segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Rio 2016: Os ouros de tolos...

É impossível não falar de Olimpíadas...o desafio é escapar às platitudes...

Pois bem, em se tratando de Brasil, e nossas crueis peculariedades, é sempre bom fazer o exercício de pensar, a despeito da vontade de jornalistas de coleira e seus donos, os barões da mídia...

Primeiro detalhe: Salvo as questões ligadas a administração do Eduardo Paes em relação àlgumas ziquiziras dos alojamentos e da comida, a Olimpíada foi um enorme sucesso, um oásis de eficiência brasileira em todos os aspectos...

Mas isso em si já era esperado, e só as bestas desconhecem o fato de que nosso Estado funciona, só depende de quem está atrás da demanda...

Leblon e Pelinca detêm índices de homicídio iguais aos de Berlim, enquanto Guarus e São Gonçalo ostentam números de conflitos africanos...

Voltemos aos jogos:

No caso dos problemas da Vila Olímpica, como sempre, ninguém cobrou das EMPRESAS PRIVADAS concessionárias e terceirizadas as suas responsabilidades, deixando como sempre a manipulada e surrada versão de que a gestão pública não presta, mas o fato é que a mídia comercial esqueceu superfaturamentos, atrasos, filas, etc, em nome do patriotismo canalha de sempre...

E o bocó do Paes foi lá receber canguru...pois é, enfiaram-lhe um canguru na rima...

Nenhuma menção às violências praticadas por forças de segurança em relação às manifestações proibidas, muito menos a comparação de que na Copa 2014, tais manifestações, embora muito mais ofensivas e grotescas, não tivessem recebido o mesmo tratamento...

Eu me perguntava todos os dias: Se Dilma estivesse à frente do governo, como seria a cobertura da mídia?

Bom, depois temos as obviedades esportivas, mas não menos políticas...

Nosso quadro de medalhas é "o retrato da superação"....puta que lhes pariu, não aguento mais ouvir isso...

O quadro de medalhas, embora não tenha correspondido às expectativas do COB, comandado pelo "impoluto Nuzman" (recentemente envolvido em esquemas e desvios junto com sua filha, tudo prontamente perdoado e esquecido) é um reflexo da mobilidade social e econômica recente do país:

Saem as medalhas das modalidades onde atletas têm origem na elite, como os caríssimos e segregacionistas clubes de natação, vela, etc, e entram os atletas patrocinados por programas sociais diretos ou indiretos (com subvenção de isenções fiscais, embora adorem dizer que não recebem dinheiro público). 

Mas tudo isso é jogado na conta apenas da superação pessoal e de uma meritocracia tão impossível quanto cínica...

Por fim temos o futebol...

Teve gente comemorando o passafora de neymar em galvão bueno como algo que merecesse destaque...

Qual nada, briga de comadres em uma relação promíscua que já, já, por força de compromissos financeiros, volta ao normal em uma daquelas entrevistas cheias de lugares-comuns em alguma casa cinematográfica do jogador recebendo o papagaio cretino com intimidade...

Vitória da seleção? Arf...

Que campeonato pode ser comemorado com um time que sofreu para empatar com Iraque, superou a "tradicionalíssima" equipe de Honduras, e jogou com uma sombra alemã formada, talvez, por atletas da quarta ou terceira divisão de lá?

Agora vem o esforço da mídia cretina em cobrir a Paralimpíada, oscilando sempre entre a emoção barata derivada da incomprensão do universo dos atletas paralímpicos, e as teses "de superação" feitas sob encomenda para palestras de treinamento de RH, do tipo: "Viu, se "até" eles conseguem, porque você está aí parado?"

Vão todos tomar no meio do c%!!!!




9 comentários:

Anônimo disse...

Douglas,

Venho comentar aqui neste post sobre olimpíadas, uma modalidade de competição que você deve conhecer bem e, neste sentido, peço a sua ajuda para a compreensão compartilhada dos leitores do blog e minha, em especial.
Falo da competição para ser candidato a algum cargo político eletivo.
É a primeira batalha para quem quer ser eleito, ou, como se diz, "entrar para a política".

Você deve saber como se processam estas escolhas. De minha parte, o pouco que me informei, é uma verdadeira canalhice. Um rol de cretinos que detêm a prerrogativa de nominar os candidatos ou fazer alianças e, por este poder de escolha ou com o poder de atrapalhar a vida de quem tem mais força política (leia-se dinheiro para gastar na eleição), VENDEM o apoio ou a vaga.
É assim mesmo?

Como vai haver mais participação política se antes de se candidatar a pessoa tem que se filiar a um partido e a cúpula deste escolhe ou faz alianças que nunca passam pelo interesse dos membros? Você deve ter vivido isto no PT de Campos, se é que você ainda é filiado ou participante.
Como haverá renovação se as rédeas do partido são controladas por mercadores?

Bom, você poderá me dar uma chinelada: é a política, estúpido! Pois é. É a política. Então tá...

A solução é a política e no entanto ela não está acessível. Veja o nosso exemplo aqui na planície lamacenta. Veja como Napoleão controla o jogo. Com dinheiro, trabalho, ameaça, cooptação, promessas mentirosas, fraude etc, o roncolho interfere em todos os partidos. O céu é o limite. E os partidos se vendem. Uns baratinho. Outros, mais caros... Mas tudo é pago, ou, pelo menos, é feito com promessa de pagamento.

Uma ATA de partido, inclusive o seu, se me permite a comparação esdrúxula, e um papel higiênico usado são a mesma coisa. Valem nada e só tem merda. E, já resta provado, pode ser mudada a qualquer momento. É incrível! É incrível como os membros do partido dobram a cerviz quando suas decisões são apagadas com borracha e um novo texto se reescreve. Um partido político é o quê, afinal?

Não, eu não me espanto que seja assim. Não me espanto que fulaninho mude de partido e diga ser candidato para vender o apoio, ou aceite ser vice, logo mais na frente. Não me espanto que o vereador venda seu apoio por 30 mil ou 1 milhão. Tenho nojo, mas não me espanto quando ouço "na majoritária apoiamos fulano, na proporcional não! (a última parte se diz empolado, quase com um ovo na boca). O que eu me espanto é que este troca troca, este me-dá-aqui-que-eu-te-apoio, este controle de quem pode se candidatar, esta pouca vergonha partidária, seja a regra. E regra não só aceita, mas jogo jogado e NUNCA comentado, nem pelos partidos, nem pelos orgãos de controle.

Meu questionamento é: você participou disso? Aceitou ou aceita isso no seu partido?

Olhe, a questão não é só o seu partido. Nem estou criticando o PT... TODOS são assim. Conheço gente do PSDB que fica com cara de tacho ante a decisão do partido, ou do cacique do partido. E ninguém reclama publicamente. Putz, que covardia! Ou não. Pode ser conivência... Talvez seja assim: "como estou aqui só para me arrumar, tudo bem, amanhã será a minha vez de levar o meu".

Como eu não acredito na sua chancela a este tipo de conduta, queria te pedir a sua visão sobre como superar isto. Reforma política? Voto distrital puro? Mais participação partidária, ainda que seja para ser capacho dos caciques? O que fazer?
Ou assim sempre será?

Ou assim É, se lhe parece?

William

douglas da mata disse...

O processo de industrialização/mercantilização dos processos eleitorais e representativos não é recente, e nem é local.

É fenômeno mundial, dedicado a engessar mandatos dentro da agenda do grande capital.

Lógico que isso causa repulsa com ações pontuais em partidos e parlamentos locais, regionais ou nacionais.

Mas a reversão desse quadro depende da crença de que é sim, A POLÍTICA o único antídoto a...própria POLÍTICA...

Eu não tenho dívidas que mais participação reduz o poder dos caciques, por motivos óbvios...


Quando as pessoas aceitaram o engodo de política é coisa "chata", e as vezes é, deixaram tudo nas mãos dos mesmos que têm paciência para tocá-la...

Junto a isso, a legislação eleitoral restritiva e que sequestrou a política, a espetacularização da mídia, sempre de forma seletiva e etc, etc, etc.

Mesmo assim, por mais paradoxal que pareça, foi apenas a política que permitiu alguns avanços nesse país, e que, infelizmente, estão sendo derrotados pela anti-política (golpe)...

Qual a receita? Não sei...

Acho que alterar formas de financiamento, alterações nas leis de licitações para impedir que se formem carteis especializados em burlar os rigores burocráticos, enfim, alterações que só serão legítimas através de mais e mais política...

Anônimo disse...


Cara fui a uma reunião de vereador. Caramba! GAROTINHO DEU UM SHOW de coerência, sensatez, equilíbrio, e muita vontade de que Campos continue nossa Cidade nosso Amor.

Fiquei pasmo! Não adianta! Uma coisa é querer ser, e outra coisa é SER.
Não é que o cara É?

Anônimo disse...

Obrigado por comentar!

William

douglas da mata disse...

Meu amigo, cupincha do napô,

Esse é o problema do napô: Quando está em campanha, é um show de coerência, mas depois, a coerência vai embora quando as cortinas descem do palco eleitoral...

Quanto sua concepção de cidade e amor, respeito, mas permita-me não compartilhá-la...

Agora, enfim, ele é muita coisa, inclusive condenado na forma do artigo 288, qualificado pelo emprego de arma de fogo...

Anônimo disse...

Douglas:

Napô é igual a piada do cara que morre e deve decidir entre céu ou inferno. Para escolher, deve passar 24h em cada local. No inferno, passa um dia de idílio, com amigos (que já estavam lá), bebida, churrascada e mulheres lindas... Prazeres, enfim. Nas 24 horas seguintes, vive num céu adorável, mas calminho. Ótimo para sua ressaca. Ao ser instado a decidir, prefere o rafafá da terra de Belzebú, não sem antes desculpar-se com anjos por não escolher o seu verdadeiro lugar, o céu. Chegando definitivamente no inferno, descobre a verdadeira realidade de fogo, tortura e admoestações. Interpela o chefe sobre as maravilhas que viveu antes de ontem e o Capeta diz: "Ahn, antes de ontem estávamos em campanha. Agora já temos o seu voto..."

William

douglas da mata disse...

É por aí, William, é por aí...

Anônimo disse...

Não adianta. Ele é inteligente, não é corrupto. Não vão achar nada que acham no Lula, nele. E se ele fosse 2O % do Lula já estava na cadeia.

Esquerdistas mentem, ofendem, são relativistas e só pensam em seus partidos. Quando o partido for inteiro íntegro e verdadeiro aí sim.

douglas da mata disse...

Meu caro beócio da lapa, se ele fosse 20% do Lula ele teria feito História, e não estar segregado no limbo do esquecimento e ostracismo.

Eu acho que você é um daqueles estúpidos que só enxergam o que querem:

O cabra foi condenado por formação de bando armado e você diz que não tem nada contra ele? Como assim, sentença transitada em julgado e em plena execução (ele teve o "mole" de ter sua pena convertida em pena alternativa), não significa nada?

Olha, meu caro pateta da lapa, eu nem gosto de repercutir essa desmoralização da política, jogando na cara de vocês os problemas judiciais do napô, porque acho isso um desserviço,e e sse blog é uma trincheira contra esse moralismo hipócrita.

Mas caia na real, pateta...Não se faz política, nem se mantém eixos de poder sem sujar as mãos com os financiadores privados, seu cretino.