sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O desmonte do Carnaval de Campos dos Goytacazes II...

Esse texto é um complemento de outro escrito aqui...

Olhando as cidades vizinhas podemos observar que o processo de artificialização e sufocamento das manifestações populares do Carnaval não ficaram restritas aqui, e tiveram um ponto em comum:

Todas as cidades onde o Carnaval sucumbiu como festa de inciativa popular tiveram significativa concentração de recursos via recebimento de royalties...

Cito principalmente Macaé, Rio das Ostras e Cabo Frio...

A maioria dos cientistas sociais ( mormente os economistas, um ramo para-científico dedicado a quiromancia) consegue enxergar que essa enorme quantia de recursos, além de não proporcionar a esperada "redenção regional", causou sérios danos ao tecido social e a já combalida dinâmica econômica existente...

Ou seja, além de não criar nada, além de concentrar riqueza nas mãos dos poucos de sempre, os royalties ainda mataram o que tentava resistir no entorno...

No campo social e das manifestações culturais não foi diferente...

Houve uma "prefeiturização" de todas as iniciativas com a chegada da indústria de produções culturais de massa (a era dos shows, que teve seu ápice com o prefeito-canecão, arnaldo vianna), que ceifou e aniquilou boa parte da espontaneidade local...

Todos sabemos que essa escolha não foi só estética, mas atendia também a demanda por desvios para captação de recursos para o benefício dos governantes e seus agentes delegados...

Ao mesmo tempo, surgiu uma hierarquia do dinheiro, que legou os artistas locais a se contentar com as migalhas e tratamento diferenciado desde a contratação até o pagamento, além da "seletividade" típica de relações promíscuas que beneficiava os artistas amigos do poder, segregando os que não rezavam na mesma cartilha...

Com a briga por migalhas, os artistas locais, em nome da sobrevivência, tentam se encaixar a qualquer custo ao gosto dos mecenas estatais...

Essa "prefeiturização", que também pode ser chamada de dirigismo cultural, anestesiou o tecido cultural criativo ao ponto da total flacidez...

Tal fenômeno, é claro, chega com força no Carnaval...

A apropriação do Carnaval pelas chamadas entidades representantes, verdadeiros cafetões das agremiações, submeteu o apelo popular da festa a uma lógica mercantil...

Tudo bem, o Rio de Janeiro também experimentou essa mercantilização, essa transformação da festa de seu caráter artesanal para indústria em escala...

Pode-se questionar a "originalidade" do Carnaval carioca (se bem que em se tratando de Cultura, a ideia de originalidade sempre resvala na fraude), mas nunca sua realização bem sucedida...

O problema é que aqui, a mercantilização da festa resumiu-se ao seu empobrecimento, tanto financeiro quanto estético, onde os "intermediários" (as entidades representativas) cumpriram a triste missão de tornar a festa popular em um fiasco que justificasse seu abandono pelos governantes...

Imagine o desfile das Escolas de Samba do Rio deslocado da Marques de Sapucaí para a Barra da Tijuca...

Foi mais ou menos o que fizeram nessa cidade...

Toda manifestação social e cultural depende em boa parte de seu enraizamento territorial, sua concepção de pertencimento, seu lugar...

Geralmente quando se arranca essa manifestação do seu local de origem, com raiz e tudo, nada sobra...

Anos a anos serão necessários, para que a resistência popular traga de volta a festa...ou não.



8 comentários:

Anônimo disse...

Douglas, espero que possamos ter um diálogo, nem digo debate, pois penso que você "descambaria" para um jeito meio grotesco de dizer o que pensa, sem aceitar muito as ideias do outro, rsrs!

É o seguinte:
Você e todo esquerdista é contra o discurso da moralidade, da ordem, e anexos...

Então me responda:
- Quando você critica os males feitos de adversários, o que você julga?
- O que é imoral para você?
- Como você age como policial civil? Por que escolheu ser policial, sabendo que o policial existe para "ir contra" a imoralidade e desordem?

Vc acha que se tirar a "Igreja" ( mesmo sabendo que há falhas em muitas) de uma Cidade esta Cidade melhora ou piora?

Realmente vc acredita que uma esquerda melhoraria o mundo?

Por que o preconceito raivoso contra a ordem, e a moral judaico cristã, já que o mais preconceituoso contra homossexuais é o Islã?
Por que você defende mais o Islã que os judeus e cristãos, mesmo sabendo que é o Islã quem tem mais preconceito a ponto de matar mesmo?

Espero que responda sem ofensas. E você sabe que os judeus e cristãos não fariam com você o que você deseja a eles cheio de ódio.

Muito obrigado
Estamos vivendo outros tempos.

douglas da mata disse...

Bem, judeus e cristãos não são muito exemplos de tolerância...É só olhar a História, com as Cruzadas, as guerras entre católicos e protestantes na Europa, e agora, recentemente, o holocausto palestino promovido pelos judeus...

Nesse sentido, cristãos e judeus fizeram e ainda fazem muito pior com que discorda deles...

As delegacias e tribunais estão cheios de casos de intolerância religiosa patrocinada por evangélicos contra outras denominações...

Bem, vamos começar do começo:

Não posso falar por todos da esquerda (e desde já repilo o rótulo "esquerdista", que já traz em si um tom pejorativo), mas creio que a maioria não é contra a correção no uso do dinheiro público, nem a favor da chamada "corrupção"...

A questão central que essa não é uma questão moral: a corrupção é a própria estrutura do capitalismo, porque a injustiça social e a desigualdade são as piores formas de corrupção...Não espero que você entenda nada do que escrevo, mas já que perguntou vamos lá...

O que uma pessoa de esquerda enxerga é:

1- O discurso da ordem e da moralidade é sempre seletivo, ou seja, existe para impor uma moralidade e uma "ordem" que privilegia poucos enquanto mantém os demais sem qualquer direito...O discurso da ordem e moralidade é seletivo, do tipo faça o que digo mas nunca o que faço...
Veja só o o caso da pedofilia na Igreja Católica (abafado por anos e mal resolvido até agora) e agora o caso do pastor malafaia...

Hipócritas...

2- O mundo não se divide em moral ou imoral...essa é uma lógica binária canhestra...

3- Como policial civil, depois de anos na profissão, entendi que o crime compensa, desde que você seja rico e poderoso, até porque, só prendi pobre até hoje, e não creio que criminalidade seja exclusividade dos pobres...

Cumpro meu papel, e só...

Sei exatamente o que é legal e ilegal, mas antes de ser policial já sabia o que é justo ou injusto, e que as práticas sempre são legitimadas a partir dos filtros de quem se privilegia delas...

Então, tráfico de drogas é um flagelo...ok, desde que não seja praticado por um senador em seu helicóptero, porque aí, tudo bem...

Dinheiro sujo é sempre lavado bem branquinho em bancos europeus cheio de classe......

Então, fiote, não vamos começar com esses truquezinhos sobre moralidade, você não sabe porra nenhuma sobre isso...

4- Olha, eu reconheço que no princípio, quando o homem e a ciência ainda engatinhavam, a Igreja ou a religião (lato sensu) foram importantes instrumentos de coesão social...

Hoje eu não tenho dúvidas de que as religiões deveriam voltar ao começo, quando eram cultos privados e sem interferência no poder temporal...

As cidades seriam bem melhores sem a interferência da religião, ou melhor, o mundo todo...

5- Como ateu, minha opinião sobre o Islã ou qualquer outra religião, principalmente as outras duas grandes monoteístas (judaísmo e cristianismo) é a mesma: ou seja, são todas antros de preconceitos, e ignorância e intolerância...sem exceções...

Estamos vivendo outros tempos, com certeza...

O mundo existe muito antes de deus, porque deus é uma invenção nossa...

Cachorros não rezam, mulas não ajoelham, animais não enterram e veneram seus mortos esperando a vida eterna...

deus é o nosso medo da morte e da finitude...

Anônimo disse...

Ufa!!! legal!
Pelo menos vi um Douglas mais inteiro!
Sim, porque o debate e o diálogo clareiam as ideias. Podemos pensar diferente e sem um "conceito antes" e assim deixar uma contribuição no "fazer momentos de se deixar ouvir"

Quando você não agride em seus argumentos, você mostra que seus argumentos são passíveis de serem levados em consideração, pelo menos para uma análise posterior. Mas quando você já, de antemão, borrifa gás de pimenta, o seu interlocutor fica impedido de como "ser aprendente", fazer do limão a limonada refrescante, ou mesmo do boldo um chá, no momento, "amarguézimo", mas posteriormente um alívio para as dores do "humor"... - parece que fígado tem a ver com humor, não?

Bem, podemos continuar, ou você prefere parar por aqui porque tem tudo pronto em sua mente e não é capaz de se permitir uma luz de um ângulo diferente e quiçá atraente para um possível debate mais acolorado, sem aquilo de "vai pra isso", "vai praquilo?"

Podemos ou não argumentar nossas ideias aqui?
respeito o seu "não querer".

( apesar de já saber que você não tá nem aí para o "querer" ou "não querer" de ninguém...rsrs)

douglas da mata disse...

A temperatura, o calor do debate nem sempre podem ser considerados ruins em si...

É do atrito, do incômodo que nasce o conhecimento...

Veja bem, como sua violência é dissimulada:

Você vem aqui e adjetiva meu modo de debater, e depois tasca uma frase bem autoritária, embora escondida em salamaleques:

"(...)você prefere parar por aqui porque tem tudo pronto em sua mente e não é capaz de se permitir uma luz de um ângulo diferente e quiçá atraente para um possível debate mais acolorado, sem aquilo de "vai pra isso", "vai praquilo?"(...)"

Em suma, eu não reconheço na sua tentativa de contrabando de teses "religiosas" nenhuma utilidade ao debate, e só o estou atraindo para desmascarar a manobra...

Viu como é fácil?

Pois é...

Aviso: se queres continuar há de saber o seguinte:

01- quem fala o que quer ouve o que não quer...

02- nem sempre bons modos podem ser confundidos com cortesia, alemães torravam judeus ouvindo Wagner e comendo polidamente seus strüddels...

03- Esse é um blog ateu, e reserva-se no direito de repelir com veemência qualquer estuidez dita em nome da fé...

Não discuto fé...quem tem, tem, quem não tem não pode ser convencido (convertido) a tê-la...

Por outro lado, acho que fé é uma coisa privada, e que deve evitar o máximo a repercussão pública...

Mas como vocês têm essa "missão" de doutrinar o mundo, não reclamem do peso e da virulência de meus argumentos já que eu não pedi para você vir aqui cumprir esse desígnio, até porque o mundo está cheio de espaços para que você possa cumprir essa tarefa...

Se veio ter com o diabo, aguente o calor do inferno...

Anônimo disse...


.. vc cré no diabo? Sabia que ele crê em Deus e até estremece?
tchau

sem mais aqui.Afinal, vim demais.

douglas da mata disse...

Pronto, caiu a máscara e toda a pompa e salamaleques...

Assim como se esgotaram os parcos recursos discursivos...

Agora vocês sabem porque não dou moleza para esse imbecis aqui no blog...

Anônimo disse...

Mas vc não colocou os recursos discursivos frase a frase, né????

Precisa colocar não...
Seria "dureza" demais.

douglas da mata disse...

????? Meu filho, vá tomar seu remedinho, e leve sua lenga-lenga religiosa junto, de preferência, enfiada no seu rabo...