quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Uber e a sociedade-pirata-aplicativo...

Defender o modal de transporte praticado de forma desregulamentada, conhecido como Uber, utilizando o argumento do "mercado", da "maioria", "da consulta a população", ou ainda, da péssima qualidade dos táxis, é uma estultice...

Transferir a uma plataforma digital (aplicativo) a gestão e normatização do transporte de passageiros, atribuição exclusiva da Municipalidade é como permitir que um aplicativo organize a Educação Pública, por exemplo, onde as estruturas formais e legais seriam "outorgadas" a um conjunto de rotinas virtuais...

E não me venham com a cretinice de dizer que há escolas privadas e outras formas de permissão, concessão ou autorização...Seria muita desonestidade intelectual confundir a possibilidade do particular explorar um serviço público, regulamentado pelo Poder do Estado, com a cessão desse Poder para uma plataforma digital...

Parece claro, até para os imbecis, que o "mercado", ou somente a lei da oferta ou da procura não serve como argumento para legalização e/ou legitimação de determinadas atividades, caso contrário, deveremos aceitar o contrabando, afinal, é uma atividade que tem demanda garantida, e também busca substituir o controle do Estado (tributação) por uma lógica "de mercado"...

O Estado, nesse caso representado pela Municipalidade, existe, principalmente, para regular e controlar a vontade individual para que essa não traga prejuízos a coletividade...Assim é quando nos obrigam a usar cinto de segurança (embora nós sejamos as vítimas, o Estado, dentre outras razões, impõe seu império para evitar que a coletividade pague pelo atendimento de emergência caso a imprudência resulte em lesão)...

Nem sempre maioria rima com Democracia: se oito judeus em uma sala resolvem matar os dois palestinos restantes, embora seja uma decisão majoritária, nunca será democrática, então, ainda que a maioria esteja a favor de um serviço que parece vantajoso pelo preço, o que envolve transporte, regulação e tributação está muito além dessa simplificação rasteira...

A melhora dos serviços dos táxis não passa por sua canibalização, assim como a melhora de outros serviços públicos (permitidos/concedidos ou não) também não acontecerá com o enfraquecimento da atividade...
Devemos liberar ônibus piratas guiados por aplicativos apenas por que poderiam cobrar tarifas menores?

Por que não liberar a Segurança Pública para um aplicativo, onde um prestador particular (um miliciano ou outro tipo de justiceiro qualquer) oferece serviços e obtém uma "nota" no fim, podendo continuar no exercício da função ou ser excluído?

Que tal abolir a exigência de legislação e provas para capacitação de condutores para obter a CNH, bastando que instalemos nos veículo um aplicativo de fiscalização e pontuação, tal e qual um video-game?

O problema é que as vítimas não têm vidas reserva, nem podemos "resetar" os acidentes e recomeçarmos tudo, como no jogo virtual...


Eu gostaria de saber  se os meios de comunicação defensores do Uber concordam com a total liberação das concessões de TV e rádio para possibilitar a (auto) regulação do mercado, e uma maior chance de escolha da população?

Uai, é só bolar um aplicativo para organizar tudo...não é?

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