segunda-feira, 21 de março de 2016

O Processo na Casa Verde...



A ilustração acima se refere ao livro O Processo, de Kafka...Para quem não está ambientado a obra do autor checo, trata-se de uma crítica feroz ao ambiente burocrático instalado em certos nichos de poder estatal, destinados a aniquilar a sanidade daqueles que estão sob seu jugo, imputando-lhe culpa pela simples condição de existir, sem que haja necessidade de uma culpa baseada em qualquer fato concreto.

Basta ser quem você é, e responda àquilo que nunca lhe será dito, mas sempre lhe será cobrado.

O meio (processo) torna-se fim em si mesmo.

Nada mais adequado aos dias de hoje para representar a caça às bruxas que se instalou com o único objetivo de soterrar um grupo político determinado, não pelos seus erros, até porque, esses supostos erros são comuns aos demais, e solenemente ignorados pelos inquisidores, mas sim pelos seus acertos, por poucos e tímidos que sejam, ou seja: Dotar o capitalismo local do menor traço de civilidade e aspectos básicos de inclusão (re)distributivista.

Tenho lido muitíssima asneira, e muito pouca coisa que mereça atenção.

Mantive-me afastado, propositalmente, para domesticar meus laços afetivos com a questão, politicamente afetivos, diga-se...

Recuso-me a vala comum daqueles que imaginam análises pró ou contra...Não há realidade crível que permita tal exercício...

Tudo não passa de um delírio kafkaniano, um autêntico "Processo", que embora surreal, produz efeitos...

E eis a questão: Como avaliar algo que não deveria existir como se apresenta?

Creio que esse é o grande nó para figuras como Dilma, Lula ou o PT e aliados...

A produção semiótica venceu a realidade, e como geradora de causa e efeito, assumiu o seu lugar...

Ler um pseudo-intelectual local usando a metalinguagem surrada para justificar posições que teme assumir, vocalizado em plataformas sequestradas pelo interesse (óbvio) de classe (a patronal, sempre!) é de doer os olhos, como se na verdade, tivéssemos realmente que escolher entre a honestidade ou pela justiça social, pelas alianças (chamadas de espúrias)ou pelo purismo ideológico, e outras tolices minimalistas...

Ora, ainda que a o cinismo pragmático não absolva ninguém, o fato é que ninguém desconhece que não há Democracia que rime com capitalismo sem uma boa dose de cooptação rentista, e que no fim das contas, o que interessa (ou ao menos deveria) é saber quantos mais são incluídos...

Mas seguem ruminando ou zurrando contra suas próprias sombras...

Em nenhum momento da História desse país houve tamanha resistência a crise estrutural tão grande, apesar dos efeitos já esperados na retração econômica, muito mais causados pelas doses cavalares de ortodoxia monetária (juros escorchantes que nunca são considerados déficit fiscal, será por quê?) do que pela má gestão governista...

Como em nenhuma outra oportunidade o poder central se absteve tanto (e paga caro por isso) de controlar polícia e o judiciário (aí junto os torquemadas do mp)...

O governo é acusado justamente de fazer o que não faz, e sofre mais a cada vez que faz menos o que lhe acusam fazer...uma loucura talvez presente na Casa Verde d' O Alienista, do não menos genial Machado de Assis.

Irônico é ler editoriais e blogs de coleira de gente reclamando da fictícia intervenção governista nas investigações, logo eles que nunca resistiram a um pedido de tráfico de influência em instâncias policiais quando os rebentos "sujavam as fraldas"...

Gente querendo queimar presumidamente culpados em uma grande fogueira alimentada a exemplares da Constituição...

Eu, a meu modo vou me preparando para o combate (literal e real, se necessário)...

Que venham os bárbaros, se tiverem coragem...A destruição, como já ensinou Marx, tem um potencial criador formidável...

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