sexta-feira, 19 de junho de 2015

Planícies globais...

Sem incorrer nos exageros da Cosmologia, onde um farfalhar de borboletas nas Montanhas Rochosas pode desencadear um furacão nas Filipinas, vale a "brincadeira" de tentar olhar os assuntos com mais atenção, e por que não, fazer as relações necessárias...

Observe como cada episódio traz em si ingredientes que os relacionam...

Vamos por partes, em cada parte do mundo:




Guerras santas...santo petróleo...

Só idiotas acreditam que é (apenas) a religião ou os choques culturais que movem as placas tectônicas da geopolítica no Oriente Médio...É grana, fiote, petróleo...Foi assim com as mentiras descaradas da quadrilha dos Bush (Pai & filhos), amplificadas pelo esforço de guerra midiático ao redor do mundo, incluindo aqui nossa subserviente mídia nacional e local...

Claro que espetáculos de carnificina e degolas públicas virtuais dão certo drama civilizatório, mas o negócio é descobrir que mistura de instabilidade por resultar em mais e mais lucros e poder...

Fracassaram na Suíça as tentativas de um acordo de paz entre os Houthi e o governo exilado do Yemen, apoiado por Arábia Saudita, estes últimos movidos pelos EUA e resto do mundo ocidental...

Diz a lenda que muçulmanos e cristãos deveriam se odiar...Nem tanto, os mais fundamentalistas muçulmanos do planeta, os sauditas (que cortam mãos de ladrões e apedrejam mulheres nas ruas), se aliam aos EUA, e ora brigam com o Talebã, ora consideram seu apoio para intervenções como na Síria e Líbia...

Leia mais sobre o tema na Al Jazeera...





O ovo, o ninho e o veneno da serpente...Entre Charlies e Charleston...

Uma pergunta tem sido feita por alguns veículos de mídia ao redor do mundo, após o massacre de Charleston, onde 09 pessoas negras foram mortas por serem,,,negras...Por que os EUA e a mídia comercial de lá (e do resto do mundo, que macaqueia seus gestos) não chama de terrorismo os atos de ódio praticados por brancos extremistas contra negros?

Esta questão foi levantada pela colunista Jessica Valenti, no The Guardian, e pelo francês Liberation, a partir de um texto da professora de religiões e estudos africanos, Anthea Butler, publicado originalmente no Washington Post...

Elas concordam que isolar o acontecimento como um espasmo de loucura de um garoto ("whacked-out kid", como chamou a pré-candidata republicanaà Presidência, Lindsey Graham) é garantir que a sociedade estadunidense (a matriz da conceituação moderna para "terror") siga escolhendo quais eventos merecem tal clivagem e legitimação. 
Por óbvio, ainda que o crime (os crimes) de ódio contenham todos os elementos clássicos de atos de terror (vítimas aleatórias, definidas ou não por um campo de afinidade, quantidade de vítimas, conteúdo do discurso dos agentes, etc), é preciso evitar, a todo custo, que se diga que o racismo se confunde com o terrorismo...

Os motivos são óbvios...Somos todos Charlie (Hebdo), mas não somos todos Charleston...





Homofobia cristã implacável...

Nos EUA, na cidade de Baltimore, a mais populosa do Estado de Maryland, a moradora da Kenwood Avenue, 4900, foi assediada por seus vizinhos cristãos, que reclamaram que o quintal dela estava se tornado "implacavemente gay"....

A notícia você pode ler aqui, no The Independent...

Julien Baker, 47, viúva, bissexual e mãe de quatro filhos publicou uma página na internet, e criou um crowd funding para arrecadar dinheiro para tornar seu quintal ainda mais colorido (arco-íris)...

As ameaças vieram em uma nota anônina jogada em seu quintal, assinada por uma "dona de casa preocupada"...

O conteúdo:

“Dear Resident of 4900 Kenwood Ave., Your yard is becoming Relentlessly Gay! Myself and Others in the neighborhood ask that you Tone It Down. This is a Christian area and there are Children. Keep it up and I will be Forced to call the Police on You! Your kind need to have respect for GOD.” 
Livre tradução: (Querida moradora do 4900, Avenida Kenwood., Seu jardim está se tornando implacavelmente gay! Eu e outras nestas vizinhança pedimos que pare. Esta é uma área cristã e existem crianças aqui. Continue e seremos obrigadas a chamar a polícia! Você precisa respeitar DEUS.")




Reflexões:

O que temos aqui é resultado de um complexo emaranhado ideológio a serviço da fragmentação de toda e qualquer tentativa de resolução dos conflitos humanos pela via política...

A disseminação de ódio e a manipulação dos sentimentos de intolerância como álibis para intervenções ou "ataques defensivos", o não reconhecimento do outro e de suas escolhas para impor normas de aspecto privado (moral religiosa) a coletividade, em suma, o que eu chamo de racionalização da irracionalidade tem servido como plataforma para azeitar a máquina de reciclagem dos capitais e seus fluxos...

Não se trata de determinar se a Economia é causa ou efeito...Isso é impossível e desnecessário...Política e Economia se relacionam reciprocamente, e sem hierarquias, ou melhor, ainda que haja uma preponderância de uma estrutura sobre a outra, este processo de escolha também é político...

O sucesso capitalista se alimenta do ódio e vice-versa...

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