segunda-feira, 27 de março de 2017

E na patetolândia, o duelo de little kid napoleão e marcelo frouxo calamity jones...

Eu confesso que nada mais me surpreende...

Hoje eu li em um jornal de grande circulação a réplica do ex(des)governador do Estado, o little kid napoelão, também conhecido como coronel bolinha, a uma fala do deputado holofote, o marcelo frouxo calamity jones...

Dizem os mais próximos do deputado que o rapaz, em suas noites de insônia, dá entrevista a geladeira pensando se tratar da luz de uma câmara...

O little kid napoleão dispensa apresentações nesse sentido...

Pois bem, os dois gatilhos midiáticos mais rápidos do Far West Carioca deram para trocar desafios sobre a questão da milícia...

frouxo calamity alegou que o fenômeno surgiu e foi cevado no (des) governo do rei dos patetas da lapa...

Esse por sua vez respondeu lançando o desafio, do tipo onde, quando e como o deputado quiser...

Pois bem, se eu fosse um completo idiota eu desafiaria os dois...mas não chego a tanto...

Vamos por aqui mesmo desmascarando esses dois vingadores de araque...

Os dois mentem, por motivos que só a eles cabem esclarecimento, mas demonstram, de antemão, total desconhecimento da questão séria que envolve violência e criminalidade, Estado e sociedade...

E nem é preciso ser um Soares (Luis Eduardo), um Kant (Roberto Kant de), uma Lengruber (Julita) ou um outro medalhão estudioso da questão...

Até um puliça mequetrefe de baixa escolaridade como eu sabe o que aconteceu...


Primeiro é bom dizer que a existência de grupos de policiais dedicados ao extermínio, com emprego de pessoas "terceirizadas" (os chamados X-9), é antigo nas corporações policiais brasileiras, mas no RJ assumiu contornos folclóricos, mas não menos letais, como a Scuderie Le Coq (do famoso  Mariel Mariscot) ou Tenório Cavalcante e sua "Lourdinha" na Baixada...

Ou seja, no RJ a coisa virou uma griffe, legitimada e apoiada por setores médios e da elite, que só passaram a rejeitá-los quando a coisa fugia ao controle...aliás, como é o caso das milícias atuais...

Com o fortalecimento do consenso em torno a War on Drugs, a partir da década de 80 o século passado, toda a "indústria da segurança" ganhou uma escala jamais vista, tanto do ponto de vista do Estado (polícias, judiciário e outros entes públicos), como na sua ponta ilegal, com a disseminação de redes de varejo com incrível capacidade logística e poder de fogo, sendo certo que TODOS os dois lados eram alimentados pelas empresas fornecedores de insumos...

Sim aquilo que você vê nos cinemas e nas séries de TV é mais ou menos a realidade: durante os dois primeiros terços dos século XX, drogas foram tornadas ilícitas e pouco a pouco foram disputando a primazia na rede de negócios ilegais dos grandes grupos...

Com a política anti-drogas dos EUA, que seguiu a mesma toada e os trilhos da globalização via reagan e tatcher, com a total desregulamentação de mercados e das regras de transferências de recursos (dinheiro), as drogas tornaram-se a primeira atividade ilícita do planeta, transformando arranjos locais em grandes conglomerados transnacionais...

O resto é História...e seriado...

A milícia é, então, uma sofisticação empresarial daquilo que os grupos de policiais da década de 70, e que tiveram seu auge na ditadura de 64, já faziam com certa eficiência, mas sem os lucros e o poder agora disponíveis, uma vez que a mídia e as classes médias aderiam a histeria anti-drogas sem nenhuma oposição crítica, e alimentaram assim o mundo perfeito para as soluções de "exceção" (bandido bom é bandido morto)...


As milícias cresceram sim na octaéride garotista, mas não por culpa exclusiva do little kid napoleão, como gosta de inferir o frouxo calamity....

Claro que o patético "beija-mão" do então (des) governador napoleão da lapa aos órgãos de segurança dos EUA, que revelavam sua adesão inconteste ao modelo militarizante daquele país na questão das drogas, ajudou bastante a disseminação do fenômeno das milícias...

Um exemplo? Toda comunidade policial sabe que o Pan 2007 foi o ápice dessa "parceria" informal entre Estado e os para-militares das milícias...A segurança das instalações dos jogos foi garantida pela ocupação "tolerada" das milícias nas regiões onde elas (as instalações ) estavam...

Depois, por certo, a merda toda sai do controle, e aí cada um trata de apontar o dedo...

Mas o deputado frouxo calamity nunca, em toda sua suposta cruzada contra as milícias, teve a coragem de se debruçar sobre a origem e causa de boa parte da degradação do Estado e das suas forças policiais, que é a falida Guerra às Drogas...

E por que?

Ora, o deputado canastrão sabe que boa parte do seu eleitorado classe mé(r)dia nada em piscinas de hipocrisia e tem discurso virulento anti-drogas, embora se entupam de álcool, e finjam não ver que seus filhos vivem com o nariz entupido de pó...

Já o little kid napoleão e ex(des)governador segura na outra ponta da falsificação e segue se apresentando como "xerife"....

Dois zérruelas incapazes de subir o morro, mesmo que dentro de um blindado, mas falando de coisas que não entendem porra nenhuma, ou se entendem, falam o que a plateia quer ouvir...

Enquanto isso, vamos morrendo, policiais, os suspeitos de sempre, e muito mais gente que embora alheia ao conflito, também não pode ser considerada totalmente inocente...

3 comentários:

Anônimo disse...

Douglas,

Pela ordem:
1) A escuderia Le Coq não é do Espírito Santo?
2) Teve também o delegado niteroiense Sergio Fernando Paranhos Fleury um expoente do extermínio que ficou "pesado" de carregar.
3) Sem falar no delegado arrependido, agora crente, que afirma ter desintegrado alguns corpos em fornos de uma usina da planície, com o aval do proprietário.

Pelo que entendi, no restante do texto, neste tema não há inocentes.
Sei que War on Drugs é conversa mole. Quando a promotoria de Nova York teve a chance de golpear o cartel mexicano, condescendeu. A história é conhecida e salvou um banco inglês.

Imagino que, se você acredita no que escreve, você deve ter sérios conflitos, ainda que internalizados e pessoais, com a atuação da instituição policial. Você sabe qual é o jogo que está sendo jogado. Deve ser, em parte, frustrante.

Marisa disse...

Na ausência do estado ,ou na incompetência deste em melhorar o sistema educacional e consequentemente diminuir a desigualdade social vão existir lacunas preenchidas por grupos marginais apoiados pela população carente dos serviços do estado e pelo próprio estado incompetente que prefere terceirizar suas responsabilidades. Enfim a uma complacência do estado e dá sociedade até onde lhes interessam , só que todo poder paralelo cresce e foge dos padrões aceitáveis pelo estado e pela sociedade e então começa a discussão inócua buscando os responsáveis por milícias ou outros poderes paralelos.

douglas da mata disse...

Ao primeiro comentarista:

Como grupo e "griffe", no caso do texto, faz pouco sentido pesquisar a origem, porque como as facções marginais (tipo CV, ADA e PCC) a questão maior é a natureza do movimento que leva a adesão e/ou solidariedade dos pares...

Mas a pesquisa na Wiki informou que a origem e carioca, veja: https://pt.wikipedia.org/wiki/Scuderie_Detetive_Le_Cocq


Fleury é de Niterói, mas atuou no DOPS de SP, veja:

https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Fleury

Olha, eu tinha frustração até quando esperava algo da polícia e do Estado, hoje sei que não há esperança possível senão com a total ruptura desse modelo de Estado e surgimento de uma nova ordem...

Então, como vê, dou minha contribuição escrevendo sobre o tema e me negando a engolir o que tentam me empurrar goela adentro...


Ao segundo comentarista:

Sua tese de "ausência do Estado" já foi compartilhada por mim, e até hoje é compartilhada por muita gente...

Não concordo com ela...Não falta Estado, o Estado sempre esteve presente em todo canto...A questão central é que parte do Estado, ou melhor, que parte do Estado é presente para que tipo de população...

As milícias são resultado direto da ação militarizada estatal contra uma indústria que não pode ser combatida, não por esse método de enfrentamento armado e localizado...Essa ação estatal é classista quando voltada aos mais pobres, territorializada nas partes periféricas, e igualmente pobres e etnicamente dirigida aos pretos...

Outra confusão comum feita por você: ação educacional não melhora distribuição de renda per si...Sem tocar nas causas estruturais de desigualdade (tributária, principalmente, junto com salários e oferta de empregos) de nada adianta escolaridade...

Escola sem grana só forma garis com doutorado...

E por fim, outra questão: é verdade que os grupos marginais conseguem alguma solidariedade e adesão da população local, mas esse fenômeno não é permanente, pois o que hoje determina a submissão é a violência mesmo...

Como resultado da globalização, as empresas do crime agem de forma semelhante na gestão de pessoas e das comunidades onde estão inseridas, ou seja: fodam-se todos, a ordem é lucrar...

Aquele romantismo do bandido social já era!

O problema é que empresas legais não matam na mesma escala nas ilegais...aí o bicho pega...