quarta-feira, 15 de março de 2017

Lula e a esfinge judiciária: decifrando ou não, te devoro...

Esse texto nasceu de um comentário feito no perfil do professor da UnB Luis Felipe Miguel...

Lula diz em audiência que esperava imparcialidade do judiciário/polícias/mp porque agiu de forma republicana com aquelas instituições...
Eis minha rasa e leiga opinião sobre o tema:
Talvez seja a hora, inclusive para Lula, de começar a entender os ritos e protocolos que infestam as corporações como judiciário, mp e polícias...
A fermentação de ódios e idiossincrasias em instituições desse tipo nem é exclusividade delas, isso também acontece em círculos militares, e em todas as esferas do Estado onde haja alguma parcela de poder (de fato), nesse caso, seja pela imposição simbólica das armas (militares e polícia) seja pela violência simbólica inerente ao estamento normativo, que detém o poder de "decidir" os supostos conflitos, sejam os de natureza positiva (aqueles que as leis não dão conta), seja os negativos (as infrações às leis (strictu sensu, o crime)...
A total incapacidade do PT e dos integrantes da esquerda em tratar desse problema (judiciário e polícias, e em sentido mais amplo, a questão da segurança) nos ajudou a chegar onde estamos...
Ajudou, porque os ingredientes externos já estavam decididos e nos escapam, como já provou a CIA e outros verdugos estadunidenses...Mas nossa tarefa de casa sequer começou a ser feita...
A impaciência de Lula deveria ser consigo mesmo, porque ele mesmo acreditou (e disse isso na audiência) que bastava agir com o chamado "republicanismo" (perdoe a para-frase a Lênin, a doença infantil do capitalismo reformista) que teria um tratamento isonômico por parte daquele estamento...
Mal comparando, deve ter sido a mesma surpresa de Carlos Lacerda quando viu que levara pernada dos militares...O que Lula, e talvez todos nós não percebamos é que tais instituições (policiais e judiciais) são instrumentos anti-democráticos de controle democrático...
Eu sei, isso é um paradoxo e tanto, mas o desafio, que sequer ousamos enfrentar, é dar conta de adequar essa natureza às demandas dos governos mais à esquerda, em suma: transformar, por mais louco que pareça, esses aparatos em instrumentos anti-democráticos de controle progressista...
Esses entes têm completa aversão ao poder originário (voto), seja aqui, seja na Dinamarca ou Islândia...Assim, não há como "ganhá-los" por dentro, de forma estruturalista ou gradualista...
Eles recebem comandos, devem ser impostos a eles a nova ordem que se pretende...
Caso contrário, sempre funcionarão como agora, como freio sem nenhum contrapeso...Perdoem se falei besteira, mas é isso que penso...

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