sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Três tempos...

Janot, o eventual...

A audiência no Senado para confirmação da indicação da permanência no cargo do Procurador-Geral de Justiça seguiu aparentemente seus trâmites, com o rito de submeter à burocracia ao poder eleito...Apenas aparentemente...

Indisfarçável a arrogância do funcionário público do Parquet...

Erram os que imaginam que este blog vá reclamar de suas ações persecutórias contra desvios de corrupção na gestão petista...Quem deve, que pague...

O problema é o detalhe...sempre o detalhe...

O Ministério Público é hoje um dos maiores entraves ao funcionamento da Democracia, não só aqui, diga-se, mas em todos os sistemas jurídicos parecidos, inseridos em estamentos representativos clássicos, sejam parlamentaristas ou presidencialistas...

Já falamos isso aqui antes...

Os EUA, por exemplo, têm revisto sistematicamente a atuação de suas políticas criminais e das promotorias, e olha que lá, o Parquet é diretamente subordinado às esferas executivas dos diversos níveis (União, Estados e Condados)...

A impressão que tivemos, ao assistirmos trechos da "sabatina", é que Janot tem a exata noção de que paira sobre todos (über alles, na expressão alemã), derivada da consciência tática e estratégica de que hoje a geni da vez é o PT...

Mas isso não salva a oposição, ao contrário do que os idiotas imaginam...

Na semana da "sabatina", vazamentos e notícias de encomenda, colocaram sérgio guerra (falecido líder do psdb) e o tamanduá das alterosas (áecio) na berlinda das propinas, dando aos senadores de todos os partidos (oposição ou situação) o alerta necessário do que o corporativismo sem controle do MP pode fazer com suas reputações e aspirações (sem trocadilho, por favor) do moço (nem tão moço) mineiro...

Engraçado é a frase que passou despercebida de todos, quando Janot em debate com o Senador Collor, se defendeu da acusação de vazar o conteúdo das investigações sigilosas, e respondeu: "Não sou um vazador contumaz"...

Ahhhhh, então uma "vazadinha" de vez em quando pode? Entendi... 

Fica a pergunta: Quem, de verdade, controla o MP?



Bryce Williams, quando a notícia mata (de verdade)...


Claro que todo mundo vai dizer que o fato é isolado, que o cara era um maluco, etc e tal...Assim como os cretinos da mídia isolaram o evento onde um garoto branco matou negros em Charleston, recentemente...

Como tentar conectar as coisas para dar algum sentido ao que parece não ter nenhum? Não, não senhores, isso não é papel dos cretinos que servem nas redações...A tarefa deles é justamente o contrário, criando distrações para a compreensão da realidade...

Mas o fato é que há mais coisas abaixo da superfície do episódio trágico do jornalista que matou seus "colegas", além das questões pessoais óbvias, ampliadas propositalmente para encerrar o assunto com choradeira e comoção que garantem audiência carniceira...

A causa provável, ainda que distante, é a violência do jornalismo atual, que se imagina e se (auto)legitima como "cruzados", capazes de determinar o rumo das coisas, contra tudo e contra todos que discordem deles...

Contra a vontade de maiorias e sistemas representativos, contra partidos, mandatos, a própria lei ou garantias constitucionais...

O descompromisso com qualquer ética, que não seja a dos barões da mídia, o descuidado proposital com o direito à diversidade de opinião, o assassinato sistemático de reputações, quando reparações tardias são inúteis, alimentam essa indústria do ódio midiático, onde não é mais possível separar, de forma equilibrada, os fatos e as versões, a notícia de quem a veicula...

O fenômeno do jornalismo engajado teve seu ápice nas guerras do petróleo, onde os "engaged"  funcionaram mais como soldados que narradores...Algo parecido com os divulgadores do Star and Stripes no Vietnam, só que naquele época, os "jornalistas" eram soldados de verdade, alistados e pagos pelas Forças Armadas...

Conveniente ao esforço neoliberal hegemônico, até os papagaios-repórteres foram terceirizados, e assim surgiram os jornalistas pagos pelas empresas de mídia, mas que atuavam como propagandistas do esforço militar estadunidense...

Como a guerra imita a vida e vice-versa, logo, logo vimos "jornalistas" brincando de policiais pelas zonas deflagradas ao redor do mundo, ou como soldados em outras guerras regionais...

Sempre houve correspondentes independentes, e os engajados, diga-se...A questão é que os primeiros agora são literalmente caçados como traidores por quem fala sua própria língua, e quase nem existem mais...

Então, assistir ao vivo um assassinato, onde um jornalista ressentido mata outros profissionais de mídia, não é apenas um ato de loucura incontrolada e esporádica, mas sim uma metáfora assustadora do que se tornou o jornalismo e os jornalistas nos dias de hoje...

Não é difícil imaginar um datena, uma sherazade, um marcelo resende, ou outros imbecis regionais, com uma arma na mão para justiçar àqueles que acham merecedores (ladrões pés-de-chinelo ou petistas de colarinho branco)...

Finalmente, o jornalismo comercial conseguiu o que tanto almejou: Deixou de ser meio, para ser fim de si mesmo...

Uma pena que, neste caso, para dos dois mortos, o fim foi dramático...Porém, rendeu uma boa matéria...




CPMF, por trás das aparências...


Os idiotas têm todo direito de acreditar...a fé cega é nossa benção e maldição ao mesmo tempo...

Porém, é bom que se diga: Não é (apenas) a questão de interditar qualquer debate sobre justiça tributária nesse país que leva a mídia comercial e os conservadores (e até alguns progressistas desavisados) a zurrarem feito asnos contra o tributo proposto.

Não adianta repetir que o país não é nem de longe o mais "caro", tributariamente falando, assim como é inútil dizer que não adianta cobrar bons serviços e bom uso do dinheiro, sem o dinheiro (impostos) antes...Mais ou menos como cobrar dos fornecedores de bens e serviços que nos entreguem ótimos produtos com expectativa de ganhos reduzidos...

Nada disso importa para a cegueira tributária dos colossais cretinos, que os faz engrossar o coro da elite, imaginando-se alvos da mesma "injustiça", enquanto, na verdade, os mais ricos paguem cada vez menos impostos, proporcionalmente aos mais pobres, aumentando cada vez mais a nossa já horrorosa distribuição de renda...

E se nada disso adianta dizer, vamos à CPMF:

A grita tem outro  motivo: O tributo é odiado pelos mais ricos porque funciona como um "chip", um poderoso dispositivo, e ao mesmo tempo um dos mais simplórios, no combate à lavagem e corrupção, dispensando bilhões de máquinas, tratados internacionais, fiscais, policiais, juízes, promotores e todo circo seletivo da mídia com uma simples regra de três...

Com 000000000000,1 ou 1% de alíquota saberemos, de verdade, o quanto o sujeito ou empresa movimentam, e depois é só comparar com o que declaram...E aí entra tudo, desde cartão de crédito até movimentações acionárias e outras transferências mais complexas...

Está aí o motivo de tanto ódio...

O tributo permite, sem necessidade de tantos procedimentos judiciais e administrativos a revelação da situação real do contribuinte...Com uma simples calculadora, ou para os bons de matemática, papel, caneta ou lápis...




sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Dilma e seus dilemas...

Circunstâncias históricas não podem ser comparadas com a mesma régua, por outro lado, não devem ser relativizadas ao extremo...

Explico...

O PT e o Governo Dilma não podem  reclamar (muito) dos ruídos golpistas da oposição midiática...De certo modo, quando estávamos na oposição saímos às ruas  com o "FORA fhc"...

Mas as semelhanças param por aí...

O cinismo escroto da mídia, e seus asseclas, não pode esconder um fato histórico:

Os movimentos políticos da década de 80 e 90 se levantavam contra os governos estabelecidos , mas tinham caráter contra-hegemônico, ou seja, buscavam destituir uma ordem estabelecida...isto é, construir uma ordem onde o governo representasse os interesses da maioria, enfim, buscavam aproximar a representatividade formal da representatividade orgânica da sociedade...

Já os movimentos recentes, que mostram a cada evento perder força, com o minguar de gente que foi às ruas, buscam restabelecer esta ordem hegemônica, onde a reprsentação formal do governo seja restrita ao critério quantitativo eleitoral, afastando a manifestação dos interesses e demandas majoritários da gestão do Estado.

A manutenção dos aspectos meramente formais da representação visa garantir que os interesses de poucos prevaleçam sobre os de muitos...

Se é verdade, portanto, que dos dois movimentos pedindo a destiuição de presidentes são, formalmente, contra-constitucionais, por outro lado, é impossível não perceber, apesar dos esforços cavalares da mídia comercial, que os movimentos têm origens e pretensões políticas distintas...

Cada facção política legitima sua presença como melhor lhe convém, mas não podemos permitir que todos sejam considerados a mesma coisa, como se essa "igualdade"  concedesse um salvo conduto às forças reacionárias para a defesa de interesses que NUNCA são explicitamente colocados...

É estranho, e quase sempre imperceptível como os golpistas nunca se chamem pelo nome, nunca digam que são de direita ou conservadores...Buscam sempre apelidos ou bandeiras políticas convenientes...auto-denominam-se liberais, modernizações, eficiência, democratas, patriotas ou apartidários ou apolíticos...

Essa "discrição" não é acidental...

Quando junto com outras forças, o PT foi às ruas pedir a saída de fhc, a agenda estava claríssima: Queriam que o país e seu patrimônio não fosse vendido a preço de banana, sob a falsa justificativa de que os poucos bilhões de dólares serviriam ao incremento da qualidade dos serviços públicos destinados aos mais pobres...

Junto a isso, PT e aliados desejavam a redução das desigualdades, o aumento do emprego, a melhor distribuição de renda e dos serviços públicos...

Quando vão às ruas hoje, psdb e aliados desejam justamente destruir essas conquistas, retomando o processo de desmonte do que restou de Estado...

7% de desemprego é uma taxa alta nesses dias? Pois é, na octaéride tucana o desemprego nunca esteve abaixo dos 9%, e ainda assim a mídia e o estamento ideológico conservador alardeavam um sucesso absoluto na gestão econômico demotucana...

Inflação de 9%?

A "equipicona" do psdb entregou o país em 2002 com 13% de inflação e taxa de juros média acima dos 20% ao ano...

Eu aceitaria satisfatoriamente que os tucanos e seus lacaios da mídia (local e nacional) fossem às ruas dizendo a verdade: Queremos entregar a Petrobras de bandeja, queremos mais juros ao capítal, salários e direitos menores, diminuição dos investimentos e programas sociais, restrição dos recursos da saúde e da educação, etc...

Eu aceitaria de bom grado as manifestações golpistas, ainda que não concorde com elas, se dissessem que o almejado "fim da corrupção" é algo mais ou menos como o desejo pela "paz mundial" que as candidatas à miss, expresso nas entrevistas ensaiadas aos jurados...

Democracia não é só bater panelas ou vociferar palavras chulas e/ou de baixo calão, mas explicitar verdadeiramente o que se deseja, para que as escolhas sejam honestas, ou o mais próximo disso...

É uma diferença sutil, mas crucial...É a diferença entre ruptura e reacionarismo...

Conservadores, em um ambiente democrático, não devem temer expor suas bandeiras (as verdadeiras)...

Assim como os petistas e governistas não devem temer a cobrança de que foram às ruas para pedir a queda de um presidente eleito (fhc)...

Ao contrário, devem revelar que o fizeram, e fizeram sem o apoio massivo da mídia comercial, e muito menos sem o conluio com as forças reacionárias que se instalaram no Judiciário...

É bem verdade que o PT também se beneficiou do protagonismo macartista do MP naquelas décadas, e hoje paga caro por isso...Parte do capital político que amealhou na epóca foi tomado de volta, como um empréstimo de juros extorsivos...

No entanto, a (cor)relação de forças é totalmente distinta...Naquela época, recém agraciados com (super) poderes constitucionais que hoje os equiparam a Santa Inquisição, alguns poucos promotores e procuradores ousaram utilizar estas prerrogativas para desafiar o establishment...

Hoje, com a institucionalização do moralismo hipócrita e seletivo, o Parquet, com raras e honrosas exceções, funciona como correia de transmissão das hostes fascistas nacionais...

Por isso, procuradores como aquele de Brasília, Luiz Francisco, juízes como De Sanctis, ou policiais como Protógenes Queiroz ou Paulo Lacerda, foram ridicularizados e trucidados, enquanto que outros são elevados ao panteão dos "heróis nacionais"...

Ué, todos não lutavam contra a corrupção?

Pois é, mas uns lutavam contra a corrupção da revista "óia" e suas relações com a "cachoeira" de crimes organizados, ou contra banqueiros-fiadores da privataria demotucana, e outros dizem lutar contra aquela que parece ser a única forma de corrupção que merece atenção: A petista!

Mensalão, petrolão? Uai, a globo sonegou uns três ou quatro petrolões e até hoje quase ninguém ouviu falar disso, e apesar disso, ainda tem gente que envia dinheiro para a chantagem emocional chamada "criança esperança"...

Esperança para quem? Para os "eleitos" e "escolhidos" pela globo e pela "unicef"? 'Tá bom, me engana que eu gosto...

Então, ainda que tudo pareça igual, cada caso é um caso...

Dilma padece de um dilema, que não é só dela, e sim de todas as forças de esquerda que apostam na via institucional e creem na reforma gradual do Estado:

Acreditam que a outorga (formal) conferida pelas urnas, em seu aspecto quantitativo (maioria), confere uma legitimidade que se auto-impõe e será sempre respeitada pelos adversários...

Logo, quando Dilma se defende reivindicando ser a portadora dos votos da maioria, ela "esquece" o seu passado...

Esse "esquecimento" é necessário para afastar dela o sentimento revanchista imobilizador, que a impediria de ter se tornado o que é: Um exemplo de respeito à constitucionalidade e a ação política racionalizada...

Mas, paradoxalmente, esse "esquecimento" apaga de sua memória política um traço que deveria ser constante em sua práxis, a de que os adversários só respeitam regras que lhes convêm, e pior:

Seus inimigos da oposição não querem sua cabeça porque ele "ganhou" as eleições, querem a sua cabeça porque o PT e o seu governo moveram (ainda que levemente) o mandato formal obtido nas urnas para próximo das demandas da maioria da população, e atacou os interesses de quem lucrava com o "estado das coisas" em passado recente...

É preciso que os golpistas da direita digam à população o que realmente querem...

Também é preciso que Dilma e o PT digam realmente porque estão sob ameaça de golpes iminentes, desde 2002...

Sem esse esclarecimento, nossa Democracia permanecerá interditada...

sábado, 15 de agosto de 2015

Campos dos Goytacazes e as eleições de 2016: O que fazer?

Título de um livro de Lênin (Vladimir Ulianov), líder da Revolução Bochevique de 1917, esta é uma pergunta que Lênin sabia não haver resposta, pelo menos não uma do tipo pronta e acabada...

O que a torna memorável é a grandeza e o desprendimento de um líder que sabia que deveria perguntar: O que fazer?

Lênin estava diante de um dos vários enclaves que enfrentou na desconstrução de um país semi-feudal, monarquia absolutista e na construção do Estado Soviético, que se tornou uma das maiores potências militares, educacionais e econômicas do planeta, única que antagonizou o poderio estadunidense no pós-guerra (1945)...

Falem o que quiserem os coxinhas e delirantes de plantão, o que foi feito na ex-URSS não foi pouca coisa...para o bem, e para o mal...

Sem os 20 milhões de soviéticos mortos na investida nazista e no épico contra-ataque que se seguiu a Stalingrado, o festejado Dia D não teria acontecido, e provavelmente hoje, você estaria lendo este texto em alemão, ou pior, não estaria lendo...

Para a ex-URSS não houve perdão de dívidas, nem os bilhões de dólares dos planos de recuperação (como o Plano Marshall)...

Lênin, então, estava  (mais) certo ao perguntar, do que ao tentar responder...O que fazer?

Esta pergunta deveria estar no topo das preocupações dos "líderes da oposição" para 2016, aqui na planície goytacá...

Mas falta-lhes a visão e humildade para perguntar, e mais, falta-lhes a coragem para ouvir as respostas...

É comum ouvir por todos os lados a "sentença" definitiva que engessou a política e os sistemas representativos, a saber, sem dinheiro dos apoiadores não há candidatura viável...

Assim, cada grupo que disputa parte para a gincana, ou pior, para o leilão das almas, prometendo entregar a própria legitimidade conferida pelas urnas por uns trocados para tocar campanhas...

Não, não, não...não sou ingênuo a ponto de imaginar que o dinheiro capitalista permitiria que a vontade popular fosse expressa de forma livre nas urnas...Deixei de acreditar nisso mais ou menos quando descobri que papai noel não existe...

No entanto, parece que o fatalismo não é só fatalismo, mas antes uma escolha, que também é política: 

Dizer que nada poderá ser diferente implica em aceitar qualquer improviso como solução de nossos problemas, ou na adoção de soluções antigas, alimentando um círculo de iniquidade e inércia...

É preciso voltar a fazer política, conversar com a população, ir de casa em casa, de bairro em bairro, enfrentar a rejeição, como um bando de testemunhas de geová em manhã de domingo, restaurar a fé e a crença que apenas o debate, a disputa o enfrentamento de ideias e a apresentação das demandas permite a manutenção de nossa evolução institucional...

É preciso rejeitar os espaços de interlocução viciados, como os currais editoriais que apenas desejam algum lucro com o fomento a futrica e o diz-que-diz...

É preciso varrer os proxenetas de redação como se fossem os vendilhões do templo...

É preciso se aproximar das representações estudantis, arejar partidos, trazendo o frescor e a irresponsabilidade próprios da juventude, temperando riscos com a prudência dos mais velhos, fazendo o equilíbrio necessário para a manutenção do movimento...

É preciso rejeitar veementemente as "velhas novidades", os "falsos profetas", ainda que tenham a aparência do ineditismo, mas que carregam o DNA, os gestos e modos do arcaísmo patrimonialista das nossas elites safadas...precisamos desmascarar a coragem ensaiada deles...

É preciso conversar com a Academia, com os setores dos movimentos sociais, e deixar bem claro quais são os propósitos, reconquistando o combustível indispensável à mudança: 

Confiança...

E antes de querermos respostas para a pergunta, devemos saber, por que perguntamos...O que fazer? 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Campos dos Goytacazes, o cinismo atemporal e o "futuro" que já foi vendido e passado...

Um das principais fenômenos que resultaram do processo de industrialização dos meios de comunicação de massa, com a criação de grandes conglomerados de produção de conteúdo, foi a permanente ameaça aos pilares do Estado Democrático de Direito, muito embora os porcalistas, sabujos dos barões da mídia, gostem de acreditar que são portadores da missão de defender as liberdades democráticas...

Em algum oportunidade ou outra, isso até pode acontecer, quase que por acidente, mas o fato é que a atividade empresarial jornalística sempre soterrou a busca pela verdade, ora pela promiscuidade econômica com seus "anunciantes", ora pela partidarização extremada desses veículos, o que se tornou ainda mais aguda em tempo recentes...

Por esse motivo, países com maior densidade e maturação institucionais exercem forte regulação sobre empresas de mídia, enquanto qualquer debate sobre o tema por aqui é considerado sacrilégio ou heresia grave...

Não é exagero dizer que todo golpe à Democracia, teve a cumplicidade cachorra da mídia comercial, seja na Alemanha pré-Hitler, seja no Agosto de Vargas, na redentora de 64, em todos os países latinoamericanos, ou enfim, até na terra dos "campeões da Democracia", quando em 2001, a imprensa vergonhosamente aderiu ao projeto neomacartista dos falcões de bush jr & dick cheney, e solapou anos e anos de conquistas e liberdades, para jogar o país nas trevas medievais e em guerras sem fim pelo petróleo...

Em Campos dos Goytacazes não é diferente...

Tentando emplacar slogans para vocalizar anseios políticos que pretende sequestrar, parte da mídia comercial local tem a pretensão de apresentar-se como vanguarda na defesa dos interesses dos campistas...

Façamos justiça: Boa parte desse espaço é proporcionado pela indigência política dos que se dizem "oposição", que se comportam como viúvas ressentidas que foram preteridas na rapinagem dos restos de recursos dos royalties,  recursos estes que trataram da mesmíssima forma quando tiveram chance...

"Não existe futuro" para Campos dos Goytacazes enquanto tivermos "essa oposição" confinada no curral editorial dos que se se beneficiam com o modelo predador que vigora em Campos dos Goytacazes...

Esse modelo que nos legou cidades sem espaços públicos, na promiscuidade das verbas públicas (principalmente as "mesadas" para a "comunicação social") com os interesses privados,  no predomínio desses interesses sobre a coletividade, enfim, na realidade que nos torna uma das cidades mais ricas e mais socialmente injustas do país...

Imaginar que tudo isso é obra dos patetas da lapa e seu napoleão é cinismo demais...Eles são apenas um dos sintomas, pois a doença somos nós...

É tudo obra nossa, um amplo consenso transclassista, alimentado pelo pior tipo de individualismo...

Somos uma terra de idiotas presunçosos com a pior elite do mundo...

Só podemos superar essa (triste) etapa histórica com essa compreensão, e identificando claramente que um outro futuro é possível, desde que deixem os estas forças anacrônicas para trás...

Não há como conjugar estas forças e um futuro virtuoso para essa cidade...

domingo, 9 de agosto de 2015

Morphine - Sharks (Live)





E lembrem-se: Sharks patrol these water...

Cure for Pain The Mark Sandman Story





A história de Mark Sandman...Criatividade auto-destrutiva, afinal, não é disso que o mundo é feito?

Ahhhh, e saibam, there's NO cure for pain...ou pior, na verdade há...

Morphine, a trilha sonora do desespero...ou nas palavras do Mark (Sandman) neste filme: Low-Rock, ou Fuck-Rock...

O ponto de não retorno...

Que a corrpução é intrínseca a atividade econômica capitalista qualquer um já devia saber...O adágio popular não refresca a memória: "Dinheiro não leva desaforo para casa".

A submissão do poder político pela agenda econômica também não é dado novo...Todos os regimes democráticos representativos de verniz ocidental parecem padecer do mesmo mal: 

Desde os gregos, os italianos, portugueses, ingleses e os estadunidenses...Nenhum desses sistemas conseguiu sequer se aproximar de um modelo de gestão estatal (governo e parlamento)  que representasse proporcionalmente os interesses das classes distribuídas no estamento social...

Enquanto pais e alunos sangram em dívidas milionárias no sistema de financiamento estudantil estadunidense, bancos cevaram com trilhões de dólares carreados pelo Tesouro dos EUA para tapar o rombo subprime desde 2008...

Hoje o blog do Roberto Moraes traz uma entrevista do Dowbor (Ladislau) sobre este enclave aparentemente indissolúvel que se instalou em solo brasileiro...

Ontem, aqui em casa, conversávamos sobre os limites da ação do governo (Dilma) e dos desafios impostos pela agenda economicista e financista, os apetites internacionais sobre a última fonte de petróleo em região sem conflitos (Pré-Sal), a tecnologia detida pela Petrobrás, enfim, o amplo menu de razões que levam os EUA e a Europa a apostarem no enfraquecimento do Brasil, da região do Cone Sul e dos Brics...

Lendo o blog do Nassif, deparei-me com o texto que republicarei abaixo...Uma análise interessante, e eu já mencionei isso antes, e ontem, como eu disse, falei durante a conversa:

Pela primeira vez, e de forma sistemática, o conglomerado conservador atacou seus pares, ou seja, desmontou e trucidou grandes corporações, como Odebrecht, Queiroz e Galvão, etc...A próxima fronteira seriam os bancos?

Então, esse ataque autofágico, como descrito pelo autor abaixo, coloca em risco a própria lógica do capital, de se vender como um sistema virtuoso, onde os desvios (corrupção) devem ser considerados como exceções à regra, e não o contrário...

É claro que sabemos que a corrupção, a eliminação da concorrência, "a facilitação",  os trustes, cartéis, oligopólios são a tônica dos negócios...

Mas ideologicamente pega mal expor as entranhas, a ponto de suscitar a dúvida na população de que valha à pena manter-se sob o tacão capitalista, ou pior, de se entregar o capital ideológico popular a aventuras messiânicas...

Parece que o assédio imoral promovido pela mídia e pelas forças obscuras do psdb e dos porões evangélicos começou a alimentar um inédito senso de auto-preservação e sobrevivência, criando algo inédito no Brasil: 

Um sentimento nacionalista e corporativo dos representantes da elite, que percebem que estavam muito mais confortáveis no cenário de reformismo gradualista dilmo-lulista, que no cenário apocalipse cunha-neves...

Talvez estejamos bem perto do nosso dilema civilizatório, como os EUA em sua Guerra de Secessão...

Vamos ao texto:

Golpe não é para amadores!

Por R. D. Maestri
Vejo que alguns estão surpresos por fortes vozes das classes dominantes se levantarem contra o golpe que estava sendo tramado por uma série desarticulada de amadores. Por que de uma hora para outra FIESP, Fierj e agora diretores de bancos levantam suas vozes contra o golpe, simplesmente porque estas instituições têm analistas ou consultam pessoas com capacidade de prospecção de eventos futuros. E estas mentes pensantes deram seu veredito final, com estes amadores o golpe pode sofrer um contragolpe muito mais forte que o primeiro.
Vamos aos fatos, há bastante tempo se via a inviabilidade de com o cenário atual de articular forças diversas para desestabilizar o governo com um mínimo de coesão (vide Deem-me um estado de apoio que vos darei um golpe! de 03/03/2015), esta ausência de coesão mostravam uma tendência de rapidamente, antes do golpe se estabilizar e se institucionalizar, começar a luta interna entre fracções e estas lutas não contarem com o apoio decisivo e necessário das forças armadas para escolhendo uma delas, termos só um projeto de novo governo.
Este último e importante passo foi enterrado com a prisão do vice-almirante, vozes dispersas nas forças armadas que viam os últimos governos do PT como governos preocupados com o fortalecimento real dessas forças, ganharam força e numa contabilidade simples que é feita antes de qualquer enfrentamento quem estava contra o golpe sobrepujou os que estavam a favor, e este recado chegou até as coordenações das classes dominantes (vide Por que a direita descarta uma intervenção militar? de 24/03/2015).
Outro fator decisivo foi que junto à posição das forças armadas, começa a repercutir nos setores do capital uma sensação de perseguição do mesmo por considera-los naturalmente corruptos. Ou seja, a atividade econômica do grande capital, corrupto ou não, começou a ser considerado como intrinsicamente corrupta. Se estas acusações viessem de setores de esquerda que por convicção ideológica descreve a apropriação da mais valia como um roubo, não haveria surpresa nem ineditismo, mas esta luta ideológica secular já é conhecida e os mecanismos de domínio do capital conseguem até o momento contorna-la. Porém estão surgindo de setores que tradicionalmente apoiam o sistema, ações bem bruscas e intempestivas que começam a assustar.
A mistura de um messianismo evangélico com a demonização da atividade econômica com todos os seus méritos e falcatruas podem levar a uma combinação explosiva muito mais perigosa do que mera conservação ou mudança de mando no poder federal. O governo atual, limitado por sua falta de base legislativa, não tem condições de propor fortes rupturas institucionais, porém um novo lupem-evangelismo fragmentado, mas com tendências messiânicas, é algo extremamente perigoso para qualquer regime fracos ou mesmo forte. Isto é algo que começado o processo não se sabe para onde ele irá!
Um golpe neste momento não teria as mesmas características da deposição de Collor de Mello (veja Golpe não se adjetiva. de 18/11/2014), seria um golpe sem um programa pós-golpe estruturado e perfeitamente definido.
Se formos comparar a situação de 1964 com a atual ainda fica pior. Neste ano haviam conspiradores profissionais em todos os setores, o governador Magalhães Pinto que montara um ministério paralelo e foi até os USA falar pessoalmente com o Presidente Kennedy, o general Golbery do Couto e Silva que tanto organizou o ataque (1964) como a retirada (abertura política) tinha até o palhaço-tolo midiático, o Governador Carlos Lacerda, que de tão tolo pensou que um dia assumiria a presidência da república com o apoio dos militares.
Temos na oposição atual ao governo, figuras que variam do folclórico ao patético, Aécio Neves, Jair Bolsonaro, Eduardo Cunha e uma plêiade de ideólogos direitistas que alguns se situam próximo à demência (como ex-astrólogos que juram de pé junto que o Sol é que gira em torno da Terra e que Einstein é uma farsa).
Tendo como último reduto ao golpe uma revista em situação pré-falimentar, fica cada vez mais difícil imaginarmos que um golpe de qualquer tipo que seja possa vingar. Ou pior para os golpistas e seus anteriores admiradores, se vingar o contragolpe deverá ser muito mais forte e também imprevisível (vide O contragolpe será muito mais forte do que o golpe! de 06/08/2015), pois neste ponto as forças que promoverem este contragolpe estarão livres para radicalizar uma politica de esquerda no Brasil.

Chico Buarque - Gota d'água HD (Original)





A melodia da bipolaridade:



"(...)e qualquer desatenção, faça não...pode ser a gota d'água."

sábado, 1 de agosto de 2015

Bob Marley - Kaya 1978 ( Full album 432hz HD)





Esse álbum esteve proibido pela censura durante boa parte (ou toda) década de 70 do século 20...



Conheci por volta de 83, 84...



Desde então, nunca mais parei ouvir essas músicas para acalmar o espírito...