cumplicidade cretina da mídia, desde o planalto até a terra chata, não me impede de dizer que o réu está recebendo justamente o mesmo amargo remédio que usou contra seus adversários em passado próximo...

Ele mesmo, o réu, não deixou de atacar réus injustiçados pelo mesmo lawfare, apenas porque imaginava ganhar espaço que poderia vagar com a derrocada deles, no caso específico, o PT, Lula e Dilma...

Sem mencionar que, uma vez no comando do Estado, e depois, do aparato policial do Estado, usou as mesmas armas contra desafetos...

Também no quesito mídia, o ex-governador também praticou o mesmo marronzismo canalha que o atinge desde o início de sua carreira...


Seria a hora do ex-governador reavaliar sua conduta?

Acho que sim, mas tipos como ele nunca deixam a razão duvidar da imagem que fazem de si mesmos, uma vez que sua liderança política é baseada no mito da infalibilidade...

Outros líderes políticos e militares mais bem sucedidos, o foram porque souberam entender o momento de recuar, sobreviver para lutar outro dia...

Outros, como napoleões, hitlers e que tais, acreditaram demais na propaganda que criaram...deu no que deu...

Essa assertiva também serve a monarcas do judiciário...




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