sábado, 28 de novembro de 2015

Luiz Carlos Azenha, abaixo da superfície...

Luiz Carlos Azenha é um dos grandes nomes do jornalismo (?) brasileiro não porque produz grandes matérias, ou porque finge imparcialidade, mas apenas porque pensa, característica que o distingue de boa parte de seus coleguinhas, dos altiplanos federais a tábua rasa da planície encharcada de lama...

Suas análises são simples, sem ser simplórias, ele enxerga um pouco além da necessidade de seus patrões de convencer que o mal nasceu em 2002, ou que foi a partir de 2002 que as coisas ficaram piores...

Neste texto abaixo, uma boa mostra de como as coisas são, sem maquiagem, as perspectivas e uma dose de "futurologia", porque afinal, ele "ainda é jornalista"...

São considerações que você não vai ler nas revistas que compraram informações do "japonês bonzinho", e que ninguém nunca saberá quem são...

Ora bolas, o que são uns crimezinhos de corrupão ativa (oferecer vantagem a servidor para que se omita, pratique ou deixe de praticar ato de ofício), violação de sigilo funcional, etc, se praticado em "nome do sagrado direito de informação"?

Você não lerá ou ouvirá Azenha nas porcarias que infestam as bancas ou rádio locais...

Tudo porque te tratam como idiota...bom, tem gente que gosta...aí não tem jeito...

Mas para quem gosta de olhar a questão por vários ângulos, a partir de uma premissa tão óbvia quanto invisível, a "cruzada da republiqueta do Paraná" não tem nada a ver com moral, ou justiça, mas entregar o controle do Estado e da coisa pública a quem não aceita desaforo: a grana e seus donos...

Então, aí está...prenda um pouco a respiração e desça um pouquinho além de onde apodrece o jornalismo-raso...

Convoquem urgentemente o Woody Allen: A Lava Jato começa com Delcídio do Amaral e a Andrade Gutierrez; termina com Marcelo Odebrecht

publicado em 27 de novembro de 2015 às 23:02
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O senador Ferraço (PSDB, PTB, PPS, PMDB), o prefeito Paes (PSDB, PMDB), o senador Delcidio (PSDB, PT), o senador Romário e o espancador de mulheres Pedro Paulo; Marcelo Odebrechet deixa a van sob o olhar do “japonês bonzinho”. Processado por contrabando, ele tem a confiança da direção da Polícia Federal e é suspeito de vender informações a revistas e ao banqueiro Esteves
por Luiz Carlos Azenha
Imaginem, por um momento, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, recolhido ao seu apartamento na Trump Tower, em Manhattan.
A prisão domiciliar deve ter um impacto devastador para quem estava acostumado à badalação da vida de cartola no “país do futebol”.
Porém, aos 83 anos de idade, Marin sabe que poderia ser pior, bem pior. A essa altura, ele não tem nada a perder. Quanto mais contar, quanto mais colaborar com os investigadores, menor a pena.
Vamos combinar que, tirando o dinheiro, não há nenhum cimento ideológico que una Marin a Ricardo Teixeira ou Marcelo Campos Pinto, recentemente defenestrado pela Globo.
Ou seja, Marin vai abrir o bico mirando numa aposentadoria não muito distante no Brasil, preservada parte da fortuna que amealhou.
Para os que serão delatados por Marin, resta a certeza de que não poderão influenciar o FBI ou a promotoria dos Estados Unidos.
No Brasil, é diferente.
Imaginem agora o senador Delcídio do Amaral na cadeia, longe das filhas, da família. Um homem que transitou do PSDB para o PT em 2001, às vésperas de Lula se eleger presidente da República, lhes parece ideologicamente sólido?
Delcídio ocupou uma das diretorias mais importantes da Petrobras, a de Gás e Petróleo, no final do governo FHC. Conheceu então Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, os diretores da estatal agora convertidos em delatores. Todos, portanto, antecedem Lula no Planalto.
Delcídio é pluripartidário. O que o levaria a celebrar em seu gabinete um acordo entre Eduardo Paes (PMDB) e Romário (PSB) de olho nas eleições municipais do Rio em 2016? Seria a manutenção do status quo benéfica a seus próprios interesses pessoais?
Ou ele agia ali como preposto do governo Dilma ou do PT? A ver.
À Polícia Federal, o petista já fez declarações suficientemente comprometedoras para enredar o banqueiro, mas não duvido que Esteves passe alguns dias na carceragem — para efeito didático junto aos eleitores — e seja libertado.
Um banqueiro comendo as quentinhas de Bangu sempre pega bem no Jornal Nacional, vende a ideia de uma Justiça “justa”.
Além de não se enquadrar no perfil dos três Ps, Esteves pagou a lua-de-mel do tucano Aécio Neves — informação significativamente omitida por toda a grande mídia.
Independentemente de Esteves, o ex-líder do governo Dilma no Senado tem muito a dizer. Agora, diante da gravação que tem grande impacto junto à opinião pública, tudo indica que Delcídio ficará tempo suficiente na cadeia para ser convencido a “cantar”.
O Supremo Tribunal Federal, que atropelou a Constituição para prendê-lo, terá coragem de libertá-lo?
Foi assim, com a dureza da cadeia, que o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, teve a sua resistência “quebrada”. Segundo informações do Estadão, ele está pronto para “entregar” dois senadores, além de revelar esquemas na construção de estádios da Copa.
A empreiteira que Otávio dirigia teve uma parceria inusitada, por exemplo, na reforma do Maracanã: além da Odebrecht, associou-se à minúscula Delta, de Fernando Cavendish, o grande amigo do ex-governador Sergio Cabral, que por sua vez é aliado do prefeito Eduardo Paes. Paes quer eleger Pedro Paulo em 2016 e se candidatar ao Planalto em 2018 pelo PMDB. Romário seria o candidato ao governo do Estado.
O PMDB do Rio, lembrem-se, é aquele que emplacou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. É aquele que enriqueceu graças ao pré-sal e a obras bilionárias feitas para a Copa e as Olimpíadas.
A seção carioca do PMDB é a única que pode financiar uma campanha presidencial competitiva, assim como a do PSDB paulista.
A dedução óbvia é que Delcídio provavelmente trabalhava por um futuro glorioso… no PMDB.
Ou, a mando de alguém, subordinava o PT ao PMDB nas eleições de 2018.
A delação do presidente da Andrade Gutierrez, agora acertada, tem potencial explosivo: pode jogar luz, por exemplo, sobre a obra do Maracanã.
A Andrade, registre-se, é parceira da Odebrecht e da Carvalho Hosken na obra do Parque Olímpico.
Mais de 500 mil metros quadrados de terreno público, transferidos às empreiteiras, agora contam com toda a infraestrutura. Valor?  720 reais o metro quadrado, multiplicados por 22 — já que as empresas poderão construir neles edifícios de 22 andares.
Foi por isso que Eduardo Paes sacrificou a Vila Autódromo, embora os moradores tivessem recebido títulos de posse provisórios (por 99 anos) do governador Brizola: para fazer, às margens da lagoa de Jacarepaguá, o jardim dos ricos que vão comprar imóveis das três empreiteiras!
Mas, voltando à Lava Jato, temos como um dos últimos resistentes Marcelo Odebrecht. Quanto tempo ele vai resistir? Provavelmente, os advogados da empreiteira já se movimentam nos bastidores para obter um acerto parecido com a da “concorrente”.
Odebrecht, lembrem-se, é aquele do “adiantar 15″ para JS, mensagem capturada em um de seus celulares. JS, tudo indica, como brincou um internauta, é Jula da Silva.
Delcídio, Otávio e Marcelo estão em posição para por abaixo o sistema político brasileiro, se resolverem realmente contar tudo.
Porém, se houver uma inclinação de delegados e promotores a ouvir apenas parte da História, por que motivo eles se arriscariam a delatar mais que o necessário?
Portanto, o PT está à mercê desta cascata de delações.
Consequências do 25 de novembro?
Para todos os efeitos, um governo Dilma dono de seu próprio nariz acabou. Um fato novo pode levá-lo ao impeachment, mas considerando as delações por vir é pouco provável que haja alguém mais confiável que Dilma para se arrastar, feito Sarney, até o fim do mandato. Um governo fraco, dominado pelo pensamento econômico neoliberal, vai produzir austeridade via desemprego — eliminando, assim, qualquer chance de sobrevivência eleitoral.
A candidatura de Lula, em consequência, murcha. Para o ex-presidente, escapar da prisão nestas circunstâncias será em si uma vitória.
A direita dispõe, portanto, não só dos instrumentos para recapturar o Planalto em 2018, como da legislação antiterrorista que sobreviverá às Olimpíadas e servirá, como o Patriot Act, para conter qualquer explosão social fora da institucionalidade. Não é pouco, para quem pretende retomar, num quadro de crise econômica mundial, a política do arrocho da ditadura.
Ironicamente, a legislação que permitirá à direita fazer isso foi produzida pelo governo Dilma e “aperfeiçoada” pelos tucanos, com intermediação de… Delcídio do Amaral.
Ah, Woody Allen, não chegou a hora de produzir um filme inspirado no Brasil, tendo o “japonês bonzinho” no papel principal?
PS do Viomundo: Pergunta que não quer calar diz respeito ao filho do Cerveró, Bernardo. Ele gravou por conta própria? Ou foi agente de alguém?
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