sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O diabo (e os terroristas) são sempre os outros...

Ensinam os cientistas sociais, dentre os quais se destaca Bordieu, que a disputa política se dá sempre antes, em uma zona simbólica-discursiva, onde legitimamos e deslegitimamos as nossas práticas e as alheias, de acordo com o interesse de quem manipula o discurso para convencer, agregar ou excluir interlocutores...

Avançando para Foucault, com seu clássico Vigiar e Punir, ou nos seus estudos sobre a classificação da loucura, poderemos dizer que temos sob resumo uma boa noção da atividade humana em enquadrar comportamentos para favorecer ou desfavorecer intenções e crenças...

O curioso é notar que nem sempre os estudiosos fazem uma leitura marxiana ou de classes sobre seus temas de estudo, e alguns deles até rejeitam o determinismo do "Velho" que contamina as ciências sociais...

Mas não há como escapar do fato de que a classificação alheia, a exclusão e inclusão das pessoas em categorias discursivas é sempre movida de acordo com estratos de classe, e de sub-estratos dentro destas mesmas classes, refletindo a clássica noção gramsciana da luta pela hegemonia...

Hoje a moda é impor o rótulo de terror, ou terrorista, a todo grupo contra-hegemônico que utilize a violência como ferramenta política...

Grosso modo, não há dúvidas quanto a definição clássica de terrorismo, e não se discute que os atentados e atos praticados por grupos religiosos podem ser submetidos a estas categorias...ou seja, são sim atos terroristas...!

O problema, como sempre, é a seletividade da classificação discursiva, e a difusão, nunca acidental, das versões diferentes sobre fatos que se equivalem, em outras palavras, terroristas são sempre os outros...

Vejamos:

Os terroristas judeus.

Para "convencer" e pressionar as nações ocidentais pela criação do Estado de Israel, judeus, que migraram massivamente para a região da Palestina no início do século XX até o fim de década de 40, recorreram sistematicamente a atentados terroristas contra a comunidade árabe e palestina...
Mas a prática não ficou esquecida a um canto da História infame do estado-judeu, e como se não bastasse o terrorismo de Estado praticado contra palestinos confinados nas pequenas porções de território, os atos terroristas judeus continuam em voga, como você pode ler aqui...


Os terroristas supremacistas brancos.

Apesar da mídia cretina e fascista escolher, cuidadosamente, como classificar en suas primeiras páginas os atos de violência de brancos contra comunidades negras ao longo da História dos EUA, a natureza e dinâmica dos eventos não deixa dúvidas quanto a categoria a qual pertencem, seja pelo alvos aleatórios, motivação e modus operandi...
Ainda assim, a mídia branca de olhos azuis de lá, e a mídia mulata e cachorra-fiel daqui, repetem que tudo não passa de surtos psicóticos isolados...
Leia um pouco mais sobre o tema aqui...

Estes dois exemplos não esgotam a extensa lista de sabotagens e atos de sangue praticados pelos países ricos, e que são "esquecidos" ou apresentados com uma roupagem discursiva mais amena ou heróica...

É um estratagema complexo, porém nem sempre utilizado com o mesmo refinamento, dadas as limitações intelectuais dos que dele se utilizam, que em linhas simplificadas, ora apresenta uma indignação seletiva contra a violência terrorista (criminalizando uns e apresentando justificativas heróicas para outros), ora afirmando a tese da universalidade do sofrimento, onde se busca dizer que não importa a nacionalidade, classe social, lugar no mundo ou língua, somos todos vítimas e irmãos na dor...escondendo, é óbvio, a escala e amplitude, bem como as causas e efeitos do fenômeno...

Tortura, terror, medo, violência estão sempre na pauta de grupos ou governos, sejam eles representados em Gulags comunistas ou prisões como Guantánamo...

Mas a arma mais mortal da Humanidade é, sem dúvida, a hipocrisia...


PS: e já que a moda é ficar transtornado com o cruel espetáculo das decapitações, uma série de imagens de como as foças do "bem" tratam os infieis:

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Cabeças do grupo de Lampião exibidas em praça pública.

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Soldados dos EUA em Abu Graib se "divertindo" com prisioneiros muçulmanos...

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