sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Três tempos...

Janot, o eventual...

A audiência no Senado para confirmação da indicação da permanência no cargo do Procurador-Geral de Justiça seguiu aparentemente seus trâmites, com o rito de submeter à burocracia ao poder eleito...Apenas aparentemente...

Indisfarçável a arrogância do funcionário público do Parquet...

Erram os que imaginam que este blog vá reclamar de suas ações persecutórias contra desvios de corrupção na gestão petista...Quem deve, que pague...

O problema é o detalhe...sempre o detalhe...

O Ministério Público é hoje um dos maiores entraves ao funcionamento da Democracia, não só aqui, diga-se, mas em todos os sistemas jurídicos parecidos, inseridos em estamentos representativos clássicos, sejam parlamentaristas ou presidencialistas...

Já falamos isso aqui antes...

Os EUA, por exemplo, têm revisto sistematicamente a atuação de suas políticas criminais e das promotorias, e olha que lá, o Parquet é diretamente subordinado às esferas executivas dos diversos níveis (União, Estados e Condados)...

A impressão que tivemos, ao assistirmos trechos da "sabatina", é que Janot tem a exata noção de que paira sobre todos (über alles, na expressão alemã), derivada da consciência tática e estratégica de que hoje a geni da vez é o PT...

Mas isso não salva a oposição, ao contrário do que os idiotas imaginam...

Na semana da "sabatina", vazamentos e notícias de encomenda, colocaram sérgio guerra (falecido líder do psdb) e o tamanduá das alterosas (áecio) na berlinda das propinas, dando aos senadores de todos os partidos (oposição ou situação) o alerta necessário do que o corporativismo sem controle do MP pode fazer com suas reputações e aspirações (sem trocadilho, por favor) do moço (nem tão moço) mineiro...

Engraçado é a frase que passou despercebida de todos, quando Janot em debate com o Senador Collor, se defendeu da acusação de vazar o conteúdo das investigações sigilosas, e respondeu: "Não sou um vazador contumaz"...

Ahhhhh, então uma "vazadinha" de vez em quando pode? Entendi... 

Fica a pergunta: Quem, de verdade, controla o MP?



Bryce Williams, quando a notícia mata (de verdade)...


Claro que todo mundo vai dizer que o fato é isolado, que o cara era um maluco, etc e tal...Assim como os cretinos da mídia isolaram o evento onde um garoto branco matou negros em Charleston, recentemente...

Como tentar conectar as coisas para dar algum sentido ao que parece não ter nenhum? Não, não senhores, isso não é papel dos cretinos que servem nas redações...A tarefa deles é justamente o contrário, criando distrações para a compreensão da realidade...

Mas o fato é que há mais coisas abaixo da superfície do episódio trágico do jornalista que matou seus "colegas", além das questões pessoais óbvias, ampliadas propositalmente para encerrar o assunto com choradeira e comoção que garantem audiência carniceira...

A causa provável, ainda que distante, é a violência do jornalismo atual, que se imagina e se (auto)legitima como "cruzados", capazes de determinar o rumo das coisas, contra tudo e contra todos que discordem deles...

Contra a vontade de maiorias e sistemas representativos, contra partidos, mandatos, a própria lei ou garantias constitucionais...

O descompromisso com qualquer ética, que não seja a dos barões da mídia, o descuidado proposital com o direito à diversidade de opinião, o assassinato sistemático de reputações, quando reparações tardias são inúteis, alimentam essa indústria do ódio midiático, onde não é mais possível separar, de forma equilibrada, os fatos e as versões, a notícia de quem a veicula...

O fenômeno do jornalismo engajado teve seu ápice nas guerras do petróleo, onde os "engaged"  funcionaram mais como soldados que narradores...Algo parecido com os divulgadores do Star and Stripes no Vietnam, só que naquele época, os "jornalistas" eram soldados de verdade, alistados e pagos pelas Forças Armadas...

Conveniente ao esforço neoliberal hegemônico, até os papagaios-repórteres foram terceirizados, e assim surgiram os jornalistas pagos pelas empresas de mídia, mas que atuavam como propagandistas do esforço militar estadunidense...

Como a guerra imita a vida e vice-versa, logo, logo vimos "jornalistas" brincando de policiais pelas zonas deflagradas ao redor do mundo, ou como soldados em outras guerras regionais...

Sempre houve correspondentes independentes, e os engajados, diga-se...A questão é que os primeiros agora são literalmente caçados como traidores por quem fala sua própria língua, e quase nem existem mais...

Então, assistir ao vivo um assassinato, onde um jornalista ressentido mata outros profissionais de mídia, não é apenas um ato de loucura incontrolada e esporádica, mas sim uma metáfora assustadora do que se tornou o jornalismo e os jornalistas nos dias de hoje...

Não é difícil imaginar um datena, uma sherazade, um marcelo resende, ou outros imbecis regionais, com uma arma na mão para justiçar àqueles que acham merecedores (ladrões pés-de-chinelo ou petistas de colarinho branco)...

Finalmente, o jornalismo comercial conseguiu o que tanto almejou: Deixou de ser meio, para ser fim de si mesmo...

Uma pena que, neste caso, para dos dois mortos, o fim foi dramático...Porém, rendeu uma boa matéria...




CPMF, por trás das aparências...


Os idiotas têm todo direito de acreditar...a fé cega é nossa benção e maldição ao mesmo tempo...

Porém, é bom que se diga: Não é (apenas) a questão de interditar qualquer debate sobre justiça tributária nesse país que leva a mídia comercial e os conservadores (e até alguns progressistas desavisados) a zurrarem feito asnos contra o tributo proposto.

Não adianta repetir que o país não é nem de longe o mais "caro", tributariamente falando, assim como é inútil dizer que não adianta cobrar bons serviços e bom uso do dinheiro, sem o dinheiro (impostos) antes...Mais ou menos como cobrar dos fornecedores de bens e serviços que nos entreguem ótimos produtos com expectativa de ganhos reduzidos...

Nada disso importa para a cegueira tributária dos colossais cretinos, que os faz engrossar o coro da elite, imaginando-se alvos da mesma "injustiça", enquanto, na verdade, os mais ricos paguem cada vez menos impostos, proporcionalmente aos mais pobres, aumentando cada vez mais a nossa já horrorosa distribuição de renda...

E se nada disso adianta dizer, vamos à CPMF:

A grita tem outro  motivo: O tributo é odiado pelos mais ricos porque funciona como um "chip", um poderoso dispositivo, e ao mesmo tempo um dos mais simplórios, no combate à lavagem e corrupção, dispensando bilhões de máquinas, tratados internacionais, fiscais, policiais, juízes, promotores e todo circo seletivo da mídia com uma simples regra de três...

Com 000000000000,1 ou 1% de alíquota saberemos, de verdade, o quanto o sujeito ou empresa movimentam, e depois é só comparar com o que declaram...E aí entra tudo, desde cartão de crédito até movimentações acionárias e outras transferências mais complexas...

Está aí o motivo de tanto ódio...

O tributo permite, sem necessidade de tantos procedimentos judiciais e administrativos a revelação da situação real do contribuinte...Com uma simples calculadora, ou para os bons de matemática, papel, caneta ou lápis...




3 comentários:

Anônimo disse...

Acrescentaria, se voce me permitir. - JANOT, O PRÁTICO! Tão logo reconduzido pelo Senado, pagou a conta. Mandou arquivar processo contra Dilma.

José Pixuleco

douglas da mata disse...

É verdade, como um órgão que se pretende acima de todos para chantagear todos, pediu arquivamento de todos aqueles que investigava, como aecinho, o tamanduá das alterosas.

É disso que trata o texto.

Detalhe, para sua informação: O Ministério Público não arquiva, ele pede arquivamento, se o procedimento investigativo já estiver em curso.

Quem arquiva é o Judiciário.

Anônimo disse...

http://www.viomundo.com.br/entrevistas/paulo-henrique-amorim-revela-quem-eram-os-idiotas-e-o-cafetao-das-suas-anotacoes-de-reporter-fhc-entregou-a-petrobras-antes-de-sair-candidato-acusa.html