sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Campos dos Goytacazes: de volta ao passado...

Como não resolver problema algum? 

Decrete calamidade, escolha uma comissão, faça reuniões de "emergência", e se puder, acorde cedo e chegue na repartição como se o problema se resumisse a presença intimidadora do alcaide...

Tudo previsto no manual mofado de marquetíngue...

O que mais espanta é a falta de vergonha e caradurice dos porcalistas de coleira, integrantes do novo diário oficial:

Dizem que o novo responsável pela recuperação do Hospital Ferreira Machado será aquele que o avô do neto matinha em sua equipe, e que teria sido responsável pela implantação do SUS na planície de lama...

Uai, como assim, o SUS é cria da Constituição de 88...do fim de 88...?

Logo, se em 88 o avô do neto era escorraçado do poder, depois de ter começado seu reinado a bordo da ARENA (em 67), com ajuda dos gorilas fardados, como é que teve tempo para "implantar" o SUS por aqui, se em janeiro de 89 a corriola do avô foi jogada no lixo da História?

Gente, com o Google, qualquer idiota é capaz de escrever uma notinha com um pouco mais próxima da verdade...

Quer dizer, nem todo idiota...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

É a política, estúpidos...

Segue o futuro prefeito, o pequeno príncipe e neto do avô, tentando dar nomes diferentes às mesmas coisas...

Tudo isso com a ajuda dos cretinos do novo diário oficial...

Não há nada demais em compor acordos para governar, ou pretender uma margem de suplementação orçamentária para estabelecer as prioridades da agenda do grupo eleito...

Assim como não há problema algum em votar contra as contas da prefeita, mesmo sabendo que esse gesto nada significará, a não ser "jogo de cena"...

O problema é fazer política sem querer dizer que está fazendo política...

Depois de desancar seus pares, e se aproveitar dos efeitos do ataque da república do judiciário sobre o legislativo local, o pequeno príncipe fez um acordo com seus "odiosos" colegas para garantir o "tal cheque em branco" na execução orçamentária, justamente o tipo de manobra que criticava antes...

Em um passe de mágica, aquilo que era execrado como negociata, quando era praticado pela dinastia da lapa, virou virtuose e habilidade do neto do avô...

Em breve, todos os problemas municipais sumirão do noticiário, e viveremos no paraíso terrestre...

PS: A palavra acordo pressupõe troca, então fica a dúvida: o que deu em troca do "cheque em branco de 50%" o futuro prefeito?

domingo, 25 de dezembro de 2016

Um conto de Natal?

Foi confirmado: por decisão de um juiz foi proibida a circulação de Papai Noel, haja vista que negou-se mudar a cor de suas vestes (vermelho), que poderiam ser associadas a um determinado partido...

O juiz em questão decretou que, embora não houvesse provas, havia a convicção de que os presentes distribuídos pelo bom velhinho tinham origem ilícita, e faziam parte de um forte esquema de poder ("papainoelcracia"), que se alimentava da relação fisiológica da troca de presentes por apoio ao soberano da Lapônia...

Soma-se às convicções o fato do velhinho usar barba e ser muitíssimo popular...

Grupos de mídia, com acesso às delações premiadas dos ajudantes de Papai Noel, afirmam (sem provas) que o bom velhinho maltratava as renas, e há suposições de que o idoso tinha inclinações pedófilas...

Nas suas conversas grampeadas, os astutos investigadores ainda não confirmaram, mas estão certos de que a expressão "que linda essa neve branca" seria um código associado ao tráfico internacional de cocaína...

Também não sabem dizer  o que significa a expressão "ho-ho-ho", mas estão convictos de que se trata de alguma senha para esconder propriedades de imóveis no Pólo Norte...

Pelo menos um pai assustadíssimo, morador dos Jardins Paulistas, respeitadíssimo médico e de família quatrocentona, afirmou, durante entrevista na festa de posse do prefeito de SP, donald-dória, que seu filho anda com comportamento meio estranho depois de receber um presente de Noel...

Promotores prepararam uma bela exposição com powerpoint, revelando (ainda sem provas) que tudo era culpa do Velhinho...inclusive a ausência de uma solução para o conflito na Síria...

A defesa do Bom Velhinho recorreu às cortes superiores, mas por lá recebeu a mensagem de que mesmo sem provas de que exista Papai Noel, ele vai ser condenado não pelas provas, mas porque a literatura e a lei assim o permitem...

Absurdo?

Esperem pela realidade que se avizinha...


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Campos dos Goytacazes: a "nova" velha oligarquia e o mito da tecnocracia...

Um dos temas mais caros à direita e seus movimentos políticos é o encapsulamento dos conflitos e da ação política em "câmaras técnicas", ambientes onde a suposta as escolhas que são inerentes a todas as decisões de governo estariam "à salvo" de ingerências dos grupos de interesse...

Não raro, governos com essa característica autoritária servem-se de figuras que construíram seu capital social junto ao chamado terceiro setor, na pretensa assepsia da Academia, ou em outras instâncias que se (auto) legitimam como "superiores"...

Vejam bem, a hierarquização de valores e ações é um traço comum a todos os fenômenos sociais e próprio da luta de classes...

E de certa forma, não há como agir sem classificar essa ou aquela demanda como mais ou menos prioritária...aliás, essa é a natureza das relações sociais...

O problema é justificar a manutenção de uma hierarquia específica (a prevalência dos interesses da elite) como algo natural e fatal, negando a mobilidade necessária decorrente dos conflitos (que darão forma a novas possibilidades e prioridades), a não ser que sejam reconhecidas pelo "corpo técnico"...

É o caso da nomeação celebrada hoje pelo diário oficial do município do futuro presidente da autarquia de trânsito da cidade, IMTT...

Desnecessário dizer que se tirarmos uma radiografia do saco do indicado revelaremos a imagem da boca dos editores do pasquim oficial...

Bem, o rapaz é aquele que foi responsável pelo "projeto" de "humanização" de uma loja ou espaço determinado na área de lazer da classe mé(r)dia, um shopping local, e que depois tentou embargar as reformas do mercado, propondo uma estrutura que privilegiava quem possui automóvel...

Não que ele tenha que rejeitar encomendas de lojistas, afinal, ele tem que comer também...Mas o problema é que ele celebrou essa "obra", em debate no Blog do Roberto Moraes, como sendo uma prova de que a cidade pode aceitar a fatalidade dos shoppings sobre os espaços públicos, desde que haja um "olhar" moderno que tornem aqueles locais mais parecidos com os ambientes abertos (e gratuitos)....

Arf...

Agora, para encher linguiça e pauta, repete um discurso decorado sobre mobilidade e modais...

Arf...

Falácia, falácia, falácia...

Como vai conciliar suas "propostas" de predomínio do transporte coletivo sobre individual, quando o prefeito a quem servirá já anunciou o fim (que ele chama de "modernização ou aperfeiçoamento") do passagem subsidiada?

Para mudar modais e conceitos de mobilidade, não há outra saída senão a coerção estatal...

Cidades que optaram por esses modelos não hesitaram em "desagradar" donos de veículos (Londres cobra pedágios para deslocamento até o centro, outras cidades tornam o estacionamento nas vias públicas muito caro, para estimular uso de transporte coletivo)...

Não creio que esse governo coxinha tenha colhões para chegar nem perto de contrariar os eleitores que se movimentam em "ilhas" motorizadas...

E muito menos imagino que o neto do avô, fiel aos seus parceiros de classe, nesse caso os donos de empresas de ônibus, vá permitir que o usuário de transporte seja o real beneficiário das políticas públicas do setor...

Enfim, a "nova" velha oligarquia vai seguindo o roteiro que se espera dela...



PS: Será que o arquiteto e urbanista vai divulgar ou exigir que se divulgue a lista de doares de campanha do novo velho prefeito?
Uai, ele não era o presidente dos observadores-vingadores de Campos dos Goytacazes? Então, boa chance para praticar o que exigiu dos outros...

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Campos dos Goytacazes: o começo do fim...

O que poderia ser pior que a dinastia da lapa?

Ao que tudo indica, daqui a um pouco de tempo estaremos sentindo saudades da Idade das Trevas, proporcionada pelo napoleão da lapa e seu séquito de patetas...

Toda vez que se ouve o neto do avô (ou o pequeno príncipe), a impressão que se tem é de estarmos em frente a um pastel de vento, ou um boneco do posto...

Frases de efeito, e só...

É certo que nesses tempos de total descrença com a política, fenômeno patrocinado pela mídia cretina e engendrado pela república do judiciário, a falação do pequeno príncipe até funcione para campanhas eleitorais...

Governar, no entanto, requer mais do que isso...

Requer, dentre outros requisitos, um básico e primordial: gostar do povo e da sua cidade...

Não é o caso do pequeno príncipe, tendo como base sua origem e o legado que diz herdar com "orgulho"...

Para governar a cidade desigual é preciso compreender que só priorizando os mais pobres, com o emprego orçamentário nas zonas menos favorecidas, e principalmente, com o aumento dos impostos dos mais ricos, como forma de financiar essa escolha pelos mais humildes...

Sem isso, tudo mais é canalhice ou cortina de fumaça...

Olhando para os aliados do pequeno príncipe, e para os nomes de sua equipe, nada de bom podemos esperar...

Um governo da elite para a elite...

Sua única proposta palatável parece ser "o resgate dos tempos antigos de glória da cidade", como em suas declarações sobre uma possível futura ajuda ao setor sucroalcooleiro, eterno parasita de verbas e responsável pela nossa vergonhosa condição de polo regional emprego de mão-de-obra em condições análogas a escravidão...

Quem sabe o petit prince não reinaugura o pelourinho no Boulevard?

domingo, 18 de dezembro de 2016

Campos dos Goytacazes, velha oligarquia se renova: quem não sai aos seus são os monstros...

Como ensina nossa História recente, não é novidade que prefeitos sejam eleitos com artifícios proporcionados por golpes institucionais e ferramentas autoritárias...

Assim como o neto do avô se elegeu a bordo dos "atos institucionais" da franquia local da república morista, também o avô se elegeu na carona do golpe cívico-militar de 64...

É claro que a mídia cretina e os apoiadores passaram a ilustrar a biografia do avô como um democrata, um gestor que fez o que pode no seu tempo...

Falácia...mentira...

Tal e qual fazem com o neto...um arquétipo fascistóide caiado com votos da negação da política, alimentada pela massificação escrota do moralismo hipócrita...

O avô do futuro prefeito apoiou o regime militar e iniciou seus mandatos de prefeito filiado a ARENA...Ou seja, comeu na mão dos gorilas...

Em 1967, mesmo não tendo sido o mais votado, o avô do pequeno príncipe foi nomeado prefeito de Campos dos Goytacazes...

Naquela eleição, o mais votado foi o candidato do MDB, José Alves de Azevedo, um conhecido líder trabalhista local, que já havia exercido outros mandatos de prefeito (1950-54 e 1958 e 1962) e deputado federal (1954-1958)...José Alves teve 28 mil votos...

O avô do prefeito, segundo mais votado, assumiu em virtude da então nova regra do AI-2 (Ato Institucional nº 2), uma fórmula autoritária para conferir aos candidatos do regime (ARENA) o que as urnas negavam...

Hoje em dia os esquemas do neto do avô são mais sutis, mais sofisticados, mas não menos perigosos a Democracia...

Cantado em verbo e verba como "novidade", pelo que se vê, o neto do avô é só uma "atualização" de velhos métodos...

Dizem por aí que o herdeiro de José Alves de Azevedo, com a vitória do pequeno oligarca, animou-se para vingar esse golpe da eleição de 1966...

Se for verdade que o cavaco não voa longe do pau, será que o neto do avô vai apoiar um golpe militar que o mantenha no poder quanto tiver que enfrentar esse acerto de contas com a História?

Talking Heads - Psycho Killer (with Lyrics)




Em homenagem a um velho e prezado amigo...

sábado, 17 de dezembro de 2016

Transparência no c* dos outros é refresco...

Bem, levando em frente o modelo "faça o que falo, mas não faça o que faço", o pequeno príncipe, prefeito eleito da cidade de Campos dos Goytacazes, até agora não usou as redes sociais, que canta e decanta como plataforma de seu relacionamento franco e aberto com o eleitor, motivo de sua vitória retumbante, para prestar contas das doações de sua campanha...

Afinal, quem são os maiores doadores do prefeito eleito?

Quanto custou sua campanha?

Quem apostou na zebra (e ganhou)?

De quem é a mão que balança o berço...?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Campos dos Goytacazes: entre a dinastia da lapa decadente e a ditadura do judiciário...!

A soma de duas coisas ruins não resulta em uma coisa boa...

Mas para os atuais integrantes da oposição, futuros governistas, e boa parte dos blogueiros cretinos que acreditam que qualquer coisa valha para derrotar o napoleão da lapa, a interferência ditatorial do judiciário na política e no processo legislativo é normal, e até desejável...

Assustadora a (im)postura destes setores que pregam esse protagonismo judiciário como forma de dissuasão  política, que em nada diferem dos animais que cantam a volta dos gorilas fardados ao poder, aliás, são gêmeos siameses...

Agora vergonha mesmo é que o ato tenha sido provocado por alguém que se diz advogado, foi candidato a presidente da Ordem, e pasmem: será legislador!

Assim como o juiz "fux-se o fato" fez ao determinar a volta da apreciação de matéria já apreciado no seu mérito na Câmara dos Deputados, incorrendo em (mais) uma intervenção do judiciário no legislativo, abusando claramente de suas atribuições, aqui na cidade de Campos dos Goytacazes estamos entre duas coisas abomináveis...

Lá no stf, o juiz fux-se o fato mandou o legislativo fazer de novo a lei que ele não gostou, aqui, o juiz mandou o legislativo parar de fazer a lei porque há a "convicção" (sem provas, claro) de que haverá lesão ao patrimônio...

É um novo prelado de Direito: censura ex tunc e censura ex nunc...

É certo que a tentativa do governo atual em corrigir as cagadas que fizeram no PreviCampos (sendo que as verdadeiras causas do chamado rombo nem de longe são conhecidas pela turba enfurecida) podem e devem ser questionadas a atacadas...

Porém, cada embargo deve ser interposto na hora e local certo...

O judiciário NÃO PODE imiscuir-se em processo legislativo, salvo quando as mesas diretoras atuam como supressores de direitos garantidos às minorias ou em flagrante afronta ao regimento da casa legislativa ou a lei...

Não é o caso, até porque todas as medidas adotadas pela dinastia da lapa estão sendo seguidas por todos as outras instâncias de poder (estaduais e federal), com a chamada securitização de receitas, dívidas e patrimônios, numa "orgia" onde o contribuinte entre fantasiado de cu e o sistema financeiro de pica...

Claro que os meios de comunicação silenciam, cumprindo o papel cretino e vendido de sempre...

Se houver lesão ao patrimônio com a promulgação da lei, se for o caso, aí sim deve o judiciário se manifestar, quando provocado...

Se houve má gestão ou fraude (e tudo indica que houve, desde a chegada do pessoal de Campinas), com alocação de recursos na ciranda financeira (como a maioria dos fundos de previdência de servidores públicos do Brasil), que seja feita a persecução de forma correta, e não por via transversa...

Qualquer coisa antes do tempo é ato ditatorial...qualquer coisa depois do tempo, é ato ditatorial e má fé...

Os juízes e promotores da República das Bananas, com a cumplicidade de boa parte dessa classe mé(r)dia imbecilizada, transformaram a ação ministerial e as decisões judiciais em "garrafadas", daquelas vendidas em feiras populares, que curam tudo, desde impotência até o câncer...


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Uber e a sociedade-pirata-aplicativo...

Defender o modal de transporte praticado de forma desregulamentada, conhecido como Uber, utilizando o argumento do "mercado", da "maioria", "da consulta a população", ou ainda, da péssima qualidade dos táxis, é uma estultice...

Transferir a uma plataforma digital (aplicativo) a gestão e normatização do transporte de passageiros, atribuição exclusiva da Municipalidade é como permitir que um aplicativo organize a Educação Pública, por exemplo, onde as estruturas formais e legais seriam "outorgadas" a um conjunto de rotinas virtuais...

E não me venham com a cretinice de dizer que há escolas privadas e outras formas de permissão, concessão ou autorização...Seria muita desonestidade intelectual confundir a possibilidade do particular explorar um serviço público, regulamentado pelo Poder do Estado, com a cessão desse Poder para uma plataforma digital...

Parece claro, até para os imbecis, que o "mercado", ou somente a lei da oferta ou da procura não serve como argumento para legalização e/ou legitimação de determinadas atividades, caso contrário, deveremos aceitar o contrabando, afinal, é uma atividade que tem demanda garantida, e também busca substituir o controle do Estado (tributação) por uma lógica "de mercado"...

O Estado, nesse caso representado pela Municipalidade, existe, principalmente, para regular e controlar a vontade individual para que essa não traga prejuízos a coletividade...Assim é quando nos obrigam a usar cinto de segurança (embora nós sejamos as vítimas, o Estado, dentre outras razões, impõe seu império para evitar que a coletividade pague pelo atendimento de emergência caso a imprudência resulte em lesão)...

Nem sempre maioria rima com Democracia: se oito judeus em uma sala resolvem matar os dois palestinos restantes, embora seja uma decisão majoritária, nunca será democrática, então, ainda que a maioria esteja a favor de um serviço que parece vantajoso pelo preço, o que envolve transporte, regulação e tributação está muito além dessa simplificação rasteira...

A melhora dos serviços dos táxis não passa por sua canibalização, assim como a melhora de outros serviços públicos (permitidos/concedidos ou não) também não acontecerá com o enfraquecimento da atividade...
Devemos liberar ônibus piratas guiados por aplicativos apenas por que poderiam cobrar tarifas menores?

Por que não liberar a Segurança Pública para um aplicativo, onde um prestador particular (um miliciano ou outro tipo de justiceiro qualquer) oferece serviços e obtém uma "nota" no fim, podendo continuar no exercício da função ou ser excluído?

Que tal abolir a exigência de legislação e provas para capacitação de condutores para obter a CNH, bastando que instalemos nos veículo um aplicativo de fiscalização e pontuação, tal e qual um video-game?

O problema é que as vítimas não têm vidas reserva, nem podemos "resetar" os acidentes e recomeçarmos tudo, como no jogo virtual...


Eu gostaria de saber  se os meios de comunicação defensores do Uber concordam com a total liberação das concessões de TV e rádio para possibilitar a (auto) regulação do mercado, e uma maior chance de escolha da população?

Uai, é só bolar um aplicativo para organizar tudo...não é?

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Campos dos Goytacazes: o pequeno príncipe über alles?

Über Alles é uma expressão alemã que significa sobre tudo e todos...

Geralmente utilizada em análises onde há um fenômeno que tem a intenção de estar sobre os conflitos, quase sempre se classe...

No Brasil, recentemente, o termo uber ganhou força como alternativa de transporte particular de passageiros, que desde o começo encontrou nos taxistas seus rivais viscerais...

Por isso, nesse texto utilizei a expressão para que a gente pudesse analisar o primeiro desafio do pequeno príncipe recém eleito...

Depois da eleição, desfez-se como açúcar na água o mito vendido por ele, de que poderia pairar acima dos conflitos dessa cidade, como se fosse portador de uma mensagem divina, capaz de administrar apenas com postulados morais, ignorando e repelindo a política como mediadora dos conflitos...

Não, o pequeno príncipe não está acima do bem e do mal, e muito menos governar é uma questão que divide os gestores apenas em honestos e desonestos...

É preciso "sujar" as mãos, enfiar o pé na lama, concordar discordando, engolir sapos e fazer aliados...

O caso da implantação/regulamentação do serviço conhecido como uber veio a calhar...

Primeiro para demonstrar ao pequeno príncipe os limites da aliança com a mídia cretina que serviu de plataforma para sua campanha, e que emprenhou secretários em seu futuro (des)governo...

Não que a mídia não possa fazer críticas, ou discordar de quem apoia, mas em se tratando do grupo em questão, o recado foi dado, ou seja: os votos que conferiram o mandato ao pequeno príncipe valem menos que os palpites "desinteressados" da mídia, onde a opinião publicada acaba por substituir o consenso ou o debate nas instâncias públicas, de fato e de direito...

Depois, serviu para mostrar ao eleitor o despreparo do futuro prefeito e sua equipe, e o quanto está sequestrado por interesses corporativos...bem como seu horror a qualquer debate com a comunidade...

O blog sabe que o que os defensores dos dois lados vendem como qualidade e defeitos podem ser aplicados a ambos os vértices da contenda...

Já faz tempo que o serviço de táxi era exclusivamente explorado por autônomos, seja exercendo o ofício como única fonte de renda, seja como renda extra...

Era o tempo do chofer, nada parecido com os psicopatas alucinados que avançam sinais, barbarizam pedestres, remunerados como "auxiliares", na verdade, mão-de-obra precária e explorada para o lucro dos empresários do setor...

Como ocorre na maioria dos serviços concedidos, ou sob permissão, e a bem da verdade, como ocorre em todos os ramos a atividade capitalista, a monopolização ou oligopolização é um resultado esperado, na medida que as forças produtivas tendem a eliminar a concorrência, ao contrário da falácia pregada pelos (m)idiotas de que há uma concorrência permanente e (auto)reguladora....

No ramo dos transportes de passageiros não foi diferente, e nem aquele exercido de maneira individual, com o táxi...

Passados os anos, com o aumento da oferta de mão-de-obra, as autonomias viraram moedas caras, e 
os alguns indivíduos e grupos passaram a concentrar as permissões, muito por causa da relação (às vezes promíscua) mantida com entes públicos concedentes e seus agentes...

Aqui nessa cidade, o deputado estadual conhecido como defensor da categoria taxista fez carreira e fortuna explorando as "dificuldades burocráticas" do setor...

Depois, ciente de que era preciso ampliar sua esfera de influência, o deputado passou a disputar as franquias regionais do Detran, fechando a cadeia de interferência no ramo...

Resultado: restam poucos taxistas autônomos na cidade, e foi justamente essa verticalização que promove o encarecimento do serviço, que somada a rede de interesses representados na burocracia estatal confere a corporação status de privilegiada, impedindo a população/usuário de fiscalizar a conduta e a eficiência dos prestadores/permissionários, tal e qual cada erviço concedido e/ou permitido pelas cidade desse Brasil, sejam operadores de telefonia até empresas de ônibus....

O que o uber diz oferecer é o sonho (falso) liberal: um dispositivo de (auto)controle, nesse caso a plataforma digital (aplicativo), capaz de otimizar os serviços, onde a concorrência entre indivíduos fixa tarifas...

A ideia principal é que a menor ingerência estatal conferirá maior agilidade e menores preços, somados a segurança oferecida pelo aplicativo na fiscalização rigorosa dos serviços através de ranqueamento dos próprios usuários...

Como se disse antes, um sonho...que pode virar pesadelo...

Não existe serviço que possa ser prestado ao público sem a regulamentação e chancela estatal, ainda que padeçamos dos vícios advindos da prevalência do patrimonialismo atávico que nos assola desde sempre...

Concordar com a lógica liberal do uber é, se retirarmos o aplicativo, concordar com a ideia das lotadas e transportes "piratas" de toda espécie...

Então, o que estaria em jogo não é apenas uma questão de preço (e de mercado), mas sim do que o Estado deve regular e conceder, e a quem e sob quais condições...

O resto é balela, porque em alguns anos, se sobreviver, a atividade exercida pelos uber encontrará a monopolização e concentração nas mãos de poucos, com um perigoso adendo: fora do alcance do Estado e do controle da sociedade...

Não é possível retirar a chancela do Estado e substitui-la por um aplicativo executado e formatado por particulares para um serviço, ou melhor, um direito constitucional, ir e vir...

Acontecerá com o uber algo parecido com os camelôs, antes uma atividade exercida por aqueles que ficaram de fora do mercado formal de trabalho, e hoje muito mais um cartel de poucos, ligados a grandes redes de contrabando, ainda que seja um importante absorvedor de mão-de-obra pouco qualificada...

Já vai longe a figura mítica de Michel na frente da Lira de Apolo...

Se quer dotar o sistema de transporte de passageiros em carros de passeio de agilidade, concorrência e subordinação aos interesses do público (e não apenas os da corporação taxista), o Município deve antes de canibalizar o serviço com o uber, promover uma devassa nas autonomias, impedindo sua acumulação, investigando os "laranjas", criando conselhos de usuários com uso de dispositivos on-line de reclamações e processamento de denúncias mais comuns (como assédio sexual às passageiras, fraudes para alteração dos preços cobrados, etc)...

Mas ao que parece, o limite da ação do pequeno príncipe é atender os desejos dos aliados da corporação...para manter tudo exatamente como está...

Sem intermediários...

sábado, 10 de dezembro de 2016

Pérolas aos porcos...

Eu sei que a publicação de um texto dessa envergadura (Blog do Nassif) é um desperdício, caso a intenção seja confrontar os imbecis que insistem em enxergar o mundo como compartimentos estanques, e a História como um ajuntamento de acidentes...

Sim, porque boa parte desses imbecis não são apenas imbecis, são antes cínicos, porque essa visão de mundo fragmentada pavimenta a prevalência dos interesses particularistas de sempre sobre os desfavorecidos de sempre...

Então vamos jogar pérolas a esses porcos, e olha que tem até figurinhas para ficar mais fácil de entender...

Xadrez do assassinato político e o papel do MPF

“O diabo é sábio por ser velho”

Peça 1 – as peças iniciais do jogo

É curioso a rapidez do tempo histórico nesses tempos de Internet e redes sociais. Há o lado da desestruturação das informações, pela quantidade e rapidez com que se sucedem os eventos. Mas há o lado da enorme rapidez dos diagnósticos em cima de eventos históricos ainda em andamento.
É o caso da nova estratégia da geopolítica norte-americana, montada a partir do advento da Internet e das redes sociais.
Ao longo dos últimos anos, foi possível acompanhar passo a passo esse jogo. No início, dada a aparente volatilidade dos fatos, íamos registrando o passo-a-passo, mas ainda mantendo dúvidas sobre as formas de organização: havia uma lógica, algum conhecimento sistematizado, ou apenas um ou dois eventos planejados e o resto se sucedendo de forma aleatória?
Afinal, a cooperação internacional – a troca de informações entre os órgãos de segurança de vários países -  é praticada há anos em várias instâncias, desde a cobrança de pensão alimentícia até extradição de criminosos. Era de conhecimento público a cooperação entre FBI e a Polícia Federal. E, desde a constituição da Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) a prática da integração dos diversos órgãos de fiscalização em forças tarefas.
A maneira como a Lava Jato investiu contra a Petrobras e as empreiteiras, como destruiu sistematicamente a cadeia do petróleo e gás e a indústria naval, parecia, no início, apenas esbirros de um país atrasado, de instituições frágeis, de uma mídia subdesenvolvida, que não conseguiram avaliar a relevância das empresas para a geração de impostos, emprego, tecnologia.
Jogava-se já no golpe do impeachment e todos os prejuízos ao país eram lançados na conta do golpe.
Com o tempo, percebeu-se que havia método no trabalho.

Peça 2 – os primeiros indícios do jogo antinacional             

A ida do Procurador Geral da República Rodrigo Janot aos Estados Unidos, no início de fevereiro de 2015, chefiando uma equipe de procuradores, levando informações contra a Petrobras, despertou o primeiro alerta: a cooperação internacional se dava de forma estranha, não seguindo as formalidades.
No dia 2 de fevereiro de 2015, nosso colunista André Araújo, do alto de sua experiência, antecipava os pontos centrais de questionamento (https://goo.gl/V2Wrhv):
1.     Como um agente do Estado brasileiro vai aos EUA levando informações contra uma empresa controlada pelo Estado brasileiro? Quem deveria ter ido era a AGU (Advocacia Geral da União).
2.     Nenhum país minimamente consciente de sua soberania permite que suas empresas e cidadãos sejam processados no exterior. No caso brasileiro, não apenas se permitia como se alimentava a Justiça norte-americana.
3.     Cooperação internacional só pode se dar através do Ministério da Justiça. A tropa de procuradores, comandada por Janot, não apenas atropelava o Ministério da Justiça como o próprio Ministério das Relações Exteriores, assumindo o controle completo da cooperação.
André estranhava, principalmente, a visita de Janot ao Departamento de Justiça: “A única coisa sobre Petrobras que existe no Departamento de Justiça é uma investigação criminal contra a empresa Petrobras, os procuradores vão lá reforçar a acusação? É a única coisa que podem fazer, defesa não é com eles, é com a AGU”.
No dia 9 de fevereiro, a Procuradoria respondeu às indagações formuladas (https://goo.gl/Vs6lqz). Foi a única vez que se dignou a dar informações para uma cobertura que não fosse chapa branca.
Na nota, duas informações significativas.
A primeira, na relação de instituições públicas que acompanharam o PGR: CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e CGU (Controladoria Geral da União), apenas instituições públicas fiscalizadoras, e não a AGU (Advocacia Geral da União) a quem caberia defender a Petrobrás. Não foi um pecado solitário da PGR, mas a prova mais evidente da forma totalmente despreparada com que o governo Dilma Rousseff encarou a Lava Jato.
Não faltaram alertas para que ela entrasse em contato direto com Barack Obama, visando impedir um processo contra a Petrobras – vítima da corrupção, e não autora.
A segunda, a informação de que o Ministério da Justiça não era a autoridade central exclusiva nos acordos de cooperação. Dizia a nota:
“A obtenção de provas por meio de auxílio direto ou rogatórias e a transmissão de documentos entre os Estados é feita pela autoridade central, papel que, no Brasil, é desempenhado pelo Ministério da Justiça ou pela PGR”.
De nada adiantaram os alertas de que seria suicídio o Ministério da Justiça deixar o controle total das operações de cooperação nas mãos da PGR. O Ministro José Eduardo Cardozo jamais quis correr o menor risco em defesa da legalidade e do seu governo.
Em 2 de abril de 2015, dois meses após a visita de Janot aos EUA, saiu a denúncia contra o almirante Othon Luiz Pereira da Silva, figura chave no desenvolvimento nuclear brasileiro (https://goo.gl/AVPiw8).
A maneira como chegaram em Othon foi apertar o presidente da Andrade Gutierrez Dalton Avancini, que já havia feito uma delação. Providenciaram uma segunda delação onde o induziram a denunciar a Eletronuclear, com base nas informações conseguidas junto às autoridades norte-americanas.
A partir da reformulação de sua delação, deflagrou-se a Operação Radioatividade, para investigar suspeitas na área nuclear.
Indagamos da PGR se trouxera da visita as informações contra a Eletronuclear. A resposta, dúbia, foi de que “nós não saímos do Brasil com essa intenção”, uma maneira de dizer que voltaram com a informação. O indiciamento do Almirante se deu em tempo recorde.
No dia 2 de agosto de 2015, quando já estavam mais nítidos os sinais da articulação entre a PGR e as autoridades norte-americanas, o GGN resolveu investigar a trajetória do PGR Janot nos Estados Unidos. E descobriu que ele se encontrou com Leslie Caldwell, procuradora-adjunta encarregada da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (http://migre.me/qZSvO) e, até um ano antes, advogada de um grande escritório de advocacia que atendia à indústria eletronuclear norte-americana.
A partir desse episódio, ficou nítido que havia uma estreita cooperação entre autoridades de ambos os países e o que parecia uma aparente ignorância do PGR e do Ministério Público em relação aos interesses nacionais em jogo, era uma articulação pensada.

Peça 3 – o confronto com o que ocorreu em outros países

Gradativamente, começaram a aparecer detalhes de casos envolvendo líderes socialdemocratas em outros países do mundo, sempre tendo o Ministério Público e a Justiça como elementos centrais de desestabilização.
Em Portugal e Argentina ocorreu o mesmo processo (https://goo.gl/dJZHHZ). Em Portugal, uma campanha sistemática contra o ex-primeiro ministro socialista José Sócrates, um  ano de campanha, 9 meses de prisão preventiva. No final, nenhum elemento capaz de condená-lo, mas Sócrates estava politicamente destruído.
Na Argentina, o mesmo procedimento do MPF brasileiro. Pega-se uma decisão de política econômica, identificam-se ganhadores genéricos e amarra-se com algum financiamento de campanha para criminalizar Cristina Kirchner que foi indiciada e precisou depor perante um juiz (https://goo.gl/no1iaC).
No dia 20 de fevereiro de 2016, uma entrevista extremamente elucidativa de Jamil Chade   (https://goo.gl/Bk2qJq), correspondente do Estadão em Genebra. Autor de um livro sobre o escândalo da FIFA, com fontes no FBI, Chade contava que foram as manifestações de junho de 2013 que convenceram o FBI que o Brasil estaria preparado para enfrentar dois mega-escândalos. Um, foi a Lava Jato, com foco na Petrobras. O segundo, a FIFA, visando romper os acordos esportivos que asseguram às empresas nacionais blindagens de audiência contra a entrada de competidores estrangeiros.
Ora, FIFA é um escândalo brasileiro, que tem na Globo seu principal formulador. Os agentes do FBI diziam que o MPF brasileiro era o menos colaborativo no caso FIFA, ao contr[ario da Lava Jato, onde as informações fluíam torrencialmente.
Justamente nas manifestações de junho de 2013 houve o pacto entre a Globo e o MPF no combate à PEC 37, que restringiria a capacidade de invesyigação do MPF.
No dia 10 de março de 2016, GGN entrevistou o cientista político Moniz Bandeira, que explicou de forma detalhada a nova estratégia norte-americana, abdicando das parcerias militares em benefício dos pactos com o Judiciário e o Ministério Público. Sob o título “Da Primavera Árabe ao Brasil, como os EUA atuam na geopolítica” (https://goo.gl/u1ISQ8) Moniz disseca o novo modo operacional da geopolítica norte-americana.
No dia 20 de maio de 2016 participei de um debate na Fundação Escola de Sociologia e Política com o acadêmico alemão Thomas Meyer, autor do livro “Democracia midiática: como a mídia coloniza a política”.  Meyer é intelectual de peso, membro do Grupo Consultivo da União Europeia para a área de Ciências Sociais e Humanas e vice-presidente do Comitê de Princípios Fundamentais do Partido Socialdemocrata da Alemanha
No debate, contou em detalhes como se deu a campanha que levou à renúncia do presidente socialdemocrata Christian Wullf. Durante quatro anos, houve uma campanha de mídia na Alemanha que utilizava informações inventadas, absurdas, segundo ele. Todos os veículos passaram formar um fluxo único de informações, massacrando o presidente até renunciar depois de um ano.

Peça 4 – a explicitação da metodologia do “lawfare”

Nos embates contra a Lava Jato, os advogados de Lula decidiram levar a perseguição ao Acnudh (Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos). No levantamento das práticas de abusos, houve uma discussão com especialistas na Universidade de Harvard, que detalharam a tática conhecida como “lawfare”, ou guerra jurídica (https://goo.gl/28knxn).
Ali se percebeu que o fenômeno, global, já havia sido detectado pela academia dos países centrais, que conseguiram sistematizar seu modo de operação.
Consiste em uma parceria entre Ministério Público e mídia visando gerar uma enorme quantidade de notícias e denúncias, mesmo sem maiores fundamentos. O objetivo é sufocar a defesa, destruir a imagem do réu perante à opinião pública, atingindo seus objetivos de anulá-lo para a política – seja pela destruição da imagem ou pelo comprometimento de grande parte do tempo com a defesa.
Trata-se, portanto, de um recurso utilizado em várias partes com propósitos eminentemente políticos. A mesma coisa que ocorreu em Portugal, Alemanha, na Espanha, com o primeiro-ministro Felipe Gonzáles.
E, aí, se junta a última peça para a explicitação da metodologia de atuação.
No início de tudo estão os interesses geopolíticos norte-americanos, fundados em alguns objetivos:
1.     Impedir o desenvolvimento autônomo de potências regionais e de modelos de socialdemocracia. Não é coincidência, a crise atual da Coréia do Sul, os ataques aos líderes socialdemocratas em vários países.
2.     Atuar firmemente contra os BRICs. Brasil já é fato consumado. Tenta-se, agora, a Índia.
3.     Consolidar o livre fluxo de capitais já que, hoje em dia, a hegemonia norte-americana se dá fundamentalmente no campo financeiro.
O governo dispõe basicamente de três estruturas.
Em azul escuro, no topo, o Departamento de Estado (na época dirigido por Hillary Clinton, estreitamente ligada ao establishment norte-americano), em cooperação com o Departamento de Justiça. Como braços operacionais, o FBI – e suas parcerias com as polícias federais – e a NSA – a organização que se especializou em espionagem eletrônica, responsável pelos grampos nos telefones de Dilma Rousseff e Ângela Merkel.
O Departamento de Estado dispõe de três ambientes de disseminação da estratégia: as redes sociais, a cooperação internacional e o mercado.
Há anos, o Departamento de Estado atua nas redes sociais de vários países. Recentemente, a Wikileaks revelou a atuação do homem de Hillary nas redes sociais atuando junto a comunicadores brasileiros.
A cooperação internacional é uma estrutura antiga, de troca de informações entre Ministérios Públicos e Policias Federais de vários países. Após o atentado às Torres Gêmeas, tornou-se peça central de colaboração contra o crime organizado. Nela, o FBI desempenha papel central, por ser o órgão mais bem aparelhado para o rastreamento de dinheiro em paraísos fiscais – onde se misturam dinheiro do narcotráfico, caixa dois, dinheiro de corrupção política. Com o controle das informações, disponibiliza aquelas que são de interesse direto da geopolítica norte-americana.
Finalmente, o mercado, com sua extensa rede de entrelaçamento com instituições financeiras, empresas e mídia nacionais, é o terceiro canal de influência.
Nos círculos vermelhos, os três fenômenos que chacoalham as democracias modernas.
O primeiro, a informação caótica, fato que aumenta com as redes sociais e, especialmente, com os grupos de mídia praticando a chamada pós-verdade – a invenção de notícias com propósitos políticos.
O desalento com a economia – após a crise de 2008 – gerou dois novos sentimentos de massa: o desânimo com a democracia e a busca de saídas autoritárias; e a exploração do mito do inimigo externo, que pode ser um membro do Islã, um imigrante indefeso ou um perigoso agente da socialdemocracia.
A falência do estado de bem-estar social, a falta de alternativas, promoveu um quarto sentimento, que é o do desmonte do Estado.
Em verde, finalmente, os agentes nacionais desse golpe: a Lava Jato e a PGR, firmemente empenhados na destruição da estrutura atual de grandes empresas brasileiras; a mídia e o mercado.
Com essas ferramentas à mão, monta-se o “lawfare”, visando exclusivamente os adversários do sistema. E, no bojo das operações, o conjunto de ideias econômicas que, no caso brasileiro, foi batizado de “Ponte para o Futuro”: desmonte do Estado social, livre fluxo de capitais, privatização selvagem.
No futuro, assim que se sair do estado de exceção atual, não haverá como não denunciar o Procurador Geral Janot, o juiz Moro e os procuradores da Lava Jato por crime contra o país. E, aí, haverá ampla documentação devidamente registrada e que possivelmente será requisitada pelo primeiro governo democrático brasileiro, pós-golpe, junto à cooperação internacional.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Campos dos Goytacazes: quando o pequeno príncipe e o napoleão dãos as mãos...

Incrível a lógica (?) do novo (velho) prefeito...

Falando para o novo diário oficial da planície de lama, o pequeno príncipe segue a sua jornada pelo campo da semiótica, ou melhor explicando, da manipulação mesmo...

Primeiro, ele se diz surpreso que a peça orçamentária seja tratada como ficção...ora porra, vá ser cínico assim lá embaixo da jaqueira do Jardim Carioca...

Todo parlamentar sabe, seja ele vereador de Cabrobró do Mato, ou da Câmara Federal, que orçamentos são assim considerados porque são peças autorizativas e não impositivas, logo, têm uma natureza maior de previsão orçamentária do que efeito vinculante...

Mas o ápice da canastrice não parou por aí...

Apesar de criticar a peça orçamentária fictícia de 2017 (inclusive por não ter sido elaborada para seu governo), e do valor de suplementação (50%) concedido a prefeita (que deixa o cargo) na peça de 2016, o pequeno príncipe reivindica o mesmo "cheque em branco" cuja emissão criticou em anos anteriores...

Ou seja, façam o que falo, mas nunca o que faço...ou em palavras mais duras: " o Orçamento é uma ficção, mas eu quero 50% de carta branca para gastar sobre esta merda"...

Entramos na era da política do bater pezinho e fazer beicinho...

Nesse sentido, parece que o napô e o pequeno príncipe são apenas as faces de uma mesma moeda...aliás, como já previsto por esse blog...

Ocupar e resistir: alunos do IFF dão aula de cidadania!

Agora, nesse exato momento, gorilas de preto da PF tentam desocupar, à força, as instalações do IFF-Campus Centro...

Vergonhosa (im)postura da instituição que se tornou guarda pretoriana a soldo dos golpistas, e por esse motivo, se acumpliciam com o autoritarismo do ilegítimo governo federal...

Os alunos do IFF resistem como podem, e após a destruição dos cadeados pelos verdugos federais, um cordão humano impede a entrada da força ditatorial na sede do instituto...

Contra os camisas pretas fascistas da PF o antídoto é a coragem desses jovens guerreiros pela Democracia...

Ocupar e resistir...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Campos dos Goytacazes e os eleitos: O caô da transição ou muito peido é sinal de pouca merda!

Diz o ditado que ovo de avestruz não vende porque ele não canta igual a galinha...Em outras palavras, propaganda é (quase) tudo...

Boa parte da nossa crise política sistêmica atual reside nesse ponto: na crença de que a imagem, o marketing, a contrafação substituem a ação política...

Desde que trocamos as ruas, a mobilização social pela campanha eleitoral sequestrada em horários de TV, onde marqueteiros transformam cocô em ouro em pó, a qualidade de nossa representação democrática não correspondeu ao que se esperava dela, e em simultaneamente, os preços das eleições subiram a estratosfera, quando o capital passou a ditar de vez a agenda dos mandatos e administrações...

No caso recente de Campos dos Goytacazes não foi diferente...e temos um novo (velho) prefeito gestado e parido como produto da guerra da mídia local, sem qualquer substância política que justifique seu cacife eleitoral...

Um prefeito oco, que com o fim das eleições não tem a menor ideia do que fazer...

A prova disso chega agora, na hora da onça beber água, isto é, a partir da posse...

Como o novo (velho) prefeito e sua equipe precisam justificar a que vieram, inventaram uma tal de transição, e desde sempre disseram-na emperrada pela má vontade da dinastia que deixa o lugar para a reedição da oligarquia mais atrasada aliada ao que há de pior nas elites locais (se é que nessa terra de merda haja alguma elite menos ruim)...

Ora bolas, os atos da atual prefeita estão todos impressos no Diário Oficial, e como vereador no exercício do mandato, o prefeito eleito deveria ter em suas mãos o Orçamento de 2016, bastando cruzar os dados para ver quantas andas a execução daquela peça...

Assim como não existe nenhuma dificuldade em, uma vez empossado ele e sua equipe questionarem aos funcionários estatutários como funciona cada setor, através da solicitação de relatórios circunstanciados das atividades exercidas...

Simples e direto...

E claro, tome-se como certo que ao chamar uma pessoa para exercer a função de secretário municipal,  haja um mínimo de conhecimento do funcionamento da parte da máquina administrativa que a ela estará subordinada...bem, isso é o mínimo que se espera...

O resto se aprende é fazendo mesmo...

Mas fica a pergunta: será que o vovô barbosa do prefeito fez a transição para o napoleão da lapa, quando ele ainda era um garotinho? 

Então vamos combinar que esse chorôrô de transição emperrada é igual aquela história:

Para o mau fodedor até as bolas atrapalham...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Entramos no pós-Capitalismo: agora é só batizar a "nova era"...

Esse texto foi publicado originalmente como comentário ao post do Blog do Roberto Moraes, aqui...

Pensei em reproduzir na página central, depois que o utilizei como resposta a um comentário no post anterior...

Vai com as adaptações:


Caro comentarista, os seus textos, os quais presumo fazerem parte de um todo, trazem boas informações e contribuições ao debate, mas carregam em simplificações óbvias quando analisam o papel do PT e seus parlamentares.


Ruim mesmo é reduzir tudo a uma questão "moral", coragem, apesar de trazer crítica a essa interpretação da realidade que assolou o stf, por exemplo...




Vou republicar parte de um comentário que coloquei lá no Blog do Roberto Moraes, sobre crise, esgarçamento do tecido político e não-civilização...



Muito se tem falado sobre esgarçamento de tecidos, crises, etc. A aparência é realmente essa, e muito mais ampliada pelas hipersensibilidades proporcionadas pelas redes virtuais (aí o fator tecnologia das equações de David Harvey), que alteram a realidade, enquanto são permanentemente e reciprocamente alteradas pela realidade que criam.



Eu não creio na existência de uma crise específica, de um momento de fratura, pelo menos não na conformação dos dias atuais.



Creio sim que no passado, por força das limitações e também pelo impacto das inovações (elas em si mesmo mais limitadas que as possibilidades de hoje, como convém a certa rotina evolutiva), a História e a percepção de seu caminhar ofereciam uma visão mais compartimentada e sugeriam que os eventos coubessem em marcos temporais e geográficos bem delimitados.



Não à toa, a fluidez de recursos e da informação (não confundir com conhecimento) encontravam nas barreiras físicas obstáculos que permitiam uma assimilação diferente e uma transmissão diferente, o que não acontece hoje.



Mesmo que o problema da verticalidade e da apropriação da iniciativa discursiva pelas classes hierarquicamente mais bem colocadas não tenham sido superados, apesar das trombetas da tecnologia venderem o "admirável mundo novo" pelo viés da conectividade, os donos da informação são os mesmos e o objetivo da disseminação dos conteúdos contaminados pelos interesses de classe também.



Nesse contexto, a sanha "não civilizatória" dita por Roberto Moraes (em seu post recente) a meu ver, é tanto uma ilusão semiótica, quanto a noção de que em algum momento houve um marco civilizatório que se espraiasse pela Humanidade como uma regra, um ordenamento universal.



É claro que a modernidade, se considerarmos os avanços médicos, aumento médio da expectativa de vida, produção de bens e serviços, melhoria da eficiência do uso energético, etc, é um ganho inequívoco, mas na minha rasa opinião, ela não justifica por si só, nem explica a noção de civilização, aqui entendido como o conjunto de bens imateriais dedicados a contornar a tendência humana a barbárie.



Sendo assim, não seria incorreto (re)afirmar que a História da Humanidade, sua referência civilizatória seja o conflito, o esgarçamento permanente dos tecidos sociais e políticos, aliás, e principalmente, porque sempre poucos viveram às custas de muitos.



O problema é que essa assimetria alcançou níveis jamais pensados, com reflexos ainda não imaginados.
O que acontece agora, e muito patrocinado, como já disse, pela ampla possibilidade
de cognição on-line e 
ao vivo dos eventos e de suas contrafações, é um aceleramento
correspondente a dinâmica imposta
pela acumulação de riqueza, e pela transformação da riqueza em fim em si mesma. 


Acumulação e transformações (em fim em si) são estágios diferentes, embora haja a sedução de entendê-los como iguais.



Pode parecer um pleonasmo, ou um termo equivocado, mas a riqueza sempre foi um meio, sempre esteve associada a noção (lato sensu) de política, que por sua vez, conferia aos seus detentores (da riqueza) o poder correspondente, em uma relação teleológica (causa e efeito) recíprocas.



No entanto, mesmo essa relação carecia de certa mediação, de uma legitimação que conferisse aos despossuídos, e logo, desempoderados, a ilusão de que poderiam conquistar uma parcela do poder sem a correspondente riqueza, reivindicando contrabalanços chamados de direitos.



Hoje, essa necessidade parece ter desaparecido. 



Hoje ela (a riqueza acumulada) prescinde essa relação, pois alcançou o seu "estado da arte", ou no nosso prisma de despossuídos, a tempestade perfeita.



Por isso a lógica do golpe nos países periféricos experimenta sua gestação e execução no campo jurídico, que passou de instrumento de poder a poder em si mesmo.



Se antes a mediação para imposição da vontade da riqueza acumulada passava pela violência das armas, hoje a sofisticação dos meios permite a criação de uma realidade paralela que se auto-interpreta permanentemente, e por essa razão, o eixo de decisão se deslocou a quem teria a missão de fiscalizar e aplicar as leis, mas agora as interpreta e reinterpreta como requer a "nova ordem". 



A lógica dos ditadores da República do Paraná e seus asseclas é o não-governo, a não-política, o não-Estado, enfim, a não-lógica, como uma espécie distorcida de anarquia controlada, onde as regras são substituídas pela constante interpretação das regras.



Um delírio jamais imaginado por Kafka.



.
Momentaneamente se associam a esse ou aquele esquema, como o Legislativo ou até o complexo bélico-policial, se for o caso, mas nessa "nova (velha) ordem" não há mais correspondência entre a representatividade formal (a que é conferida nas urnas), capital político, movimentos sociais e ações não institucionalizadas, leis, etc.


Uma imagem cara aos jurisconsultos, a Pirâmide de Kelsen tenta explicar o modo como as leis são geradas e se impõem a todos: Fato/Valor/Norma, ou seja, a sociedade a partir de uma demanda real faz dela um juízo de valor (valora) e como resultado outorga a seus representantes a tarefa de criar uma lei que reflita aquele juízo de valor sobre aquele fato determinado.



Podemos dizer que o atual estágio civilizatório (ou des-civilizatório, como prega você) inverteu e subverteu essa lógica, onde agora temos valor, uma norma e depois o fato.



Ou seja, o valor é dado por uma agenda pré-estabelecida e não antes conhecida ou aceita pela maioria representada, e as leis são paridas dessa hierarquia, para depois criarem uma versão que a explique como fato.



Onde entram os meios de comunicação, é claro.



De certa forma, esse estágio sempre foi perseguido pelas elites detentoras do capital e do mercado.



Pela primeira vez, o não-sentido parece ter tomado conta de toda a narrativa da realidade, de uma vez só e em todos os cantos, seja com trump, a saída da GBR da Europa, a crise do Oriente Médio (Síria), ISIS, a posição da Rússia em relação a tudo isso, os golpes da América Latina, sejam golpes propriamente ditos, sejam para ou proto-golpes, como no caso dos Kirchner, ou Maduro na Venezuela, etc, etc...



Porque sempre tivemos pedaços desse não-sentido acontecendo, como foi a eleição fraudulenta de bush jr, o 11 de setembro, a Al Qaeda, etc.



E todas as vezes que todos os fatores se juntam, temos a eclosão de novas eras, que nem sempre significam ser melhores daquelas que foram ultrapassadas.



Já temos nosso pós-Capitalismo. Precisamos agora é arrumar um nome para ele.
"


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O Rio de Janeiro e os cafetões da crise...

Ninguém tem dúvida que os liberais que pregam o Estado mínimo o fazem em benefício próprio: mínimo para quem mais dele precisa (os mais pobres) e máximo para os do andar de cima...

São assustadoras as notícias que chegam ao conhecimento do público...

Industriais reúnem-se com os adestradores da elisão fiscal (OAB/RJ) e promovem descarada chantagem contra a população fluminense, alegando que o fim dos favores fiscais será o fim dos empregos...

Pois bem...é o tal do acordo caracu, onde o contribuinte entra com o cu e eles com a cara...

Se o governo do RJ, ao invés de distribuir os cerca de 140 bilhões de reais gastos com incentivos fiscais para empresas, aumentasse o salário de servidores de um lado, e de outro, repassasse os tributos diretamente aos contribuintes fluminenses, sob a forma de restituições, com certeza estaríamos a bordo de um círculo virtuoso anti-crise, onde o mercado consumidor local seria responsável pela atração de várias empresas, sem a menor necessidade de arriar as calças fiscais para os cafetões da crise, leia-se firjan e seus cúmplices...

Com maiores salários dos servidores e com o retorno de parte de impostos para a população, teríamos mais consumo e mais arrecadação, sem mencionar no aumento direto das contribuições previdenciárias que incidiriam sobre uma base de arrecadação recomposta pelos aumentos reais dos salários dos servidores...

As vésperas de um fim de ano onde servidores estão sem salários, e todos os serviços estão à míngua, é um tapa na cara da população a (im)postura desses senhores...

Depois de um declaração dessas por parte desses canalhas sanguessugas, se a população e os servidores tivessem um pingo de sangue nas veias e vergonha na cara, teriam se reunido e incendiado cada fábrica que estivesse sob esse regime fiscal de favorecimento...

Carta aberta a Brand Arenari.

Caro amigo, desculpe a intimidade...

De certo, para além de nossos embates e debates temos pouca familiaridade para tratá-lo de você, agora que és uma iminente (ainda não eminente) autoridade municipal delegada...

Mas eu escolho o tom informal para dar contraponto a gravidade do tema, sendo assim menos por desrespeito a sua condição de interlocutor da pasta da Educação na transição (o que o credencia a sentar à mesa de Secretário), mais por escolha de estilo...

Brand, primeiro eu tenho que retroceder para dar contornos ao meu espanto quando soube que atuou como assessor parlamentar do agora prefeito eleito (porém não empossado, e nesse mundo de hoje, isso faz toda diferença), e mesmo assim, logo depois, ocupou cargo na estrutura de poder federal, o IPEA, sob a chancela do Jessé de Souza...

Legitimidade e capacidade para tanto nunca lhe faltou, mas confesso a dupla surpresa...

Sei que a sua origem de classe sugere a adesão a projetos classe mé(r)dia, do tipo que são vocalizados pelo novo (velho) prefeito e pela mídia local e nacional...

De fato, não há crime ou demérito em ser classe mé(r)dia, o problema, no entanto, é pensar como tal...

Porém, nunca imaginaria que a regra suplantaria uma honrosa exceção...

A surpresa só aumentou quando mesmo tendo embarcado nesse projeto do PPS municipal, Vossa Futura Excelência aceitou cargo comissionado no governo do PT, e logo em local mais estratégico da administração federal...
(e o PPS é o que há de pior no espectro partidário brasileiro, e não creio que a sociólogos do seu naipe seja dada a desculpa das particularidades e desfigurações dos partidos como justificativa para integrar a secção golpista local).
(Também acho que não cairia bem a desculpa da "assepsia intelectual" dos acadêmicos, que coloca conflitos políticos acima das missões intelectuais...acho que essa só cola para o público incauto que absorve o conteúdo da mídia que inflou o projeto de seu prefeito e agora o mantém sequestrado...como mantém sob sítio no plano geral a política nacional)

Não sei como rimar PPS com PT...Vossa Futura Excelência soube...parabéns!

Bem, no meio de tantas surpresas, nem me surpreendeu muito sua nova colocação no mais novo ninho de poder local...

Creio que poderia dizer com orgulho: "Menos mal"...

Não é tão fácil assim...

Não, não vou me divertir com os contorcionismos semânticos que Vossa Futura Excelência terá que usar para a árdua tarefa de mostrar a choldra que governar é diferente de fazer campanha, e/ou que o moralismo da eleição não resiste a necessidade de manter maioria parlamentar...

Essa mesma choldra que saiu de condição de pobres famintos manipulados para libertadores da nova Democracia Campista...

Muito menos vou dar risadas dos primeiros escândalos que estourarem (sejam reais ou não, sabes que isso pouco importa) no novo (velho) governo...
Vossa Futura Excelência não tens a permissão de dizer que acreditava nesse modelo judicial-midiático que propulsionou a carreira do novo (velho) prefeito, ou que desconhecia sua verdadeira natureza...até porque parece ter acreditado que para derrubar uma dinastia valia a pena reeditar outra, cujas bases são a pior oligarquia que tivemos notícia...

Estimo-o demais para isso, e tenho a Educação como tema maior, um tema de Estado, não de governos...não renunciando, é claro, a evidência que mesmo sendo um tema de Estado, e por isso mesmo, vá refletir os embates pela hegemonia no seu controle (do Estado)...

Espero sinceramente ser surpreendido por Vossa Futura Excelência, onde tenho por certo que o espanto viria caso suas primeiras ações sejam na direção daquilo que sempre acreditou (ou deveria?) quando ocupava a cômoda posição de pedra na vidraça de outros governos:

- Eleição direta para diretores das escolas;
- Revisão imediata do Plano de Cargos e Salários;
- Alocação REAL do quantum constitucional previsto para o Orçamento da Educação, afastando as matreirices contábeis que reduzem os recursos necessários;
- Cancelamento imediato da compra dos conteúdos prontos, que sangram os cofres públicos e enriquecem as editoras, sem melhora significativa alguma nos resultados pedagógicos;
- Reestruturação das carreiras-meio (merendeiras, vigias, etc), com fim gradativo das famigeradas terceirizações, que no fim, só concentram renda e precarizam relações de trabalho e os vínculos sociais dentro das unidades...

Despeço-me, respeitosamente, não sem antes contar um pequeno causo que me veio a mente, lembrança de um filme dos EUA (Traffic), com Michael Douglas no papel principal...

O então novo czar anti-drogas dos EUA, encarnado por Michael Douglas, assume e visita o antecessor, como manda o rito civilizado...

O antecessor lhe entrega duas cartas, e disse que recebeu envelopes parecidos quando chegou ao cargo, que lhe foram entregues pelo seu então antecessor...
Avisa que deverá abrir a primeira quando atingir alguma crise grave, mas que pode ser vencida...A segunda é para momentos dos quais sua gestão está sem saída alguma...

A primeira carta tem orientações para culpar seu antecessor por tudo de ruim que estivesse acontecendo até ali...

A segunda manda sentar a escrivaninha e escrever duas cartas...

Moral da história: até a semiótica tem limites...

Vossa Futura Excelência, embora não acredite em sorte, desejo-lhe toda...

(PS: desconsidere o que disse sobre o cargo caso o D.O. não confirme as expectativas e lobbies da mídia local)