segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O desmonte do Carnaval de Campos dos Goytacazes...

Justiça seja feita: 

O atual governo do pequeno-führer, o IV Reich da Planície não é o responsável exclusivo pela agonia e morte lenta do Carnaval dessa cidade...ele pode ser o último (caso todas as expectativas se confirmem), mas não é o único...

Como fenômeno multifacetado que é, o Carnaval (e sua agonia) não pode ser analisado de uma vez de só, de sopetão...

Será preciso algum método (científico, talvez, se algum intelectual se interessar, quem sabe?) distanciamento histórico e claro, honestidade intelectual...essa última premissa é rara, principalmente no meio dos principais algozes que reivindicam alguma solidariedade ou proximidade com o festejo de Momo...

Falo dos oráculos da vida, dos cretinos dos meios de comunicação (sempre pendulares entre a tentativa de serem simpáticos a algo que não entendem, e os interesses de classe que portam) e enfim, todo mundo, que de uma forma ou de outra, tirou uma "casquinha" do Carnaval e ajudou a enterrá-lo no seu túmulo suntuoso, o CEPOP...

Vamos lá atrás:

As primeiras estocadas na festa eram trombeteadas nos jornais da cidade, que em nome dos seus conchavos comerciais implicavam com a montagem das arquibancadas da festa na XV de Novembro...

Ali já fermentava o germe do fascismo que mataria a festa...

Como se a rua (naquele caso, a avenida) fosse só de comerciantes e de clientes, ou seja, como se a via pública fosse um território onde só relações comerciais seriam legítimas, os jornais e comerciantes argumentavam que a festa de 5 dias atrapalhava os negócios...

Sim, foi essa lógica que imperou desde então...ironicamente, ou por vingança dos deuses momescos, a Avenida XV de Novembro virou um cemitério comercial, em uma cidade (assim como todas as outras de mesmo porte) que se voltava para os monstrengos chamados Shoppings...

Foi com a desterritorialização do Carnaval e das agremiações que começou o fim...Imaginem transferir o Carnaval do Rio para Barra da Tijuca pelos transtornos ao Centro do Rio trazidos pela festa?

Então...

Outro momento que merece atenção dos historiadores foi o aumento das verbas oficiais, proporcionado pelo incremento de receitas advindas dos royalties...

Não, não, não senhores...Não vamos cair na armadilha elitista de que o Carnaval não merece o dinheiro público...

Esse é outra discussão...

Mas foi naquele momento, quando os royalties começaram a jorrar, que setores carnavalescos enxergaram a chance de engordarem seus bolsos, em detrimento e abandono das comunidades e suas manifestações culturais...

Processo parecido se deu em todas as esferas e instâncias de vida social dessa cidade, o que chamamos de "prefeiturização" das relações sócio-econômicas...

Paulatinamente, as associações de blocos, de escolas de samba e de bois pintadinhos foram apertando o torniquete nos pescoços das comunidades, empurrando-as para precarização e pauperização dos desfiles, como forma de aumentar as sobras de receitas que verteriam para contas pessoais...

Paradoxo: Quanto mais dinheiro, pior ficava...

Tudo com "delegação" dos administradores da cidade e seus acólitos que fincaram pé no cocho da Cultura...

Talvez o ápice do descaramento tenha sido a verba de 1.8 milhão gasta pela então primeira-dama para desfilar na cidade do Rio de Janeiro...

Na outra ponta, vieram as ondas de conservadorismo religioso, sempre na surdina, sempre disfarçadas de boas intenções...Esse movimento silencioso foi isolando o Carnaval para cada vez mais longe do imaginário da população...

Com  a concentração de recursos nas praias, a falta de interesse dos mais jovens (justamente o que renova as tradições de quaisquer manifestações culturais e as mantêm vivas), e o total desinteresse do poder público pela festa, o Carnaval de Campos dos Goytacazes virou cinzas...

Um pequeno parêntese: O fim ou a total decadência dos bailes de Carnaval, que refletia a derrocada dos clubes que os hospedavam, por mais contraditório que pareça, também ajudou a enterrar o Carnaval...

Sim, embora os bailes atendessem, quase sempre, ao público classe média e da elite, eram eles que ajudavam a gerar nas ruas a necessidade de "resposta" do povão ao Carnaval dos endinheirados, ou seja, o Carnaval de rua...

Na Capital, na cidade do Rio de Janeiro, foi, junto com outras causas, o confinamento do Carnaval em desfiles industrializados e pausterizados para uso e deleite de poucos e lucro de TV e da máfia do bicho, que empurrou o cidadão comum às ruas para ressurgimento dos blocos...

Aqui, todas as frentes que pudessem fazer renascer o Carnaval foram mortas...

O atual governo só veio jogar a pá de cal, com o fim da festa no Farol e a manutenção do estrangulamento das comunidades, como fez o governo anterior...

Peço, mais uma vez, que considerem o texto apenas uma pequena parte da reflexão sobre o tema, que é muitíssimo mais amplo...

8 comentários:

Anônimo disse...

Da mata, caro companheiro!

Não sou tão léxico e gra( dra) mático como você, mas vamos aos finalmentes:

Cara, estamos vivendo outros tempos! Não adianta querer transformar o carnaval como o "arquétipo" da alegria e "solução dos problemas" de uma cidade, porque a humanidade só quer mesmo teclar dentro de seu quadrado. Carnaval de rua é só para os que ainda cheios de "fantasias" vem em busca de um escape. Mas cadê a plateia? São poucos os que em Campos ficam pela Cidade atrás de pintadinhos e etc. Há muito que carnaval de rua acabou. Só existe para os poucos foliões.

Já pensou um "boi pintadinho" tendo que que arrear para atender celular?
Já pensou um "boneca cobiçada" cobiçando ninguém haja vista a rua meio vazia?

Estamos vivendo outros tempos, cara!

A culpa não é daquele ou deste não.
Suas palavras são bonitas e cheias de floreios, mas na verdade, o Carnaval hoje é mesmo no celular... ali em casa ou no cantinho, onde se pode aproveitar o feriado.

Foi boa vontade e muita fé da ex prefeita ao fazer o CEPOP. E ainda bem que mudou o data... na época povo quer sair.

Você nasceu aqui?

Nos encontraremos!( não no carnaval, com certeza)

Um abraço

douglas da mata disse...

Meu filho, tens direito a sua opinião...

Com certeza, as possibilidades digitais entram na conta, mas não como causa (como quer você) mas como um dos efeitos...

Caso contrário, como explicar que em várias cidades ao redor do Brasil (interior e capitais) o Carnaval de rua tenha renascido com força?

Ou seja, a via digital tanto pode servir como fator de isolamento, mas também como fator de reunião...

Acho que é você que anda reduzido ao teclado...

Sinto muito, mas suas alegações não se sustentam se confrontadas com a realidade de outros locais...

Anônimo disse...

Concordo, da Mata, mas as outras cidades onde ocorre o "arquétipo" são cidades ´de uma certa forma turísticas. Aqui o que fazia alguém vir visitar algo diferente, a Cidade da Criança, foi invejadamente desmantelado. Coisas de províncias!

Não que a Cidade da Criança seja aquiiiiilo, mas que isso foi uma boa dose de dor de cotovelo da atual gestação, isso foi. Digo gestação, porque ainda está para nascer o governo que vem mais para provar o feito não feito do que mostrar o feito a fazer.

Vamos conversar, camarada, carnaval vai transformar o quê?

douglas da mata disse...

Meu filho, esperar que uma manifestação cultural "transforme" algo, em se tratando da complexidade das relações sociais é, desculpe, burrice...

Outra asneira colossal é dizer que a Cidade da Criança trazia algum fluxo de turistas a cidade...peloamordedeus...

Já a sua consideração sobre o potencial turístico como mola propulsora das manifestações carnavalescas podem fazer algum sentido, não olhei ainda com pormenores...

Anônimo disse...

Quanto a manifestação cultural "Transformar", foi o próprio Prefeito quem alardeou numa entrevista: "CAMPOS SERÁ TRANSFORMADA PELO CARNAVAL.

E vai ver que vai se mesmo, pelo "não carnaval", pois o $ indo para a educação e saúde, vai ser algo transformador! Mas fossem os "garotos rosados" que fizessem isso, iriam dizer que era por causa da religião.

douglas da mata disse...

Outra asneira dita por ele e referendada por você: Não há contraposição entre as verbas da saúde e educação (garantidas pela CRFB/88, com alocamento orçamentário fixo) e as possíveis verbas para Carnaval...

Tanto os patetas da lapa como o fascistas do pequeno führer matam o Carnaval por desconhecimento e desrespeito às manifestações populares, todas que não ajoelharem e beijarem seus pés (deles)...

Anônimo disse...

Douglas, você continua chamando os da lapa de "pateta". Uê! pateta fica em dois mandatos entrando dizendo a quê vem e saindo dizendo a quê veio?

pateta tem argumentos e provas contundentes colocando a cara na reta sem medo contra "grandes"?

serão mesmo patetas?
Por falar nisso, fala sobre o dim dim para a Comunicação com secretário tendo empresa...

Realmente, patetas são os garotinhos da Lapa.

douglas da mata disse...

Vestiu a carapuça, né? Meu filho, são patetas, pois:

Torraram mais de 15 bilhões de royalties e deixaram a cidade quase no mesmo IDH de quando entraram...

O IDEB quase não se mexeu...

Não houve sequer fomento a alguma atividade que fizesse a cidade aguentar o tranco na crise...

Nossa vocação rural (como a bacia leiteira) continua com pequenos agricultores em situação de indigência...

São patetas porque tiveram a chance de revolucionar essa cidade e torná-la grande e importante, de fato, mas permaneceram patetando em torno dos delírios presidenciais de um napoleão falastrão...


Quanto ao contrato aditado na Câmara Municipal com a empresa do superintendente da Secretaria de Comunicação, esse blog já se manifestou várias vezes, inclusive através do feicebuquistão...