sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Campos dos Goytacazes: a "nova" velha oligarquia e o mito da tecnocracia...

Um dos temas mais caros à direita e seus movimentos políticos é o encapsulamento dos conflitos e da ação política em "câmaras técnicas", ambientes onde a suposta as escolhas que são inerentes a todas as decisões de governo estariam "à salvo" de ingerências dos grupos de interesse...

Não raro, governos com essa característica autoritária servem-se de figuras que construíram seu capital social junto ao chamado terceiro setor, na pretensa assepsia da Academia, ou em outras instâncias que se (auto) legitimam como "superiores"...

Vejam bem, a hierarquização de valores e ações é um traço comum a todos os fenômenos sociais e próprio da luta de classes...

E de certa forma, não há como agir sem classificar essa ou aquela demanda como mais ou menos prioritária...aliás, essa é a natureza das relações sociais...

O problema é justificar a manutenção de uma hierarquia específica (a prevalência dos interesses da elite) como algo natural e fatal, negando a mobilidade necessária decorrente dos conflitos (que darão forma a novas possibilidades e prioridades), a não ser que sejam reconhecidas pelo "corpo técnico"...

É o caso da nomeação celebrada hoje pelo diário oficial do município do futuro presidente da autarquia de trânsito da cidade, IMTT...

Desnecessário dizer que se tirarmos uma radiografia do saco do indicado revelaremos a imagem da boca dos editores do pasquim oficial...

Bem, o rapaz é aquele que foi responsável pelo "projeto" de "humanização" de uma loja ou espaço determinado na área de lazer da classe mé(r)dia, um shopping local, e que depois tentou embargar as reformas do mercado, propondo uma estrutura que privilegiava quem possui automóvel...

Não que ele tenha que rejeitar encomendas de lojistas, afinal, ele tem que comer também...Mas o problema é que ele celebrou essa "obra", em debate no Blog do Roberto Moraes, como sendo uma prova de que a cidade pode aceitar a fatalidade dos shoppings sobre os espaços públicos, desde que haja um "olhar" moderno que tornem aqueles locais mais parecidos com os ambientes abertos (e gratuitos)....

Arf...

Agora, para encher linguiça e pauta, repete um discurso decorado sobre mobilidade e modais...

Arf...

Falácia, falácia, falácia...

Como vai conciliar suas "propostas" de predomínio do transporte coletivo sobre individual, quando o prefeito a quem servirá já anunciou o fim (que ele chama de "modernização ou aperfeiçoamento") do passagem subsidiada?

Para mudar modais e conceitos de mobilidade, não há outra saída senão a coerção estatal...

Cidades que optaram por esses modelos não hesitaram em "desagradar" donos de veículos (Londres cobra pedágios para deslocamento até o centro, outras cidades tornam o estacionamento nas vias públicas muito caro, para estimular uso de transporte coletivo)...

Não creio que esse governo coxinha tenha colhões para chegar nem perto de contrariar os eleitores que se movimentam em "ilhas" motorizadas...

E muito menos imagino que o neto do avô, fiel aos seus parceiros de classe, nesse caso os donos de empresas de ônibus, vá permitir que o usuário de transporte seja o real beneficiário das políticas públicas do setor...

Enfim, a "nova" velha oligarquia vai seguindo o roteiro que se espera dela...



PS: Será que o arquiteto e urbanista vai divulgar ou exigir que se divulgue a lista de doares de campanha do novo velho prefeito?
Uai, ele não era o presidente dos observadores-vingadores de Campos dos Goytacazes? Então, boa chance para praticar o que exigiu dos outros...

2 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com quase tudo exceto da quase presunção, no texto, de que o escolhido para o IMTT possui credenciais técnicas. Falso como uma nota de 3 reais.
Tirando o diploma de arquitetura, credenciais técnicas não há. O doutor possui acervo de obras reduzido e de qualidade sofrível. Quer ver? Veja o "Angu da Estação" do Shopping Boulevard. Pouco criativo, péssima escolha de equipamentos, projeto sem unidade, denegriu a identidade visual do famoso Angú e o conjunto da obra destoa com o padrão do Shopping.

No INTT passará de pedra a vidraça, e o resultado de sua "competência" aparecerá.

douglas da mata disse...

Vai ser um angu de caroço...