domingo, 25 de outubro de 2015

Da série como funciona: A mídia covarde e cretina deste país...

Mergulhado no terceiro tomo da biografia de (Getúlio) Vargas, o inventor do Estado Moderno brasileiro (para o bem e para mal, diga-se), eis que me deparo com uma passagem singular, cujo personagem foi o irmão do então Senador Getúlio Vargas, no ano de 1946, nas dependências do Hotel Quitandinha, na aprazível Petrópolis, desde então refúgio dos poderosos e da elite fluminense...

Ao ler o trecho, embora repudie a violência física do ato de Bejo (como era chamado o primeiro-irmão), não posso afastar minha preocupação a saber que o ódio político destilado pelos barões de mídia como arma partidária de seus interesses e de seus sócios, não é algo novo...e pode dar causa a gestos de força...

Assim como não é nova a covardia destes cretinos que provocam até o limite seus adversários, e quando surgem as reações, ainda que tresloucadas como a de Bejo Vargas, correm a denunciar suas condições de vítima, como o cara que cospe na cara de outro, e quando está prestes a levar um soco nas fuças, coloca nelas um par de óculos e pergunta: "baterás em alguém que usa óculos?".

Pois é, vou transcrever o texto, para que saibamos que paciência tem limite, e esse tapa do Beijo Vargas é uma ótima metáfora do que andamos a demandar nesse país, do planalto à planície:

(...)Na noite de 11 de fevereiro de de 1946, Beijamim Vargas contrariou o hábito de iniciar a  noite pelo balcão de mármore do bar (...), dirigiu-se ao restaurante do Quitandinha (...). Passou chispando pelo maître e só deteve o passo para lançar um olhar perquiridor na direção das mesas lotadas. Em uma delas, (...) encontrou o que buscava: o jornalista Roberto Marinho (...). Sem dizer uma única palavra, Bejo aproximou-se por trás da cadeira do redator-chefe de
O Globo e, com a mão espalmada, plantou-lhe um bofetão no rosto.
(...)Bejo recuou cerca de três passos e, afastando o paletó com uma das mãos, puxou a outro o revólver da cintura apontando-o contra o jornalista.

"Canalha", gritou.

Mas o motivo não foi só a guerra midiática travada naqueles tempos, tal como agora, destinada a difamar e apear do poder quem foi eleito pelo voto, ou no caso de Getúlio, visando a destruição de seu legado e capital político junto às camadas populares, o que poderia suscitar o gesto dramático de seu irmão...

Não foi só isso.

A violência simbólica d'O Globo de 1946 equiparou-se a campanha sistemática que acontece nos dias atuais, e a manipulação sórdida dos fatos procurava destruir reputações...Ora para golpear governos eleitos que não rezam por suas cartilhas, ora para destruir o prestígio de líderes como Lula...

Sem a menor prova, e sem qualquer cerimônia, o jornal da quadrilha marinho publicara na véspera uma matéria que associava a queda de um prédio em construção na rua Assis Brasil, Copacabana, e que vitimara fatalmente duas dezenas de operários e ferira outros tantos, a Bejo Vargas, informando aos leitores que a provável causa da tragédia seria o uso de matéria-prima deficiente, e que a construção era de propriedade do Beijamim Vargas...

Importante ressaltar: o jornal, nem outra publicação, nem as investigações ligaram com provas o prédio ao irmão do ex-presidente...

Como já disse, é preciso resistir a tentação de utilizar a violência física contra esses psicopatas de redação, mas simbolicamente é urgente sair da defensiva para atacar essa campanha caluniosa, drenando aquilo que é o único lugar que eles realmente gostam de proteger, e não são suas honras, ou suas caras-de-pau, mas o bolso...

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