quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Fim do ciclo do ouro negro...a indigência dos governantes, a mídia cretina, a cobiça das elites e os eleitores-macunaímas...

O Brasil teve vários ciclos extrativistas ou monocultores...Desde a madeira do pau brasil, que foi reduzida a extinção, passando pelo açúcar, ouro, café, soja, minério, borracha, etc, nosso país, em escalas diferentes, sempre esteve posicionado como provedor de commoditites no jogo internacional das trocas comerciais...

Erram feio aqueles que enxergam aí uma maldição, per si...Outros países (poucos, é verdade) souberam tirar proveito da acumulação proporcionada pelos preços altos, poupando recursos para os investimentos necessários ao desenvolvimento de economias menos dependentes dos humores globais...

Mas essa opção, nos países onde funcionou, não se deu sem uma gama dramática de conflitos internos (os EUA, por exemplo, se mataram na ordem de mais de 600 mil na Secessão, apenas para definir o modelo de desenvolvimento que teriam), que resultasse em escolhas incômodas para setores de cada sociedade envolvida...

Estruturas tributárias mais justas implicam em mexer com  interesses de quem tem mais...

Fortalecimento das classes mais pobres significa ter que exercitar a Democracia de forma mais acidentada e complexa, longe dos consensos forjados à manipulação e acordos espúrios...

O fato é que a morte de um ciclo não resulta no fim da atividade...O petróleo que irrigou nossos cofres públicos vai voltar a jorrar, mas é certo que a hegemonia econômica que exercia sobre nossos orçamentos está, por assim dizer, com os dias contados...

Até porque, o cenário mais previsível é que os outros Estados da Federação alterem a partilha dos royalties, lastreados por um argumento imbatível: Torramos essa grana toda, e não saímos das "cavernas"...

Por outro lado, é verdade que se não fossem os royalties, certamente estivéssemos piores, mas essa tese não ganha força nem entre nós...

Irônico é que essa terra maldita chamada de Campos dos Goytacazes, que se orgulha de ter sido a primeira a ter luz elétrica, mas esquece, cuidadosamente, as trevas da escravidão, quando era a cidade que mais tinha escravos em relação a homens livres em 1854 (Hemeroteca da Biblioteca Nacional, Alamanque Mercantil de Campos dos Goytacazes), experimentou a punjância e tragédia do ciclo monocultor da cana, e agora com o ciclo extrativista do petróleo...

E tanto naquela época, como agora, tivemos a "liderança" de uma elite escroque, sempre tendo a frente como prepostos os médicos e advogados, cujos anéis e diplomas adquiridos por descendência (outro traço fortíssimo por aqui) legitimam o conluio para manter um pé na modernidade macaqueada da Europa (e agora dos EUA), e outro pé na Idade Média...

Agora acabou a festa...

E o que temos?

Expansão imobiliária rentista, aprofundamento da cisão urbana que empurra os mais pobres para cada vez mais longe, deixando ônus para o Erário, que massacrado pela compressão tributária da sonegação e elisão dos grandes, nunca dá conta de atender a todos, então, atende aos poucos e afortunados de sempre...

Coincidência ou não, o fim do ciclo do ouro negro converge com o colapso daquilo que se chamou "Muda Campos", movimento político carismático de origem na baixa classe média, e setores "conservadores esclarecidos", que previram o ocaso do modelo anterior, o da oligarquia rural...

Na medida que o Capital se recicla e se adapta, o movimento foi sendo tragado pela agenda dos interesses corporativos, na mesma medida que experimentava grande sucesso eleitoral...

Não há problema algum nisso...

Esse acordo foi mais ou menos o que ocorreu em 2002 no plano federal...

A questão é: Como ficou a situação da população mais pobre de Campos dos Goytacazes? 

O quanto de interferência das gestões locais pode ser considerada na melhora ou piora dos níveis de desenvolvimento humano?

Como estamos no plano educacional, sanitário, mobilidade, melhorias urbanas nos setores mais pobres, etc, etc, etc,?

Tudo que arrecadamos per capita durante esse tempo correspondeu em inclusão e ascensão social?

Creio que mesmo que sejamos complacentes com a dinastia de patetas da lapa e sua legião de dissidentes e "viúvas mal amadas", a resposta não terá grandes variações:

Campos dos Goytacazes está um lixo!

A sensação que temos ao olhar a administração local é de um paciente terminal cuja fotografia insiste em dizer que ele está bem, lembram de algo?

Resultado de imagem para foto de tancredo no hospital

Podre por dentro,  como as vísceras de Tancredo Neves,  o governo atual perambula e se arrasta a olhos vistos, incapaz de propor qualquer saída política para a crise que era não só previsível, mas certa para qualquer imbecil que soubesse contar dois mais dois...

Inistem em textos e lamúrias econômicas, quando todos sabemos que a única possibilidade de contornar os limites da carência orçamentária é cobrar a conta de quem ganhou quase tudo quando a vaca estava gorda...Mas heresias das heresias, mexer no bolso dos ricos jamais...

Por esse motivo, "vestem" a cidade em um roupão de seda e posam para a fotografia fatal...

Agora falta achar um "porta-voz" do tipo Antonio Britto para a comoção local...

O problema é que falta talento aos cretinos da mídia daqui para tal encenação...

Não se enganem: A gestão da prefeita e do prefeito-marido já está em decomposição!

2 comentários:

Antonio Santos disse...

Excelente texto mostrando a realidade que muitos tentam esconder. Mais uma vez parece confirmar a história da maldição lançada sobre esta terra, segundo dizem, pelos africanos trazidos para trabalho escravo na agricultura canavieira e que morreram devido aos maus tratos aos mesmos impostos.A saída para tal situação talvez seja a conscientização das pessoas com relação ao poder público, participando, fiscalizando e cobrando de seus representantes a aplicação dos recursos provenientes dessa ou outra exploração, ou então a chegada de uma liderança positiva que consiga agregar a população em torno de um objetivo e escorracar esta elite que há anos somente atrapalha a evolução do município.

douglas da mata disse...

Não seria tão fácil. O fênomeno descrito é transclassista. Não há liderança carismática ou "fiscalização" de dê jeito.

Só a compreensão dos limites da estrutura capitalista e a busca pela sua superação, das cidades até o centro do poder, e vice-versa.

Não é uma tarefa fácil, e poucos (chamados de loucos, radicais e esquisitos) têm envergadura para tanto.