sábado, 22 de abril de 2017

O que está em jogo na França?

Vamos tentar um pouco mais de complexidade...

É terreno movediço e arenoso, eu sei...Se está difícil entender o Brasil, imagine a Europa e França...

Uma única vantagem (que ao mesmo tempo é desvantagem) é, talvez, a distância, que nos despe de exageradas emoções...

Há um fato na História que encontra poucos argumentos contrários:

Governos conservadores e plataformas políticas conservadoras sempre, eu digo, SEMPRE se aproveitaram de fatos dramáticos, e que incutem pânico e terror na população para levar adiante sua escalada de supressão de direitos, e principalmente, apertos dirigidos aos mais pobres, pauta econômica liberal já conhecida...

Recentemente, tivemos o 11/09, mas houve outros casos onde atentados e assassinatos em massa funcionaram como gatilho para encurralar a sociedade em um falso dilema: ou segurança ou liberdade!

Talvez a única exceção a regra (e toda regra tem uma) seja o ataque de Pearl Harbor, que acabou por frear o isolacionismo pró-Hitler e antissemita que se espalhava pelos EUA...

Em todos os casos a dúvida persiste: os governos "fingiram" não ver as ameaças e/ou executaram eles mesmos os desastres, ou simplesmente se aproveitaram da chance conferida pelo acaso?

Nunca saberemos...principalmente agora, quando a relação conflituosa entre capitalismo e Democracia parece ter degringolado de vez...

Na França não é diferente...

Difícil não associar os últimos atentados em Paris ou na Alemanha com a agenda da ultra-direita, ainda que ela não seja a principal beneficiada com os votos do pânico, que acabam sedimentados em posições mais "ao centro"...

Sim, porque, talvez, para a ultra-direita de Le Pen (Marie), um governo de coalizão com o centro é até mais proveitoso que encabeçar o governo com todos os ônus que isso traz...

Explorar eventos dramáticos tem um objetivo primordial e preventivo antes de tudo: impedir que a esquerda ou centro-esquerda consigam se interpor como o mais pálido obstáculo ao programa de desmonte do que restou do Estado de Bem Estar Social...

E olhem que a centro-esquerda europeia nem consegue mais disfarçar sua captura pelo capital financeiro...

Há muito tempo alguém disse, acho que foi o ótimo repórter do The Independent, especializado em Oriente Médio, Robert Fisk, que esses bunkers extremistas, sejam os islâmicos, sejam os sionistas, sejam seus sócios, os falcões neo-pentecostais dos EUA, se retroalimentam e têm sua ação política justificada pelo outro, embora jurem serem inimigos mortais...

A degradação da França é obra dessa complicada engenharia...

Eu arriscaria uma simplificação, e diria que a França está para a Europa como a capital do Rio está para o Brasil, nos aspectos de ressonâncias fenomenológicas sociais, costumes, e culturas, com todas as idiossincrasias que carregam essas sociedades chamadas "símbolos"...

A caça a inimigos públicos na França e no Rio de Janeiro obedecem a lógicas simétricas...

Uai, se o pânico e o medo conferem poder quase sem limites aos sistemas policiais e judiciais que hoje estão no epicentro do controle da política em vários países, por que nos livrar das ameaças?

No Brasil, o correspondente desse processo político não é tão sangrento, embora não seja menos perigoso e letal, e chama-se república paranazi...

Bem, bem, bem, é sim...se considerarmos que a origem do poder da burocracia judicial e do mp de hoje remonta a cumplicidade com nosso sistema policial de extermínio sangrento de 50 mil pretos e pobre/ano...

Chegamos ao cúmulo de ler um juizeco de Curitiba afirmar que situações excepcionais exigem medidas de exceção...O que mais esperar?

Mais ou menos esse o clima criado aqui pela entourage do neto da cachorra de guarus, fazendo a população acreditar na historinha da terra arrasada (e, certamente, a situação não era fácil) para justificar toda sorte de desmandos e quem sabe...crimes cometidos em nome sei-lá-do-quê...

As eleições na França são um case típico e cristalino...

Caso houvesse algum controle popular democráticos sobre as forças "obscuras" que controlam países e cidades, quem sabe não descobriríamos os verdadeiros autores dos atentados, os beneficiários da corrupção e a atual e verdadeira situação em que se encontra essa planície de lama?

Veja mais sobre França e oportunismo cretino do pânico aqui...

E se quiser ler algo sobre o estado de confusão e "despersonalização" dos eleitores franceses, leia aqui...


3 comentários:

Anônimo disse...

A analogia de retroalimentação onde os movimentos têm sua ação política justificada pelo outro se parece com Bolsonaro e Jean Wyllys. É uma simplificação, mas aparentemente os dois
se odeiam, mas um sustenta o outro numa relação simbiótica. A cada comentário homofóbico do ex-militar, Jean acrescenta mais eleitores, assim como uma cusparada do ex-BBB aumenta o número de votos de Jair. Jean e Jair são homoafetivos eleitorais. Assim como os atores identificados por você e Fisk.
A simplificação Rio X Brasil X França X Europa, sempre incompleta mas igualmente importante para a comunicação, me pareceu muito boa. É exatamente isso. Se o Rio é o tambor do Brasil, a França o é da Europa. O que acontecer lá amanhã, 23/04, ecoará por toda a Europa. Como sempre, a França decidindo os rumos do velho continente.

Bom, como o segredo de aborrecer é falar tudo, discordo em parte da comparação com a planície. O discurso de terra arrasada não deve servir tanto a desmandos e crimes. Não em profusão ou significância ao menos. O discurso servirá como muleta da mediocridade. Servirá, isto sim, como desculpa para o fracasso. Por isto a insistência no discurso da herança maldita...

douglas da mata disse...

Caro amigo,

Gostaria de concordar contigo em relação à terra dos filhotes da cachorra de guarus...

Mas eu não acredito em mediocridade acidental, assim como os ingênuos diziam que o problema de mocaiber era seu temperamento ameno demais, e isso levava ao que levou...

Nada disso: todo "temperamento" do gestor e seu modo de gestão estão a serviço de interesses de alguma classe...

Então, quando o prefeitosco coloca a quadrilha da cbf na fazenda, junto a a telhadeira de vidro, e mantém a frente das obras o cara da odebrecht, eu só posso esperar o pior...

Claro, que no fim das contas, ele irá se socorrer no discurso da mediocridade, porque na cabeça torta deles (moralóide hipócrita) é melhor ser medíocre que "ladrão"...

Porém, como eu disse, essa mediocridade estará a serviço dessa elite tacanha local...

Um abraço...

Anônimo disse...

Muita gente sabe que o tal CleptSon, ops, Cledson, está onde está, apenas para salvaguardar os interesses da CNO. Ou seja, receber o deles! Dos 350 milhões que a prefeitura "deve" a fornecedores, a construtora baiana tem a maior parte. Ou seja, se a hipótese for verdadeira, já houve composição deste governo com a empresa de Emílio Odebrecht.