sexta-feira, 26 de junho de 2015

O velho e o mar...

Não, Neivaldo nem era tão velho assim...

Mas a liberdade que alimentava seu espírito sim, tornava-o o mais velho entre os homens, o mais ancestral dentre nós...

Claro que você poderá criticar ou julgar o estilo que Neivaldo viveu, caso o tenha conhecido, mas não poderá negar que, em algum momento, desses raros que você fala a verdade para si mesmo, você invejou o velho Neivaldo...

Conheci Neivaldo no fim da década de 80...Um cara estereotipado como "maluco"...Um petista porra-louca...

Pois é, estereótipos e rótulos são uma desgraça...Às vezes belas embalagens escondem péssimas pessoas, enquanto estranhamentos estéticos ou preconceituosos nos afastam de pessoas interessantes...

Não privei de sua intimidade, mas sempre fui atingido pelo seu bom-humor, de palavras de otimismo, ainda que injustificados...

Eu diria que Neivaldo era uma dessas pessoas maravilhosamente inofensivas, ou melhor, perigosamente infofensivas, porque despertam em nós um desejo de sermos diferentes, previsíveis que somos...de termos coragem de ser quem gostaríamos...

Foi assim que me senti quando reencontrei Neivaldo às margens do Paraíba do Sul, no bar do Ricardinho...faz duas semanas, não muito mais...

Falou-me de suas últimas e sensacionais novas empreitadas, sua residência em uma das ilhas do delta do Paraíba, o barco, os passeios, enfim, foi o Neivaldo de sempre...

Também encontrei Vítor Menezes, e comemoramos aquele (re)encontro de dinossauros esquecidos, enterrados pelas camadas do tempo e da História...

Vítor fez uma foto ("selfie") de nós três juntos, que epigrafou de histórica...

Pois é...de fato era...

E se os índios têm razão em rejeitar fotografias por medo de que suas almas sejam capturadas, torço para que a lenda seja verdade, e que parte da alegria dele tenha ficado naquela foto...


2 comentários:

Anônimo disse...

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!(Oswaldo Montenegro)

Caro Douglas, também conheci o Neivaldo "no fim da década de 80", uma pessoa ímpar, você escreveu bem: "despertam em nós um desejo de sermos diferentes, previsíveis que somos...de termos coragem de ser quem gostaríamos...".
Trata de uma pessoa querida por todos, pois ele é aquilo que gostaríamos de ser e não fomos: livres.

Assim que você pude, dê uma olhada:
https://vimeo.com/112626174

douglas da mata disse...

Neivaldo é o nosso Gentileza...

Com uma percepção rara (e própria) de que vive sua "imediaticidade" com consciência dele.

"Eu me afogo no Paraíba..."

"Enquanto o garrutio fala o lamparão cala..."

"Toda minha existência foi pelo encantamento..."


Muito bom o vídeo...muito bom...

Emocionante e comovente loucura...Sanidade estupefaciante...

"Para amar é preciso conhecimento..."