sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A Associação Brasileira de Ciência Política se expressa em nota...

Nota: ABCP expressa preocupação e perplexidade com a aceitação do pedido de impeachment do mandato de Dilma Rousseff

A Associação Brasileira de Ciência Política vem a público expressar sua preocupação com o pedido de impeachment do mandato exercido pela presidente Dilma Rousseff, aceito ontem pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A ABCP conclama os atores políticos do país a agirem com responsabilidade na defesa da estabilidade das instituições democráticas.
Embora o instrumento jurídico-político do impeachment faça parte da institucionalidade democrática existente no Brasil, causa perplexidade e preocupação a forma como ele foi aceito pelo presidente da Câmara dos Deputados. Acuado por gravíssimas denúncias de corrupção e ocultação de recursos no exterior, o deputado Cunha utilizou-se do instrumento, talvez o mais importante na defesa da ordem democrática, como arma na tentativa de resguardar seus interesses privados. Por conta disso, a ABCP expressa a sua perplexidade diante da utilização ilegítima e sem fundamentação jurídica do instrumento do impeachment por uma das mais altas autoridades da república.
Independentemente das opiniões favoráveis ou contrárias ao governo de Dilma Rousseff, a ABCP chama a atenção da população brasileira para os riscos iminentes diante das grandes conquistas da nossa democracia desde 1988. Temos no Brasil instituições republicanas fortes, um judiciário independente e uma cidadania ativa.  Acreditamos que o grave momento por que passa a democracia no país tem de ser resolvido no sentido do reforço da legalidade, da impessoalidade, do interesse público e do equilíbrio entre os poderes que têm inspirado nossa construção democrática desde 1988.

3 comentários:

Anônimo disse...

Douglas, com a notícia do acolhimento por parte de Cunha do pedido de impeachment, as ações da Petrobrás subiram bastante. Isso tem alguma relação com a empresa ser estatal ou não? Se ela fosse privatizada, como os canalhas do PSDB queriam, será que as ações também teriam essa alteração como aconteceu agora por causa de um pedido de impeachment? As ações terem disparado por causa do impeachment quer dizer que a empresa é do interesse de grupos estrangeiros? Ou isso tudo não tem nada a ver? Desde já obrigado. Marcelo.

douglas da mata disse...

Marcelo, o mercado de ações, assim como todo fenômeno econômico(neste caso, social) reage por vários motivos e com vários objetivos.

Mas o principal é sinalizar simbolicamente, e neste caso, a ameaça a presidenta é tida como uma perspectiva positiva para quem está, ou imagina, no lado anatgônico a ela.

Claro que um possível enfraquecimento diário, ou até o afastamento abre a possibilidade de uma rearrumação do setor do petróleo, do regime de exploração, e até da natureza societária da empresa, que poderia ser fatiada e entregue, como desejam os canalhas do psdb e seus sócios.

No entanto, há outros fatores que nem sempre nos são informados (faz parte do jogo), como alteração no mercado internacional, a aprovação das novas metas fiscais do governo, que poderá lhe dar algum refresco na gestão fiscal, o que desimobiliza a empresa, etc.

Porém, como no texto do (Wilson) Ferreira, não adianta que haja outras causas benéficas para a melhora da apreciação dos ativos da empresa pelo mercado, mas sim o que veiculará a mídia, que passará a ser a (única) verdade credível:

Dilma ameaçada, mercado alegre, todo mundo lucra, inclusive a Petrobras.

Anônimo disse...

Obrigado