quinta-feira, 16 de julho de 2015

A ditadura ministerial, a monarquia judicial e a geni.

Alguns dias atrás, quando da decisão (atacada e derrubada) pelo afastamento de secretários municipais, escrevi dois textos, um chamado Tempos Estranhos, que desdobrou em Caudilhismo Ministerial...

Agora vem a notícia da interposição de Ação Civil Pública da seção local do MPF, em face de gestores locais e nacionais do sistema de saúde...

Repito o meu raciocínio daquele texto.

É grave o momento...

Muito mais grave que a falta ou ausência de recursos ou má gestão deles na saúde, ou em qualquer outra área dos serviços públicos... e por um motivo simples:

Não cabe a órgãos sem voto decidir e fiscalizar aquilo que é próprio dos sistemas representativos...

Ora, porra, se o povo escolhe governantes que mantêm o sistema público de saúde sub-financiado, parasitado por empresas privadas e prestadores privados (médicos) de saúde, que devoram bilhões e bilhões do SUS sob a forma de deduções fiscais e outros favores fiscais, quem é o MPF ou o Judiciário para substituir o mandato popular? Quem lhes delegou este poder? Em qual eleição?

Ora, se o povo mantém no poder representantes que concordam com o lobby da máfia de jaleco, que mantém pouquíssimas, disputadas e caras faculdades, apenas para formar uma casta de profissionais com reserva exlusivíssima de mercado, ganhado rios de dinheiro, ao invés de aumentar a oferta de profissionais para níveis, digamos, cubanos, por que deverá o MPF e o Judiciário pretenderem interferir na vontade popular?

Uai, se o povo mantém representantes que fingem não ver que um dos principais problemas da saúde é a industrialização/especialização da medicina, patrocinada pela máfia farmacêutica e dos equipamentos médicos, enquanto 60% dos problemas de atendimento  da rede primária se resolvem com uma simples consulta, ou seja, uma pequena sala com um médico, por que devemos aceitar a tutela autoritária de funcionários públicos sem voto?

Opa, se o povo não quer, através de seus eleitos, ver problemas na promiscuidade de interesses de médicos que são, ao mesmo tempo, gestores públicos e empregados ou proprietários de empresas de saúde, por que o MP(F) e/ou o Judiciário devem fazê-lo em nosso nome (do povo)?

Imagine um  Procurador da República que advoga para empresas...É mais ou menos o mesmo conflitos de um secretário ou gestor público de fundos de saúde que é filiado a uma cooperativa médica, ainda que não seja diretor dela, como é comum...

Enfm, se o povo finge não entender que o problema da saúde é FINANCIAMENTO, e mantém governantes que, dentre outras coisas, ignoram que devem cobrar o reembolso dos planos de saúde os atendimentos feitos na rede pública aos seus clientes, por que cargas d'água devemos judicializar questões que devem ser resolvidas com amadurecimento político e das instituições, e não com bravatas midiáticas?

Sim, porque ações como essa do MPF são, como aquela decisão que afastou os secretários, pura pirotecnia...

Como não atacam as causas do problema, teremos uma ACP a cada período...E a cada uma delas, mais longe da solução ficamos, precariamente satisfeitos com o paternalismo judicial que nos conforta...

Mas atacar causas de problemas é coisa perigosa...Tem gente que é mesmo muito perigosa, e eu entendo isso...

E em tempo, como ficou mesmo aquele caso da Chevron, o vazamento de óleo, e a suspeita de que o "acidente" se deu porque a Chevron andava "chupando", ou tentando chupar óleo de poços "vizinhos", comprando poços baratos (e secos) ao lado de poços do Pré-Sal?

Quanto mesmo foi a multa da empresa? Quantas merrecas?

Mas bater na política, na gestão pública e nos políticos é como bater na Geni...

Maldita Geni...


Para descarregar o ambiente, repetimos a piada:

Já virou piada: Um pastor de ovelhas estava cuidando de seu rebanho, quando surgiu pelo inóspito caminho uma Pajero 4×4 toda equipada.
Parou na frente do velhinho e desceu um cara de não mais que 30 anos, terno preto, camisa branca Hugo Boss, gravata italiana, sapatos moderníssimos bicolores, que disse:
– Senhor, se eu adivinhar quantas ovelhas o senhor tem, o senhor me dá uma?
– Sim, respondeu o velhinho meio desconfiado.
Então o cara volta pra Pajero, pega um notebook, se conecta, via celular, à internet, baixa uma base de dados, entra no site da NASA, identifica a área do rebanho por satélite, calcula a média histórica do tamanho de uma ovelha daquela raça, baixa uma tabela do Excel com execução de macros personalizadas, e depois de três horas, diz ao velho:
– O senhor tem 1.324 ovelhas, e quatro podem estar grávidas.
O velhinho admitiu que sim, estava certo, e como havia prometido, poderia levar a ovelha.
O cara pegou o bicho e carregou na sua Pajero.
Quando estava saindo, o velho perguntou:
– Desculpe, mas se eu adivinhar sua profissão, o senhor me devolve a ovelha?
Duvidando que acertasse, o cara concorda.
– O senhor é Promotor, diz o velhinho…
– Incrível! Como adivinhou?
– Quatro razões:
– Primeiro, pela frescura;
– Segundo, se meteu onde não devia;
– Terceiro, usou recursos, conhecimento e serviços de outros profissionais, para resolver um problema em benefício próprio.
– E quarto, nota-se que não entende merda nenhuma do que está falando: devolve já o meu cachorro!

4 comentários:

Anônimo disse...

Acho engraçado. Você parou de falar do cenário nacional. Dilma em baixa (bota baixa nisso), petrolão, recessão (e bota recessão nisso), redução do PIB, pedalada fiscal, inflação, José Dirceu pedindo pra não ser preso porque "não aguenta", delações premiadas mil, esquema de corrupção nunca antes visto nesse país...Tanto assunto e você se debruçando sobre os problemas municipais. O que houve? Desistiu de defender o indefensável, ou finalmente se curou da cegueira?

Anônimo disse...

Apelou até pro futebol, virou comentarista esportivo...kkkkkkkk. Já sei, é tudo invenção do PSDB, Fernando Henrique e sua grei, da direita, da imprensa tendenciosa e capitalista, de Chapeuzinho Vermelho, dos Incas Venuzianos... Mas Dilma e o PT estão limpos!

Anônimo disse...

Concordo que há excessos por parte do mp e do judiciário. Mas a própria constituição confere ao judiciário a tarefa de corrigir desvios de administradores públicos que extrapolam a legalidade e a legitimidade dos mandatos que lhes foram outorgados pelo sistema de representatividade. A judicialização dos fenômenos políticos, sociais e econômicos é sintoma de que algo mai mal também no sistema de representatividade. É a válvula de escape do sistema. O problema é que o resultado pode ser o mesmo de uma doença autoimune.

douglas da mata disse...

Ao comentarista das 16:23,

Uso e empresto as palavras e o sentido delas, ditas por Sepúlveda Pertence sobre o MP: "Criamos um monstro".

Não se trata de exceções ou exageros, é a estrutura do judiciário, que serve como esteio a noramtização do Estado que serve às elites, portanto, a judicialização dos fenômenos sociais e políticos é só a ponta do iceberg.

Não é à toa que temos 90% de presos pretos e pobres, e que um Daniel Dantas leve 48 horas para conseguir um hc, enquanto todos os demais apodrecem sem direitos.

Não houve, durante a Ditadura, um só juiz ou promotor cassado por defender os direitos humanos, ou o Estado de Direito, ao contrário, deram verniz legal ao autoritarismo.

A doença auto-imune já se instalou.

Dizer que o protagonismo é resultado da omissão representativa é como justificar a "autodefesa" que lincha e executa bandidos pé-de-chinelo usando como argumento as falhas do sistema penal.

Claro que há algo encravado e interditado no sistema democrático, mas usar órgãos anti-democráticos para solucionar esta crise é um assombro.

E se querem corrigir desvios, devem ir na causa central do problema, como disse no post, mas não, isso é perigoso demais.

Ao idiota das 16:08,

Filho, procure terapia, vai te fazer bem...hoje não tô muito a fim de curar sua carência.

Ao outro cretino:

Fiote, para falar as mesmas asneiras e manipulações sobre PT e Dilma você já tem a grobo e os porcalistas da mídia local e nacional.

Eu aceito falar de corrupção, mas com uma condição:

De todo mundo, inclusive as minhas e as suas, desde que você passe a assinar seu comentário, aí faremos uma enorme catarse nacional pela purgação de nossos pecados, desde a sua sonegação com recibos falsos de médicos na declaração anual do IRPF, passando pelos pequenos desvios, como os gatos na conta de luz da enorme casa de praia, a furada na fila do banco, a direção com a cara cheia de álcool, etc...

Aceito: Vamos todos expiar nossos pecados, aí poderemos falar de qualquer um.

Quanto à situação da conjuntura nacional, tanto política quanto econômica, Dilma e PT, esse blog tem material de sobra para você ler durante um ano, ops, desculpe, ler não deve ser muito a sua praia...