terça-feira, 13 de outubro de 2015

Eduardo, A cunha!

Quem já teve o menor soslaio de treinamento militar ou paramilitar  sabe que há movimentos clássicos para deslocamento de tropas frente o inimigo: o de pinça, quando se movem duas colunas pelos dois flancos, fechando o cerco atrás das linhas inimigas com o encontro das duas colunas, isolando a frente inimiga de sua retaguarda...

O outro é o movimento de cunha, quando as colunas se movem frontalmente em relação ao inimigo, abrindo um buraco que divide e isola em duas partes a linha de frente inimiga, e estas da retaguarda...

Por sua natureza, o movimento de cunha é sempre mais ousado, tem maiores baixas, e necessita enorme sacrifício logístico...

É essa a posição dos que tentam golpear o mandato da Presidenta Dilma, e que escolheram o Presidente do Câmara Federal como vanguarda para esse ataque suicida...

Não é possível dizer se Eduardo Cunha tem a noção e o cálculo político de seu papel, e o que lhe custaria desempenhá-lo, sendo quem ele é, e tendo o que tem para esconder...

Eu gosto de imaginar, e já escrevi isso aqui, que Eduardo Cunha é a materialização completa do sequestro conservador e patrimonialista do capital sobre os sistemas representativos, e se fosse o Brasil um país parlamentarista, Eduardo Cunha seria uma versão carola (ao menos, pelo que sabemos) do Silvio Berlusconi, um tipo de mal que não se importa com sua biografia, ao contrário, a exibe como salvo conduto para atirar em todas as direções...e lucrar com isso...

O problema não é Cunha, mas sim aqueles que se utilizam dele, e agora parecem acenar que o seu prazo de validade está no fim...

Dizemos e repetimos: Dilma é atacada por suas virtudes, e não por seus erros...

Os cretinos da oposição, que excedem os mandatos conferido a eles (fazer oposição dentro dos limites institucionais), parecem brincar com fogo...

Dentre os países de maior estatura econômica, e política, o Brasil é um dos raros que não experimentou processos violentos que impelisse a nação a um salto civilizatório, como foi a Secessão nos EUA, a unificação italiana, alemã, a Guerra Civil Espanhola, a Revolta dos Cravos em Portugal, A Guerra Civil Mexicana, a Revolução Russa, seguida da Guerra entre Cossacos e Exército Vermelho, A Revolução Chinesa e sua Revolução Cultural, dentre tantas outras...

Não tivemos guerra de independência, e sim um acordo...Tão pouco houve luta pela república (outro acordo)...

Tampouco experimentamos a violência voltada para conquistas de outros territórios, exceto a covardia genocida chamada de Guerra do Paraguai, onde funcionamos como jagunços dos ingleses...

Fomos os últimos, e ainda não abolimos por completo a escravidão (só ver as favelas, os IML e as cadeias do país)...

E assim seguimos acomodando tudo, varrendo nossas diferenças gritantes para baixo do tapete, e quando o menor rasgo de luta de classes surge, quando se começa a considerar um rearranjo do Estado, para que este comece a servir quem de fato precisa dele (os mais pobres, os pretos, as mulheres, etc), levantam-se as vozes a choramingar que o caos se instalará, e que não somos nem pretos, nem brancos, nem homens, nem mulheres, nem ricos, nem pobres, nem patrões, nem empregados...

Só mandando esse pessoal para casa do caralho...ou...

É só ir a um hospital, olhe bem e vejam: quantos médicos são pretos? E quantos e de que cor são os que varrem o chão, lavam privadas, trocam fraldas, enfim, fazem todo o trabalho sujo?

Visite uma cadeia, conte ali os que ganham mais de cinco mil reais, ou que tenham curso superior, ou veja a proporção de pretos e brancos...

Quem, afinal, paga imposto nesta merda de país?

Quem são os mortos pela violência, onde moram, quais os seus nomes e a que classe pertencem?

Quais são as mulheres que morrem com abortos clandestinos, as patricinhas ou as meninas das favelas?

Qual é a renda média das mulheres frente a dos homens, e se estas ainda forem pretas, como ganham? Mais ou menos?

E por que seguimos a fingir que somos "todos iguais"?

Ora, porra, porque uns são mais iguais que outros, e sempre estarão gozando de privilégios, enquanto à maioria são negados os mais básicos direitos...

Eu torço para que os cretinos golpistas, enfim, tenham a coragem de manifestar de forma explícita (e violenta) suas tendências, para que possamos, quem sabe, extirparmos nosso câncer nacional pela sublimação do conflito, expurgando nossa dubiedade, e fincando de vez o pé na modernidade tardia, colocando cada coisa em seu lugar, cada interesse com seu nome...

Está mais do que na hora de transformarmos a violência simbólica em orgânica, só desse jeito poderemos ver se o que sobra valerá à pena..

Não podemos incorrer no erro de permitir que uma minoria dê um golpe, e passe a torturar e matar como fizeram antes, ante o olhar atônito e cúmplice de uma maioria intoxicada com chavões ufanísticos e patrióticos...

É hora de passar o rodo nessa gente...ontem...

Mandam os manuais militares: a melhor forma de se defender, é atacando...




13 comentários:

Anônimo disse...

MUITO BOM!!! MUITO BOM!!! PERFEITO!

Anônimo disse...

Se prepare para engolir o sapo do iminente acordo entre Cunha e Dilma.

Tudo pela revolução!

douglas da mata disse...

Meu caro amigo das 09:51, que tipo de idiota é você , afinal?

Com quem você espera que Dilma faça acordos, com a sua mãe?

E você acha que não há cálculo político da Presidenta, que suportou toda sorte de achaques, e agora vai domesticar o antes "todo-poderoso" cunha?

Só pelo fato das informações e investigações terem "brotado" agora (como que por encanto na mídia), você imagina que não haja intervenção da Presidenta para que tais apurações seguissem seu curso?

Em uma investigação qualquer, ainda com todas as manipulações escrotas da mídia, você acha que Dilma se igualaria a cunha aonde, no cú da sua mãe?

Quem você acha que saiu perdendo, cavalgadura, a Presidenta?

Puta que o pariu, vá ser burro assim lá casa do caralho.

Anônimo disse...

Vejo que durante os períodos em que o PT surfou na crista da onda da estabilidade econômica mundial, não teve problemas na composição do governo com os aliados, nem muito menos na administração da base aliada no congresso e teve sua popularidade em alta, você enxergava com bons olhos o presidencialismo de coalizão, ou no mínimo defendia esse mecanismo de funcionamento do regime político-institucional brasileiro como a única via democrática e possível para “mudar o mundo” na atualidade.

Durante esse período, o PT conseguiu imprimir sua agenda – às vezes com dificuldades, mas conseguiu - e mudou muita coisa para melhor na realidade social de nosso país, mas desde a eleição de Lula ocorreram também – por uma série de motivos, que demandam outro debate - mudanças no senso comum e na subjetividade contemporânea de nossa sociedade, que acabaram por fortalecer as propostas da oposição às teses do PT e de todos os partidos de esquerda.

Também sou contra o projeto conservador representado por Eduardo Cunha, mas indiscutivelmente ele é um dos representantes das forças politicas de nossa sociedade e foi eleito democraticamente (por mais “antidemocrático” que seja nossas eleições, principalmente quando ainda em vigor o financiamento privado de campanhas) para o cargo que ocupa. Existem milhões de brasileiros que comungam dos mesmos valores, ideias, propostas e projetos de Eduardo Cunha, infelizmente.
Apesar de também discordar que existem fundamentos jurídicos plausíveis para o pedido de impeachment, pois contra a presidenta não existe qualquer comprovação de atos de corrupção (inclusive ela não é nem acusada disso) acho que oposição está fazendo o papel dela. Mobilizando os “coxinhas” nas redes sociais e nas ruas e reunindo juristas para tentar teses que convençam os poderes instituídos a “derrubar” a presidenta. Em minha opinião, o jogo e a luta pelo poder numa democracia é esse. “Pode isso, Arnaldo?” Eu acho que pode. Ninguém está querendo dar quartelada. Eles perderam no voto, isso é fato, porém, eles alegam que os supostos crimes cometidos pela presidenta fizeram com que ela se mantivesse no poder e desiquilibraram também a eleição. Tentam essa tese, e acho que podem tentar. As instituições constituídas democraticamente em nosso Estado de Direito darão a resposta.

Embora concorde com muita coisa de seu texto, sua conclusão final me parece desespero de um militante do PT que assiste o partido ser massacrado diariamente pela mídia; que assiste seu governo minguar a cada dia sua maioria no congresso; que assiste esse mesmo governo perder quase totalmente a popularidade que gozava; e de um cidadão com ideias progressistas que assiste, infelizmente, a uma crescente onde de conservadorismo em nosso país.

douglas da mata disse...

Vamos do fim para o começo:

Não há desespero, nem mudanças dramáticas: há pensamento tático e estratégico.

O fato de pretender esgotar as possibilidades do atual sistema representativo, não significa abdicar da visão de que este sistema capitalista não é eterno (embora busque isso), e apresentará entraves intransponíveis ao funcionamento da Democracia.

O meu diagnóstico, é claro, é diferente de 2006 ou 2010, mas isso não quer dizer que eu não enxergasse isso antes. O problema dos vanguardistas é esse: estão sempre marcando a hora certa duas vezes no dia, como relógio quebrado...

A diferença crucial é que eu entendo os limites do presidencialismo de coação (coalizão), mas não deixo de tentar alterar seu rumo, dentro das regras impostas.

Quanto à oposição, e os jogo do golpe, já escrevi "n" vezes aqui: O PT já esposou tais teses (fora FHC, embora por motivos e em circunstâncias diferentes, pois se houvesse com Dilma a menor sombra do que houve com a "privataria" ela estaria presa e deposta!), assim como entendo que dentro da luta pela hegemonia, cada um vai com o que tem.

Já falei inclusive (com várias críticas aqui) do erro com Collor, derrubado e depois absolvido (sem provas) pelo STF!!!

No entanto, há um nó insanável:

As forças que delimitam as regras da luta mudam a configuração do jogo toda vez que estão em desvantagem, ou em outras palavras:

O PT, quando pretendeu o fora FHC não subverteu ordem alguma, não condenou sem provas (ação 470), não teve o maciço e partidário apoio da mídia, enfim, era contra establishment.

A lista de ataques aos pilares do Estado de Direito pela oposição é extensa!

Se houvesse dentre os juízes do STF um que se comportasse como gilmar (dantas) mendes a favor do PT o mundo teria desabado sobre nossas cabeças, e há tempos!

Repito:

O PT (E Dilma) não estão apanhando pelos erros ou pela má gestão da crise, ao contrário, se fosse isso, eu mesmo os atacaria...

Estão apanhando para que se enquadrem (ou melhor, fiquem de fora) do novo arranjo institucional que querem que o país vista para o novo ciclo de expansão capitalista que se aproxima...

E para tanto, valerá tudo.

Mas eu, ao contrário de você, não imagino a Democracia como um valor universal.

Não tem sentido Democracia para representar interesse de minorias e privilégios sobre a maioria sem direitos...

Concordo com a questão da representatividade de Cunha, por isso não embarco na onda moralista contra ele, só fiz a análise do que imagino que ele representa, e o pouco caso que o denuncismo tem sobre ele.

É só reler o texto, e prestar um pouco de atenção.

douglas da mata disse...

PS: O PT sempre, eu repito SEMPRE teve problemas para composição da base aliada, seja em Lula com o ápice da popularidade, seja agora.

Aliás, esse foi a chave mestra do PT no primeiro ciclo, onde Lula queria um acordo no atacado e nas grandes questões, e Zé Dirceu queria (e levou) um acordo no varejo, votação por votação, e se deu mal com Roberto Jefferson & Cia.

A questão é a repercussão dos problemas da base, que hoje têm muito mais ressonância e merecem o atenção diária do partido da mídia.

Anônimo disse...

Ótimo texto e ótimo debate! Parabéns ao blog.

Anônimo disse...

"É hora de passar o rodo nessa gente...ontem...
Mandam os manuais militares: a melhor forma de se defender, é atacando..."
Despois de ler essa parte final do seu texto, li também uma resposta para um anônimo logo acima em que você escreve: "Mas eu, ao contrário de você, não imagino a Democracia como um valor universal."
O que você propõe então, exatamente, como caminho para que sejamos “todos iguais” em nosso país?

douglas da mata disse...

Fiote,

O pior defeito de um idiota é tomar as coisas (e palavras) ao pé da letra, e usualmente descontextualizando (e pinçando frases) para distorcê-las...

Passar o rodo ou outras expressões são metáforas, o que não implica renunciar a certa violência simbólica necessária nos embates desta natureza.

Não proponho que sejamos todos iguais, imbecil, proponho que cada um seja tratado na medida de sua desigualdade, ou seja, aos mais fracos proteção, aos mais ricos mais deveres.

Não tenho caminho, eu continuo caminhando...

Anônimo disse...

Todos conhecem bem a técnica de qualquer mágico mediano: concentrar a atenção do público para sua mão esquerda para poder operar a "magia" com a mão direita, desapercebida até dos mais atentos.
Os estrategistas da Frente Popular na gerência estatal, há muitos anos praticam a mesma metodologia. Porém agora com a profundidade da crise política e econômica, o governo Dilma precisou aprofundar os truques políticos, para manter uma estabilidade mínima de poder, criando no circo brasiliense o novo "espetáculo do golpe de estado", com charlatães petistas e tucanos e uma atração especial, o execrado e amado (ao mesmo tempo) "mágico" Eduardo Cunha.
Pois bem, já faz muito tempo que enquanto o PT se esfolava no início deste ano na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados para tentar emplacar o nome de Arlindo Chinaglia, silenciosamente a anturragem dilmista fazia "vista grossa" para a cavalgada vitoriosa de Cunha.
Posteriormente criado o clima do impeachment no Congresso, com a debacle do governo, o presidente Cunha passou a ser o "vilão preferencial" dos petistas, acusado de ponta de lança da ofensiva "golpista tucana". O "curioso" nesta peça de ficção política é o fato de Cunha ter apoiado as principais medidas neoliberais enviadas pelo governo Dilma ao Congresso, em especial as que retiraram direitos dos trabalhadores.
Mas não ficou só por aí, a camarilha peemedebista de Cunha indicou centenas de cargos no segundo e terceiro escalão do governo, articulada diretamente com as lideranças maiores da quadrilha partidária: Temer, Renan, Eunício e Sarney. Com a função de "achacador mor" do governo, Cunha seguiu flertando com a tucanalha e seu impeachment paraguaio, ainda mais quando a PGR e seu chefe Janot começaram a "pegar no seu pé".
Surgiram as revelações das contas secretas na Suíça e o "impávido" Cunha emplacou um ministro "pau mandado" (ex-dirigente do PSTU) na recente reforma do gabinete do governo Dilma. A última versão espalhada é que Cunha estaria isolado da cúpula do PMDB (inclusive em seu estado) e com os dias contados na presidência da Câmara, também acossado pela oposição de direita e esquerda no conselho de ética da Casa.
Entretanto Cunha se assemelha mais ao mago Merlin e parece ter "mil faces", novamente o PT recorre ao suposto arqui-inimigo para desacelerar o rito do trâmite do impeachment, pela via de um recurso ao STF, difundindo amplamente o roteiro de uma "derrota dos golpistas". Cunha mesmo "marcado para morrer" consegue ser o senhor dos anéis do governo, estabelecendo nas últimas horas reuniões com vice Temer e o novo inquilino da Casa Civil, Jaques Wagner.
Dilma em linha direta com Cunha (talvez Zap...Zap...) implora a manutenção da ponte... No Planalto todos à espera da "atualização" da peça jurídica de Bicudo e Reale (pedaladas fiscais do governo também em 2015) que deve bater na porta de Cunha na próxima sexta, desta vez é "sim ou não", não há espaço para distrações regimentais coibidas pelo STF. O temor do TCU e TSE parece que ficou em um passado distante, a questão vigente é Cunha e sua Câmara feudal, mas o governo se mostra muito confiante diante da micareta tucana.
Cunha deixou vazar a senha da imortalidade: "Se derrubo Dilma, no dia seguinte vocês me derrubam", dirigindo-se a malta da reacionária oposição. No mesmo compasso o canastrão de pantomina torpedeou o governo: "Posso acelerar o impeachment se não for bem tratado".
Resumo da ópera bufa, Cunha representa no parlamento, com toda legitimidade, a odiosa facção reacionária e racista da oligarquia nacional, porém cumpre também a função de "sargento " da tropa de choque do governo Dilma, está sendo muito bem remunerado pelo seu desempenho político e teatral.

douglas da mata disse...

Brilhante comentário.

Claro que como toda análise opinativa incorrerá em erros e acertos, porque não é um relato factual.

Mas a essência eu assinaria embaixo.

A Presidenta vai fazendo o jogo possível com as peças possíveis, e claro, boa parte do jogo é encenada, o que não quer dizer que não existam riscos nos chamados "improvisos" de um ou outro "ator" que esqueça o seu verdadeiro papel e decida "brilhar" um pouco mais que o roteiro prevê.

Deste modo, o reconhecimento deste estado de coisas não elide o cuidado e vigilância política permanente sobre o processo político, que pode desandar a qualquer momento, seja por qualquer motivo. A História é profícua nestes exemplos.

Nos bastidores sempre o mesmo: o capital puxa as cordinhas!

O "crime" de Lula, e pior, de Dilma, foi querer uma "fala" diferente do argumento principal: "inclua até certo ponto, nada de alterar a estrutura de Estado".

Anônimo disse...

A demissão de Protógenes a mando do banqueiro Daniel Dantas é uma demonstração evidente da completa submissão do governo Dilma aos rentistas e aos setores mais reacionários do aparato policial, sempre entregando seus aliados em desgraça para saciar a fome da direita!

douglas da mata disse...

Fiote, a demissão de Protógenes se deu no segundo mandato do Lula, quando Paulo Lacerda (que foi defenestrado como "adido" em Portugal) era o chefe da PF.

Protógenes foi jogado às feras porque fazia o jogo do eu sozinho, só isso, e não se subordinava a niguém, nem a seu superior (Lacerda) e o Ministro da Justiça (Thomaz Bastos).

E ainda que ele tivesse dado uma tacada certa, seu "voluntarismo" eivou o Inquérito de erros graves (todos formais, é verdade) que contaminaram qualquer possibilidade de instrução criminal, aliás, fato comum na Polícia, quando delegados buscam o estrelato.

Nesse jogo, deslizes desta natureza não são perdoados por bancas de advogados super bem pagas.

Ou seja, expôs o governo a um jogo que ele(o governo) não ganharia, por isso teve a cabeça entregue.

Protogenes NUNCA foi aliado do PT.