quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Atos de coragem e atos de submissão covarde...

Sempre dissemos isso por aqui: 

Não há uma crise (econômica) no Estado do Rio de Janeiro, que seja una e indivisível, cujos efeitos atinjam de forma proporcional a todos os cidadãos...

Há uma covarde e dirigida crise a devastar os direitos da maioria da população, enquanto são preservados os interesses de uma elite de servidores (Judiciário e Legislativo), dos empresários, e da malta sonegadora que há entre eles...

Imagine você estar com pouquíssimo dinheiro dentro de seu orçamento familiar, e escolher dentre seus filhos aqueles que vão comer mais ou menos, estudar, ou ir ao médico, quando necessário...

Ou pior, com dinheiro curtíssimo, devendo suas contas, você prepara uma enorme festa para receber vários convidados...

É isso que o desgovernador vem fazendo...

É isso de que trata o texto que copiamos do Blog do Nassif:

A diferença entre socialismo e capitalismo em três atos, por Roberto Bitencourt da Silva

Por Roberto Bitencourt da Silva
Algumas comparações extremadas tendem a iluminar os problemas sociais e econômicos e as visões de mundo das pessoas e dos grupos sociais.
Assim, a respeito da grave crise econômica, administrativa e moral que assola o Rio de Janeiro, bem como por conta das gratuitas ofensas recebidas por Chico Buarque, na capital, talvez valhar assinalar as diferenças de atitudes e de visão, como também possibilidades de ação, a partir de personagens e experiências modelares:
1. O nacionalista e socialista Leonel Brizola, após longo exílio, foi governador do Rio, nos anos 1980, para o profundo desgosto da ditadura empresarial-militar e da Globo. Em seu governo, não recebia verbas federais para nada. Não havia Fundeb, royalties de petróleo e outras transferências "constitucionais", já que, a rigor, não havia Constituição, apenas arbítrio e boicote federal, primeiro com os milicos, depois com José Sarney. Ainda teve a dívida do Metrô, que era federal, transferida para o estado. Brizola governou em um período marcado pela crise da dívida externa do Terceiro Mundo, com repercussões muito negativas no país e no estado. Mesmo assim, privilegiou a educação, dotando cerca de 50% do orçamento no setor.
2. Cuba, no chamado "período especial", dos anos 1990, sem o apoio comercial da antiga Rússia Soviética e dos países do bloco socialista - que erodiram e adentraram o caminho do "choque de capitalismo" -, ficou praticamente isolada, convivendo com escassos recursos econômicos e materiais. O país sujeito a um intercâmbio internacional muito restrito, problema direta e igualmente associado ao bloqueio econômico e à sistemática sabotagem norte-americana. As coisas ficaram muito difíceis, mas a educação e a saúde foram mantidas de pé, privilegiadas pelo governo cubano, sob a firme liderança de Fidel Castro.
3. Por sua vez, o atual governador fluminense, Luiz Fernando Pezão (PMDB), tendo à disposição royalties do petróleo, inúmeras transferências federais etc., tem a capacidade de desmontar a saúde, a educação e demais serviços públicos, cortando ainda direitos básicos dos servidores. Mas, vai sediar Olimpíadas, com recursos públicos garantidos. O governador assegura volumosíssimos recursos orçamentários, ou que poderiam servir de receita para atender ao povo, para financiar grandes empresas, inclusive multinacionais e privatizadas concessionárias de serviços públicos. As escolas e universidades podem fechar, crianças e idosos podem morrer nas filas dos hospitais, a população encontra-se no momento em absoluto desespero sem atendimento médico-hospitalar, mas as prioridades são claras.
Em meio a uma cultura política em que a ruminação reacionária e anticomunista circula folgadamente, capaz de, absurdamente, hostilizar a um ícone da cultura nacional, como Chico Buarque, me parece que dá pra ver bem a diferença entre uma orientação política republicana e socialista e outra norteada pelo espírito do capitalismo. Inclusive, talvez especialmente, em momentos difíceis e dramáticos.
Roberto Bitencourt da Silva - historiador e cientista político.

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8 comentários:

Anônimo disse...

Nesses tempos bicudos, a (re)leitura de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, ajuda a fincar os pés no chão e a sonhar com mais dignidade.

Anônimo disse...

Em tempo: Baleia, Fabiano, Vitória e os dois meninos falam justamente sobre coragem e submissão.

Anônimo disse...

Mas as verbas para o legislativo e o judiciário não são transferências automáticas? O governador poderia mexer nelas?

douglas da mata disse...

Nenhuma verba é "automática"...O orçamento tem fontes determinadas: Os tributos e taxas recolhidos pelo ente federado e os repasses da União.

Em caso de emergência, nenhuma rubrica está à salvo...e as verbas do Judiciário e Legislativo são rubricas do Orçamento, logo...quem manda é o governador.

Quem manda as mensagens sobre vencimentos dos servidores (de TODOS os "poderes") é o governador...

Não há autonomia orçamentária do Judiciário e do Legislativo, execução orçamentária é ato PRIVATIVO do ente executivo.

Anônimo disse...

Os itens da cesta básica dispararam! Cada mês que passa é ainda maior. O acumulado do ano de 2015 deve ter sido altíssimo, implacavelmente. Como explicar isso? Como ainda tentar defender o governo depois de saber que o pobre, que é o maior atingido com a alta dos preços da cesta básica, está sofrendo deveras com isso?

douglas da mata disse...

Beócio indignado, titio vai quase desenhar para você:

O índice acumulado deve fechar em torno de 10% (acho que 10.28%), o que é muito alto.

Mas há dados que também não podem ser esquecidos, embora gente como você continue a tratar as coisas com platitude bovina:

O reajuste do salário mínimo, que beneficia principalmente a parcela de renda mais baixa, garante que o impacto não seja tão forte nessa faixa de consumo.

Os itens da cesta básica não foram os que mais oscilaram para cima, e sim os preços administrados (combustíveis, passagens de avião, transportes em geral, serviços, etc).

Como defender o governo?

Bem, eu prefiro um governo que esteja lutando para manter um mínimo de conquistas e direitos sociais, mesmo em dificuldades econômicas, a torcer pelo seu fracasso para que tenhamos os canalhas da oposição, que mantiveram a inflação nas picas, e com salário mínimo menor (menos de 100 dólares), sem programas de renda mínima dignos desse nome, sem abertura de universidades, e que mesmo vendendo todas nossas empresas a preço de banana ficaram com "reservas cambiais" na reserva (17 bi de dólares), e ajoelhavam para qualquer cretino do FMI que aparecia por aqui.

Anônimo disse...

Tudo bem, você tem razão em parte em seus argumentos. O poder de compra das famílias está melhor e isso diminui um pouco o impacto da alta dos preços dos produtos da cesta básica, o que, convenhamos, é um problema econômico que o PT não está conseguindo resolver. Mas é inegável também que o PT está cada vez mais parecido com o PSDB e o discurso recente de Dilma defendendo a reforma da previdência diz tudo. Ao ouvir ela falar me lembrei de Aécio na última campanha... Volto a perguntar, por puro deleite ao debate, como defender um governo que propõe uma nova reforma da previdência? Não tivemos uma em 2003?

douglas da mata disse...

Meu amigo, por compromisso (e não deleite) com o debate:

Defender o governo não significa dizer que concordo com tudo o que ele aplica ou executa.

Defender o governo (ou um partido) não significa desconhecer os limites impostos pela realidade ou a conformação dos interesses a agenda do capital sobre os patrimônios públicos, aí incluídos os direitos previdenciários.

Em outras palavras, eu defendo esse governo porque ainda enxergo nele a possibilidade de realização de tarefas importantes a construção de uma realidade menos amarga aos trabalhadores e a maioria da sociedade.

Mas isso não me impede de saber, e de discordar, das medida ortodoxas no campo da Economia ou em qualquer outra.

Sempre ataquei aqui essas medidas, e a captura de governos ditos progressistas pelo Capital.

Sempre denunciei as escolhas erradas no campo da Segurança Pública, por exemplo, onde o atual governo fez muito pouca coisa diferente dos tucanos.

Porém, por reconhecer nesse governo mais virtudes que erros, continuo a defendê-lo. É simples.

E se esses parâmetros não bastarem, eu e dou outro:

Se a mídia, os demotucanalhas, os financistas, enfim, o establishment está batendo nesse governo, já basta para que eu, um anticapitalista, esteja ao seu lado.