segunda-feira, 24 de abril de 2017

O que está em jogo na França 2 ou...2 º turno...

Se esse blog tivesse as inclinações cretinas de certas pocilgas editoriais que vomitam esgoto desde o planalto a essa planície, diríamos que temos o dom da premonição...

Esse é um cacoete manjado da mídia comercial nesses tempos de pós-verdade: como nunca se apegam aos fatos e as perguntas-chave do jornalismo (quem, como, onde, por que e quando), passaram a tentar a previsão dos fatos, que depois passou a um estágio muito pior, espancar a realidade até que confessasse a versão que interessava a mídia e seus cúmplices...

Mas o que escrevemos aqui ontem não tem nada de excepcional, e o resultado do primeiro turno das eleições francesas só revela o que toda gente de bom senso já descobriu: o capitalismo nunca rimou bem com Democracia, mas agora, em sua versão ultra-acumulativa e rentista, passou a golpeá-la até a morte...

Politicamente não há dúvida: a centro-esquerda deve apoiar o candidato de centro, um tipo híbrido de trump, berlusconi bush jr, e outros bufões que povoam nossos pesadelos humanitários...

O presidente François Holland anunciou oficialmente o apoio, como você pode ler no Libération...

Tudo indica que o candidato Emmanuel Macron chamado de centro-direita (arg, centro é o caralho, o cara é de direita mesmo!), que pilota algo como o PRN (de collor) misturado com o movimento 5 estrelas (italiano) vá governar a França...

A despeito das emoções envolvidas é preciso diagnosticar precisamente o que está em jogo na França...na Europa, e claro, no resto do planeta...

Qual governo emergirá dessa coalizão eleitoral?

Bem, tudo indica que o que se tenta na França (e esse modelo já vem sendo tentado há muito tempo) é a criação de um novo e grande centro político, mas que de centro só tem o nome...

O (fingido?) alívio do presidente da Comissão Europeia, que quebrou o protocolo nas felicitações entusiasmadas pró-Macron deixa claro o projeto em curso...Você pode assistir o vídeo e ler a matéria no The Guardian...

Os tolos poderiam enxergar aí uma felicidade baseada em sentimentos unionistas europeus...Sim, mas que Europa? 
A Europa dos ajustes e cortes de direitos que fazem mais riqueza para os mais ricos, enquanto se alimentam de tragédias humanitárias (e geopolíticas) que vomitam imigrantes ilegais, que por sua vez servem tanto como bodes expiatórios, quanto como mão-de-obra escrava...

O viés é claramente conservador, e embora reivindique a exclusão dos extremos, tanto à direita como à esquerda, não hesitará em incorporar a agenda mais extremista da direita, no que tange os direitos e garantias civis para implementar o fundamentalismo financista...

Cada evento dramático, seja produzido dolosamente ou "acontecido por omissão", que são chamados por Wilson Ferreira de não-acontecimentos, conferirá a esse novo arranjo o mandato para aproximar-se da extremidade direita, que ficará em stand by para qualquer eventualidade (como na Alemanha em 30), ou como aconteceu agora nos EUA, com a assunção do mais cretino extremista de mercado que se tem notícia...

Esse modelo está sendo preparado por aqui também...a inclusão de nomes como dória e bolsonaro tem esse viés de tentar espremer a centro-esquerda em um canto do eleitorado, forçando-a a escolher entre o menos pior, chamando-a a legitimar um governo que se dirá "acima das divisões da sociedade", e em "favor do país"...

Só que aqui há uma pedra no caminho, e se chama Lula...

Olhando a eleição nos EUA e na França e resto da Europa, dá para ter a dimensão de Lula, o maior capital vivo da esquerda no planeta, e entendemos assim o tamanho do ódio de classe a ele dirigido, principalmente pelo seu simbolismo geopolítico nesse momento que o mundo fita o abismo...


Não que a mera eleição de Lula em 2018 tenha o condão de eximirmos todas as nossas culpa e erros, nada disso...

No entanto, esse episódio poderia recolocar as forças de esquerda dentro de um cenário de reação a onda conservadora mundial que ameaça inclusive nossa existência...

3 comentários:

Anônimo disse...

Alguém tem notícias de qdo vai sair o secretário de educação? Assim é impossível continuar!Pelo bem da educação.....Fora Brand e sua turma muito ruim.

Anônimo disse...

O discurso é uníssono: herdamos uma herança maldita. Então pedem pra cagar e saem...

Anônimo disse...

Fora Brand,vc não soma!A educação pede socorro!