sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Na terra da maldição do petróleo, até Robin Hood muda de lado...

Desde pequeno ouço o adágio: "certo, só a morte e os tributos"...

É uma noção clássica de dois eventos que unem a todos, pobres e ricos, novos e velhos, homens e mulheres, enfim, todos...

Só que a História nos ensina que até a morte (e os tributos) obedecem hierarquias de classe...

Se você é preto e pobre e morar nas periferias do Brasil, a chance de sua morte chegar em um disparo de arma de fogo é quatro vezes maior... Se for jovem, o risco aumenta...

Se é branco e classe média ou rico, sua morte pode chegar atrasada, lá pelos 85 ou 90 anos...Já para os de baixo, ela chega, em média, bem mais cedo...

Países ricos ostentem longevidade que tira o sono dos gestores da previdência pública e dos sistemas de saúde pública, enquanto nos países pobres exaure-se o (a) pobre coitado (a) até esvair suas forças aos 40 ou 45 anos...Nas franjas do mundo morre-se de violência, caganeira, de fome, de malária e outras doenças da pobreza...

Mas o fato é que gostamos de dizer que, cedo ou tarde, pagamos impostos e morremos...

Bem, no que diz respeito aos impostos parece que para algumas pessoas só a morte os igualaria aos demais, a julgar pelas ideias "jeniais" dos prefeitos da região, representantes de grupos políticos e de classe que torraram bilhões de reais, e agora querem dividir o ônus do fim da farra com quem os elegeu...

Diga-se de passagem, esse sofrimento tem que ser dividido com a população sim, afinal, quem foi que elegeu esses mandatários? Os marcianos?

Pois é, mas o problema é que mais uma vez aqueles que têm pouco ou nada são chamados para sofrer mais do que aqueles que têm muito...

Há um conceito liberal safado que preconiza que isentar os mais ricos e empresários de pagarem seus tributos pode dinamizar as economias, a ponto que essa atividade gere mais riqueza, e que essa riqueza acabe por se "espalhar" pelas outras camadas da sociedade...

Claro que os que defendem essa tolice são os beneficários das isenções...

Foi assim que bush jr e Obama sacrificaram milhões de contribuintes para "salvar" o sistema financeiro e a economia "real" dos EUA...Ganharam bancos e corporações e o trabalhador se fudeu, como sempre...

Resultado? Prosperidade? Porra nenhuma...hoje os EUA ostentam um dos piores índices de concentração de renda do mundo, onde os 10% mais ricos detêm 44%da riqueza de lá...

No Brasil é pior: os 10% detêm 55% da renda nacional...

A cada ponto percentual que sobe nesa pirâmide, menor é a contribuição para a arrecadação, em números proporcionais e absolutos, pasmem!!!!

No Brasil, os 0,1% mais ricos (dentre os 10%) detêm 10% da riqueza nacional, e sua participação no bolo fiscal é estatisticamente próxima do ZERO!!!!! Em outras palavras, não pagam impostos...

Esses dados foram apresentados pelo IPEA em uma Comissão (ou sub-Comissão) do Senado, presidida por Lindberg Farias (PT-RJ)...

Nos EUA, quem quiser saber como funcionam as coisas, é só assistir a dramatização de fatos reais do pré-apocalipse de 2008, o filme Grande Demais para Quebrar, com William Hurt no papel do czar do Tesouro, Henry Paulson...

Estarrecedor...

É preciso dizer uma vez por todas:

Quando se tira dinheiro dos orçamentos em renúncias fiscais, com a tola e/ou criminosa intenção de gerar empregos e desenvolvimento, o que acontece é concentração de renda manifestada na sobre-margem possibilitada pelo ganho de caixa, e quase sempre esses ativos servem para financeirizar a operação beneficiada, em outras palavras:

O empresário toma o dinheiro público conseguido com o favor fiscal, reduz os empregos e avilta o preço da mão-de-obra com investimentos em tecnologia e procedimentos terceirizados (alguns fora da base onde  recebe o incentivo), sufoca a concorrência com a vantagem competitiva e oligopoliza o seu setor, e por último, mas não menos significativo, faz sua securitização no mercado financeiro...

Olhem o nefasto e desastroso exemplo do Porto do Açu, um tremendo acordo caracu, onde as empresas entraram com a cara, e o município entrou com a....rima...


Os(as) prefeito(as) de Macaé, de Campos dos Goytacazes, São João da Barra, e de outras cidades da região funcionam como o bandido famoso inglês da Floresta de Sherwood, só que com sinal trocado: tiram dos pobres e dão aos ricos!

O mais triste é ler e ouvir que aqueles que reivindicam a oposição política desses alcaides ostentam o mesmo discurso dos que pretendem substituir...incluindo aí parte do PT...

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