terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O senador, as páginas amarelas e os sinais de futuro próximo...

Há muitos sinais pululando na conjuntura atual, e aos mais desavisados, esses sinais podem parecer ambiguidade...

Não são...

Quem se lembra um pouco da História recente desse país, a partir de 2002 (ou 2001, não lembro exatamente), precisamente quando foi lançada a Carta aos Brasileiros (que é por muitos considerada a certidão da nascimento do governo de coalizão petista, ou de óbito da esquerda para os mais afoitos) sabe ao que estou me referindo...

Quem conhece Lula e sua história também sabe...

Naquele documento se encontravam a natureza conciliadora de Lula, forjada nas negociações de classe com o patronato mais atrasado do mundo (em todos os sentidos), sua crença no capitalismo fordista misturado ao reformismo keynesiano, com o deslocamento do PT para o centro conservador da política nacional...

Não que o PT já não carregasse o gérmen do conservadorismo com seu discurso classe mérdia moralista, um dos fatores que deu alimento a escalada autoritária dos órgãos judiciais e ministeriais desde 1988...

Mas naquele momento o PT fazia uma inflexão que, ao mesmo tempo, largava o moralismo eclesial de base cristã (classe mérdia) e sua agenda radical estatizante anti-mercado/globalização para se inserir no campo da "viabilidade" exigida pelos cafetões nacionais do mercado: A mídia e a elite sócia menor dos seus congêneres mundiais...

Dali para a frente realizamos uma tímida reforma nos escombros do capital, o que já foi suficiente para catapultar o já carismático líder a estratosfera do imaginário político das classes pobres, a ponto de fazer seu capital político resistir ao mais sangrento, sistemático e covarde ataque a reputação de uma pessoa pública em toda a História do Brasil, quiça do mundo...

Os que se assustam com a entrevista do senador pernambucano (ele mesmo alvo de várias injúrias e outros ataques a sua honra pela mídia que visitou), o voto do André Siciliano pela venda da CEDAE, ou os movimentos parlamentares, tanto no Congresso, quanto nas assembleias estaduais, onde petistas articulam apoio em troca de lugares nas composições das mesas diretoras daquelas Casas, desconhecem a natureza do jogo que está rolando...


A mera expectativa de 2018, com o favoritismo de Lula, e sendo esse favoritismo contextualizado dentro de um ambiente hostil ao qual ele está submetido desde 2003, ou melhor, desde 1980, mexe com as placas tectônicas da política nacional...

Uma boa parte do PT se prepara para os ajustes para construir o que se chamou de governabilidade, essa parcela do PT está identificada como aquela que escolheu e acredita que não há luta política fora dos limites da institucionalidade, ou que, se há, ela não mereça maior atenção que alguns discursos e reuniões para acalmar ânimos...

Aquilo que sempre foi o dilema petista e de toda esquerda: partido de massas ou de quadros...

Um dilema falso, porque nenhuma agremiação com pretensões de esquerda poderia subsistir sem uma dessas partes complementares...

Os sinais parecem avulsos, casuais, acidentais e/ou desconexos, mas vistos sob um prisma mais largo estão conectados como um "instinto", uma síndrome de Estocolmo, que dirige os esforços de parcela empoderada do PT a reparar aquilo que, sinceramente, acham que foram erros na condução política do governo...

Claro que as remissões de culpa pelos atos de corrupção (embora muitos deles tenham sido aventados em processos ilegais e sem prova alguma) seria necessária, mas é a simbologia que cerca esse ato de contrição pública que nos preocupa...

Agimos como a vítima de estupro que pede desculpas pelas vestes, pelas companhias ou pelos hábitos, culpabilizando a si mesma pelo crime do agressor...

Dentro dessa análise há um componente pessoal que não pode ser desconsiderado: Lula...

Depois de anos sob ataque intenso, sendo o Presidente que fez a sucessora, reconhecido mundialmente, apesar do ódio de parcela da população, mantém, ainda assim, o carinho e a preferência da população pobre, população essa que manteve silente durante todo esse processo...

Ora, se o paradoxo se apresenta a seu favor, tendo a população mais carente depositado suas esperanças em seu retorno triunfal em 2018, como esperar dele uma radicalização do discurso?

Como dizer a esse estadista, a esse mito, que ele está errado?

Pois é...

São esses problemas que vamos ter a começar a lidar, que tendem a ficar mais agudos com o passar do tempo, na medida que o confronto eleitoral aponta para uma polarização ainda mais dramática com a extrema direita, representada no apologista do estupro...

O PT mais do que nunca vai tentar se parecer com o centro para isolar o fascismo que vem por aí...

Os deslocamentos são nesse sentido...

Tapem os narizes...porque com Lula, o capital que não tem cheiro, partido e nem leva desaforo para casa vai continuar mandando...

Sem Lula, sabe-se lá o que será...

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