quarta-feira, 11 de maio de 2016

Palco adequado...

Ninguém duvida da militância e das boas intenções dos artistas e pessoal ligado a cultura nesse município...

É verdade que boa parte do tempo, a militância cultural oscila entre o engajamento partidário e o alheamento, afastando-se do equilíbrio desejável e resultante da percepção de que se não há arte neutra, também devemos evitar os dirigismos...

Em Campos dos Goytacazes, não muito diferente de outras plagas, os movimentos políticos que têm a cultura como causa sempre correm o risco de serem aparelhados pelos cretinos da mídia empresarial, que praticam uma visão utilitarista da arte e da cultura, e claro, dos artistas, sempre colocando-os como enfeites a adornar o esgoto que emana de outras editorias...

Eu sei, eu sei, eu sei...não há manipulação de mão única, ou seja, nessa relação promíscua, a vítima se confunde com o algoz e vice-versa...

Artistas e militantes culturais também não escapam da luta partidária pelo apadrinhamento das  suas demandas...aí talvez essa luta até mais legítima, tendo em vista que não há cultura sem dinheiro, e a decisão sobre alocações e prioridades orçamentárias é, antes de mais nada, política...

Desnecessário dizer que não há política que prescinda de partidos, embora haja horda de calhordas até sonhe com tal possibilidade...

Infelizmente, artistas e militantes culturais, por motivos óbvios, tendem a ceder mais facilmente a sedução da mídia a da luta política...

O ocupação do Teatro de Bolso talvez seja uma tentativa de resgatar o simbolismo de outras manifestações, como o Muda Campos, no fim da década de 80, que também teve "ato encenado ali", busque"...Como já disse, não duvido da sinceridade do movimento...

Preocupa é o tipo de gente que se colocou como aliada...

Sem pejoração, de teatro virou circo...

E revelou o que já sabíamos: As forças políticas de oposição são uma tragicomédia que não enchem um teatro de bolso...

5 comentários:

Anônimo disse...

O que não entendo é essa dependência que a cultura sempre tem do poder público.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Entendo o viés de seu comentário, e quando participei da gestão pública confesso que resvalei nesse tipo de conceito.

Descobri meu erro, na medida que a realidade me revelou que não é só a cultura que depende do dinheiro público, ela é só um dos primos mais pobres, como educação e saúde.

Rentistas e o mercado vivem drenando tal dinheiro, e talvez você não se dê conta.
Assim como empresários que não subsistem sem os favores do Estado.

Não se iluda, no fim tudo se resume a lutar por fatias maiores dos orçamentos públicos.

Essa luta é legítima, e deveria estar definida em limites representativos claros, mas o Capital não leva desaforo para casa, e faz a gente crer que só há alguns que vivem do dinheiro público, enquanto ele (o Capital) sobrevive sozinho e reproduz riqueza e prosperidade para todos.

Uma falácia.

Anônimo disse...

Com certeza sou sensîvel a isso e até creio que investimento em segmentos como arte e esporte mão são favores, como pensam alguns políticos, mas acho q é fundamental e, todos os aspectos. O que eu questiono é a aparente total dependência , e falo especificamente aqui da nossa cidade.. Mas na minha cabeça vem a ideia de que o papel do poder público é fomentar, ou seja, cedendo espaços, logísticas, sei lá até incentivos fiscais etc, que é muito diferente de financiar., até pq quando isso acontece sempre há o nefasto privilégio aos queridinhos. Mas a minha percepção é de alguém que vê de longe e acaba sendo um comentário especulativo. Talvez o apoio do poder público seja zero mesmo, daí a razão da manifestação.

douglas da mata disse...

Engano seu, as maior máquina de produção de conteúdo do mundo, Hollywood, peça fundamental na conquista geopolítica (e cultural do mundo) foi bancada fortemente pelo Erário dos EUA.

O resultado você já sabe: Você imagina um estadunidense médio ouvindo nas rádios outra língua que não a sua, ou assistindo novelas brasileiras?

Pois é, e você tem ideia de quanto custa e quem paga por isso tudo, por essa hegemonia?

Financiar cultura em um sistema capitalista é essencial, crucial...

E não se engane: sempre haverá escolhas e privilégios, ainda que travestidos de meritocracia, até porque, quem define o que será mérito?

Anônimo disse...

Grato pelos esclarecimentos!