sexta-feira, 12 de junho de 2015

Mamãe eu quero mamar...

Que o Carnaval deixou de ser uma (nem tão) inocente brincadeira e folguedo de rua há muito tempo não é novidade para ninguém...

E não se trata de reivindicar "purismos estéticos", muito comuns nos "descolados", "cults" e "cools", que vivem em busca do santo graal da tradição primitiva de todas as manifestações culturais...Não é nada disso...

Tradição em cultura, como diz o significado do termo é entrega, ou seja, dar a nova geração para que ela crie, modifique e crie sua própria linguagem sobre o que recebeu...Ou mantenha tudo como está...

Coincidência ou não, desde que se tornou lucrativo negócio, o Carnaval fez a festa de emissoras de TV, lavou dinheiro de bicheiros e outros criminosos, aliou-se a projetos de poder, sempre colocando os foliões e seu bem estar de lado...

Na Bahia a indústria de trios segregou boa parte da população em nomenclaturas como "pipocas", "cordas", "camarotes", "vips" e etc...

No RJ, o SAMBA S/A reuniu improváveis parceiros: Veja que uma das secretarias (mais) envolvidas no evento é a de Segurança, cuidando dos herdeiros de Capitão Guimarães, Miro, Castor e etc...

Bah!!! Sem hipocrisia, sabemos que a relação bicho e polícia vem desde o Barão (João Batista Viana) Drummond...

O problema é que durante o ano todo as corregedorias degolam policiais que se "associam" aos mafiosos bicheiros, mas durante o Carnaval obrigam esses policiais a trabalhar (de graça) para o espetáculo privado, e os criminosos viram empresários, produtores culturais ou empreendedores dos jogos eletrônicos...Tudo com as bençãos da Rede Globo...

Piada...

Em Campos dos Goytacazes as coisas não avançaram tanto assim, e ao invés de uma indústria, o Carnaval estancou em seu estágio primitivo, pela pior acepção que esta palavra pode ter...

Famélicos e ajoelhados em frente ao poder público, suplicam um din-din, como na marchinha "Me dá um dinheiro aí"...

Eu não refuto a ideia de que manifestações culturais recebem apoio ou subvenção do poder público...nada disso...

Porém, nesta cidade, tudo o que se fez foi jogar dinheiro fora (ou será que em outro lugar)...

Um espetáculo de horror assistir a um desfile daquilo que se auto-denominam "escolas", "blocos" e "bois"...

Por coincidência (ou não), justamente com os rios de dinheiro dos royalties é que o Carnaval da cidade se tornou ainda pior...

Na década de 60, 70 ou até o final de 80, do século passado, os desfiles ainda mobilizavam parte considerável da sociedade local...e não havia tanta grana...ou pelo menos, não de natureza pública...

Se o baculejo de Momo tiver que renascer, que seja...E se merecer o apoio do Erário, tudo bem, desde que seguidas as regras de probidade no uso dos recursos (o que NUNCA foi obedecido)...

Não dá é para subsidiar o rastejar deste corpo insepulto que chamam de desfiles de Carnaval...

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