domingo, 9 de agosto de 2015

O ponto de não retorno...

Que a corrpução é intrínseca a atividade econômica capitalista qualquer um já devia saber...O adágio popular não refresca a memória: "Dinheiro não leva desaforo para casa".

A submissão do poder político pela agenda econômica também não é dado novo...Todos os regimes democráticos representativos de verniz ocidental parecem padecer do mesmo mal: 

Desde os gregos, os italianos, portugueses, ingleses e os estadunidenses...Nenhum desses sistemas conseguiu sequer se aproximar de um modelo de gestão estatal (governo e parlamento)  que representasse proporcionalmente os interesses das classes distribuídas no estamento social...

Enquanto pais e alunos sangram em dívidas milionárias no sistema de financiamento estudantil estadunidense, bancos cevaram com trilhões de dólares carreados pelo Tesouro dos EUA para tapar o rombo subprime desde 2008...

Hoje o blog do Roberto Moraes traz uma entrevista do Dowbor (Ladislau) sobre este enclave aparentemente indissolúvel que se instalou em solo brasileiro...

Ontem, aqui em casa, conversávamos sobre os limites da ação do governo (Dilma) e dos desafios impostos pela agenda economicista e financista, os apetites internacionais sobre a última fonte de petróleo em região sem conflitos (Pré-Sal), a tecnologia detida pela Petrobrás, enfim, o amplo menu de razões que levam os EUA e a Europa a apostarem no enfraquecimento do Brasil, da região do Cone Sul e dos Brics...

Lendo o blog do Nassif, deparei-me com o texto que republicarei abaixo...Uma análise interessante, e eu já mencionei isso antes, e ontem, como eu disse, falei durante a conversa:

Pela primeira vez, e de forma sistemática, o conglomerado conservador atacou seus pares, ou seja, desmontou e trucidou grandes corporações, como Odebrecht, Queiroz e Galvão, etc...A próxima fronteira seriam os bancos?

Então, esse ataque autofágico, como descrito pelo autor abaixo, coloca em risco a própria lógica do capital, de se vender como um sistema virtuoso, onde os desvios (corrupção) devem ser considerados como exceções à regra, e não o contrário...

É claro que sabemos que a corrupção, a eliminação da concorrência, "a facilitação",  os trustes, cartéis, oligopólios são a tônica dos negócios...

Mas ideologicamente pega mal expor as entranhas, a ponto de suscitar a dúvida na população de que valha à pena manter-se sob o tacão capitalista, ou pior, de se entregar o capital ideológico popular a aventuras messiânicas...

Parece que o assédio imoral promovido pela mídia e pelas forças obscuras do psdb e dos porões evangélicos começou a alimentar um inédito senso de auto-preservação e sobrevivência, criando algo inédito no Brasil: 

Um sentimento nacionalista e corporativo dos representantes da elite, que percebem que estavam muito mais confortáveis no cenário de reformismo gradualista dilmo-lulista, que no cenário apocalipse cunha-neves...

Talvez estejamos bem perto do nosso dilema civilizatório, como os EUA em sua Guerra de Secessão...

Vamos ao texto:

Golpe não é para amadores!

Por R. D. Maestri
Vejo que alguns estão surpresos por fortes vozes das classes dominantes se levantarem contra o golpe que estava sendo tramado por uma série desarticulada de amadores. Por que de uma hora para outra FIESP, Fierj e agora diretores de bancos levantam suas vozes contra o golpe, simplesmente porque estas instituições têm analistas ou consultam pessoas com capacidade de prospecção de eventos futuros. E estas mentes pensantes deram seu veredito final, com estes amadores o golpe pode sofrer um contragolpe muito mais forte que o primeiro.
Vamos aos fatos, há bastante tempo se via a inviabilidade de com o cenário atual de articular forças diversas para desestabilizar o governo com um mínimo de coesão (vide Deem-me um estado de apoio que vos darei um golpe! de 03/03/2015), esta ausência de coesão mostravam uma tendência de rapidamente, antes do golpe se estabilizar e se institucionalizar, começar a luta interna entre fracções e estas lutas não contarem com o apoio decisivo e necessário das forças armadas para escolhendo uma delas, termos só um projeto de novo governo.
Este último e importante passo foi enterrado com a prisão do vice-almirante, vozes dispersas nas forças armadas que viam os últimos governos do PT como governos preocupados com o fortalecimento real dessas forças, ganharam força e numa contabilidade simples que é feita antes de qualquer enfrentamento quem estava contra o golpe sobrepujou os que estavam a favor, e este recado chegou até as coordenações das classes dominantes (vide Por que a direita descarta uma intervenção militar? de 24/03/2015).
Outro fator decisivo foi que junto à posição das forças armadas, começa a repercutir nos setores do capital uma sensação de perseguição do mesmo por considera-los naturalmente corruptos. Ou seja, a atividade econômica do grande capital, corrupto ou não, começou a ser considerado como intrinsicamente corrupta. Se estas acusações viessem de setores de esquerda que por convicção ideológica descreve a apropriação da mais valia como um roubo, não haveria surpresa nem ineditismo, mas esta luta ideológica secular já é conhecida e os mecanismos de domínio do capital conseguem até o momento contorna-la. Porém estão surgindo de setores que tradicionalmente apoiam o sistema, ações bem bruscas e intempestivas que começam a assustar.
A mistura de um messianismo evangélico com a demonização da atividade econômica com todos os seus méritos e falcatruas podem levar a uma combinação explosiva muito mais perigosa do que mera conservação ou mudança de mando no poder federal. O governo atual, limitado por sua falta de base legislativa, não tem condições de propor fortes rupturas institucionais, porém um novo lupem-evangelismo fragmentado, mas com tendências messiânicas, é algo extremamente perigoso para qualquer regime fracos ou mesmo forte. Isto é algo que começado o processo não se sabe para onde ele irá!
Um golpe neste momento não teria as mesmas características da deposição de Collor de Mello (veja Golpe não se adjetiva. de 18/11/2014), seria um golpe sem um programa pós-golpe estruturado e perfeitamente definido.
Se formos comparar a situação de 1964 com a atual ainda fica pior. Neste ano haviam conspiradores profissionais em todos os setores, o governador Magalhães Pinto que montara um ministério paralelo e foi até os USA falar pessoalmente com o Presidente Kennedy, o general Golbery do Couto e Silva que tanto organizou o ataque (1964) como a retirada (abertura política) tinha até o palhaço-tolo midiático, o Governador Carlos Lacerda, que de tão tolo pensou que um dia assumiria a presidência da república com o apoio dos militares.
Temos na oposição atual ao governo, figuras que variam do folclórico ao patético, Aécio Neves, Jair Bolsonaro, Eduardo Cunha e uma plêiade de ideólogos direitistas que alguns se situam próximo à demência (como ex-astrólogos que juram de pé junto que o Sol é que gira em torno da Terra e que Einstein é uma farsa).
Tendo como último reduto ao golpe uma revista em situação pré-falimentar, fica cada vez mais difícil imaginarmos que um golpe de qualquer tipo que seja possa vingar. Ou pior para os golpistas e seus anteriores admiradores, se vingar o contragolpe deverá ser muito mais forte e também imprevisível (vide O contragolpe será muito mais forte do que o golpe! de 06/08/2015), pois neste ponto as forças que promoverem este contragolpe estarão livres para radicalizar uma politica de esquerda no Brasil.

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