quarta-feira, 25 de maio de 2016

A última do golpe: alexandre frota leva sugestões ao ministro da educação...



Santo zeus...

Eu fico imaginando a cara dos nazi-coxinhas-batedores-de-panela...

Fica aí minha sugestão:

Alexandre Frota como paraninfo ou homenageado de honra da próxima turma de medicina na fmc...

Acabou o milho, acabou a pipoca...

Administrar a fartura é fácil...

Depois de torrar bilhões de reais nas UPP, que desde o início foram anunciadas como a salvação (mais uma) do Estado do Rio, no quesito segurança, com direito a toda o oba-oba da TV e hipocrisia das autoridades (que sabiam, e sabem ser impossível "pacificar" algum lugar com ocupação militar), o secretário de segurança do RJ balança no cargo...

As apostas dão como certa sua saída após os Jogos do Rio, e considerando suas aparições recentes, tal e qual técnico de futebol que se diz "prestigiado", parece que sua trajetória chegou ao fim...

Ainda bem...

Não trouxe nada de novo a pasta, e repetiu velhos chavões, agradando a histeria dos ricos e da classe média, e descendo o porrete no lombo da negrada das periferias...

Enxugou gelo com muita grana, que agora acabou...

Enquanto isso, esvaziou e sucateou a polícia judiciária (PCERJ), que hoje tem o mesmo número de agentes de 15 anos atrás...

Afinal, quem quer uma polícia investigativa independente?

Melhor fazer cena com caríssimos helicópteros, carros e conteiners (UPP), regulando o mercado varejista das drogas, enquanto os tubarões das drogas seguem intactos, bem como outros criminosos de colarinho branco...

Um Inquérito Policial bem feito custa 10, 20 ou 200 vezes mais barato que uma operação nos morros, mas esse trabalho silencioso e "demorado" não serve a demanda por propaganda oficial...

Faz-se necessário apresentar os pretinhos de sempre, inimigos públicos nº 1, junto a drogas e armas, e por outro lado, "esquece-se" que essa atividade de varejo de drogas é só a ponta de um processo que deveria ser combatido com inteligência, cruzamento de dados, suspensão de sigilos, combate a lavagem de recursos, e nunca força bruta...

Os programas sensacionalistas de TV agradecem...salve datenas e resendes...

O cenário que se projeta é tenebroso: 

Hoje, policiais já cotizam o custo do papel para impressoras, adquirem impressoras, compram até o papel de limpar bunda...

As empresas terceirizadas com o pessoal da limpeza já abandonaram seus contratos...

É o caos...e nada indica que vá melhorar...

Cada um por si, e deus contra todos...

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Só isso governador?

10% de desconto, atraso no pagamento, aumento da contribuição previdenciária, condições de trabalho inexistentes, faltando desde papel para impressão de registros nas Delegacias, até papel para limpar o cú, será que o governador não quer que nós servidores, façamos uma fila, todo fim do mês, na frente do palácio governamental, para executarmos um boquete na sua pica murcha?

Será que ele daria algum a mais, caso gostasse de nossas horas-extras?

Os filhos de Joseph Mengele...

Resultado de imagem para joseph mengele


Faculdade de Medicina - homenagem a Bolsonaro-2



Muitos se perguntam como Hitler e seus comparsas executaram um dos maiores extermínios em massa que se tem notícia, com o beneplácito apoio do povo alemão...

Outros tantos se perguntam como em 64, tantas barbaridades foram cometidas em nome da ordem e progresso (não por coincidência, o lema dos golpistas atuais), com tão pouca resistência...

É uma cruel verdade, golpes, arbítrio e violência só acontecem em larga escala com consenso amplo de partes consideráveis das sociedades, e da omissão de outro tanto delas...

Esses cretinos aí de cima, com certeza, pouco ou nada conhecem da História do nosso país e da violência utilizada como arma política ao redor do planeta e ao longo dos temos...

Esses são as crias do ódio...E da própria ignorância que os acomete...

A foto explica a presença de "médicos" que atestavam as condições dos torturados nos porões de 64, para que continuassem sob o martírio...

A foto dos (de)formandos explica que houvesse nos campos alemães uma equipe de "médicos" para "experimentar" toda sorte de barbaridade em cobaias humanas...sob comando do diligente Anjo da Morte...

Ou o caso dos médicos estadunidenses na década de 70, que inocularam doenças em haitianos e dominicanos em nome dos interesses da indústria farmacêutica, subornando cobaias famintas com alguns trocados para matar a fome...

Pobres idiotas, mal sabem que o imbecil do bolsonaro é uma fraude, que provavelmente não acredita em metade das asneiras que diz, mas que se serve delas para captar o apoio político que lhe garante um palco cativo, como uma "reserva de mercado"...




segunda-feira, 16 de maio de 2016

Morre Caubi...

A cena política atual talvez nos sugira um bolero de Caubi...O mundo está se tornando um lugar cada vez mais desinteressante...


sábado, 14 de maio de 2016

A vitória da resistência a qualquer mudança civilizatória, por André Singer


Jornal GGN - Em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, o ex-porta-voz  da Presidência André Singer analisa as causas e consequências da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma, para ele "uma das lutas mais dramáticas da histórica democrática brasileira". Ele diz que o lulsimo estava nas cordas desde quando a presidente reeleita escolheu Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, entregando "a condução do país ao projeto austericida que condenara na campanha eleitoral". 
Além do fator econômico, há também as revelações e a manipulação da Operação Lava Jato, "a Mãos Limpas Nacional". Singir que Dilma subestimou o tamanho destes dois fatores. "Independentemente das falhas de avaliação de Dilma, o lulismo foi incapaz de oferecer uma narrativa coerente sobre a avalanche de acusações formuladas pelo Partido da Justiça sediado em Curitiba", diz Singer.
Por último, ele afirma que "a traumática derrubada do lulismo" interrompe a tentativa de "integrar os pobres por meio de uma extensa conciliação de classe". Leia mais abaixo:
Da Folha
André Singer
O lulismo estava nas cordas desde a quinta-feira, 27 de novembro de 2014, em que a presidente reeleita anunciou que havia decidido entregar a condução da economia do país ao projeto austericida que condenara na campanha eleitoral. Um ano e meio depois, na aurora desta quinta-feira (12), o exausto lutador caiu. Ao afastar Dilma Rousseff da Presidência por 55 a 22 votos, o Senado encerrou talvez uma das lutas mais dramáticas – embora perca para a de 1954 – da história democrática brasileira.
Haverá ainda prorrogação, mas só um milagre reverterá o jogo no espaço senatorial em que se fará o julgamento dos inexistentes crimes da mandatária afastada. Um bloco partidário e social comandado pelo PMDB se formou para isolar, desmoralizar e, caso possível, extinguir o arco de forças comandado por Lula. O lulismo não morreu, mas talvez sejam necessários anos para reconstruir as condições de disputa perdidas na manhã da quinta passada (12).
Pois embora o fator econômico tenha sido decisivo, não se tratou da mera derrocada de um governo associado a desemprego, inflação e queda da renda. Foi também o resultado das revelações e da manipulação da Mãos Limpas nacional, conhecida como Lava Jato. Dilma subestimou o tamanho dessas duas encrencas, que apareceram com nitidez no último ano do seu primeiro mandato.
Se a antiga ministra da Casa Civil tivesse percebido a força da coalizão capitalista consolidada em torno do ajuste recessivo assim como o potencial que a delação premiada traria à investigação na Petrobras, o mais racional era ter entregue a recandidatura a Lula. O ex-presidente reunia melhores condições para o pugilato de pesos-pesados.
Só o tempo dirá em que ponto do percurso Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outros personagens das investigações resolveram colocar a bomba atômica que controlavam a serviço da demolição do lulismo. De toda maneira, em março deste ano, quando o juiz curitibano fez a condução coercitiva de Lula e a divulgação do diálogo deste com Dilma, ficou claro que já não havia isenção.
Independentemente das falhas de avaliação de Dilma, o lulismo foi incapaz de oferecer uma narrativa coerente sobre a avalanche de acusações formuladas pelo Partido da Justiça sediado em Curitiba. De outro lado, a mídia estimulou um clima de caça às bruxas decisivo para cimentar a maioria que deu suporte ao golpe parlamentar.
Com a traumática derrubada do lulismo, interrompe-se mais uma vez a tentativa — no fundo a mesma de Getúlio Vargas — de integrar os pobres por meio de uma extensa conciliação de classe. Venceu de novo a forte resistência nacional a qualquer tipo de mudança verdadeiramente civilizatória. Mesmo a mais moderada e conciliadora.

Texto publicado no Blog do Nassif.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Palco adequado...

Ninguém duvida da militância e das boas intenções dos artistas e pessoal ligado a cultura nesse município...

É verdade que boa parte do tempo, a militância cultural oscila entre o engajamento partidário e o alheamento, afastando-se do equilíbrio desejável e resultante da percepção de que se não há arte neutra, também devemos evitar os dirigismos...

Em Campos dos Goytacazes, não muito diferente de outras plagas, os movimentos políticos que têm a cultura como causa sempre correm o risco de serem aparelhados pelos cretinos da mídia empresarial, que praticam uma visão utilitarista da arte e da cultura, e claro, dos artistas, sempre colocando-os como enfeites a adornar o esgoto que emana de outras editorias...

Eu sei, eu sei, eu sei...não há manipulação de mão única, ou seja, nessa relação promíscua, a vítima se confunde com o algoz e vice-versa...

Artistas e militantes culturais também não escapam da luta partidária pelo apadrinhamento das  suas demandas...aí talvez essa luta até mais legítima, tendo em vista que não há cultura sem dinheiro, e a decisão sobre alocações e prioridades orçamentárias é, antes de mais nada, política...

Desnecessário dizer que não há política que prescinda de partidos, embora haja horda de calhordas até sonhe com tal possibilidade...

Infelizmente, artistas e militantes culturais, por motivos óbvios, tendem a ceder mais facilmente a sedução da mídia a da luta política...

O ocupação do Teatro de Bolso talvez seja uma tentativa de resgatar o simbolismo de outras manifestações, como o Muda Campos, no fim da década de 80, que também teve "ato encenado ali", busque"...Como já disse, não duvido da sinceridade do movimento...

Preocupa é o tipo de gente que se colocou como aliada...

Sem pejoração, de teatro virou circo...

E revelou o que já sabíamos: As forças políticas de oposição são uma tragicomédia que não enchem um teatro de bolso...

domingo, 8 de maio de 2016

A semiótica do golpe...

Wilson Ferreira nos brinda com sua coerência:

Bombas Semióticas, ligações perigosas e as oportunidades perdidas


Com o impeachment da presidenta Dilma aproxima-se o desfecho de uma campanha iniciada ha dez anos com as denúncias do mensalão. Mas em 2013 teve uma virada que acelerou o processo: a nova estratégia semiótica de engenharia de opinião pública com a implementação no Brasil da “guerra virtual” e da “social engineering”. Naquele ano, a grande mídia brasileira levou algum tempo para fazer a ficha cair, acostumada que estava com velhas estratégias hipodérmicas dos tempos do IPES-IBAD nos anos 1960 - surgia no País a "primavera brasileira" com manifestações tomando as ruas. A multipolarização criada pelos BRICS forçou os EUA a implementar estratégias resultantes de uma longa tradição acadêmica de pesquisas sobre engenharia social naquele país: a Mass Communication Research de Lazarsfeld, Agenda Setting de McCombs e Shaw e as pesquisas em “ações não violentas” do cientista político Gene Sharp. Logo a grande mídia brasileira entrou em sintonia com a geopolítica dos EUA ao criar as “bombas semióticas” a partir da matéria-prima das manifestações que começaram por “apenas” 20 centavos.

O ônibus da Linha 1 do Festival Tomorrowland saiu lotado do Sambódromo de São Paulo levando jovens adeptos da música eletrônica para o evento na cidade de Itu. No meio de caminho, começou uma discussão entre os animados passageiros sobre o impeachment da presidenta Dilma e a legitimidade do vice Michel Temer: “Se pelo menos ele fizer alguma coisa para tirar o País do buraco, já vai estar valendo!”, disse alguém mais exaltado.

Esse é o clima de opinião resultante do bombardeio sistemático e diário de bombas semióticas pela grande mídia nos últimos três anos, desde a “primavera brasileira” de 2013 – a série de manifestações de rua que tão inesperadamente como surgiram, também desapareceram.

Uma estranha percepção de “buraco” em que o País estaria metido expressada por aquele jovem,  apesar de todos naquele ônibus estarem rumando para um evento da cena eletrônica mundial onde uma latinha de Skol Beat ou uma garrafinha de água custavam dez reais, unindo tanto jovens da elite sócio-econômica como remediados egressos da chamada Classe C e os chamados “cibermanos” – jovens de regiões urbanas periféricas fãs da música eletrônica.

Em plena explosão das manifestações nas ruas em 2013 e a  extensiva cobertura midiática, esse blog Cinegnose iniciou a série de análises do que chamamos de “bombas semióticas”, procurando mapeá-las e, através de uma engenharia reversa, entender o mecanismo de funcionamento e as ondas de choque na opinião pública em cada detonação – sobre a série clique aqui.

Naquela oportunidade percebemos um elemento novo entrando em cena: uma nova estratégia semiótica, bem diferente das anteriores fundamentadas em longas “suítes” jornalísticas como “caos aéreo”, “mensalão”, “gripe suína”, “o escândalo do dossiê”, o “escândalo dos aloprados” etc. Estratégia hipodérmica de simples repetição onde articulistas, âncoras de telejornais, editorialistas e colunistas martelavam a pauta tentando formar a opinião pública.

Das estratégias hipodérmicas dos anos 1960 às bombas semiótica do século XXI

Bombas semióticas versus estratégia hipodérmica


Essa estratégia era ainda tributária das velhas táticas comportamentais (repetir até convencer) do antigo IPES-IBAD (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais e Instituto para Ação Democrática) onde de 1962 a 1964 desestabilizou o governo João Goulart através de massiva propaganda no cinema, TV e mídia impressa além da ação direta por meio de rede suprapartidária que barrava qualquer projeto do governo no Congresso. Mobilizou a opinião pública para torna-la receptiva ao Golpe Militar que viria mais tarde.

Se a estratégia semiótica hipodérmica funcionou nos anos 1960 (épocas mais “duras” dentro da polarização da Guerra Fria), agora no século XXI já apresentava sinais de que o prazo de validade tinha terminado – principalmente num contexto de multipolarização com o surgimento dos BRICS e globalização econômica.

De nada adiantava a repetição diária de sucessivos escândalos e crises nos governos petistas nas primeiras páginas dos jornais diários e escaladas de telejornais: Lula não só foi reeleito como fez seu sucessor que ainda seria reeleito, para desespero dos “aquários” das redações da grande imprensa.

A “primavera brasileira” de 2013 iniciou uma nova estratégia semiótica tão diferente e sofisticada que muitos formadores de opinião da grande imprensa levaram algum tempo para fazer a ficha cair – por exemplo, Arnaldo Jabor vociferava na TV Globo que as manifestações nas ruas eram “uma grande ignorância política misturado com rancor sem rumo”.

Foi o início de uma nova estratégia semiótica sofisticada demais para ter sido planejada pela grande mídia brasileira: a engenharia de opinião pública ou, como alguns analistas definem, a chamada “Guerra Híbrida” – Hybrid Warfare.

Embora diferentes “primaveras” estivessem pipocando pelo planeta (árabe, egípcia, ucraniana etc.), a vetusta mídia brasileira ainda acreditava que tudo era por causa dos 20 centavos de aumento nas tarifas de ônibus. Houve um gap de alguns dias, mas logo a grande mídia nacional entrou em consonância com a nova tática planejada bem longe daqui e que não é assim tão nova.

Paul Lazarsfeld, Dinald Shaw, Max MacCombs, Gene Sharp

Ligações Perigosas


Aqui começam evidências de ligações perigosas entre as origens das diversas “primaveras” nacionais pelo mundo e o know how norte-americano iniciado a partir das pesquisas acadêmicas como a Mass Communication Research de Paul Lazarsfeld nos anos 1940 na Universidade de Stanford e as pesquisas em Agenda Setting de Donald Shaw e Max McCombs (Universidades de Virgínia e Texas) até chegar à aplicação política direta:

(a) A Social Engineering: coordenação de front groups (ONGs), spin doctors (técnicos de comunicação a serviço de partidos e lobbies) e paid experts(profissionais de diversas áreas que se tornam informações de pauta privilegiados para a grande imprensa) – articulados e sempre disponíveis para fornecedor de informações de primeira mão para a mídia - veja abaixo o fluxograma de uma ação de engenharia de opinião pública;

Fonte: HOWARD, Martin. "We Know What
You Want". Disinformation Books, 2005

(b) Ação Direta: táticas de promoção de “ação não violenta” (mobilização através de blogs, redes sociais, música, arte, táticas de não-colaboração, ocupações etc.) em conflitos ao redor do mundo a partir de pesquisas do cientista político Gene Sharp (Universidade do Estado de Ohio e Instituto Albert Einstein) financiadas pela Fundação Ford. Cursos baseados em suas técnicas ocorrem atualmente eu Universidades como Yale e na Embaixada dos EUA. O próprio juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato, participou em 2007 de um curso no Departamento de Estado nos EUA de formação de Novas Lideranças;

(c) Black blocs (estranhos personagens que tão inesperadamente como apareceram também sumiram): na “primavera brasileira” foram financiados por ONGs ligadas a causas ambientais (sobre isso clique aqui) que costumavam depredar lugares escolhidos a dedo como, por exemplo, no episódio de uma concessionária da Caltabiano de veículos de luxo em São Paulo: revenda controlada pelo grupo americano McLarty cujo chefe, Thomas McLarty, foi Chefe da Casa Civil do Presidente Clinton. Ou então depredavam os clássicos estabelecimentos de grandes marcas (MacDonald’s, bancos etc.) para renderem fotos e vídeos impactantes para a grande mídia brasileira. Quer dizer, depois que a ficha já tinha caído nos “aquários” das redações e perceberam a intencionalidade por trás de todas essas ações “espontâneas”.


A única semelhança com a estratégia de intervenção semiótica do IPES-IBAD nos anos 1960 foi o apoio logístico norte-americano (know how + apoio financeiro). Agora nesse século a criação de revoluções (ou “primaveras”) graças às táticas de social engeneering não opera mais com o estardalhaço da massificação, mas agora com viralização através de bombas cirúrgicas e pontuais: as bombas semióticas.

Enquanto na massificação temos um emissor que repete informações para milhões de receptores, na viralização todos são ao mesmo tempo emissores e receptores quando repercutem as ondas de choque das explosões das bombas semióticas.

Oportunidades perdidas


Essas bombas não visam persuasão ou convencimento político partidário e/ou ideológico (ao contrário dos anos 1960 dominado pela doutrinação ideológica anti-comunista), mas através da sedução e percepção produzir um “clima de opinião” – a irresistível sensação de que estamos todos num “buraco” tal como o animado grupo que ia para o Tomorrowland percebia a realidade brasileira. As bombas semióticas são verdadeiras bombas cognitivas.

Mas a sequência das bombas semióticas detonadas pela grande mídia (cuja matéria-prima estavam nas manifestações) poderia ter se transformado em guerrilha semiótica – ataques e contra-ataques. Acabou se convertendo em massacre onde só um lado disparava e o outro (Governo Federal e PT) apenas tilintava como as bolinhas metálicas de um fliperama num “efeito pinball”, reagindo timidamente com notas para a imprensa.

A armação e detonação das bombas mostrou seu lado frágil com acidentes como os episódios “tem alemão no campus” (clique aqui) e “o falso candidato do Enem” (clique aqui) onde a ansiedade de repórteres em cumprir a pauta pré-fixada pelos “aquários” das redações criaram situações engraçadas.


Fossem bem aproveitadas, poderiam facilmente ser exploradas em táticas de “trolagem” para desmoralizar a grande imprensa tal como fizeram manifestantes em Lisboa para furar o bloqueio midiático a favor das medidas austeras da Troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Européia): um grupo simulou estar se manifestando a favor da Troika, atraindo a atenção de ávidos repórteres loucos para reforçar suas pautas pré-definidas. Diante de câmeras ao vivo gritaram “Que se lixe a Troika!” diante de confusos jornalistas.

Hoje, o clima de opinião de “buraco”, se não legitima, certamente tornam “críveis” ou “fatos consumados” o golpe do impeachment e o seletivo combate à corrupção da Operação Lava Jato, assim como a histeria anti-comunista embalou o Golpe Militar de 1964 e o clima de opinião da “última bala na agulha” legitimou o confisco da poupança pelo Plano Collor em 1990 para conter a hiperinflação.

Mas o que mais surpreende em toda essa história é como a nova estratégia semiótica geopolítica norte-americana (Guerra Híbrida + Social Engineering) pegou um governo supostamente de esquerda totalmente rendido. Principalmente porque muitos dos seus membros militaram sob a repressão da ditadura militar e conhecem muito bem até onde chegam as estratégias geopolíticas dos EUA.

Talvez o episódio narrado por Roberto Requião (PMDB-PR) explique muita coisa. No primeiro mandato de Lula, Requião foi ao encontro do presidente e relatou o que tinha feito no Paraná: acabou com a verba publicitária e investiu tudo na TV Educativa do Estado. Lula teria se animado com a ideia e passou a bola para José Dirceu, na época ministro da Casa Civil. “Mas Requião, o Governo já tem TV”, interrompeu Dirceu. “Mas que TV, Zé?”, retrucou Requião. Ao que o então ministro respondeu: “A Globo, Requião”.

Parece que ingenuamente Dirceu acreditava que a mídia nativa fosse na contra-mão da geopolítica internacional dos EUA de florescer “primaveras” nos países membros dos BRICS.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

As reinações de um garotinho...

Política não é, definitivamente, para amadores...Os opositores do regime da lapa, e seus sócios da mídia cretina que se imagina "formadora de opinião" (argh, que coisa mais demodé e autoritária) deveriam aprender com o exemplo:

Ciente de que o governo Dilma vai chutar o pau da barraca, o napoleão da lapa lhe hipotecou apoio para a votação do impeachment, botando a filha-deputada para casa, com o intuito de aproveitar a torneira aberta e emplacar o papagaio dos royalties...

Por outro lado, a conta mais pessoal: 
Seu desafeto Eduardo Cunha(e ex-aliado, a quem chama de "gênio do mal"), surgia como provável fiador do governo golpista, logo, período de seca para o napoleão e sua prole...

Agora, farejando uma possível virada no jogo institucional, com as dificuldades de consumação de um golpe que teve como prócer um réu por corrupção, lavagem de dinheiro e outras cositas más, o napoleão tornou-se Dilma desde garotinho...

Alea jacta est

Como bem disse o Professor Roberto Moraes (acesse aqui), as manobras em curso são óbvias, e só não as enxergam o s trouxas e os cínicos...

Está na hora da "limpeza", já que a equipe de demolições acabou o serviço sujo...

Eduardo Cunha não é idiota, e sendo quem é sabe desde o princípio o seu papel nessa História: Fazer o trabalho sujo, e negociar uma "pena branda", como recompensa pelos trabalhos prestados...

É assim no mundo do crime que, afinal de contas, nem é tão distinto do que imaginamos ser o "mundo das pessoas de bem"...Bem e mal são categorias que criamos para legitimar nossos pecados e abrandar nossas culpas...

O cronograma da "crise" estava roteirizado há tempos, assim como os seus motivos: 

Os opositores que perderam as eleições tentariam golpear a Presidenta, qualquer que fosse a "causa", pois viam a possibilidade concreta de um próximo governo do PT, que esticasse em 20 anos a permanência no Planalto de uma agenda mais simpática ao distributivismo, ainda que paradoxalmente vinculada a teorias economicistas, rentistas e ortodoxas...

Cunha vai sofrer um pouco, e ele sabe disso, mas seu capital de troca é imenso, e ele vai usar quando for preciso...

Ninguém nunca saberá, incluindo aí boa parte dos envolvidos, o que é planejado e o que vai fugir do controle...Esse é o perigo para acordos dessa natureza, e não se assustem se o jogo, aparentemente perdido para Dilma & Cia, sofrer uma alteração brusca e repentina a favor dela...

O vice-Presidente da Câmara Federal é deputado-de-coleira da tropa de Cunha, mas ali todo mundo sabe: "amigo é o pau, que está perto do cú e não nos come"....o resto é resto, e salve-se quem puder...

Para o bem desse pessoal, o assassinato como ferramenta de dissolução de conflitos dessa natureza não é tradição nesse país, salvo nas esferas mais regionais, muito por conta do poder "coronelístico", geralmente impondo regimes de terror nos seus domínios, e covardemente, contra os que consideram muito mais fracos...

Ao contrário dos EUA, por exemplo, onde facções opostas de poder tramam e executam seus opositores de mesma grandeza e em nível nacional... Como Lincoln, Luther King, e os mais famosos, os Kennedy...

Não é à toa que dois projetos de poder se engalfinharam até a morte (de 600.000 mil pessoas) em 1865, na famosa Secessão entre Norte e Sul...

Sorte de Cunha e dos demais, porque seu extermínio agradaria muita gente...Mas sempre é tempo de começarem, quem sabe?

domingo, 1 de maio de 2016

Dia do colaborador!

É normal todo mundo escrever em datas comemorativas, exaltando virtudes dos comemorados, martírios e condições específicas que os levam a ter uma data a ser lembrada nos calendários...

O Dia do Trabalhador (e não do Trabalho) não é diferente...Aqui consideramos como trabalhador quem tem sua mão de obra expropriada pelo capital...

Patrão não é trabalhador, e portanto não merece estar inserido em uma possível categoria ampla de "trabalho", afinal, seu trabalho é explorar os demais...

Sabemos da origem do feriado, como uma lembrança ao trágico massacre de trabalhadores em protesto na cidade de Chicago,  nos idos de 1886...

Todo anos repetimos as mesmas coisas: A lembrança do massacre, enquanto celebramos todos nos outros 364 dias o esquecimento, repetindo outros massacres de trabalhadores, por mais variados motivos...

Mas qual é o significado da palavra trabalhador nesses dias atuais, no Brasil e no mundo, quando está a espreita uma série de ataques as condições mínimas de dignidade de quem vende sua mão-de-obra a outrem?

É difícil estabelecer um consenso, e aí está grande parte da sacada do capital nesses tempos bicudos: "designificar" a noção de trabalho, para roubar dos trabalhadores sua noção de classe...

Esse é uma sacada recém criada, se considerarmos a História em sua magnitude, afinal, décadas são minutos em termos relativos a experiência humana na Terra...e milésimos de segundos se colocadas frente ao colossal espaço e tempo que a antecedem...

Os ideólogos do capital sustentam uma estrutura teórica destinada a mascarar as disputas e conflitos da sociedade, com o cristalino objetivo de manter as coisas como estão (ricos mais ricos, e pobres mais pobres)...

Descobriram que se não é possível abolir a percepção de que há uma oposição permanente entre quem tem e quem não tem, e melhor, as razões dessa diferença, é fundamental mudar o sentido das coisas...

Explico: 
No caso dos negros dos EUA, por exemplo...
Como não é mais possível dizer-lhes (até os mais "domesticados") que não existe racismo, porque os dados saltam aos olhos (salários diferentes nas mesmas funções, peso relativo na população carcerária, número de mortes violentas, etc), criou-se um intrincado sistema de classificação moral-criminal, onde a prática excludente e violenta do racismo é legitimada por sistemas judiciários-penais...

De quebra, esse sistema moral-incriminador desconsidera políticas afirmativas e de redução de desigualdades (como o food stamps, algo parecido com o Bolsa Família daqui), estigmatizando seus usuários, ou seja, culpando os pobres por sua pobreza...

Algo soa familiar?

Pois é...

Sorrateiramente, aquilo que sempre foi contrabandeado "de leve", com ressalvas, passou a ser instituído como realidade imutável, transferindo ao trabalhador a responsabilidade por sua empregabilidade, diluindo sua condição de classe em termos como "colaborador", "parceiro", "família", etc...

Ao mesmo tempo, as condições pautadas por normas e direitos, foram substituídas por precarização do vínculo trabalhista, embalada em nomes pomposos: flexibilização, modernidade, iniciativa, e a pior de todas: meritocracia...

Claro que os sacrifícios financeiros sempre recaem sobre os "parceiros", os "colaboradores"...

Porque nenhum patrão gosta de dizer o óbvio: "vou te pagar menos porque tem um monte de gente querendo vender o mesmo que você: mão-de-bora"; ou: "vou te demitir porque não posso reduzir minha expectativa de lucro"...

Se assim for, trabalhadores podem decidir então que ninguém venderá nada (força de trabalho), até que o preço seja ao menos próximo de justo (greve)...


E na outra ponta, nenhum governante gosta de admitir: "olha, vou te sobrecarregar de impostos porque quem banca minha campanha não admite "pagar o pato"...

Trabalhadores podem até debater a injustiça tributária, mas colaboradores têm certeza que todos os "colaboradores" (patrões e empregados) sofrem a mesma "extorsão fiscal"...
Trabalhadores fazem greve, "colaboradores", NUNCA!

É esse (ainda) o terror de quem detém o capital, por mais que se diga aos quatro ventos que o trabalho como conhecemos deixou de existir, e bl´, blá, blá...

Financeirização do mundo, dinheiro como fim em si mesmo, mercados virtuais ultra fluídos e voláteis, derivativos, etc, mas a fonte ainda insubstituível de geração e concentração de riqueza e capital ainda subsiste na boa e velha mais valia que decorre da exploração do trabalho e da mão-de-obra...

Sem trabalho (greve), sem riqueza...

Por ese motivo que mesmo com "toda modernidade", o discurso dos cretinos da mídia, dos patrões canalhas ainda se pareça, na hora do embate político, com o que ouvimos em Chicago, em 1886, ou no Brasil em 1964...

A mesmíssima lógica, porém com tintas próprias, acontece nas pequenas casas grandes e senzalas do século XXI, onde patrões e serviçais circulam em um pantanoso campo de relações que não são nem pessoais, nem trabalhistas, mas que sempre favorece aos primeiros...

Reconhecer a empregada doméstica como tal significa reconhecer direitos..."Nooooosa que absurdo, ela é quase da família", diria o arquétipo de madame siliconizada...

Se reconhecer como empregada doméstica implica em exigir direitos que estão sempre soterrados em "afetividade" que mascara humilhações cotidianas, como um anestésico...

Quase da família é a categoria que se equipara a colaborador em linhas de produção e escritórios...

Como já dissemos em outros textos, são tempos onde as coisas, cada vez mais, são chamadas por nomes diferentes, para dar novos sentidos a velha e boa dominação e exploração...

Então tá: Colaboradores e quase-da-família e tantas outras categorias dos sem-categoria do mundo, uni-vos! 

arghhh...