quarta-feira, 20 de abril de 2016

País sem memória, país sem futuro...

Aos que tentam colocar cusparadas no mesmo nível que a apologia a tortura, o relato da Presidenta sobre seu martírio é um tapa no meio das fuças...

E o país que ofende e tenta golpear uma Presidenta, que apesar da violência simbólica a qual está sendo submetida, jamais incorreu em qualquer ato de autoritarismo contra os abutres que a assediam, não a merece como mandatária maior...

É esse país que está representado nos trezentos e tantos "cunhas" da Câmara dos Deputados...É esse país dos senhores da Casa Grande e seus sabujos, os empresários de mídia, verdadeiros cafetões do apocalipse...

Vamos ao texto do Blog do Nassif com o depoimento de Dilma Lana Roussef a Comissão da Verdade sobre as torturas sofridas pelos que diziam querer a "democracia no país"...e que hoje vomitam lugares-comuns contra corrupção:

O relato de Dilma sobre as torturas sofridas na ditadura

Jornal GGN - Em dezembro de 2014, foi divulgado o relatório da Comissão Nacional da Verdade, que detalha como a tortura era praticada por agetes do Estado durante o regime militar. Na época, a presidente Dilma Rousseff era uma das líderes da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, e foi presa em janeiro de 1970. Em relato para a Comissão Estadual de indenização às Vítimas de Torturas de Minas Gerais, em 2001, Dilma relatou as torturas que sofre e como teve um dente arrancado a socos.
"A pior coisa que tem na tortura é esperar, esperar para apanhar", relatou, contando que sofreu choques elétricos e foi amarrada em um pau de arara. "Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu. Tomava de vez em quando Novalgina em gotas para passar a dor. Só mais tarde, quando voltei para São Paulo, o Albernaz completou o serviço com um soco arrancando o dente”, disse Dilma. Leia mais abaixo:
Do Terra
 
"Você vai ficar deformada e ninguém vai te querer. Ninguém sabe que você está aqui. Você vai virar um ‘presunto’ e ninguém vai saber", era uma das ameaças ouvidas de um agente público no período em que esteve presa
 
por Daniel Favero - publicado em 11/12/2014

O relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), divulgado na quarta-feira, detalhou como a tortura era praticada por agentes públicos durante o período militar. As informações contidas nos depoimentos dão uma noção mais clara dos requintes de crueldade sem poupar nem mesmo mulheres, adolescentes ou inocentes presos de forma clandestina e sem qualquer direito básico a defesa, algo injustificável mesmo por aqueles que pregam a volta dos militares como se vê em algumas manifestações ou se ouve de alguns parlamentares.
Naquela época, a presidente Dilma Rousseff era uma das líderes de uma organização chamada Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Ela foi presa em janeiro de 1970, pela Operação Bandeirante. Assim como outros opositores do regime militar, Dilma foi torturada e até hoje alega sofrer com sequelas físicas e psicológicas.
No relato que fez à Comissão Estadual de indenização às Vítimas de Tortura de Minas Gerais, em 2001, Dilma conta como teve um dente arrancado a socos, sobre as sessões de tortura (algo que parecia ser uma praxe entre os presos interrogados), sobre ser amarrada em um pau de arara e sobre os choques.

“Eu vou esquecer a mão em você. Você vai ficar deformada e ninguém vai te querer. Ninguém sabe que você está aqui. Você vai virar um ‘presunto’ e ninguém vai saber”, era uma das ameaças ouvidas de um agente público no período em que esteve presa. “Tinha muito esquema de tortura psicológica, ameaças (...) Você fica aqui pensando ‘daqui a pouco eu volto e vamos começar uma sessão de tortura’”, contou Dilma.
Dilma foi levada para a Operação Bandeirante no começo de 1970, em Minas Gerais. “Era aquele negócio meio terreno baldio, não tinha nem muro direito. Eu entrei no pátio da Operação Bandeirante e começaram a gritar: 'Mata!', 'Tira a roupa', 'Terrorista','Filha da puta', 'Deve ter matado gente'. E lembro também perfeitamente que me botaram numa cela. Muito estranho. Uma porção de mulheres. Tinha uma menina grávida que perguntou meu nome. Eu dei meu nome verdadeiro. Ela disse: 'Xi, você está ferrada'. Foi o meu primeiro contato com o 'esperar'. A pior coisa que tem na tortura é esperar, esperar para apanhar. Eu senti ali que a barra era pesada. E foi. Também estou lembrando muito bem do chão do banheiro, do azulejo branco. Porque vai formando crosta de sangue, sujeira, você fica com um cheiro”, relata.
Oficialmente, a tortura sempre foi negada pelos militares. De acordo com o relatório da CNV, era uma prática instituída dentro do regime militar, inclusive com premiação de torturadores com a Medalha do Pacificador.
No caso de Dilma, o principal responsável pela tortura era o capitão Benoni de Arruda Albernaz. "Quem mandava era o Albernaz, quem interrogava era o Albernaz. O Albernaz batia e dava soco. Ele dava muito soco nas pessoas. Ele começava a te interrogar, se não gostasse das respostas, ele te dava soco. Depois da palmatória, eu fui pro pau de arara”, conta. Albernaz era o chefe da equipe A de interrogatório preliminar da Oban quando Dilma foi presa, em janeiro de 1970.

Dente arrancado a socos 
Um dos pontos mais gráficos nos trechos do depoimento de Dilma contidos no relatório fala sobre o episódio no qual teve um dente arrancado a socos, que lhe acarretou sequelas até os dias atuais. “Uma das coisas que me aconteceu naquela época é que meu dente começou a cair e só foi derrubado posteriormente pela Oban. Minha arcada girou para outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu. Tomava de vez em quando Novalgina em gotas para passar a dor. Só mais tarde, quando voltei para São Paulo, o Albernaz completou o serviço com um soco arrancando o dente”, conta Dilma.
Mas para estas pessoas, a principal memória dos dias em que foram submetidos a práticas desumanas e quase medievais de tortura, em pleno século 20, são as sequelas que perpetuam até hoje em suas vidas.
“Acho que nenhum de nós consegue explicar a sequela: a gente sempre vai ser diferente. No caso específico da época, acho que ajudou o fato de sermos mais novos, agora, ser mais novo tem uma desvantagem: o impacto é muito grande. Mesmo que a gente consiga suportar a vida melhor quando se é jovem, fisicamente, mas a médio prazo, o efeito na gente é maior por sermos mais jovens. Quando se tem 20 anos o efeito é mais profundo, no entanto, é mais fácil aguentar no imediato.
Fiquei presa três anos. O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente o resto da vida.
Quando eu tinha hemorragia - na primeira vez foi na Oban - pegaram um cara que disseram ser do Corpo de Bombeiros. Foi uma hemorragia de útero. Me deram uma injeção e disseram para não me bater naquele dia. Em Minas Gerais, quando comecei a ter hemorragia, chamaram alguém que me deu comprimido e depois injeção. Mas me davam choque elétrico e depois paravam. Acho que tem registros disso até o final da minha prisão, pois fiz um tratamento no Hospital de Clínicas.
As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim”, relatou Dilma.
Lendo relatos como esse, seja da presidente ou de qualquer outra pessoa que esteve custodiada pelos militares naquela época, fica claro que, independente da orientação política ou do que cada um acredita, uma sociedade civilizada não deveria compactuar ou esquecer da selvageria que foi praticada naquela época e que se perpetua até hoje, de forma arbitrária, entre as camadas mais pobres, talvez como resquícios daqueles tempos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Na nossa memória temos dificuldade para identificar um autêntico Estadista. E o futuro é preocupante, quando a atual ocupante palaciana em pleno desequilíbrio pega um cano que voa em direção à ONU, onde deixará toda uma Nação ruborizada, avermelhada de vergonha, como se o mundo não soubesse o que ocorre nessa terra varonil.

douglas da mata disse...

Uai, mas se ele é desequilibrada, por que terão os golpistas vergonha do que será dito?

No máximo, se de fato o desequilíbrio fosse dela (e não dos gorilas de togas, dos cães espumantes da mídia, da elite abutre e sua entourage coxinha- classe mé(r)dia), o máximo que a ONU repercutiria seriam boas risadas.

Pelo jeito, e pelo que se ouve ao redor do mundo, a vergonha não é nossa, é alheia...Todos estão consternados de assistir um golpe descarado como esse.

E pelo jeito, a reação dos cretinos como você, a Presidenta acertou em cheio.