sábado, 15 de agosto de 2015

Campos dos Goytacazes e as eleições de 2016: O que fazer?

Título de um livro de Lênin (Vladimir Ulianov), líder da Revolução Bochevique de 1917, esta é uma pergunta que Lênin sabia não haver resposta, pelo menos não uma do tipo pronta e acabada...

O que a torna memorável é a grandeza e o desprendimento de um líder que sabia que deveria perguntar: O que fazer?

Lênin estava diante de um dos vários enclaves que enfrentou na desconstrução de um país semi-feudal, monarquia absolutista e na construção do Estado Soviético, que se tornou uma das maiores potências militares, educacionais e econômicas do planeta, única que antagonizou o poderio estadunidense no pós-guerra (1945)...

Falem o que quiserem os coxinhas e delirantes de plantão, o que foi feito na ex-URSS não foi pouca coisa...para o bem, e para o mal...

Sem os 20 milhões de soviéticos mortos na investida nazista e no épico contra-ataque que se seguiu a Stalingrado, o festejado Dia D não teria acontecido, e provavelmente hoje, você estaria lendo este texto em alemão, ou pior, não estaria lendo...

Para a ex-URSS não houve perdão de dívidas, nem os bilhões de dólares dos planos de recuperação (como o Plano Marshall)...

Lênin, então, estava  (mais) certo ao perguntar, do que ao tentar responder...O que fazer?

Esta pergunta deveria estar no topo das preocupações dos "líderes da oposição" para 2016, aqui na planície goytacá...

Mas falta-lhes a visão e humildade para perguntar, e mais, falta-lhes a coragem para ouvir as respostas...

É comum ouvir por todos os lados a "sentença" definitiva que engessou a política e os sistemas representativos, a saber, sem dinheiro dos apoiadores não há candidatura viável...

Assim, cada grupo que disputa parte para a gincana, ou pior, para o leilão das almas, prometendo entregar a própria legitimidade conferida pelas urnas por uns trocados para tocar campanhas...

Não, não, não...não sou ingênuo a ponto de imaginar que o dinheiro capitalista permitiria que a vontade popular fosse expressa de forma livre nas urnas...Deixei de acreditar nisso mais ou menos quando descobri que papai noel não existe...

No entanto, parece que o fatalismo não é só fatalismo, mas antes uma escolha, que também é política: 

Dizer que nada poderá ser diferente implica em aceitar qualquer improviso como solução de nossos problemas, ou na adoção de soluções antigas, alimentando um círculo de iniquidade e inércia...

É preciso voltar a fazer política, conversar com a população, ir de casa em casa, de bairro em bairro, enfrentar a rejeição, como um bando de testemunhas de geová em manhã de domingo, restaurar a fé e a crença que apenas o debate, a disputa o enfrentamento de ideias e a apresentação das demandas permite a manutenção de nossa evolução institucional...

É preciso rejeitar os espaços de interlocução viciados, como os currais editoriais que apenas desejam algum lucro com o fomento a futrica e o diz-que-diz...

É preciso varrer os proxenetas de redação como se fossem os vendilhões do templo...

É preciso se aproximar das representações estudantis, arejar partidos, trazendo o frescor e a irresponsabilidade próprios da juventude, temperando riscos com a prudência dos mais velhos, fazendo o equilíbrio necessário para a manutenção do movimento...

É preciso rejeitar veementemente as "velhas novidades", os "falsos profetas", ainda que tenham a aparência do ineditismo, mas que carregam o DNA, os gestos e modos do arcaísmo patrimonialista das nossas elites safadas...precisamos desmascarar a coragem ensaiada deles...

É preciso conversar com a Academia, com os setores dos movimentos sociais, e deixar bem claro quais são os propósitos, reconquistando o combustível indispensável à mudança: 

Confiança...

E antes de querermos respostas para a pergunta, devemos saber, por que perguntamos...O que fazer? 

8 comentários:

felixmanhaes disse...

Excelente, por aí um dos bons caminhos.como diz voce: quem vai colocar o sino no gato?

felixmanhaes disse...

Muitos que poderiam fazer isso, parecem que desanimaram e foram para casa. ou para os mundos virtuais.

Anônimo disse...

Passamos a vida inteira procurando respostas. O problema é que, quando as encontrarmos, as perguntas já terão mudado...

Anônimo disse...

Muitos desanimaram caro Félix. Inclusive eu, você, Douglas e o comentarista das 07:02

Anônimo disse...

http://www.viomundo.com.br/politica/a-polemica-sobre-o-perfil-de-quem-foi-a-paulista.html

Anônimo disse...

Muito bom o texto, parabéns Douglas! Acho que aqui em Campos apenas Garotinho sabe fazer política. Aliás, o cara é incansável.

Cláudio Andrade disse...

Sempre escrevendo bem.
Parabéns

Cláudio Andrade

douglas da mata disse...

Grato Cláudio...