domingo, 8 de novembro de 2015

Cada campista tem o governo que merece...ou como trocar seis por menos que meia dúzia...

Um processo engenhoso foi engredrado para aleijar a nossa Democracia...Depois de 1988, com o susto de Lula em 1989, as elites e seus representantes passaram a construção de um sistema representativo que guardasse apenas a feição formal da outorga de mandatos sufragados...

É bem verdade que este processo também é resultante de uma mudança mais ampla nos sistemas representativo ocidentais, conseuquência da noção capitalista de que é preciso controlar ao máximo as escolhas populares para evitar surpresas que desafiem a ordem estabelecida.

No Brasil, com a insuperável ajuda da mídia comercial, ela mesma uma das cabeças desta Hydra, a Democracia e as escolhas populares foram colocadas em um cordão de isolamento, que se constituiu a partir de mudanças na legislação eleitoral, que dentre outras coisa deram mais importância a esta legislação que o próprio processo eleitoral...

Assim temos advogados eleitorais, juízes e promotores com mais poder que o voto...

Por outro lado, confinaram as campanhas na mídia, elevando o custo das campanhas a cifras astronômicas, justamente o que possibilitou a contaminação do processo político pelo financiamento ilegal...

Outras ideias foram (e continuam sendo) contrabandeadas diuturnamente, como a diminuição do tamanho dos legislativos, o que aumenta o coeficiente para eleição de representantes, o que elitiza ainda mais a possibilidade de que setores populares consigam representação...

Mas o mais nefasto instrumento foi a disseminação dos institutos de pesquisa...

Herança do sistema estadunidense (como em quase tudo), as pesquisas se tornaram uma panaceia, uma espécie de droga capaz de entorpecer o mais cético e equilibrado eleitor, afinal, é muito difícil brigar com a "probabilidade" matemática...

Só que os humores eleitorais, a dinâmica social a ação política e seus reflexos não podem ser medidos em estatística, ao menos não como imposição cartesiana...

Ainda assim, as pesquisas são vendidas aos tolos pelos cretoinos como verdades autoimunes, ou melhor, são versões que de tanto serem repetidas tentam criar a realidade que buscam antecipar...

Algo parecido com a sua irmã-gêmea no ideário conservador: as previsões e análises econômicas...

E desse modo, mídia, elites e outros cartórios de interesses foram dilapidando e destruindo a Democracia brasileira...


Em Campos dos Goytacazes, nesta última semana, determinado grupo político resolveu dar contornos de sentença irrevogável as previsões eleitorais...

O "preferido" atual do eleitor seria um ex-prefeito, que também foi chamado pela mídia nacional de "canecão", por sua inestimável contribuição ao setor do espetáculo, onde shows e cachês faziam a alegria de produtores...

O caso dos 1,8 milhão de reais doados a Imperatriz Leopoldinense, para que sua (ex)esposa, a então Imperatrix local desfilasse por lá, é simbólico...

Eu fico pensando...

Então onde está toda a indignação do povo daqui com as práticas nefastas que são repudiadas a todo tempo pelos cretinos das redações locais?

Uai, é para trocar seis por menos que meia dúzia?

Alguém está mentindo...

Ou a mídia que diz que o povo está insatisfeito ou as pesquisas que apontam um legítimo representante deste modus operandi administrativo como o mais citado pelos "indignados"  campistas...

Ou será que estão todos mentindo?

3 comentários:

Anônimo disse...

Mas aqui em Campos a coisa se resume a Garotinho e os antigarotinho. A politica aqui é feita por Garotinho, com seus projetos e propostas e aqueles que falam mal dele. Não existe oposição a Garotinho que seja propositiva nesta planície.

Anônimo disse...

A pesquisa é apenas um retrato do momento. Ninguém ainda é candidato, os partidos estão apenas estudando os nomes, identificando os humores do eleitor. Quanto ao aproveitamento que se fazem destas pesquisas, acho normal.

douglas da mata disse...

Concordo com o primeiro comentário.

Discordo parcialmente do segundo, pois:

Não é possível enxergar o uso feito das consultas como algo "normal", haja vista os resultados recentes.

Não é possível deixar de considerar o teor possível de manipulação que a publicação dos números como sentenças do futuro, e o estrago que isso acarreta nos processos eleitorais.

Tanto é verdade que, mesmo que timidamente, a legislação começou a restringir a divulgação das pesquisas nos dias próximos ao pleito.

Há países que determinam um prazo dilatado para proibição deste divulgação nas proximidades da eleição.

O "uso" poderia ser considerado um efeito do processo (nas suas palavras: normal) caso não houvesse a oligopolização com cruzamento de propriedade da mídia como há por aqui...

A questão não é uma concessão de TV ou grupo de comunicação dizer que acredita nesta ou naquela previsão...

A questão é martelar essa previsão de forma monolítica e sem contraditório ou outras leituras, senão a que interessar os interessados de sempre.

Não há normalidade possível, é só ver quanto custam e a quanto foram elevados os valores das pesquisas e grande negócio que se tornaram para concluir como elas influenciam o jogo.