quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A Marcha sobre Campos e a "nova" era do Terror!

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Todos os movimentos de extrema direita, que chegaram ao ápice no período entre as duas grandes guerras do século passado, mantinham uma coreografia bem acertada, que não raro desembocava em manifestações e desfiles de rua...

Identificação visual bem definida em uniformes e estandartes, cânticos, ordem unida, rigor e disciplina...

O tempo parece que não passou nessa planície de lama...

Em Campos dos Goytacazes, a "nova direita", capitaneada pelos setores que reivindicam a recente vitória do pleito municipal para Prefeitura e Câmara dos Vereadores, apesar de utilizar-se das chamadas "novas" plataformas digitais, não despreza a manifestação pública como maneira de vocalizar sua coalizão e impor sua vontade aos demais, como uma demonstração de força...

Pequeno parêntese:
(do ponto de vista fenomenológico, a internet não traz nada de novo, pois não é a primeira vez na História que novas tecnologias alteram a realidade e são alteradas por ela - a realidade, como bem descreveu Marx sobre os avanços de comunicação proporcionados pelas circunavegações ao redor do planeta, a invenção do vapor, imprensa, telégrafo e etc.
 
Ou seja, a celebração dessas novas plataformas como "um mundo novo" só esconde o interesse da captura e hierarquização desses meios por quem controlava os meios considerados ultrapassados, mantendo as posições relativas intactas no jogo da luta pela hegemonia.)
Eis que ao lado de uma petição eletrônica pela celeridade em julgamento das ações de investigação eleitoral em relação a vereadores eleitos, a turba fascista convoca uma Marcha sobre Campos, tendo como alvo o parlamento local...

Nada mais emblemático...

Se já não fosse aberração suficiente a criminalização e judicialização a que estamos expostos nesses tempos de trevas, proporcionado pela difusão das franquias da república do paraná, agora temos o pedido de "pressa" no julgamento, como se o exercício do devido processo legal, a que todos têm direito, inclusive os maiores e mais cruéis criminosos, estivesse subordinado ao "tempo das ruas" e ao sabor do tropel das manadas fascistas!

Então fica combinado assim:

Vossas Majestades Judiciais e os Viscondes, Barões e Duques do MPE, ouvindo o "grito rouco" das ruas, vão acelerar o julgamento, desprezando instrução e provas, queimando os hereges em praça pública depois de um pomposo Auto de Fé...

Fico curioso em imaginar qual seria o figurino desse pessoal e o grito de guerra...

Se forem aproveitar o mote "onda verde", é só pedir aos avós as camisa verdes dos anauês de outrora!

Não é demais lembrar que o movimento integralista brasileiro teve forte base local, associado aos cretinos da tradição, família e propriedade, que ainda rastejam por aqui...


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