sábado, 14 de maio de 2016

A vitória da resistência a qualquer mudança civilizatória, por André Singer


Jornal GGN - Em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, o ex-porta-voz  da Presidência André Singer analisa as causas e consequências da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma, para ele "uma das lutas mais dramáticas da histórica democrática brasileira". Ele diz que o lulsimo estava nas cordas desde quando a presidente reeleita escolheu Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, entregando "a condução do país ao projeto austericida que condenara na campanha eleitoral". 
Além do fator econômico, há também as revelações e a manipulação da Operação Lava Jato, "a Mãos Limpas Nacional". Singir que Dilma subestimou o tamanho destes dois fatores. "Independentemente das falhas de avaliação de Dilma, o lulismo foi incapaz de oferecer uma narrativa coerente sobre a avalanche de acusações formuladas pelo Partido da Justiça sediado em Curitiba", diz Singer.
Por último, ele afirma que "a traumática derrubada do lulismo" interrompe a tentativa de "integrar os pobres por meio de uma extensa conciliação de classe". Leia mais abaixo:
Da Folha
André Singer
O lulismo estava nas cordas desde a quinta-feira, 27 de novembro de 2014, em que a presidente reeleita anunciou que havia decidido entregar a condução da economia do país ao projeto austericida que condenara na campanha eleitoral. Um ano e meio depois, na aurora desta quinta-feira (12), o exausto lutador caiu. Ao afastar Dilma Rousseff da Presidência por 55 a 22 votos, o Senado encerrou talvez uma das lutas mais dramáticas – embora perca para a de 1954 – da história democrática brasileira.
Haverá ainda prorrogação, mas só um milagre reverterá o jogo no espaço senatorial em que se fará o julgamento dos inexistentes crimes da mandatária afastada. Um bloco partidário e social comandado pelo PMDB se formou para isolar, desmoralizar e, caso possível, extinguir o arco de forças comandado por Lula. O lulismo não morreu, mas talvez sejam necessários anos para reconstruir as condições de disputa perdidas na manhã da quinta passada (12).
Pois embora o fator econômico tenha sido decisivo, não se tratou da mera derrocada de um governo associado a desemprego, inflação e queda da renda. Foi também o resultado das revelações e da manipulação da Mãos Limpas nacional, conhecida como Lava Jato. Dilma subestimou o tamanho dessas duas encrencas, que apareceram com nitidez no último ano do seu primeiro mandato.
Se a antiga ministra da Casa Civil tivesse percebido a força da coalizão capitalista consolidada em torno do ajuste recessivo assim como o potencial que a delação premiada traria à investigação na Petrobras, o mais racional era ter entregue a recandidatura a Lula. O ex-presidente reunia melhores condições para o pugilato de pesos-pesados.
Só o tempo dirá em que ponto do percurso Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outros personagens das investigações resolveram colocar a bomba atômica que controlavam a serviço da demolição do lulismo. De toda maneira, em março deste ano, quando o juiz curitibano fez a condução coercitiva de Lula e a divulgação do diálogo deste com Dilma, ficou claro que já não havia isenção.
Independentemente das falhas de avaliação de Dilma, o lulismo foi incapaz de oferecer uma narrativa coerente sobre a avalanche de acusações formuladas pelo Partido da Justiça sediado em Curitiba. De outro lado, a mídia estimulou um clima de caça às bruxas decisivo para cimentar a maioria que deu suporte ao golpe parlamentar.
Com a traumática derrubada do lulismo, interrompe-se mais uma vez a tentativa — no fundo a mesma de Getúlio Vargas — de integrar os pobres por meio de uma extensa conciliação de classe. Venceu de novo a forte resistência nacional a qualquer tipo de mudança verdadeiramente civilizatória. Mesmo a mais moderada e conciliadora.

Texto publicado no Blog do Nassif.

2 comentários:

Anônimo disse...

Filosofias estúpidas. Fazer socialismo com o dinheiro dos outros até que não está errado. O que não pode é tirar dos ricos para dar para os pobres e ficar através da corrupção com a maior parte.

douglas da mata disse...

Meu deus, eu publiquei essa idiotice só para que vocês possam ter a ideia do lixo tóxico que circula por aqui.

O imbecil imagina que corrupção seja uma exclusividade do socialismo. Eu nem vou retrucar dizendo que nunca tivemos qualquer, por pálida que seja, de experiência socialista no Brasil.

Então corrupção para concentrar renda pode?

Também vou me abster de dizer que os ricos no Brasil continuam cada vez mais ricos.

Arf...é phodda.