quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Atos de coragem e atos de submissão covarde...

Sempre dissemos isso por aqui: 

Não há uma crise (econômica) no Estado do Rio de Janeiro, que seja una e indivisível, cujos efeitos atinjam de forma proporcional a todos os cidadãos...

Há uma covarde e dirigida crise a devastar os direitos da maioria da população, enquanto são preservados os interesses de uma elite de servidores (Judiciário e Legislativo), dos empresários, e da malta sonegadora que há entre eles...

Imagine você estar com pouquíssimo dinheiro dentro de seu orçamento familiar, e escolher dentre seus filhos aqueles que vão comer mais ou menos, estudar, ou ir ao médico, quando necessário...

Ou pior, com dinheiro curtíssimo, devendo suas contas, você prepara uma enorme festa para receber vários convidados...

É isso que o desgovernador vem fazendo...

É isso de que trata o texto que copiamos do Blog do Nassif:

A diferença entre socialismo e capitalismo em três atos, por Roberto Bitencourt da Silva

Por Roberto Bitencourt da Silva
Algumas comparações extremadas tendem a iluminar os problemas sociais e econômicos e as visões de mundo das pessoas e dos grupos sociais.
Assim, a respeito da grave crise econômica, administrativa e moral que assola o Rio de Janeiro, bem como por conta das gratuitas ofensas recebidas por Chico Buarque, na capital, talvez valhar assinalar as diferenças de atitudes e de visão, como também possibilidades de ação, a partir de personagens e experiências modelares:
1. O nacionalista e socialista Leonel Brizola, após longo exílio, foi governador do Rio, nos anos 1980, para o profundo desgosto da ditadura empresarial-militar e da Globo. Em seu governo, não recebia verbas federais para nada. Não havia Fundeb, royalties de petróleo e outras transferências "constitucionais", já que, a rigor, não havia Constituição, apenas arbítrio e boicote federal, primeiro com os milicos, depois com José Sarney. Ainda teve a dívida do Metrô, que era federal, transferida para o estado. Brizola governou em um período marcado pela crise da dívida externa do Terceiro Mundo, com repercussões muito negativas no país e no estado. Mesmo assim, privilegiou a educação, dotando cerca de 50% do orçamento no setor.
2. Cuba, no chamado "período especial", dos anos 1990, sem o apoio comercial da antiga Rússia Soviética e dos países do bloco socialista - que erodiram e adentraram o caminho do "choque de capitalismo" -, ficou praticamente isolada, convivendo com escassos recursos econômicos e materiais. O país sujeito a um intercâmbio internacional muito restrito, problema direta e igualmente associado ao bloqueio econômico e à sistemática sabotagem norte-americana. As coisas ficaram muito difíceis, mas a educação e a saúde foram mantidas de pé, privilegiadas pelo governo cubano, sob a firme liderança de Fidel Castro.
3. Por sua vez, o atual governador fluminense, Luiz Fernando Pezão (PMDB), tendo à disposição royalties do petróleo, inúmeras transferências federais etc., tem a capacidade de desmontar a saúde, a educação e demais serviços públicos, cortando ainda direitos básicos dos servidores. Mas, vai sediar Olimpíadas, com recursos públicos garantidos. O governador assegura volumosíssimos recursos orçamentários, ou que poderiam servir de receita para atender ao povo, para financiar grandes empresas, inclusive multinacionais e privatizadas concessionárias de serviços públicos. As escolas e universidades podem fechar, crianças e idosos podem morrer nas filas dos hospitais, a população encontra-se no momento em absoluto desespero sem atendimento médico-hospitalar, mas as prioridades são claras.
Em meio a uma cultura política em que a ruminação reacionária e anticomunista circula folgadamente, capaz de, absurdamente, hostilizar a um ícone da cultura nacional, como Chico Buarque, me parece que dá pra ver bem a diferença entre uma orientação política republicana e socialista e outra norteada pelo espírito do capitalismo. Inclusive, talvez especialmente, em momentos difíceis e dramáticos.
Roberto Bitencourt da Silva - historiador e cientista político.

Imagens

 
 
 
 
 
 

domingo, 20 de dezembro de 2015

Programa de passagem subsidiada: O cinismo dos patetas da lapa...

A justificativa do napoleão da lapa para suspensão dos subsídios aos empresários do setor de transporte coletivo (ônibus) é um primor de malcaratismo...

Desde o início, alguns blogs, como esse, bateram a exaustão na mesma tecla: Não havia um sistema de controle para pagamento dos serviços prestados, e o tal cadastramento e o "cartão cidadão" eram uma piada de péssimo gosto, além de um gasto desnecessário do dinheiro público...

Agora, os patetas da lapa acordaram para o óbvio, e negam os repasses até que os concessionários providenciem o sistema...

Há muito tempo esse blog em particular diz que não há o menor sentido em medir o serviço de transporte por passageiro transportado...Nenhuma meio conseguirá evitar fraudes...

O único modo de fazê-lo é instituir a medição por quilômetro rodado, conferindo um patamar de referência que leve em conta as planilhas auditadas dos custos para cada quilômetro, tomando como parâmetro sempre o coletivo com lotação total, para evitar desequilíbrio na execução da concessão...

E para medir, basta um GPS, do tipo que são instalados em caminhões e outros veículo de transporte, que possibilitam tanto o controle da distância como os locais percorridos, evitando assim "desvios e atalhos"...

Mas nós sabemos que eles sabem de tudo isso...não fazem porque não querem, e não querem porque....porque...ah, deixa pr'á lá...

Agora que acabou a farra dos royalties, tentam estancar a hemorragia com band-aid...

sábado, 19 de dezembro de 2015

Rapidinha...

Acabou o breve sonho de um ex-irmão do napoleão da lapa de fazer subir ao STF o seu tumultuado processo, onde é questionado por suas preferências, digamos, heterodoxas no campo sexual...

Mal sentou na cadeira de deputado federal, e já foi defenestrado...

Pensando bem, considerando o clima de inquisição nas cortes superiores, e na briga de cachorro grande que se trava no parlamento, foi melhor para o ex-irmão voltar com seus karmas para a 1ª instância...

Como diz o ditado: "Quem não é visto não é lembrado"...

Dilma e a hora da retomada: Não podemos fazer prisioneiros...

O texto foi alçado do blog do Nassif...Apesar to tom um pouco triunfalista, não se pode negar que é uma análise lúcida do momento...

Desde algum tempo, eu venho amadurecendo a ideia de que Dilma, quando se viu acuada pela realidade que fabricaram decidiu trabalhar com as variáveis que dispunha: Uma biografia inatacável e a possibilidade de que os cretinos da oposição acabassem por se intoxicar com o veneno que tentavam inocular...

Entendendo os limites de sua intervenção nessa "realidade", ou seja, pouco importariam os fatos, como a resistência de nossa Economia a um terremoto externo como estamos enfrentando, a luta pelo controle do eixo de poder do capitalismo global, que faz a Guerra Fria parecer um lindo conto de Natal...

Temos ainda a sanha golpista do conglomerado mídia-judiciário-financistas-demotucanalhas somada com a fragilidade de sua base de apoio...

A Presidenta então, partiu para os manuais da Guerra de Guerrilhas, suportando os golpes no atacado, e contra-atacando no varejo, casa a casa, porta a porta...batendo e se escondendo...

Claro que seria idiotice imaginar que todo esse processo foi voluntário, ou que se deu conforme o "planejado"...Na maioria das vezes percebemos o contrário, que não havia plano algum...

Mas a Presidenta sabia que não há mal que sempre dure...assim com soube que a fase boa não seria para sempre..

Comeu seu saco de sal, que carregou as costas durante o tempo que atravessou o deserto...

A hora é retomar os territórios...e a ordem é não fazer prisioneiros...

Leiam o texto e reflitam:

Exposta e cercada a oposição será esmagada, por Ion de Andrade

Perderam a guerra e não podem recuar
Os meses que nos separam da instalação (ou não) do processo de impeachment serão terríveis... para a oposição.
Como assinalei noutro artigo, a oposição saiu, por ignorância e temeridade, para um confronto aberto numa arena semeada de trincheiras da Sociedade Civil por todos os lados. Esperava encontrar o Estado restrito de 64 e está, literalmente, como um burro diante da catedral, perplexa. Pior, como já disse, não pode mais recuar e a ordem de abrir fogo na Sociedade Civil já foi dada. A matemática do impeachment não fecha. Michel Temer, cúmulo da humilhação, corre o risco de perder a liderança do próprio PMDB.
Superestimando a capacidade intelectual dessa oposição sempre acreditei que não dariam o salto para o impeachment em razão da patente, e agora comprovada, inviabilidade material. Mas deram.
Como essa matemática não fecha, o voto aberto para a formação da Comissão, aprovado no STF, destruirá as pretensões do Big DEM (PSDB/PPS/DEM) de isolar o governo com base em promessas feitas a boca pequena, pois ninguém da base quererá estar fora do governo que sairá desse round. O governo já anunciou e é justo, que não poderão permanecer no governo os que apoiarem o impeachment. Cartas na mesa à luz do dia.
E ainda há mais preocupações para os oposicionistas. Os anos FHC serão investigados no que tange á Petrobrás. José Agripino está novamente na mira de Janot, Eduardo Azeredo foi condenado a 20 anos de prisão e o senador Álvaro Dias está deixando o PSDB. Não é um qualquer. Trata-se de senador de alta estirpe do tucanato, muito bem informado e oriundo do Paraná, estado onde se desenrola a operação Lava Jato. Que motivos profundos teria Álvaro Dias de ir, neoliberal que é, para um partido como o PV, cuja ideologia é, reconheçamos, uma chateação para o neoliberalismo? O lugar dele é na alta Corte da direita e não num partido ecologista. Parece querer que o esqueçam por uns tempos. Por que? O certo é que quando certos personagens começam a abandonar o navio é justo concluir que esteja afundando.
Senão, vejamos:
  1. O cenário é sombrio, há na Sociedade Civil e na intelectualidade uma indignação generalizada com a ideia do impeachment em base muito mais larga do que a área de influência do PT;
  2. A matemática do voto no Congresso não fecha;
  3. A iniciativa já não pode ser abortada. A oposição está com o bloco na rua e sem retaguarda;
  4. Eduardo Cunha terá que ser carregado pela oposição até fins de fevereiro (um cadáver insepulto na sala de jantar do tucanato);
  5. O voto para a Comissão será aberto, expondo a base governista ao crivo dos líderes partidários e da governança em vista do novo governo que sairá do round;
  6. A Sociedade Civil gostou de ir para a rua e quer mais;
  7. A justiça começou a bater à porta do governo FHC em cima da ... Petrobrás;
  8. Há três meses de deserto para secar ao sol e sofrer ataques de todos os lados;
  9. Temer, esperança dos oposicionistas, desmoralizou-se e corre o risco de perder a presidência do PMDB, não reúne mais nenhuma condição moral ou política para ser alçado ao líder de consenso, ao contrário por onde passar será vaiado;
  10. O PIG sujeito à nova lei da mídia e necessitado das verbas publicitárias governamentais (e não colherá o governo golpista que plantou) terá que ensaiar nova civilidade.
A conjuntura pôs a Sociedade Civil e o governo na contingência de contra atacar. Não foi uma escolha. Foi uma decorrência da decisão do STF.
A mudança da política econômica é parte desse cenário. O povo na rua também. A hora é de pensar no conjunto de ações que possam assegurar a essa oposição golpista uma travessia do deserto de que jamais se esquecerão.
A iniciativa está conosco de forma estável por três meses e, sim, temos contas a acertar.
No acampamento golpista reina o silêncio. Eles perderam a guerra e já sabem. E não podem recuar.

Quem planta vento, colhe tempestade...

Não se trata de um movimento organizado (ainda), mas não pode se dizer que é uma resposta irrefletida...

Servidores policiais sabem da importância da continuidade dos seus serviços, por outro lado, sabem que, assim como os demais, foram tratados com total descaso pelo desgovernador...

Além da tesoura seletiva, que poupou servidores das Torres de Marfim (Legislativo, Judiciário e MP), continua o escândalo dos 28 bilhões de créditos tributários que o Estado não cobrou dos canalhas sonegadores, que se auto-proclamam "empresários"...

Então, é bem possível que no Ano Novo, e nas outras datas importantes, como Carnaval, os policiais atendam o público da mesma forma como são tratados pelo seu representante: de forma atrasada e/ou parcelada...

Uma greve não é um evento impossível...

Todos os grupos de relacionamento virtual dos servidores já aventam essa possibilidade, e o pior, não é um movimento coordenado, mas espontâneo, e por esse motivo, muito mais difícil de ser controlado...

É hora de dar o troco...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

No Rio de Janeiro, a Revolução Francesa ainda está distante...



Dentre todos os processos intrincados que desencadearam aquilo que ficou conhecido como Revolução Francesa, considerando a impropriedade acadêmica de resumir toda aquela complexidade em um evento datado, está a percepção de que as classes chamadas de Terceiro Estado não mais suportaram financiar as outras duas, justamente chamadas de Segundo (clero) e Primeiro Estados (nobreza)...

Daí, tendo essa insatisfação como premissa, os franceses imaginaram a criação de um estamento normativo estatal que, em linhas gerais, pode ser resumido da tripartição das atribuições do Estado (legislativo, judiciário e executivo)...

Erroneamente chamada de separação de poderes (ora, o poder de Estado é UNO, tais atribuições se completam em tarefas específicas, mas que, comumente, encontram convergências, quando o executivo "legisla", através de atos normativos, o legislativo assume papel administrativo ou de persecução, como nas CPI, ou o judiciário, quando "legisla" nos mandados de injunção, por exemplo)... 
No Estado do Rio de Janeiro, desgovernado pelo  embusteiro chamado de "pezão", não há sombra de que os princípios da Revolução Francesa tenham chegado por aqui...

Ausentes por ação, omissão, ou SUBMISSÃO, parlamentares e integrantes do Parquet e do Judiciário silenciam quanto ao roubo descarado praticado pelo desgovernador em relação aos servidores, enquanto recebem integralmente os seus vencimentos...

Com os bolsos cheios do "cala-boca" governamental, esses "poderes" fazem vista grossa para o óbvio:

Se falta algum dinheiro, é porque o desgovernador, de maneira improba, e porque não dizer, criminosa, deixou de cobrar os tributos a malta de empresários-sonegadores, acumulando perdas na ordem de 28 bilhões de reais, nas contas do próprio desgoverno...

Por muitíssimo menos, tribunais de contas e outros sicários querem cassar o mandato da Presidenta Dilma, enquanto por aqui, no RJ, não há sequer um reles questionamento pelos conselheiros de contas cevados a gordas subvenções, parlamentares cujas campanhas são bancadas pelos sonegadores, junto aos domesticados Promotores e Juízes (tão valentes e ciosos quando se trata de apurar as infrações dos não-governadores)...

E assim, estamos na pré-Revolução Francesa, onde servidores e contribuintes (3º Estado) são chamados a arcar com a festa dos poderosos do nosso 1º Estado e do 2º Estado, os sonegadores, parlamentares e funcionários do Legislativo e Judiciário, que mantêm intactos seus polpudos ganhos...

Ah, que falta faz um pouco do Terror, com sua afiada guilhotina e quem sabe, uma derrubada da Bastilha das Laranjeiras?

domingo, 13 de dezembro de 2015

Pequenos contos feitos de lama...

Reeditando um dos mini-contos de 2010


Pergunta capiciosa.


Depois de uma furiosa noite de amor conversavam ao pé da cama. Daquelas conversas sem pé nem cabeça, sem qualquer sentido, senão calibrar os sentidos para uma nova etapa ou recuperar as forças para reentrar na atmofesra.
Era a primeira vez que se entregavam um ao outro, mas os ensaios haviam sido poderosos prenúncios de que ali, naquele território, se instalaria um império da paixão avassaladora.
Ele:
- Você tem um sinais lindos pelo corpo. Essas manchinhas parecem estrelas.
Ela:
- Que bom que você gosta.
Ele:
- Você não é muito detalhista. Falou-lhe, enquanto esquadrinhava o corpo dela.
Ela:
- hu-hum.
Ele:
-hu-hum, o quê, é ou não é detalhista?
Ela:
- Sou sim, por que?
Ele:
- Você percebeu quantos dedos tenho no pé direito.
Ela:
- Hã, como assim?
Ele:
-É, você nem percebeu quantos dedos tenho no pé direito. Quantos são?
Há frases ou palavras que tem o poder de despertar subitamente as pessoas de certos estágios de letargia e desatenção, ou jogá-las em choque catatônico. Ela experimentou as duas possibilidades, pois seu cérebro mergulhou em uma tormenta. Uma pergunta tola, que parou o tempo ao seu redor, enquanto as variáveis circundavam. Sabia que uma resposta errada poderia significar o fim de uma relação promissora. Uma besteira. Uma idiotice, mas ela sabia que o futuro bifurcava à sua frente, sem qualquer placa de indicação.
Se falasse o óbvio, que ele tinha os cinco dedos, e ele, por qualquer razão não os tivesse, seria o fim. Se falasse que havia uma amputação, e não houvesse, seria o fim. Se falasse que havia uma amputação e houvesse mais de uma, também seria o fim. Enfim, teria que dizer qual era o dedo amputado.
Respirou fundo, olhou para ele, que permanecia ali, entre sorrindo e ansioso, como se tivesse noção de que fizera uma brincadeira que os levara a um beco sem saída.
Ela:
-Você tem o dedo mínimo amputado.
Ele levantou, e ela pode ver seu pé intacto. Vestiram-se em silêncio. Saíram em silêncio. Despediram-se em silêncio.
No outro dia, logo cedo, ela atendeu a porta. Era o porteiro de prédio que lhe trazia um pequeno embrulho com papel de presente, que enrolava uma pequena caixa, como um porta-jóias. Sorriu aliviada, e imaginou que ali estava o sinal de reconciliação em forma de um presente, um anel ou um par de brincos, o que fosse.
Abriu a caixa.
Era um dedo mínimo de um pé direito, enrolado em um pano todo ensangüentado. Um dedo recém-decepado.

Ela suspira fundo, e diz ao porteiro, que nada entendeu:

-Ainda bem que ele não quis respostas sobre as "jóias da família".

As melhores do Bezerra da Silva BSP





Sem comentários...

A falha de são paulo, da ditabranda ao jurigolpismo...

Não é novidade para ninguém que desde a sua formação, os conglomerados de mídia comercial do nosso país sempre estiveram a serviço de algum tipo de golpismo, com raríssimas exceções...

Com mais ou menos protagonismo, a mídia nunca serviu ao esclarecimento a opinião pública, mas sempre pretendeu (de)formá-la, de acordo com o interesse de seus pares...

Não que reivindiquemos uma mídia neutra, essa tolice não existe, e apenas serve para engambelar os pobres diabos que labutam como cachorros de coleira nas redações...aliás, caninos de todos os tipos, como os supostos cães de guarda, mais bravos que seus donos na defesa deles, até as lulus que enfeitam nosso colonismo social...

Empresa de mídia pode (e deve) ter sua posição política, e esta postura influenciará sua abordagem editorial...

O que não pode é contrabandear tais posições atrás de uma suposta isenção (inexistente), como fazem comumente nossos barões de mídia...

Hoje um de nossos poucos leitores comentou a capa da latrina editorial chamada "falha de sp"...Aquele grupo de mídia que serviu organicamente ao movimento militar de 64 (emprestando veículos para a "logística" dos militares, leia-se sequestros e transporte de agentes da repressão), e que não satisfeito, relativizou a tortura e o suplício, chamando a ditadura de ditabranda...

Como se pode ver, um bando perfeito de canalhas, ou de canalhas perfeitos...

Ia tecer algumas palavras, mas achei quem o fizesse melhor, e busquei lá no Diário do Centro do Mundo (DCM), do jornalista Paulo Nogueira, algo que expressa o que gostaria de dizer:

A Folha mostra o legado social do PT que ela própria sempre escondeu. Por Paulo Nogueira



Postado em 13 dez 2015
Milhões de pobres  ascenderam à classe média e foram às compras nestes 13 anos
Milhões de pobres ascenderam à classe média e foram às compras nestes 13 anos
A Folha, depois de anos de pesquisas e levantamentos da mais extraordinária inutilidade, descobre enfim o seguinte.
Vou usar as palavras do próprio jornal“Em 13 anos de PT no poder, o Brasil distribuiu sua renda como em nenhum período da história registrada pelo IBGE. Todos ganharam. Quanto mais pobre, melhor a evolução. Foram 129% de aumento real (acima da inflação) na renda dos 10% mais pobres. Nos 10% mais ricos, 32%.”
Quer dizer: num país em que a desigualdade social é o maior e mais arraigado dos males, um real câncer, são números que merecem aplausos de pé.
Nenhum desafio para o país é maior do que o de reduzir a iniquidade. O abismo entre os poucos ricos e os muitos pobres é uma chaga muito mais deletéria do que a corrupção.
Quanto mais igualitária uma sociedade, menos corrupta ela é. Os países nórdicos estão invariamente na ponta nas listas de países com menor grau de corrupção, e o motivo é exatamente o igualitarismo. Você proporciona boa educação gratuita às crianças, ensina a elas noções vitais de ética, dá a todos boas oportunidades, protege os mais desfavorecidos e cria uma cultura segundo a qual praticar corrupção é um horror. Sonegar na Escandinávia, como faz abertamente a Globo, por exemplo, transforma você num pária.
Por mais pecados que o PT tenha cometido em 13 anos, e não são poucos, o fato de ter dado foco aos desvalidos o redime.
Você tira muitas conclusões dessa reportagem da Folha.
Uma é que isso – a redução – foi escondido estes anos todos, o que é um absurdo, quase um crime de lesa pátria, dado o tamanho abjeto e histórico da desigualdade.
Era algo que a Folha deveria ter feito na campanha de 2012, para ajudar seus leitores a entender melhor o que estava em jogo.
Outra é a inépcia do PT em se defender: como o partido não levantou, ele próprio, este tipo de coisa?
Estudos dessa natureza jogam luzes onde existem sombras, o que é a tarefa mais nobre do jornalismo.
Mas a imprensa brasileira faz exatamente o oposto, ou por má fé ou por incompetência: joga sombras até onde existe luz.
E então você entende o paradoxo do trabalho da Folha.
Mesmo com fatos acachapantes, apenas 31% dos brasileiros acreditam que sua vida melhorou nestes 13 anos de PT.
Ora, ora, ora.
Com o massacre cotidiano da imprensa sobre primeiro Lula e agora Dilma, a percepção das pessoas é que nestes 13 anos só houve corrupção.
Avanços sociais foram censurados numa mídia partidarizada, aparelhada pela direita e frequentemente desonesta.
E denúncias de corrupção, verdadeiras ou imaginárias, foram estupidamente ampliadas – não genericamente, mas contra um alvo específico: o PT.
Isso quer dizer o seguinte: é fácil, é simples explicar o paradoxo. As melhoras não são sentidas porque elas são soterradas por um noticiário envenenado.
E é exatamente pelo combate à desigualdade que a mídia – a voz da plutocracia predadora – tanto luta para derrubar o governo.
Não há propósitos moralistas na campanha da imprensa contra Dilma e Lula. O que existe é apenas a mesma lógica que a levou, no passado, a investir contra Getúlio e contra Jango.
A lógica das empresas de jornalismo é esta: defender seus interesses e os da classe que representa, a plutocracia.
Para sorte da sociedade, apareceu o jornalismo digital, com sites independentes e livres que funcionam como um contraponto potente ao esforço da mídia em manter o Brasil como um dos recordistas mundiais em desigualdade social.
Modestamente, nos orgulhamos de pertencer a este bloco de sites.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Carmina Burana Completo Legendado - Copenhagen Royal Chapel Choir - DR S...





Os cantos profanos na música de Carl Orff...



Tomei contato com a obra através do mercado publicitário, era um trecho que ilustrava uma propaganda de roupa íntima...

Assim como fizeram com a peça do sabonete com as Quatro Estações, de Vivaldi...

Uma pretensa "sofisticação" do produto, se bem que no caso do filme sobre a peça íntima, tudo indica que ouve um casamento entre a proposta de requinte com uma dramatização erotizada contida na obra...



A indústria de bens culturais de massa está repleta dessas referências, o que considero "janelas" do processo de massificação idiotizante que é seu objetivo principal...Falhas na Matrix...



Quem tem mais de 40 anos e curtia animação, lembra do Barbeiro de Sevilha, de Rossini, adaptado para um filme do Pernalonga e outros personagens...



De todo modo, seja lá por qual motivo te interessar, vale à pena ouvir, divirta-se...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Hydra: O golpismo não tem apenas uma cabeça...

Muito comum em tempos como os atuais, embora rejeitemos a repetição da História, é o movimento de reação (reacionarismo) às tentativas de descaracterizar e deslegitimar as alternativas populares de governo dos países situados à margem do centro capitalista...

Como sabemos todos, nunca esses governos populares chegaram a ameaçar a ordem vigente capitalista, mas desejavam apenas uma reforma que permitisse a inclusão dos historicamente excuídos...Ou nas palavras de Lula, "um choque capitalista"...

Esses governos reagem ao assédio permanente das forças conservadoras, e acuados, ora pela estridência oposicionista inflada pelos seus sócios da mídia, ora pela desconfiança das forças mais à esquerda, que rejeitam o gradualismo aliancista, tendem ao isolamento ou ao endurecimento, de acordo com a tradição histórica de cada lugar onde os conflitos se instalam...

Sabemos também que por trás desta suposta disputa está o grande capital puxando as cordas...

E aí surge uma plêiade de imbecis dando nomes diferentes a fenômenos parecidos...

Então fica combinado: Lula é populista, Dilma idem, Cristina, Maduro e Chávez muito mais...

Mas a face republicana do anti-populismo talvez sejam ffhhcc e outros presidentes "republicanos"...

Frango a um real, ou um real um dólar, que dizimou empregos e a indústria nacional, tudo para ser o nosso campeão-são-jorge contra o dragão da inflação (embora tenha entregue o país com mais 12 % de inflação em dezembro de 2002)...

Cada tentativa dos governantes populares de cumprirem a agenda pela qual foram eleitos é populismo, que se soma a outro apelido mágico: fisiologismo...

Fisiologismo é o nome feio que a direita reacionária dá aquilo que quando ela fazia era "interesse de estado" ou "busca pela governabilidade"...

Com certeza é esse o nome que Macri, na Argentina, dará aos seus acordos, e claro, nem lá, muito menos aqui, você vai ouvir qualquer questionamento...muito menos panelaço...

Muito menos o uso que fará das máquinas de propaganda, e a ocupação dos cargos públicos por seus correligionários merecerá o nome de "aparelhamento", mas sim de "corpo técnico", "gente do mais alto gabarito"...

Mas o troço não para por aí...

Os quadrilheiros do psdb  sentaram em cada um dos escândalos, e impediram solenemente que cada investigação fosse à frente, seja manipulando a então domesticada e quase faminta PF (que eles dilapidaram e entregaram a gestão do FBI), seja com o engavetador-geral (o Procurador Geraldo Brindeiro, lembram?)...

Como resultado, levam a fama de corretos, ou menos pior, nem de longe ostentam o título de "maior esquema de corrupção da História"...

A presidenta que incentiva e permite TODAS as investigações, cortando na própria carne, e talvez por isso aumentando o descontentamento até entre os seus, fica com a mácula de corrupta, inepta ou ladra...

Recentemente, lastreado em boa parte desse ideário, surgiu um novo (velho) tipo de golpista...

Aquele que diz ser contra o impeachment não porque ele é, em si, um golpe, nos moldes nos quais se articula, mas sim porque é pilotado pelo eduardo cunha...ou seja, se fosse outro, tudo bem...

Em nenhum momento se ouve ou lê que o impeachment é golpe porque não há, nem nunca houve, qualquer indício de que a presidenta tenha infringido qualquer norma ou dispositivo que ensejasse uma reprimenda tão dura...

Ainda mais se considerarmos que nenhum outro presidente teve o mesmo destino quando praticou atos semelhantes, e no caso dos canalhas tucanos, é preciso dizer que não só não foram investigados, mas como sobreviveram ao maior e mais caro comércio de votos da História desse país (pela reeleição)...

E não se trata de dar azo ao argumento calhorda dos cretinos golpistas, que querem nos impingir a defesa do seguinte conceito: Se eles puderam, poderemos todos...

Aliás, essa é outra cabeça da Hydra golpista...É o golpismo do Relativismo...

Não, não é nada disso...

Defendemos um postulado que antecede esse sofisma calhorda desse tipo específico de golpista:  

Que a lei seja o mais próximo de universalidade que temos, e caso contrário, usando a lei só em desfavor de certos "escolhidos", não se trata de lei, mas de exceção...

Então antes da defesa de "pode um, pode todo mundo", é preciso refutar o cinismo e dizer: 

Justiça parcial nada mais é que injustiça qualificada (parafraseando Rui Barbosa)...




sábado, 5 de dezembro de 2015

pezóide e o seu CAOs....

Mais aí embaixo tratamos das considerações de Wilson Ferreira para o que ele chama de CAOs, um processo que domina os meios de comunicação, fartamente utilizado como ferramenta política de consenso fabricado, junto com a tese da Espiral do Silêncio...

No Estado do Rio de Janeiro não é diferente, até porque o (des)governador goza do beneplácito dos principais meios de comunicação, sabe-se lá a que preço, mas acima de tudo porque o setor midiático regional enxerga nele, senão um representante de seus interesses e de seus sócios, ao menos um aliado inconteste das elites fluminenses...

A medida que a "crise" orçamentária do Estado vai se diluindo nos noticiários, vamos enxergando a estratégia de criar uma versão que espanque a realidade até modificá-la ou fazê-la se (auto)realizar...É o CAOs do pezóide...

O corte dos salários dos servidores é medida apenas para realçar o drama pretendido: Os vencimentos representam pouco no montante total das despesas de custeio da máquina pública, como é sabido por todos...

Mesmo assim, os servidores foram surpreendidos pelo confisco (que dizem ser temporário) ilegal e inconstitucional de seus vencimentos, quando o "aviso" se deu três ou quatro dias antes do pagamento...

Não houve, e nunca haverá por parte do (des)governador "transparente" (como chamaram alguns cretinos) nenhuma informação do que significaria essa medida para os cofres públicos e porque chegou-se ao número cabalístico de 2.000 reais...
Muito menos se disse porquê outros poderes foram poupados da medida...

Agora, o (des)governador alega estar em busca dos créditos fiscais sonegados, e é visto implorando aos empresários sonegadores que paguem o que devem...

No meio do seu périplo, o (des) governador espalha a notícia de que a retração da atividade econômica teria causado maiores dificuldades aos "pobres" empresários, logo, veicula a ideia de que estariam fazendo um "sacrifício" cívico...

Cívico ou cínico?

É preciso dizer que em tempos de alegada crise , os empresários tomam duas medidas, consideradas como  emergenciais: Tentam aumentar o valor de suas mercadorias e serviços, e quando não há espaço para uma manobra nesse sentido, partem para sonegar descaradamente o que devem, como forma de criar um "colchão" para futuras contingências...

Sabedores que os débitos fiscais sempre são tratados pelos governos como moedas podres, cujo resgate implica na concessão de toda sorte de descontos e prazos, os empresários-canalhas elaboram o "crime perfeito", tudo ancorado na velha e boa chantagem de que se não for desse jeito, não tem outro jeito, ou seja, demissões, fuga, etc...

É aqui que a porca torce o rabo, ou a "crise" se autorrealiza:

Antes mesmo da coisa piorar, empresários antecipam a "tutela" de seus interesses, retendo o que devem, aí sim, criando uma crise fiscal que por si, justifica tudo, inclusive perdoar a sonegação que lhe deu causa...

Claro que essa canalhice é um gesto tipicamente "humano", mas os governos têm do dever constitucional de impedir a progressão desta autorrealização, mas ao contrário, como têm o rabo preso até a medula com esses setores, fingem que nada está acontecendo, até que a porra toda estoura (nas mãos dos mais fracos, sempre)...

Seguem repetindo que é a "crise" que provoca queda na arrecadação...

Fica a pergunta:

Se a "crise" não é nova, se todos os prognósticos apontavam esse desfecho, por que o (des) governador não executou ou cobrou dos empresários o que deviam antes?

Por que deixar a coisa chegar a esse nível?

Interessante é assistir o silêncio sepulcral dos Procuradores e Deputados...Uai, se tem gente devendo ao Estado, a ponto de sacrificar suas atividades-fins, não está o mandatário incorrendo em grave improbidade administrativa (e/ou crime de prevaricação, no mínimo), ao favorecer devedores contumazes e já declarados sem qualquer medida coercitiva?

Será que a tal "crise" com o confisco não serve justamente a tese da emergência para "lavar" impostos sonegados com generosos descontos da bacia das almas?

Por que o (des) governador trata sonegadores como cidadãos e os servidores como cachorros?

Será que o silêncio do Parquet e Deputados é resultado da estratégia do (des)governador em poupá-los do confisco?

É possível que dentre os maiores devedores e beneficiados com programas de renegociação estejam doadores de campanha do (des)governador e dos deputados de sua base de apoio, ou até mesmo da "oposição", curiosamente silente?

 Vai saber...