quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O diabo são os outros no Espírito Santo...

Como já escreveu meu amigo Roberto Moraes, o Espírito Santo pode ser um case a ser estudado por especialistas...

Não tenho essa pretensão, mas vou dar meus pitacos...

O estado capixaba é figurinha carimbada no álbum da letalidade violenta e criminalidade urbana há tempos...

A região da Grande Vitória (Viana, Vila Velha, Serra, Cariacica, etc) sempre disputou palmo a palmo (ou melhor dizendo, corpo a corpo, para não perder o trocadilho) com as capitais nordestinas o título de região mais violenta do país, apesar da mídia nacional insistir no Rio de Janeiro...

A exacerbação da percepção da violência no Rio (na capital, principalmente) atende a uma demanda política antiga, desde que a população resolveu votar em candidatos de esquerda, como Brizola, que tentaram, em vão, assumir uma postura diferente (um pouco apenas) para conter a criminalidade...

Qualquer tentativa de modernização do discurso prende, espanca, arrebenta e mata (preto e pobre) era rechaçada com vigor pelas organizações mafiosas de comunicação, com o clã dos marinho a frente...

Mas voltando ao ES, é conhecida a história e ficha corrida de diversos grupos de extermínio, onde o líder de um deles, o ex-policial militar José Carlos Gratz chegou a presidência da Assembleia Legislativa daquele estado, e se envolveu na morte de um juiz federal...

A violência e criminalidade no ES, assim como em qualquer lugar do planeta, obedece a causas gerais e específicas...

O ES sempre foi um estado pobre, de baixo IDH, habitado em seu interior por uma forte presença de imigrantes pobres europeus, dedicados a agricultura e com baixa atividade industrial...

Sufocado pela presença e proximidade com o RJ, rota de passagem entre Sudeste e Nordeste, o ES experimentou algum aumento de sua dinâmica econômica com o crescimento de sua vocação portuária, e ao mesmo tempo, houve uma explosão de violência que resulta do incremento desmedido e não regulado, algo parecido com o que começamos a experimentar na região de SJB, com o ainda incipiente Porto do Açu...

Qualquer idiota sabe (ou deveria) que o aumento da capacidade e atividade portuária é a senha para aumento da entrada e passagem de toda sorte de mercadoria e comércio ilegal, desde contrabando até drogas e armas...

Ao mesmo tempo que aumentava desordenadamente seu movimento no entorno dos seus portos, o ES colocava em prática a receita neoliberal para gestão pública, acentuando desigualdades, espalhando o território propício para aumento da já dramática criminalidade...

O resultado está aí...

Por outro lado, a total desconexão do combate a criminalidade entre unidades federativas proporcionou o trânsito livre a a sinergia entre grupos criminosos capixabas e fluminenses...

É antiga a movimentação de cargas e veículos roubados pelo enclave Presidente Kennedy, Cachoeiro de Itapemerim, Apiacá (sul do ES) e São Francisco do Itabapoana e região norte de Campos dos Goytacazes (Morro do Coco, Santo Eduardo, Santa Maria e Bom Jesus do Itapaboana...)

Porém, ao contrário do a mídia cretina comercial divulga, não é esse pessoal que anda tocando o terror no ES...

Boa parte dos crimes de morte ocorridos no último fim de semana estão relacionados ao aumento da atividade dos grupos de extermínio, possibilitada pela ausência de policiamento...

Assim como os saques acontecem com a presença maciça de pessoas da classe média, como já evidenciado nas redes sociais...

Um outro fenômeno que obedece a regra geral, qualquer que seja a classe social, embora a mídia prefira repercutir crime de pobre e preto: a ocasião faz o ladrão...