domingo, 13 de dezembro de 2015

A falha de são paulo, da ditabranda ao jurigolpismo...

Não é novidade para ninguém que desde a sua formação, os conglomerados de mídia comercial do nosso país sempre estiveram a serviço de algum tipo de golpismo, com raríssimas exceções...

Com mais ou menos protagonismo, a mídia nunca serviu ao esclarecimento a opinião pública, mas sempre pretendeu (de)formá-la, de acordo com o interesse de seus pares...

Não que reivindiquemos uma mídia neutra, essa tolice não existe, e apenas serve para engambelar os pobres diabos que labutam como cachorros de coleira nas redações...aliás, caninos de todos os tipos, como os supostos cães de guarda, mais bravos que seus donos na defesa deles, até as lulus que enfeitam nosso colonismo social...

Empresa de mídia pode (e deve) ter sua posição política, e esta postura influenciará sua abordagem editorial...

O que não pode é contrabandear tais posições atrás de uma suposta isenção (inexistente), como fazem comumente nossos barões de mídia...

Hoje um de nossos poucos leitores comentou a capa da latrina editorial chamada "falha de sp"...Aquele grupo de mídia que serviu organicamente ao movimento militar de 64 (emprestando veículos para a "logística" dos militares, leia-se sequestros e transporte de agentes da repressão), e que não satisfeito, relativizou a tortura e o suplício, chamando a ditadura de ditabranda...

Como se pode ver, um bando perfeito de canalhas, ou de canalhas perfeitos...

Ia tecer algumas palavras, mas achei quem o fizesse melhor, e busquei lá no Diário do Centro do Mundo (DCM), do jornalista Paulo Nogueira, algo que expressa o que gostaria de dizer:

A Folha mostra o legado social do PT que ela própria sempre escondeu. Por Paulo Nogueira



Postado em 13 dez 2015
Milhões de pobres  ascenderam à classe média e foram às compras nestes 13 anos
Milhões de pobres ascenderam à classe média e foram às compras nestes 13 anos
A Folha, depois de anos de pesquisas e levantamentos da mais extraordinária inutilidade, descobre enfim o seguinte.
Vou usar as palavras do próprio jornal“Em 13 anos de PT no poder, o Brasil distribuiu sua renda como em nenhum período da história registrada pelo IBGE. Todos ganharam. Quanto mais pobre, melhor a evolução. Foram 129% de aumento real (acima da inflação) na renda dos 10% mais pobres. Nos 10% mais ricos, 32%.”
Quer dizer: num país em que a desigualdade social é o maior e mais arraigado dos males, um real câncer, são números que merecem aplausos de pé.
Nenhum desafio para o país é maior do que o de reduzir a iniquidade. O abismo entre os poucos ricos e os muitos pobres é uma chaga muito mais deletéria do que a corrupção.
Quanto mais igualitária uma sociedade, menos corrupta ela é. Os países nórdicos estão invariamente na ponta nas listas de países com menor grau de corrupção, e o motivo é exatamente o igualitarismo. Você proporciona boa educação gratuita às crianças, ensina a elas noções vitais de ética, dá a todos boas oportunidades, protege os mais desfavorecidos e cria uma cultura segundo a qual praticar corrupção é um horror. Sonegar na Escandinávia, como faz abertamente a Globo, por exemplo, transforma você num pária.
Por mais pecados que o PT tenha cometido em 13 anos, e não são poucos, o fato de ter dado foco aos desvalidos o redime.
Você tira muitas conclusões dessa reportagem da Folha.
Uma é que isso – a redução – foi escondido estes anos todos, o que é um absurdo, quase um crime de lesa pátria, dado o tamanho abjeto e histórico da desigualdade.
Era algo que a Folha deveria ter feito na campanha de 2012, para ajudar seus leitores a entender melhor o que estava em jogo.
Outra é a inépcia do PT em se defender: como o partido não levantou, ele próprio, este tipo de coisa?
Estudos dessa natureza jogam luzes onde existem sombras, o que é a tarefa mais nobre do jornalismo.
Mas a imprensa brasileira faz exatamente o oposto, ou por má fé ou por incompetência: joga sombras até onde existe luz.
E então você entende o paradoxo do trabalho da Folha.
Mesmo com fatos acachapantes, apenas 31% dos brasileiros acreditam que sua vida melhorou nestes 13 anos de PT.
Ora, ora, ora.
Com o massacre cotidiano da imprensa sobre primeiro Lula e agora Dilma, a percepção das pessoas é que nestes 13 anos só houve corrupção.
Avanços sociais foram censurados numa mídia partidarizada, aparelhada pela direita e frequentemente desonesta.
E denúncias de corrupção, verdadeiras ou imaginárias, foram estupidamente ampliadas – não genericamente, mas contra um alvo específico: o PT.
Isso quer dizer o seguinte: é fácil, é simples explicar o paradoxo. As melhoras não são sentidas porque elas são soterradas por um noticiário envenenado.
E é exatamente pelo combate à desigualdade que a mídia – a voz da plutocracia predadora – tanto luta para derrubar o governo.
Não há propósitos moralistas na campanha da imprensa contra Dilma e Lula. O que existe é apenas a mesma lógica que a levou, no passado, a investir contra Getúlio e contra Jango.
A lógica das empresas de jornalismo é esta: defender seus interesses e os da classe que representa, a plutocracia.
Para sorte da sociedade, apareceu o jornalismo digital, com sites independentes e livres que funcionam como um contraponto potente ao esforço da mídia em manter o Brasil como um dos recordistas mundiais em desigualdade social.
Modestamente, nos orgulhamos de pertencer a este bloco de sites.
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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom o texto, mas infelizmente esse contraponto dos blogs e sites independentes ainda é muito pequeno. A dimensão que as notícias tomam num Jornal Nacional da rede globo e nos grandes jornais de papel é infinitamente maior. Mas sigamos na luta.