domingo, 31 de maio de 2015

Quem vai puxar a tomada?

Não é um texto fácil este do Wilson Ferreira...Recomenda-se comedimento...Mas hipóteses são...hipóteses, até que sejam provadas...

A fascinação pela ideia de uma criação extrínseca à nossa, um começo cujo andamento não dependa de forças que conheçamos e/ou controlemos, de certa forma, forjou boa parte do mundo que conhecemos, com o advento das superstições religiosas...

Eu, a meu modo, desde algum tempo, deixei de me preocupar com isso, depois que respondi a uma pergunta que me era inédita até então: Descobrir se o mundo foi criado por um velho sádico (deus), ou se tudo foi um grande acaso (Big-Bang) vai fazer algum diferença para mim? Não...

Então, tanto faz quem vai puxar a tomada e desligar esta merda toda...

Pesquisadores da NASA e Oxford acreditam que Universo é um game de computador


Sempre ouvimos dizer que “a vida é um jogo”. Mas e se essa frase for mais do que uma metáfora e nesse exato momento estivermos todos nós vivendo em um jogo desenhado por alguém que está em algum ponto num futuro distante? Tão velha quanto a história humana, a ideia gnóstica de que a realidade é uma ilusão retorna através das leis da Inteligência Artificial e a evolução dos games de computador: Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, e Richard Terrile, da NASA, apontam para evidências de que o Universo seria uma gigantesca simulação de um game de computador cósmico e que o salto qualitativo na capacidade dos nossos computadores nos permitiria repetir a experiência da simulação de mundos, assim como o nosso. Tal hipótese explicaria inconsistências e mistérios que cercam o nosso cosmos, como, por exemplo, a natureza da “matéria escura”. Ciência e gnosticismo mais uma vez se encontram, dessa vez no fascínio atual pelos games de computador. Pauta sugerida pelo nosso leitor André De Paula Eduardo.

De acordo com as teorias de dois pesquisadores também distantes no tempo e espaço, um acadêmico de Oxford (Inglaterra) e um cientista da NASA (EUA), haveria uma certeza matemática que estamos imersos em uma simulação intrincada criada por seres (aliens ou mesmo seres humanos) que existem em algum lugar distante no futuro a partir de 30 anos até cinco milhões de anos. Seríamos como um passa-tempo desses futuros seres, a sua versão de um roler-playing como um World of Warcraft.

Uma ideia alucinante com o velho toque da cosmologia gnóstica da antiguidade (o homem como prisioneiro em um cosmos criado por um demiurgo enlouquecido que se diz Deus), mas em suas defesas esses pesquisadores argumentam que a hipótese não é mais rebuscada do que acreditarmos na religião que nos diz que Deus criou as terras e os céu. Ou de que tudo surgiu de uma enorme explosão que começou a esticar o tecido do espaço como um balão, formando trilhões de galáxias e, por pura sorte, surgiu o ser humano, como nos informa a teoria do Big Bang.

Nick Bostrom
              Estamos falando do “argumento da simulação”, hipótese proposta em 2003 por Nick Bostrom, filósofo da Universidade de Oxford e diretor do Future of Humanity Institute. E de Richard Terrile, diretor do Centro de Computação e Design de Automação do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que em 2012 propôs, baseado na chamada “Lei de Moore”, a teoria de que o Universo poderia ser uma avançada e metafísica versão de um game de computador como o The Sims.

As ideias do filósofo Bostrom já são conhecidas por esse blog (clique aqui para maiores detalhes): basicamente, sua hipótese baseia-se no conceito da consciência como “substrato independente” – os estados mentais não se restringem apenas a animais ou humanos. A consciência (inteligente e senciente) poderia residir tanto num cérebro orgânico, de silício ou magnético. Poderíamos afirmar que a essência continua a mesma, o que modificaria seria o veículo de manifestação. Se ele estiver certo, um poderoso computador extraordinariamente complexo poderia alcançar esse estado de consciência.

               Um estado de consciência que permitiria chegar ao ponto onde entidades digitais viveriam em um mundo simulado, num game, como se estivessem em seu próprio mundo real, sencientes e autônomos.

Richard Terrile da NASA e a "Lei de Moore"

Lei de Moore e o Universo simulado


Nesse ponto a hipótese de Bostrom se completa com a do pesquisador da NASA Rich Terrile: “Se fizermos um simples cálculo usando a Lei de Moore [que sustenta que os computadores duplicam sua capacidade a cada dois anos] você encontrará esses supercomputadores, dentro de uma década, com a habilidade de computar completamente 80 anos da vida de alguém, incluindo cada pensamento, num espaço de um mês”, afirmou Terrile em entrevista para a Vice Magazine.

E Terrile continua:
“Nesse momento, os computadores da NASA conseguem alcançar o dobro da velocidade de um cérebro humano. (...) Se a cada seis a oito anos temos um novo PlayStation, teríamos em 30 anos um PlayStation 7 capaz de calcular 10.000 vidas humanas simultaneamente em tempo real. Há quantos PlayStations em todo o mundo? Mais de 100 milhões certamente. Então pense em 100 milhões de consoles, cada um contendo 10 mil seres humanos. Conceitualmente, isso significa que poderíamos ter mais seres humanos vivendo em PlayStations do que humanos vivendo sobre a Terra hoje”.
Para Terrile o mundo natural se comporta de forma análoga aos games de computadores. Assim como na mecânica quântica onde as partículas só possuem um estado definido somente quando são observadas, da mesma forma no game Grand Theft Auto 4 nos vemos em Liberty City apenas o que precisamos vê-lo, abreviando todo o jogo para o universo do console. Mas Terrile fez o cálculo de quão grande é a cidade, verificando que é um milhão de vezes maior do que o PlayStation 3.

Tempo e espaço pixelados


Para o pesquisador da NASA, isso explicaria o porquê de relatos de cientistas observando pixels nas mais ínfimas imagens microscópicas: “O Universo também tem o tempo, espaço, volume e energia pixelado. Existe uma unidade final que não pode ser quebrada em outra unidade ainda menor, o que significa que o Universo é feito de um número finito dessas unidades. Se o Universo é finito, então pode ser computável. E se ele se comporta de forma finita somente quando é observado? Então a questão é: ele está sendo calculado?”.

                  A ideia de que o nosso próprio Universo seja um game de computador alienígena ou de alguém no futuro resolveria alguns mistérios ou inconsistências que cercam o cosmos.

Mais seres humanos vivendo em PlayStations do que na Terra?
A primeira seria o chamado “Paradoxo de Fermi”, proposto pelo físico Enrico Fermi (o primeiro a controlar a reação nuclear) na década de 1960, que expõe uma contradição entre a aparentemente grande possibilidade de existir civilizações extraterrestres com o nosso crescente conhecimento sobre o Universo e a ausência de contatos ou evidências de vida alienígena.

“Onde está todo mundo?”, perguntou certa vez Fermi. A hipótese de Terrile demonstraria que na verdade a Terra e a espécie humana seriam os verdadeiros centros do Universo, os protagonistas solitários de um game cósmico.

A “Matéria Escura” é a grade da simulação?

Também a ideia do Universo virtual poderia explicar o mistério da chamada “Matéria Escura”, hipótese criada para a Física explicar uma série de anomalias em partículas e forças.

O chamado “Modelo Padrão” da Física atual conta-nos que há 17 partículas fundamentais que estruturam a matéria. Mesmo com a descoberta da “partícula de Deus” (o bóson de Higgs) entre essas 17 partículas, ainda esse Modelo Padrão continua sem conseguir explicar propriedades desconcertantes do Universo – incluindo o fato que o Universo se expande a uma velocidade cada vez maior.

A Matéria Escura seria como uma grade que uniria toda a matéria visível. Se fosse comprovada sua existência, explicaria totalmente as forças gravitacionais e porque as galáxias giram em alta velocidade. E nas hipóteses de Bostrom e Terrile, a grade sobre a qual se estruturaria esse game computacional cósmico.

                 A Matéria escura seria a estrutura mais básica do mundo real, a grade sobre a qual alguém de fora da simulação calcularia e implementaria mundos virtuais.



O"zeitgeist" gnóstico dos games


Mas o filósofo e professor de ciência computacional de Oxford, Peter Millican, contesta essa hipótese: “Se o mundo é uma simulação, então por que as super-mentes que estão do lado de fora da simulação poderiam implementar os mesmo métodos e pensamentos como os nossos? Não podemos concluir que a estrutura em grade do Universo é uma evidência. Por que super-mentes construiriam um game cósmico de forma semelhante à maneira como estruturamos nossos games de computadores?”.

Mas ironicamente a crítica de Millican chama a atenção para o núcleo gnóstico que dá força e fascínio para as ideias de Bostrom e Terrile, uma mitologia que já foi o zeitgeist de filmes como Matrix e O Décimo Terceiro Andar: a antiga cosmologia gnóstica que via o Universo como mundos dentro de mundos – o professor gnóstico Basilides (que viveu entre 117 e 138 DC) defendia que o Universo era composto por 365 “céus”, onde um plano desconheceria a existência do outro.

Terrile acredita que sua hipótese é “inspiradora”: “estamos à beira de nos tornarmos capazes de criar um universo simulado, e ao mesmo tempo vivendo dentro de uma simulação, a qual seus criadores poderiam estar em outra simulação. O que me intriga é que se há um criador, poderemos ser também nós. Isso significa que somos ao mesmo tempo Deus e servos de Deus. E isso é inspirador”.

Na antiguidade a Alquimia foi uma forma do homem galgar os degraus que o fariam retornar às suas origens divinas – através da manipulação dos estados alquímicos da matéria, repetir o processo de criação divina a partir do caos primordial (nigredo) até alcançar rubedo, onde o microcosmo encontra a conexão com o macrocosmo. 

               Será que o nosso atual fascínio pelos games do computador esconderia esse núcleo mítico que vê o homem ao mesmo tempo como Deus e servo? Estaríamos tentando, através de jogos em mundo simulados, repetir o mesmo sopro divino de vida que os donos da nosso universo simulado nos proporcionaram? Assim como eles próprios são servos dos deuses do seu próprio universo simulado? Qual foi o primeiro criador que emergiu do caos primordial do Big Bang e construiu a primeira simulação?

2 comentários:

Anônimo disse...

Interessante, um tipo de engenharia reversa na megalomania ocidental, prima-irmã da mania de pequenez, nos delírios de Frankenstein, no antropomorfismo dos deuses, criados pelo homem à nossa imagem e semelhança. E isso passados 500 anos de Copérnico, 400 de Galileu! Tal reforço ao individualismo liberal só podia vir da NASA ou Oxford, mesmo, legados do imperialismo romano.

Anônimo disse...

Da Matta, elocubremos um pouco. Serei célere.
"Olhei bem para o que estava acontecendo e vi 4 rodas, uma ao lado de cada querubim.As rodas brilhavam e pareciam pedras preciosas. Eram todas iguais: dentro de cada uma delas havia uma segunda roda. Eu vi que elas podiam se movimentar em qualquer direção, sem precisar fazer curvas ou voltas. Andavam sempre juntas, e os seus aros estavam cheios de olhos em redor. Havia olhos espalhados por todo o corpo dos querubins que ficavam acima das rodas: nas costas, nas asas e nas mãos. Quanto às rodas, ouvi que eram chamadas de giratórias. Cada querubim tinha quatro rostos- o primeiro era rosto de boi, o segundo de homem, o terceiro de leão, o quarto de águia.
Os querubins eram exatamente as mesmas criaturas que eu tinha visto um ano antes às margens do canal de Quebar. Então eles se elevaram. Quando esses querubins se moviam, as rodas se moviam com eles, subindo e descendo.Quando eles abriam as asas e voavam, as rodas também iam com eles. Quando os querubins paravam, as rodas paravam também; quando subiam, as rodas subiam junto com eles, porque o espírito dos seres vivos estava nas rodas."

Cara, isso está registrado numa época que não havia NASA, não haviam ETs, e nem especulações científicas.

Tá aí...até hoje sendo lido. De registros históricos que nem poderíamos dizer"supostos".