segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O Rio de Janeiro e os cafetões da crise...

Ninguém tem dúvida que os liberais que pregam o Estado mínimo o fazem em benefício próprio: mínimo para quem mais dele precisa (os mais pobres) e máximo para os do andar de cima...

São assustadoras as notícias que chegam ao conhecimento do público...

Industriais reúnem-se com os adestradores da elisão fiscal (OAB/RJ) e promovem descarada chantagem contra a população fluminense, alegando que o fim dos favores fiscais será o fim dos empregos...

Pois bem...é o tal do acordo caracu, onde o contribuinte entra com o cu e eles com a cara...

Se o governo do RJ, ao invés de distribuir os cerca de 140 bilhões de reais gastos com incentivos fiscais para empresas, aumentasse o salário de servidores de um lado, e de outro, repassasse os tributos diretamente aos contribuintes fluminenses, sob a forma de restituições, com certeza estaríamos a bordo de um círculo virtuoso anti-crise, onde o mercado consumidor local seria responsável pela atração de várias empresas, sem a menor necessidade de arriar as calças fiscais para os cafetões da crise, leia-se firjan e seus cúmplices...

Com maiores salários dos servidores e com o retorno de parte de impostos para a população, teríamos mais consumo e mais arrecadação, sem mencionar no aumento direto das contribuições previdenciárias que incidiriam sobre uma base de arrecadação recomposta pelos aumentos reais dos salários dos servidores...

As vésperas de um fim de ano onde servidores estão sem salários, e todos os serviços estão à míngua, é um tapa na cara da população a (im)postura desses senhores...

Depois de um declaração dessas por parte desses canalhas sanguessugas, se a população e os servidores tivessem um pingo de sangue nas veias e vergonha na cara, teriam se reunido e incendiado cada fábrica que estivesse sob esse regime fiscal de favorecimento...

11 comentários:

Anônimo disse...

Não vai ter golpe. Nem salário!

douglas da mata disse...

Só vai ter o vagabundo comendo sua mulherzinha...e não vai ter socorro...

Ainda bem que a minha segurança eu posso fazer por minha conta.

Anônimo disse...

Em meio à greve crise do regime político burguês, com sérios enfrentamentos entre os poderes da república, o frágil governo golpista de Temer anunciou hoje (06.12) publicamente sua reforma neoliberal da previdência a ser aprovada no Congresso Nacional, que restringe o direito a aposentadoria, impõe a contribuição de 49 anos para assegurar 100% do benefício e aumenta a idade mínima para 65 anos em um claro “Deus lhe pague”.

Muitos ativistas e lutadores questionam como é possível tal “feito” quando o parlamento vive uma grave crise política, aprofundada agora com a decisão inconstitucional do ministro do STF Marco Aurélio Mello de afastar Renan Calheiros da Presidência do Senado?

A resposta vem de um quadro político que permite esse cenário. Temer provisoriamente tem o apoio das forças políticas alinhadas diretamente ao imperialismo (PSDB-DEM) e tem o suporte momentâneo da Rede Globo. Conta também com a inação imposta ao movimento operário pela Frente Popular, com a direção do PT em particular desejando que o golpista conclua o ajuste neoliberal cujo desgaste seria (na ilusão desses reformistas) capitalizado pela sonhada eleição de Lula em 2018.

Fica evidente que Temer está sendo preservado pela direita demo-tucana e seus satélites (MBL, Vem Pra Rua) até que conclua as reformas neoliberais exigidas pelo imperialismo e os rentistas, que não toca nos militares nem nos altos cargos do Estado capitalista (Juízes, Promotores). Isso ficou notório nos eixos da “domingueira verde-amarela” que poupou o canalha golpista e concentrou suas críticas em Renan Calheiro, adversário pontual e tímido da Lava Jato devido a sua articulação do projeto de lei de “abuso de autoridade”.

No campo da Frente Popular os governadores do PT e PCdoB estão comprometidos com a aprovação da PEC no Senado, marcada para ser votada dia 13 de dezembro. A conduta covarde de Jorge Viana, que assumiu a presidência do Senado com o afastamento de Renan, já revela a indisposição do PT de levar no campo parlamentar qualquer obstrução séria ao pacote de maldades enviado pelo Planalto.

Anônimo disse...

Está desinformado esse último comentarista, uma das viúvas do lulismo, Renan ainda não foi afastado.A Mesa Diretora do Senado peitou a decisão monocrática do Supremo. É impressionante como conseguem decorar esses textos. Gostaria de saber o que aconteceria de desligassem eles da tomada.

douglas da mata disse...

A gente enfiaria a tomada com cabo e tudo no se cu...paneleiro idiota.

Anônimo disse...

O Supremo Tribunal Federal comporta-se moralmente. E direito não é moral. Quem deve tirar o Presidente do Senado é o Senado. Seria inconcebível que o Senado ou legislativo lato sensu quisesse tirar o Presidente da Suprema Corte.

O País caminha cada vez mais rapidamente para um claro regime de exceção, a imprensa pede para que o judiciário seja o poder máximo do Estado, e que qualquer um que enfrente ou que não acate suas arbitrariedades deva ser preso imediatamente.

Um judiciário que prende um Senador ou um Presidente não pode existir de maneira alguma, não importa se a pessoa for um corrupto ou não, tem de haver um conjunto de normas que configura o direito do cidadão.

Anônimo disse...

Para os golpistas, população deve trabalhar até morrer

A mudança na lei, é mais um duro ataque a um importante de direito da classe trabalhadora brasileira. A mudança nas regras praticamente extingue o direito à aposentadoria e condena a população, milhares de brasileiros a trabalharem até morrer, levando em conta que a expectativa de vida no País está em torno dos 77 anos de idade.

A política dos golpistas é aumentar os lucros dos banqueiros e dos grandes capitalistas por meio da extinção de todos os direitos e garantias estabelecidas. Com a falsa justificativa de equilibrar as contas, a direita impõe uma verdadeira política de escravidão contra toda a população, obrigando a imensa maioria do povo a trabalhar até a morte sem que tenha qualquer benefício. Vale lembrar que outro objetivo dos golpistas é acabar com a CLT e aumentar a carga horária de trabalho.

Anônimo disse...

“Não tenho condições de assumir”, chegou a dizer o petista, segundo relatos de magistrados, num apelo dramático para que a Corte (STF) encontre uma saída que mantenha Renan no cargo. Viana alegou que não terá condições de governabilidade já que sofrerá violentas pressões tanto do governo, para votar medidas de contenção de gastos, quando da oposição, campo ao qual pertence, para protelá-las, agravando a crise política.

A oportunidade de barrar ou ao menos atrapalhar os ataques brutais aos direitos dos trabalhadores que não param de vir do governo golpista cai no colo de um senador petista e a reação é essa? Covardia é muito pouco para descrever a atitude de Viana.

douglas da mata disse...

Caro comentarista, os seus textos, os quais presumo fazerem parte de um todo, trazem boas informações e contribuições ao debate, mas carregam em simplificações óbvias quando analisam o papel do PT e seus parlamentares.

Ruim mesmo é reduzir tudo a uma questão "moral", coragem, apesar de trazer crítica a essa interpretação da realidade que assolou o stf, por exemplo...


Vou republicar parte de um comentário que coloquei lá no Blog do Roberto Moraes, sobre crise, esgarçamento do tecido político e não-civilização...

"(...)Muito se tem falado sobre esgarçamento de tecidos, crises, etc. A aparência é realmente essa, e muito mais ampliada pelas hipersensibilidades proporcionadas pelas redes virtuais (aí o fator tecnologia das equações de David Harvey), que alteram a realidade, enquanto são permanentemente e reciprocamente alteradas pela realidade que criam.

Eu não creio na existência de uma crise específica, de um momento de fratura, pelo menos não na conformação dos dias atuais.

Creio sim que no passado, por força das limitações e também pelo impacto das inovações (elas em si mesmo mais limitadas que as possibilidades de hoje, como convém a certa rotina evolutiva), a História e a percepção de seu caminhar ofereciam uma visão mais compartimentada e sugeriam que os eventos coubessem em marcos temporais e geográficos bem delimitados.

Não à toa, a fluidez de recursos e da informação (não confundir com conhecimento) encontravam nas barreiras físicas obstáculos que permitiam uma assimilação diferente e uma transmissão diferente, o que não acontece hoje.

Mesmo que o problema da verticalidade e da apropriação da iniciativa discursiva pelas classes hierarquicamente mais bem colocadas não tenham sido superados, apesar das trombetas da tecnologia venderem o "admirável mundo novo" pelo viés da conectividade, os donos da informação são os mesmos e o objetivo da disseminação dos conteúdos contaminados pelos interesses de classe também.

Nesse contexto, a sanha "não civilizatória" dita por você, a meu ver, é tanto uma ilusão semiótica, quanto a noção de que em algum momento houve um marco civilizatório que se espraiasse pela Humanidade como uma regra, um ordenamento universal.

É claro que a modernidade, se considerarmos os avanços médicos, aumento médio da expectativa de vida, produção de bens e serviços, melhoria da eficiência do uso energético, etc, é um ganho inequívoco, mas na minha rasa opinião, ela não justifica por si só, nem explica a noção de civilização, aqui entendido como o conjunto de bens imateriais dedicados a contornar a tendência humana a barbárie.

Sendo assim, não seria incorreto (re)afirmar que a História da Humanidade, sua referência civilizatória seja o conflito, o esgarçamento permanente dos tecidos sociais e políticos, aliás, e principalmente, porque sempre poucos viveram às custas de muitos.

O problema é que essa assimetria alcançou níveis jamais pensados, com reflexos ainda não imaginados.

...continua

douglas da mata disse...

...continuação:

O que acontece agora, e muito patrocinado, como já disse, pela ampla possibilidade de cognição on-line e ao vivo dos eventos e de suas contrafações, é um aceleramento correspondente a dinâmica imposta pela acumulação de riqueza, e pela transformação da riqueza em fim em si mesma.

Acumulação e transformações em fim em si são estágios diferentes, embora haja a sedução de entendê-los como iguais.

Pode parecer um pleonasmo, ou um termo equivocado, mas a riqueza sempre foi um meio, sempre esteve associada a noção (lato sensu) de política, que por sua vez, conferia aos seus detentores (da riqueza) o poder correspondente, em uma relação teleológica (causa e efeito) recíprocas.

No entanto, mesmo essa relação carecia de certa mediação, de uma legitimação que conferisse aos despossuídos, e logo, desempoderados, a ilusão de que poderiam conquistar uma parcela do poder sem a correspondente riqueza, reivindicando contrabalanços chamados de direitos.

Hoje, essa necessidade parece ter desaparecido.

Hoje ela (a riqueza acumulada) prescinde essa relação, pois alcançou o seu "estado da arte", ou no nosso prisma de despossuídos, a tempestade perfeita.

Por isso a lógica do golpe nos países periféricos experimenta sua gestação e execução no campo jurídico, que passou de instrumento de poder a poder em si mesmo.

Se antes a mediação para imposição da vontade da riqueza acumulada passava pela violência das armas, hoje a sofisticação dos meios permite a criação de uma realidade paralela que se auto-interpreta permanentemente, e por essa razão, o eixo de decisão se deslocou a quem teria a missão de fiscalizar e aplicar as leis, mas agora as interpreta e reinterpreta como requer a "nova ordem".

A lógica dos ditadores da República do Paraná e seus asseclas é o não-governo, a não-política, o não-Estado, enfim, a não-lógica, como uma espécie distorcida de anarquia controlada, onde as regras são substituídas pela constante interpretação das regras.

Um delírio jamais imaginado por Kafka.

(...)continua

douglas da mata disse...

(...)continuação

Momentaneamente se associam a esse ou aquele esquema, como o Legislativo ou até o complexo bélico-policial, se for o caso, mas nessa "nova (velha) ordem" não há mais correspondência entre a representatividade formal (a que é conferida nas urnas), capital político, movimentos sociais e ações não institucionalizadas, leis, etc.

Uma imagem cara aos jurisconsultos, a Pirâmide de Kelsen tenta explicar o modo como as leis são geradas e se impõem a todos: Fato/Valor/Norma, ou seja, a sociedade a partir de uma demanda real faz dela um juízo de valor (valora) e como resultado outorga a seus representantes a tarefa de criar uma lei que reflita aquele juízo de valor sobre aquele fato determinado.

Podemos dizer que o atual estágio civilizatório (ou des-civilizatório, como prega você) inverteu e subverteu essa lógica, onde agora temos valor, uma norma e depois o fato.

Ou seja, o valor é dado por uma agenda pré-estabelecida e não antes conhecida ou aceita pela maioria representada, e as leis são paridas dessa hierarquia, para depois criarem uma versão que a explique como fato.

Onde entram os meios de comunicação, é claro.

De certa forma, esse estágio sempre foi perseguido pelas elites detentoras do capital e do mercado.

Pela primeira vez, o não-sentido parece ter tomado conta de toda a narrativa da realidade, de uma vez só e em todos os cantos, seja com trump, a saída da GBR da Europa, a crise do Oriente Médio (Síria), ISIS, a posição da Rússia em relação a tudo isso, os golpes da América Latina, sejam golpes propriamente ditos, sejam para ou proto-golpes, como no caso dos Kirchner, ou Maduro na Venezuela, etc, etc...

Porque sempre tivemos pedaços desse não-sentido acontecendo, como foi a eleição fraudulenta de bush jr, o 11 de setembro, a Al Qaeda, etc.

E todas as vezes que todos os fatores se juntam, temos a eclosão de novas eras, que nem sempre significam ser melhores daquelas que foram ultrapassadas.

Já temos nosso pós-Capitalismo. Precisamos agora é arrumar um nome para ele.
"

Em resumo, fiote: o buraco é bem mais para baixo do que culpar o PT ou esse ou aquele senador.