sexta-feira, 17 de julho de 2015

Os riscos gregos ou: A Democracia morta em seu berço.

Está gravado na História o fato de que os deslocamentos dos eixos centrais do poder capitalista têm força suficiente para provocar conflitos sangrentos de escala global...

Isso não isenta de responsabilidade histórica as intervenções do campo chamado socialista quando em atividade, como no Afeganistão, no sul da Ásia e na África...

Mas a natureza global do capitalismo, e principalmente sua incrível capacidade de mater-se longevo, apesar de sua finitude como sistema de organização da produção, é que dão dramaticidade universal destes conflitos entre nações, e pior, fermentam o surgimento de fenômenos políticos baseados na irracionalidade...justamente o que alimenta o choque nacionalista...

Foi assim com Hitler, e sua entourage...Foi assim com cada regime ditatorial implantado para resguardar os interesses capitalistas ao redor do planeta...Enquanto era uma solução germânica-doméstica para desintegrar forças democráticas e de esquerda, o mundo todo fingiu que não estava nem aí...

O pior foi quando o apetite cresceu...

Repete-se a tônica na Grécia...Claro que gregos não têm estrutura para construir uma potência militar, mas o seu pequeno exemplo pode contaminar outros forças em outros blocos de países...

A Alemanha e sua suposta prosperidade não são para sempre, até porque os EUA não têm grana para bancá-los por muito tempo...

O governo grego de orientação esquerdista herdou o legado do fracasso do mercado em seu país, e se apresentou como uma força capaz de mediar os conflitos, atuando de forma paralela ou na contra-mão das orientações econômicas ortodoxas, impostas pela Aleuromanha...

Renovou as esperanças mundiais, no campo progressista e democrático, de que seria possível resistir...

Encurralado, buscou uma saída popular direta, onde referendou-se a noção de que a Grécia não se ajoelharia...

Não vamos entrar aqui no debate enfadonho se é ou não possível resistir as "leis do mercado"...

Esse debate é falso...e esconde uma premissa anterior, ou mellhor, uma escolha anterior: Definir o quanto de sacrifício será dado a cada estrato da sociedade...Em outras palavras mais rudes: quem vai pagar o pato...

O resto é palhaçada e prestidigitação dos "especialistas de TV" e economistas de (merda) encomenda...

No entanto, a insistência do capital em ignorar os clamores populares, representados nos mandatos e no resultado dos referendos, abre espaço para alternativas grotescas e perigosas...

A desilusão popular de que suas alternativas não são consideradas, seja com o golpe economicista greco, seja com as tentativas de golpe no Brasil, por exemplo, trazem uma sensação de inutilidade das formas democráticas de resolução de conflitos, o que conhecemos mais largamente como Estado de Direitos...

Aí nascem as experiências totalitárias...

O flerte (inicial e recorrente) das forças econômicas com estas alternativas de ódio e de desconstrução da política já revelou seu potencial homicida, mas parece que a memória não é um traço caro à Humanidade...ou quando é, sempre se apresenta como seletiva...


5 comentários:

Anônimo disse...

Não bastasse a fúria legiferante do Congresso que destrói cláusulas pétreas da Constituição, procura constitucionalizar golpes de Estado, promover cultos religiosos em plenário e defender o “direito à homofobia”, ainda temos que discutir a censura à escola.

É disso que tratam os projetos de lei nº 867/2015 e nº 1.411/2015, de dois deputados do PSDB, ora em tramitação na Câmara Federal. Eles propõem a “escola sem partido” e criminalizam o que chamam de “assédio ideológico”. Naturalmente, os autores dos projetos não se consideram ideólogos.

Anônimo disse...

Tragédia da Grécia esconde os segredos para salvar os bancos privados. Revelar origem da dívida grega provocaria revolução financeira mundial.

A pressão realizada pelos credores europeus para que a Grécia aceitasse o acordo para um resgate financeiro foi, na verdade, uma tentativa de impedir que se conheçam as origens ilegais e ilegítimas da dívida, uma vez que isso provocaria uma revolução no sistema financeiro mundial.

Anônimo disse...

22 empresários de mídia e 7 jornalistas estão na lista do HSBC

Caro Christiano, aproveito a sua condição(“Caso queira comentar este mesmo conteúdo novamente, favor apresentar provas ou o link do processo a que se refere”), para lhe apresentar a fonte:

http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2015/03/14/22-empresarios-de-midia-e-7-jornalistas-estao-na-lista-do-hsbc/

Pelo menos 22 empresários do ramo jornalístico e seus parentes e 7 jornalistas estão na relação dos que mantinham contas na agência do HSBC em Genebra, na Suíça, em 2006/2007.

Os registros indicam que 14 contas já estavam encerradas em 2007, quando os dados vazaram no escândalo que ficou conhecido como SwissLeaks.

Todos os citados foram procurados. Parte negou irregularidades e alguns preferiram não comentar.

Ter uma conta bancária na Suíça ou em qualquer outro país não é ilegal, desde que seja declarada à Receita Federal.

Os titulares também devem informar ao Banco Central quando o saldo for superior a US$ 100 mil.

Entre os correntistas do HSBC na Suíça estão ou estiveram pessoas ligadas a algumas das maiores empresas de comunicação do país.

Lily de Carvalho, viúva de dois jornalistas e donos de jornais, Horácio de Carvalho (1908-1983) e Roberto Marinho (1904-2003), também, aparece na lista.

Horácio de Carvalho foi proprietário do extinto “Diário Carioca”. Roberto Marinho foi dono das Organizações Globo, hoje Grupo Globo, ao qual pertence “O Globo”.

O nome de Lily surge nos documentos com o sobrenome de Horácio, seu primeiro marido, e o representante legal da conta junto ao HSBC é a Fundação Horácio de Carvalho Jr. O saldo registrado em 2006/2007 era de US$ 750,2 mil. Lily morreu em 2011.

Na relação de correntistas do HSBC em Genebra também constam os nomes de proprietários do Grupo Folha, ao qual pertence o UOL.

Tiveram conta conjunta naquela instituição financeira os empresários Octavio Frias de Oliveira (1912-2007) e Carlos Caldeira Filho (1913-1993).

Luiz Frias (atual presidente da Folha e presidente/CEO do UOL) aparece como beneficiário da mesma conta. Criada em 1990, a conta foi encerrada oficialmente em 1998.

Em 2006/07, os arquivos do banco ainda mantinham os registros, mas a conta estava inativa e zerada.

Quatro integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também tinham contas no HSBC na época em que os arquivos foram obtidos.

Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad (1919-1999), da empresária Maria Helena Saad Barros (1928-1996) e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet.

http://imguol.com/blogs/52/files/2015/03/ArteMidia-donos.jpg

Anônimo disse...

Sei que o comentário é diferente do conteúdo do post. Mas, a julgar pelos "Control C" e "Control V" dos comentaristas que tenho visto em muitos posts, inclusive este, acho que não incomodarei tanto.
Na verdade é um pedido.
Gosto das suas análises da política local até porque você parece participar da vida política/partidária da cidade. Gostaria de uma análise sua sobre este movimento (orquestrado?) do PMDB em relação ao deputado Pudim. Alguns dizem que tudo pode ser um movimento com origens na Lapa. Mas como estas análises partem do jornal que eu mais desconfio, fico com o pé atrás...
Prefiro ler o que vc escreve...

abs

douglas da mata disse...

Em breve a receita para azedar pudim.