sexta-feira, 14 de abril de 2017

A mãe de todas as bombas...

Se alguém tem dúvidas de que o mundo e hoje funciona a base de uma sincronicidade semiótica, deveria (como diz aquela famosa propaganda) "rever seus conceitos"...

Seja através de veículos com viés anti-establishment na Inglaterra (The Independent, The Guardian), seja no Catar (Al Jazeera), ou na França (Libération), ou seja na mídia conservadora da Espanha (El Pais), a mensagem é a mesma...

O esforço estadunidense de alargar as frentes de conflito é inegável, ora no Oriente Médio, ora na Eurásia, e enfim, no sul asiático e Península da China...

O motivo?

Ora, os motivos vêm desde 2000, e se irradiaram ao redor do planeta...

Muita gente boa já se esqueceu, mas o ano de 2000 pode ser considerado o marco zero da Era do Judicialismo-Denuncismo Digital aliado ao empório Bélico-Policial-Midiático que tomou de assalto o que restava da cambaleante noção clássica de Democracia e representatividade...

Bem, de certa forma, os ingredientes e as ondas conservadoras sempre espreitaram a Humanidade, mas é certo que o ápice do projeto neoliberal, (re)iniciado em 1980 (com a trinca tatcher-reagan-helmut kohl), encontrou seu estado da arte em 2000, nos EUA...

Do centro (EUA) para as franjas do mundo, cada país engoliu e digeriu (muito poucos vomitaram, é verdade) esse golpe universal de forma distinta, de acordo com o seu tempo histórico, posição relativa geopolítica e maturidade (ou imaturidade) de suas instituições e nível de empoderamento político de cada sociedade...

Eu confesso que também tinha esquecido, mas ontem assistia (pela quinta ou sexta vez) o documentário 9/11 Farenheit (Michael Moore), que documenta as relações incestuosas e promíscuas entre o capital financeiro, o complexo da indústria de petróleo, o complexo bélico-militar e os sistemas representativos dos EUA, mormente a chamada era bush...tudo pontuado pelo 11 de setembro e as guerras por armas químicas contra Saddam Hussein, a maior mentira da História geopolítica e midiática do planeta...


É ali que nasceu o embrião do nosso golpe, da nossa república paranazi...


Em 2000, o democrata Al Gore ganha a eleição, e após uma escandalosa fraude, bush jr é declarado vencedor, e quem ratifica o resultado: o congresso domesticado (republicanos e democratas) e a corte suprema de lá, onde os juízes eram, na sua maioria, indicados e aliados do bush senior...

Alguma semelhança? 

Fraudes, juízes e congresso?

Lembra algo?

Pois é...

O clima descrito no filme de Moore, com as repetidas mentiras  propagadas por cada minuto da programação da mídia conservadora, criando um efeito de saturação que todos nós bem conhecemos, criaram o clima perfeito para que bush jr empurrasse os EUA para o maior roubo já acontecido no planeta (a guerra do Golfo II e "crise de 2008")...

As armas químicas de Saddam estão para nós como a farsajato...

Ao contrário do que se imagina, a "crise de 2008" e a guerra não são eventos econômicos estanques, se considerarmos que boa parte da dívida pública estadunidense, justamente o que alimenta o circo especulativo mundial, tem origem no esforço contínuo de guerra, que por sua vez alimenta uma vasta cadeia de contratos super faturados, beneficiando empresas-amigas-parasitas como Halliburton ,dentre outras tantas...

Dessa forma, trilhões de dólares saíram dos bolsos dos contribuintes estadunidenses para inflar bolhas especulativas (e depois pagar a conta dos crashes), e pagar contratos hiper-mega-super faturados para transformar as empresas em entes mais poderosos que os governos que as contratam...

Mais ou menos como acontece por aqui nesses dias...

Depois de anos e anos destilando mentiras e manipulações para dirigir a economia do país ao caos,  revogando direitos sociais e revertendo uma tímida e pálida distribuição de renda, bem como para golpear instituições e empoderar corporações (juízes, promotores e policiais) não eleitas, o esforço de "guerra" brasileiro está prestes a dar o golpe final, jogando o país em uma convulsão que justifique medidas de força ou até "ajuda internacional" (leia-se, intervenção direta dos EUA, porque indireta já há)...

A "mãe de todas as bombas" seria a prisão de Lula...

Tudo isso acompanhado da "destruição", ou melhor, do sacrifício de boa parte do sistema político brasileiro, conferindo a plateia desavisada uma falsa percepção de que todos são iguais e que todos estão sendo perseguidos da mesma forma...

Claro que depois de feito o serviço, uma parte selecionada da elite política vai ganhar o esquecimento e a possibilidade de se reinventar, como sempre...

Enquanto isso, a parcela política que ameaça esse arranjo ultra-conservador vai ter a terra salgada em torno de si, ou pelo menos, essa é a ideia...

O que se apresentará como solução será algum tipo de pacto ditatorial e/ou de exceção, onde o objetivo será aprofundar o trabalho sujo já começado no pós-golpe: reduzir o país a uma franquia dos EUA, com regressão do nosso estágio civilizatório ao século XIX...

A questão central que ainda assombra esses cretinos é uma só:

O medo que têm de desencadear uma reação incontrolável, porque todos sabem que a História nos reserva momentos raros mas inevitáveis de fúria das classes mais baixas, após tanta provocação e humilhação...

Por aqui, a mãe de todas as bombas pode explodir no colo de quem pretende detoná-la...

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