quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A cultura em Campos dos Goytacazes: um palco cheio de nada!

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Agentes e militantes culturais sofrem, desde tempos imemoriais, uma severa crise de identidade...

Não que a afirmação negue que boa parte dos artistas e militantes culturais não saibam quem são, esteticamente falando...boa parte deles têm isso bem definido, ou melhor dizendo, dominam o processo de busca dessa identidade, que sendo pertinente a arte, é desejável que não seja algo acabado e engessado...

Falo de outra perspectiva, sempre complicada, a ação política dos militantes e agentes culturais dentro dos mais variados cenários...

Há algum tempo atrás, boa parte dos agentes e militantes culturais estavam a cargo de manifestações (e não se julga aqui o mérito delas) contra a administração passada e sua política de eventos (vendida pelos patetas da lapa como política pública de cultura)...

Muita coisa boa e muita asneira foi dita ali...

Nem de longe tenho a pretensão de esgotar esse debate...

Posso começar dizendo que cultura é tema tão amplo que não cabe em si (em uma definição específica)...isso é óbvio...

Mas a ação política dos agentes e militantes cabe em definições e lados...assim como as escolhas artísticas também vêm impregnadas de senso político, além do estético...embora uma parte dos artistas alimentem a ilusão de uma neutralidade da arte...

O que me choca é o silêncio anêmico desses artistas que, por exemplo, passaram alguns dias dentro de um teatro local, com o incentivo cínico daqueles que estavam na oposição ao então governo municipal...

Esses mesmos artistas e militantes pareciam sugerir que TODOS os problemas da cultura e da produção de arte na cidade tinha um motivo e nome: garotinho e sua trupe...

Portavam ali o erro clássico de confundir política pública de cultura com cultura em si...a velha e surrada discussão entre autonomia e dirigismo cultural (aliás, um falso dilema, na minha leiga opinião)...

Pois bem, onde foi parar todo aquele fervor pela arte?

Não seria agora o tempo de frescor e ventos da modernidade esperados para soprar as velas das naus culturais dessa cidade?  

Uai, cadê a política cultural dessa merda de cidade, onde estão os artistas? 

E ainda mais: cadê a arte, que antes era sufocada por aquilo que chamavam de indigência cultural?

A criticada (muito justificadamente) política de eventos não nos contemplava, pois além de concentradora de recursos públicos nas mãos dos artistas já estabelecidos, trazia junto as suspeitas de sempre de desvios e superfaturamentos...

Sim, mas o que entrou no lugar?

Porque com todos os defeitos que reconheço, havia ali uma qualidade (ainda que não percebida por quem a pilotava) de levar a um público (pobre) nomes da grande cena nacional, cujo acesso agora ficou restrito a poucos, e em alguns casos, usando outras formas de dinheiro público...

Agentes e militantes culturais têm posição política e devem agir em nome dessas posições, só não podem imaginar que o "manto da arte" lhes confira alguma imunidade ou sacralidade para se isentarem de reconhecer que foram usados e instrumentalizados como buchas de canhão...ainda que os interesses que defendessem fossem todos legítimos...


É o que acontece em Campos dos Goytacazes...a inércia covarde desses agentes e militantes só significa uma coisa: domesticação...

O que também não é nada demais, porque, no fim das contas, é preciso pagar as contas...tá precisando de um carguinho, de um jabá ou de fazer algo por encomenda, vai lá, faça...nada disso é vergonhoso, ainda mais em um país, e em uma cidade, onde gestores dizem adorar arte, mas detestam artistas...

No entanto, integridade e honestidade para dizer isso em alto e bom som não é apenas desejável, é imprescindível para conferir verdade ao discurso...

Vender arte não é problema...ruim é vender a alma...

Ops, perdoem-me se essa letargia é uma forma de manifestação artística (algo como uma instalação negativa, quem sabe?)...

Como disse, em cultura e arte tudo é possível...

Aqui, na terra chata, o conhecido jargão do teatro muita merda para você não é voto de boa sorte...

3 comentários:

Anônimo disse...

Tá de brincadeira? Os ricos da nossa cidade é de maioria idiota que gosta de ostentar em Búzios,pergunta sobre museu ou arte? Os menos favorecidos perdem cada vez mais chance de ter cultura ao seu alcance,claro Rafael ou Garotinho, só pensam em como dominar o mundo ,ops quero dizer Campos. Cadê o prefeito no Festival do farol? A família garotinho era mais inteligente alugava casa e ficava parte do verão por lá.Claro que viajavam e muito com desculpas esfarrapadas de spa para cuidar de doenças ,assim como o cara de pau do Pezão.

douglas da mata disse...

Pois é, seu comentário é pertinente e traz algo crucial: a diferença entre os dois é que, ao menos, o napoleão da lapa ainda se submetia a alguma instância política, ainda que diluída no senso comum...

Ou seja, importava para ele e a seu grupo ao menos simbolizar a presença na praia daqui...ainda que não fosse sua escolha (e de verdade, concordo, porque aquela merda é horrível)...

O menino mimado de hoje, fiel ao fenômeno político que lhe deu origem (a mesma cepa de vírus de trump, dória, etc), caga e anda para essas simbologias, porque seu poder vem justamente da negação política...resumindo, é um tipo de déspota ainda mais cretino...

Anônimo disse...

Bom para ser muito sincero as praias de São João da Barra também são horríveis, além do mar barrento da falta de acessibilidade de qualquer cidadão a orla ,lá se concentra o maior número de emergentes e ricos idiotas de Campos e adjacências....Claro que o mesmo fenômeno acontece no farol.