domingo, 31 de maio de 2015

Quem vai puxar a tomada?

Não é um texto fácil este do Wilson Ferreira...Recomenda-se comedimento...Mas hipóteses são...hipóteses, até que sejam provadas...

A fascinação pela ideia de uma criação extrínseca à nossa, um começo cujo andamento não dependa de forças que conheçamos e/ou controlemos, de certa forma, forjou boa parte do mundo que conhecemos, com o advento das superstições religiosas...

Eu, a meu modo, desde algum tempo, deixei de me preocupar com isso, depois que respondi a uma pergunta que me era inédita até então: Descobrir se o mundo foi criado por um velho sádico (deus), ou se tudo foi um grande acaso (Big-Bang) vai fazer algum diferença para mim? Não...

Então, tanto faz quem vai puxar a tomada e desligar esta merda toda...

Pesquisadores da NASA e Oxford acreditam que Universo é um game de computador


Sempre ouvimos dizer que “a vida é um jogo”. Mas e se essa frase for mais do que uma metáfora e nesse exato momento estivermos todos nós vivendo em um jogo desenhado por alguém que está em algum ponto num futuro distante? Tão velha quanto a história humana, a ideia gnóstica de que a realidade é uma ilusão retorna através das leis da Inteligência Artificial e a evolução dos games de computador: Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, e Richard Terrile, da NASA, apontam para evidências de que o Universo seria uma gigantesca simulação de um game de computador cósmico e que o salto qualitativo na capacidade dos nossos computadores nos permitiria repetir a experiência da simulação de mundos, assim como o nosso. Tal hipótese explicaria inconsistências e mistérios que cercam o nosso cosmos, como, por exemplo, a natureza da “matéria escura”. Ciência e gnosticismo mais uma vez se encontram, dessa vez no fascínio atual pelos games de computador. Pauta sugerida pelo nosso leitor André De Paula Eduardo.

De acordo com as teorias de dois pesquisadores também distantes no tempo e espaço, um acadêmico de Oxford (Inglaterra) e um cientista da NASA (EUA), haveria uma certeza matemática que estamos imersos em uma simulação intrincada criada por seres (aliens ou mesmo seres humanos) que existem em algum lugar distante no futuro a partir de 30 anos até cinco milhões de anos. Seríamos como um passa-tempo desses futuros seres, a sua versão de um roler-playing como um World of Warcraft.

Uma ideia alucinante com o velho toque da cosmologia gnóstica da antiguidade (o homem como prisioneiro em um cosmos criado por um demiurgo enlouquecido que se diz Deus), mas em suas defesas esses pesquisadores argumentam que a hipótese não é mais rebuscada do que acreditarmos na religião que nos diz que Deus criou as terras e os céu. Ou de que tudo surgiu de uma enorme explosão que começou a esticar o tecido do espaço como um balão, formando trilhões de galáxias e, por pura sorte, surgiu o ser humano, como nos informa a teoria do Big Bang.

Nick Bostrom
              Estamos falando do “argumento da simulação”, hipótese proposta em 2003 por Nick Bostrom, filósofo da Universidade de Oxford e diretor do Future of Humanity Institute. E de Richard Terrile, diretor do Centro de Computação e Design de Automação do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que em 2012 propôs, baseado na chamada “Lei de Moore”, a teoria de que o Universo poderia ser uma avançada e metafísica versão de um game de computador como o The Sims.

As ideias do filósofo Bostrom já são conhecidas por esse blog (clique aqui para maiores detalhes): basicamente, sua hipótese baseia-se no conceito da consciência como “substrato independente” – os estados mentais não se restringem apenas a animais ou humanos. A consciência (inteligente e senciente) poderia residir tanto num cérebro orgânico, de silício ou magnético. Poderíamos afirmar que a essência continua a mesma, o que modificaria seria o veículo de manifestação. Se ele estiver certo, um poderoso computador extraordinariamente complexo poderia alcançar esse estado de consciência.

               Um estado de consciência que permitiria chegar ao ponto onde entidades digitais viveriam em um mundo simulado, num game, como se estivessem em seu próprio mundo real, sencientes e autônomos.

Richard Terrile da NASA e a "Lei de Moore"

Lei de Moore e o Universo simulado


Nesse ponto a hipótese de Bostrom se completa com a do pesquisador da NASA Rich Terrile: “Se fizermos um simples cálculo usando a Lei de Moore [que sustenta que os computadores duplicam sua capacidade a cada dois anos] você encontrará esses supercomputadores, dentro de uma década, com a habilidade de computar completamente 80 anos da vida de alguém, incluindo cada pensamento, num espaço de um mês”, afirmou Terrile em entrevista para a Vice Magazine.

E Terrile continua:
“Nesse momento, os computadores da NASA conseguem alcançar o dobro da velocidade de um cérebro humano. (...) Se a cada seis a oito anos temos um novo PlayStation, teríamos em 30 anos um PlayStation 7 capaz de calcular 10.000 vidas humanas simultaneamente em tempo real. Há quantos PlayStations em todo o mundo? Mais de 100 milhões certamente. Então pense em 100 milhões de consoles, cada um contendo 10 mil seres humanos. Conceitualmente, isso significa que poderíamos ter mais seres humanos vivendo em PlayStations do que humanos vivendo sobre a Terra hoje”.
Para Terrile o mundo natural se comporta de forma análoga aos games de computadores. Assim como na mecânica quântica onde as partículas só possuem um estado definido somente quando são observadas, da mesma forma no game Grand Theft Auto 4 nos vemos em Liberty City apenas o que precisamos vê-lo, abreviando todo o jogo para o universo do console. Mas Terrile fez o cálculo de quão grande é a cidade, verificando que é um milhão de vezes maior do que o PlayStation 3.

Tempo e espaço pixelados


Para o pesquisador da NASA, isso explicaria o porquê de relatos de cientistas observando pixels nas mais ínfimas imagens microscópicas: “O Universo também tem o tempo, espaço, volume e energia pixelado. Existe uma unidade final que não pode ser quebrada em outra unidade ainda menor, o que significa que o Universo é feito de um número finito dessas unidades. Se o Universo é finito, então pode ser computável. E se ele se comporta de forma finita somente quando é observado? Então a questão é: ele está sendo calculado?”.

                  A ideia de que o nosso próprio Universo seja um game de computador alienígena ou de alguém no futuro resolveria alguns mistérios ou inconsistências que cercam o cosmos.

Mais seres humanos vivendo em PlayStations do que na Terra?
A primeira seria o chamado “Paradoxo de Fermi”, proposto pelo físico Enrico Fermi (o primeiro a controlar a reação nuclear) na década de 1960, que expõe uma contradição entre a aparentemente grande possibilidade de existir civilizações extraterrestres com o nosso crescente conhecimento sobre o Universo e a ausência de contatos ou evidências de vida alienígena.

“Onde está todo mundo?”, perguntou certa vez Fermi. A hipótese de Terrile demonstraria que na verdade a Terra e a espécie humana seriam os verdadeiros centros do Universo, os protagonistas solitários de um game cósmico.

A “Matéria Escura” é a grade da simulação?

Também a ideia do Universo virtual poderia explicar o mistério da chamada “Matéria Escura”, hipótese criada para a Física explicar uma série de anomalias em partículas e forças.

O chamado “Modelo Padrão” da Física atual conta-nos que há 17 partículas fundamentais que estruturam a matéria. Mesmo com a descoberta da “partícula de Deus” (o bóson de Higgs) entre essas 17 partículas, ainda esse Modelo Padrão continua sem conseguir explicar propriedades desconcertantes do Universo – incluindo o fato que o Universo se expande a uma velocidade cada vez maior.

A Matéria Escura seria como uma grade que uniria toda a matéria visível. Se fosse comprovada sua existência, explicaria totalmente as forças gravitacionais e porque as galáxias giram em alta velocidade. E nas hipóteses de Bostrom e Terrile, a grade sobre a qual se estruturaria esse game computacional cósmico.

                 A Matéria escura seria a estrutura mais básica do mundo real, a grade sobre a qual alguém de fora da simulação calcularia e implementaria mundos virtuais.



O"zeitgeist" gnóstico dos games


Mas o filósofo e professor de ciência computacional de Oxford, Peter Millican, contesta essa hipótese: “Se o mundo é uma simulação, então por que as super-mentes que estão do lado de fora da simulação poderiam implementar os mesmo métodos e pensamentos como os nossos? Não podemos concluir que a estrutura em grade do Universo é uma evidência. Por que super-mentes construiriam um game cósmico de forma semelhante à maneira como estruturamos nossos games de computadores?”.

Mas ironicamente a crítica de Millican chama a atenção para o núcleo gnóstico que dá força e fascínio para as ideias de Bostrom e Terrile, uma mitologia que já foi o zeitgeist de filmes como Matrix e O Décimo Terceiro Andar: a antiga cosmologia gnóstica que via o Universo como mundos dentro de mundos – o professor gnóstico Basilides (que viveu entre 117 e 138 DC) defendia que o Universo era composto por 365 “céus”, onde um plano desconheceria a existência do outro.

Terrile acredita que sua hipótese é “inspiradora”: “estamos à beira de nos tornarmos capazes de criar um universo simulado, e ao mesmo tempo vivendo dentro de uma simulação, a qual seus criadores poderiam estar em outra simulação. O que me intriga é que se há um criador, poderemos ser também nós. Isso significa que somos ao mesmo tempo Deus e servos de Deus. E isso é inspirador”.

Na antiguidade a Alquimia foi uma forma do homem galgar os degraus que o fariam retornar às suas origens divinas – através da manipulação dos estados alquímicos da matéria, repetir o processo de criação divina a partir do caos primordial (nigredo) até alcançar rubedo, onde o microcosmo encontra a conexão com o macrocosmo. 

               Será que o nosso atual fascínio pelos games do computador esconderia esse núcleo mítico que vê o homem ao mesmo tempo como Deus e servo? Estaríamos tentando, através de jogos em mundo simulados, repetir o mesmo sopro divino de vida que os donos da nosso universo simulado nos proporcionaram? Assim como eles próprios são servos dos deuses do seu próprio universo simulado? Qual foi o primeiro criador que emergiu do caos primordial do Big Bang e construiu a primeira simulação?

sábado, 30 de maio de 2015

O ajuste fiscal mundial, ou a mentira contada mil vezes...

Por aqui, e por todo planeta, desde esta planície lamacenta até os Alpes Suíços, do Canal da Mancha a Patagônia a cantilena é uma coisa só...

Milhares de "analistas" e outras qualidades de pitonisas anunciam o império da Economia sobre a Política, e tentam sempre demolir o Welfare State, e seu princípio baseado em Lord Maynard Keynes, e em outros defensores da intervenção estatal como forma de resução de desigualdades para manter o próprio capitalismo em funcionamento, reduzindo assim os dramáticos efeitos de suas crises lineares sobre os contingentes mais pobres do mundo...

Em meio aos furacões econômicos, cada vez mais frequentes, e cada vez mais drásticos e amplos, esses imbecis ficam quietos, esperando o Estado intervir para salvar bancos e fortunas...

O capital se recolhe, se (retro)alimentando, preparando-se para novo ciclo de expansão, enquanto isso, bilhões são jogados na fome e na miséria...Nesse intervalo, os eixos de poder se fundem, aumentam sua força e concentração...

Passada o centro da turbulência, rearrumado o tabuleiro internacional, às vezes após sangrentos conflitos, ou com imposição de ditaduras sanguinolentas em continentes inteiros, o capital sai à caça, devastando tudo pela frente...

No Brasil, há uma estranha competição para saber quem é pior: O PSDB porque reclama do governo Dilma por fazer justamente o que eles sempre fizeram (ou estariam fazendo), ou o PT e o governo Dilma, por deixarem se enredar nesta armadilha política que pouco ou nada tem a ver com Economia...

Ajuste fiscal para quem? Ajuste fiscal para quê?

Como se falar em equilibrar conta remunerando a Taxa Selic em mais de 12% ao ano?

Que tipo de idiota acredita nisto?

Pois é...

Um exemplo que esta agenda é mundial, e nada tem a ver com a babaquice dicotômica PT x PSDB, que a imprensa tenta vender a massa estúpida, através dos proxenetas das redações...

40.000 crianças da Inglaterra podem ser atingidas com os cortes dos subsídios habitacionais, de acordo com a matéria do Jornal The Guardian...

O plano é abaixar o limite da renda familiar anual para recebimento da ajuda estatal de 26.000 para 23.000 libras...

O texto você pode ler aqui...

Estas e outras medidas estão na agenda do atual governo Cameron, renovado e legitimado pelas urnas...

Como se vê, lá como aqui, há um forte e poderoso lobby para culpar os pobres por sua miséria, e para convencer o eleitor a adotar o fatalismo econômico fiscal como sentença irrecorrível...


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Regressivo.

De hoje até o fim
Dedico-te todos os meus dias
E me alegro ao saber
Que estarás ao meu lado em cada um deles
Apenas lamento
Que esses dias passem tão rápido
E que seja tão curto o tempo que me resta.

domingo, 24 de maio de 2015

A véspera.

Se fosse um dia da semana
Poesia seria domingo
Jeito de acordar tarde
De passear o cachorro
Comer besteira no almoço
E ficar ansioso
Porque a segunda já vem.

Para refletir...

Barbárie, se tivermos sorte, por Márcio Sotelo Felippe

Por Márcio Sotelo Felippe

 
 
Há espanto nas forças democráticas e progressistas da sociedade. De algum tempo para cá, princípios democráticos que se supunham razoavelmente seguros, direitos e garantias fundamentais, estão sendo violados sem qualquer resistência eficaz. Assistimos pasmos um juiz, segundo o modelo da Inquisição, prendendo para obter confissões, ministro de tribunal superior condenando com a declaração de voto de que não havia provas, governador massacrando professores, ativistas presos e processados por evidente motivação ideológica. O rol das recentes barbáries é enorme e me dispenso de enumerá-las.
Constatando este espanto, é necessário antes de mais nada uma autocrítica das forças democráticas e progressistas. Por que este espanto agora se sempre vimos, sempre soubemos, que princípios, direitos e garantias fundamentais inscritos na Constituição eram apenas papel e tinta para os excluídos e marginalizados da sociedade? Quantas vezes vimos que a garantia constitucional de inviolabilidade do domicílio do cidadão simplesmente inexistia quando juízes expediam mandados de busca e apreensão coletivos para favelas e bairros pobres inteiros? Desde quando não soubemos que se tortura pobres e negros nas repartições policiais?
É verdade que os democratas e progressistas sempre denunciam tudo isso, mas é verdade também que não nos alarmamos e não nos espantamos o suficiente antes. Estamos alarmados agora.  Talvez porque, de algum modo tomados pelo otimismo iluminista, preferíssemos ver isto tudo como a exceção e não a regra. Talvez porque, sendo duro e cru, estamos constatando que, o que nos parecia a exceção, é a regra apenas no exato momento em que os direitos fundamentais são violados, não nas favelas e nos porões das delegacias, mas também para nós, otimistas iluministas que não moramos lá.
De qualquer modo, aproveitemos este momento para reflexão e para passar a limpo algumas coisas. Por exemplo: recuperar alguns conceitos básicos para a esquerda, como a natureza do Estado, tanto em sua especificidade capitalista quanto nas diversas formas que assumiu historicamente.
Marx, na Ideologia Alemã, dizia que a propriedade é o poder de dispor da força de trabalho alheia. Como foi possível sempre submeter a massa de produtores diretos, escravos, servos no feudalismo, operários no capitalismo, sem uma organização de mando que garantisse em última instância cada específico modo de produção? Esta sempre foi a função do que denominamos Estado, ou seja, a coerção organizada sob a forma de mando político. Claro que a dominação é mais complexa do que esta síntese. Inclui formas de controle da consciência, os aparatos ideológicos, tudo aquilo que contribui para conservar e reproduzir a dominação, e que, quando não são eficazes, fazem desencadear a violência pura e simples do Estado.
No capitalismo, o Estado tem uma aparência de autonomia. Ele não se confunde com o proprietário, com aquele que dispõe da força de trabalho alheia. A relação social de produção é contratual, não de dominação pessoal ou direta, e o Estado capitalista surge como efeito do estabelecimento do modo de produção capitalista e a ele se integra para garanti-lo, mantê-lo e reproduzi-lo. Ele tem, por um aspecto, uma função estrutural como garante da relação entre proprietário e produtor direto, e de outro o monopólio da violência para conservar a ordem política e social nessa perspectiva. Mas para nós, que queremos e lutamos pela emancipação humana, será mortal confundir aparência e realidade. O Estado capitalista não é autônomo.
Nesta ordem de considerações, correto o que escreveu Rubens Casara  (explorando uma discussão aberta por Tarso Genro) no artigo anterior (“Exceção ou Regra”?) desta colunaContra Correntes do Justificando: “ o sistema de justiça penal construído no plano discursivo a partir do mito da igualdade revela-se no dia-a-dia seletivo, voltado para os indesejáveis (e, aqui, as exceções servem apenas para confirmar essa regra), aqueles que, ao longo da história, forjaram o que Benjamin chamou de “tradição dos oprimidos”; mais do que proteger bens jurídicos, o sistema de justiça serve ao controle social e à manutenção das estruturas sociais (manutenção da forma Estado Capitalista)”.
A lógica da repressão penal que hoje recrudesce explica-se aí: contra os indesejáveis, ou supérfluos no atual estágio do capitalismo, pode-se tudo. Pode-se a barbárie. Sempre se fez. Não pensávamos de verdade que o que denominamos de democracia representativa era mesmo democracia e era representativa, não é mesmo? Ela é como o Sacro Império Romano-Germânico, que Voltaire dizia que não era sacro, não era império, não era romano e não era germânico…
Sendo assim, restaria perguntar, neste ponto, o que significam os princípios democráticos e as garantias e direitos fundamentais, a dignidade humana, todo o legado iluminista e o legado das lutas sociais da esquerda que são patrimônio moral da humanidade? Ao exigi-los, ao reivindicarmos a eficácia deles, ao protestarmos quando são violados, estamos fazendo o que? Olhando para além das aparências, não podemos alimentar a ilusão de que este legado moral e de justiça da humanidade modifica a natureza do Estado capitalista, do que é seu fulcro e razão de ser. O que estamos fazendo, e devemos sim continuar a fazer, é explorar a contradição entre ser e dever ser, elevar a tensão política e social, desgastar a dominação ideológica, produzir rachaduras no edifício do Estado e na dominação que ele assegura. Mas isto tudo não será suficiente para demoli-lo. A emancipação humana não se fará por petição.
Em alguns momentos conseguiremos a eficácia desses direitos e garantias, mas não colocaremos em risco a dominação. Que esta eficácia eventual não seja um raio de luz a nos cegar para a realidade.
Então, ao dizermos que a dignidade humana é fundamento da República, deixemos claro que estamos perseguindo uma ideia, travando uma luta social, em meio à guerra contra o capitalismo e que conquistamos muito pouco diante do que significa o capitalismo para a humanidade, e que hoje acentua-se na realidade brasileira – a barbárie. Alimentar ilusões conceituais – é pavimentar uma ladeira para a barbárie descer. Rosa Luxemburgo desmistificou a crença na inevitabilidade do fim do capitalismo: socialismo ou barbárie. Istvan Mészáros agora complementa: barbárie, se tivermos sorte…
* Marcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal

Texto publicado no Blog do Luis Nassif.

sábado, 23 de maio de 2015

Irlanda: Casando gays e divorciando Igreja e Estado.

A Irlanda é, como todo e qualquer país, vítima e cúmplice dos estereótipos que a define...

Grandes levas de irlandeses empurradas pela fome, no fim do século XIX e início do século XX, aportaram nos EUA, compondo mais um elemento para aquele cenário multicultural de que são feitas grandes metrópoles daquele país (ou de qualquer outro), como Chicago e Nova York...

Como sempre, este relacioamento foi pontuado de preconceitos e tolerâncias, sucessos e fracassos...

Na década de 70, novamente a Irlanda despontou para a atenção mundial, onde seus fervorosos católicos desafiavam o poder britânico, com a violência o IRA (Irish Republican Army, ou Exército Republicano Irlandês), ou nas músicas pacifistas do U2...

A onda liberal pegou a Irlanda em cheio, em 2008...Como outros países que entraram na jogatina dos juros de títulos duvidosos, o pequeno país foi à lona...

Simultaneamente, mais infortúnio com a revelação dos crimes sexuais de padres, que na Irlanda assumiu contornos ainda mais dramáticos, considerando a ligação daquela população com a igreja do carpinteiro bastardo...

Agora a Irlanda novamente surpreende o mundo, e segue aprovando por quase 70% (os votos ainda não foram totalmente contados) o casamento homoafetivo...

Leia mais aqui...

Um país não avança porque se torna menos religioso, mas certamente porque afasta suas leis e seu estamento normativo de qualquer tipo de fé....

Assim como cada um adota a fé que quer, cada um deve fazer o que quiser de seu corpo, e de suas escolhas sexuais...

O Estado só existe para garantir estas opções livres, desde que terceiros não sejam atingidos por elas...

A Física da Luta!

"Quando a consciência bate, o movimento é consequência".
(Professora Hilda Helena).

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Chico Science e Nação Zumbi / 01. Monólogo ao Pe do Ouvido





Em tempos de luta, no Outono dos Professores, nunca é demais lembrar as palavras do Mestre Chico (Science), ao pé do ouvido:



Modernizar o passado é uma evolução musical
Cadê as notas que estavam aqui
Não preciso delas!
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
o orgulho, a arrogância, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios, os que destroem o poder bravio da humanidade
Viva Zapata! Viva Sandino! Viva Zumbi!
Antônio Conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião, sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza, eles também cantaram um dia.


Link: http://www.vagalume.com.br/chico-science-nacao-zumbi/monologo-ao-pe-do-ouvido-banditismo-por-uma-questao-de-classe.html#ixzz3aonoSZkR

A arte e a ciência: A arte falar o óbvio e a ciência da enganação.

Economistas são, a exceção dos jornalistas, a categoria de profissionais que mais mentem em próprio benefício.

Primeiro, mentem a si mesmos: Sabem que a Economia é ramo das Ciências Sociais, mas vomitam certezas como se matemáticas fossem, apenas por que, em alguns ramos, como em todas as Ciências Sociais, há uso de ferramentas numéricas...

Foi assim que economistas master-sêniores-blasters disseram em 2008 que tudo estava bem...

Boa parte do que diziam que estava bem, virou fumaça...

Depois eles mentem para todos nós, porque como cada profissão, eles precisam dizer a todo mundo que são indispensáveis, e que podem "prever" o futuro, ou dar a chave da revelação das causas do presente...

Não podem, o máximo que fazem é espancar a realidade até que caibam em suas previsões...

Como alguns jornalistas, alguns economistas ganham muito bem com essa empulhação....

A mais estúpida assertiva por quem desconhece totalmente a Política, é submetê-la a Economia, como se a execução de políticas econômicas (o que é diferente de Economia, como ciência), per si, não fosse sempre antecedida de decisões políticas, por mais que os imbecis do economês e seus neófitos, queiram dizer que há uma teleológica relação entre elas, ou seja, é a Economia que dita a Política.

O máximo que pode acontecer, enxergando a realidade sob prisma dialético (coisa impossível para economistas de coleira, ou de encomenda, desses que escrevem o que jornais gostam de publicar) é uma relação de causa efeito recíproca...

Dizendo assim para economistas entenderem: Em alguns casos, situações econômicas se impõem como cruciais no processo decisório, mas que no fim das contas sempre se orienta por saber quem vai ganhar ou quem vai perder com o resultado do que foi decidido (DECISÃO POLÍTICA)...

Em todas, eu digo, TODAS as eleições presidenciais brasileiras, a vitória dos mandatários se deu pelo seu legado político, pelo atrito e consenso de forças em disputa, com ingerência de interesses financeiros, é certo, mas sempre limitados dentro de um espectro mais ou menos definido, mas nunca exclusivo...

Getúlio não ganhou em 1954 por sua obra econômica, que aos olhos ortodoxos era um desastre...E nem caiu por esta obra...

JK quebrou o país, e foi morto não porque aumentou drasticamente nossa dívida pública com seus planos quinquenais, mais muito provavelmente (naquele "acidente") porque detinha capital político reunido fazendo POLÍTICA e não polindo seus números macroeconômicos...

Jânio tentou o golpe, e estava recuperando a economia destroçada, com medidas duras e acertadas (do ponto de vista liberal, e mesmo assim, ninguém do seu eleitorado moveu uma palha por ele...

Vieram os anos 90, e o determinismo econômico...

Claro, para os imbecis da obviedade é melhor imaginar o esqueminha: Economia vai bem, aprovação sobe, ao contrário, tudo desaba...

São uns débeis mentais mesmo:

Durante os anos 90, FHC quebrou o país três vezes, inclusive às vésperas de sua reeleição (comprada a peso de ouro), manteve a população embaixo de níveis de desemprego que nunca desceram dos dois dígitos, um PIB 4 vezes menor, salário mínimo 4 vezes menor, juros muito mais altos, e vários acordos com o FMI a cada espirro de uma bolsa de valores qualquer na Caralhásia, e ainda assim manteve capital eleitoral para levar a eleição ao segundo turno em 2002...

O país começava o seu exitoso processo de inclusão em 2006, e ainda assim Lula teve que enfrentar o segundo turno novamente, justamente contra os mesmos que quebraram o país...

2010, o povão com barriga cheia, vaga na Universidade, carro, viagem, e o caralho, e novamente Dilma teve que fazer POLÍTICA e ganhar no segundo turno...

As margens de diferença sempre parecidas, com ligeiras inflexões aqui e ali...

As taxas de popularidade sempre oscilando...

E como explicar?

Ora, caralho, política, guerra de informação, luta ideológica e claro, grana em jogo, disputa por hegemonia e o escambal...

Aí vem uma porra de um ex-prefeito banido, dublê de economista nos dizer que a Economia submete a Política...

Puta que pariu...

quarta-feira, 20 de maio de 2015

É fim de mês Raul Seixas(Versão Original)





Raul dispensa comentários...então, divirtam-se:



É fim de mês, é fim de mês, é fim de mês, é fim de mês, é fim de mês!

Eu já paguei a conta do meu telefone,
eu já paguei por eu falar e já paguei por eu ouvir.
Eu já paguei a luz, o gás, o apartamento
Kitnet de um quarto que eu comprei a prestação
pela Caixa Federal, au, au, au,
eu não sou cachorro não (não, não, não)!
Eu liquidei a prestação do paletó, do meu sapato, da camisa
que eu comprei pra domingar com o meu amor
lá no Cristo Redentor, ela gostou (oh!) e mergulhou (oh!)
E o fim de mês vem outra vez!

Eu já paguei o Peg-Pag, meu pecado,
mais a conta do rosário que eu comprei pra mim rezar Ave Maria.
Eu também sou filho de Deus
Se eu não rezar eu não vou pro céu,
céu, céu, céu.
Já fui Pantera, já fui hippie, beatnik,
tinha o símbolo da paz pendurado no pescoço
Porque nego disse a mim que era o caminho da salvação.
Já fui católico, budista, protestante,
tenho livros na estante, todos tem explicação.
Mas não achei! Eu procurei!
Pra você ver que procurei, 
eu procurei fumar cigarro Hollywood,
que a televisão me diz que é o cigarro do sucesso.
Eu sou sucesso! Eu sou sucesso!
No posto Esso encho o tanque do meu carrinho
Bebo em troca meu cafezinho, cortesia da matriz.
"There's a tiger no chassis"...
Do fim do mês,
do fim de mês,
do fim de mês eu já sou freguês!
Eu já paguei o meu pecado na capela
sob a luz de sete velas que eu comprei pro meu Senhor
do Bonfim, olhai por mim!
Tô terminando a prestação do meu buraco, do 
meu lugar no cemitério pra não me preocupar 
de não mais ter onde morrer.
Ainda bem que no mês que vem,
posso morrer, já tenho o meu tumbão, o meu tumbão!

Eu consultei e acreditei no velho papo do tal psiquiatra
que te ensina como é que você vive alegremente,
acomodado e conformado de pagar tudo calado, 
ser bancário ou empregado sem jamais se aborrecer...
Eu já paguei a prestação da geladeira,
do açougue fedorento que me vende carne podre 
que eu tenho que comer,
que engolir sem vomitar,
quando às vezes desconfio
se é gato, jegue ou mula
aquele talho de acém que eu comprei pra minha patroa
pra ela não me apoquentar,

E o fim de mês vem outra vez..

Link: http://www.vagalume.com.br/raul-seixas/e-fim-de-mes.html#ixzz3aijwOFhD

Auto Viação 1001. Peguntas que nunca terão respostas...

Se um marciano tivesse que aterrar por aqui, perdido ou por curiosidade, jamais entenderia a longevidade e a força do monopólio da Auto Viação 1001...

Não há nada parecido em nenhum planeta desta ou de outra galáxia desconhecida...

Entra governo, sai governo, o descalabro é total, desrespeito e descalabros são a tônica...Licitação? Nem em sonho...

Do Ministério Públicos e os interesses difusos (ou serão confusos), que adoram se meter, desde o funcionamento da birosca da esquina, até mudar resultado de eleições, silêncio sepulcral...

Afinal de contas, qual é o segredo da Auto Viação 1001...Onde está sua caixa preta? O que tem nela?

Leia o protesto da leitora:

"Bom dia!
Tenho uma denúncia sobre a viação 1001.Ontem peguei um ônibus em Macae com destino ao Rio de Jneiro da empresa viação 1001,o onibus que deveria ser "especial" pois foi cobrado passagem  pelo ônibus especial mas era um ônibus muito velho e no meu assento não tinha cinto de segurança
 Ao perguntar ao motorista quem era o supervisor para eu reclamar ele me destratou e não quis me falar! Sai do ônibus e fui procurar o responsável que também me tratou com hostilidade e falou que ou eu trocava de poltrona ou sai do ônibus e ia em outro horário
Troque de poltrona e seguimos  viagem mas no meio do caminho o motorista parou ônibus para ir ao banheiro e no retorno à cabine discutiu e ameaçou uma outra passageira por que  a mesma reclamou que tinha horário para chegar no rio.
 Após discussão seguiu viagem e parou posto rodoviário de Rio Bonito e exigiu que os policiais retirassem a passageira da discussão do ônibus! Os policias conduziram o ônibus até a delegacia de rio bonito interrompendo a viagem e a maioria como eu perdeu compromisso e vôos. Sou médica e estava vindo ao Rio para fazer uma  remoçãode(ambulância) de um paciente  mas  foi cancelada por atraso me causando prejuizo financeiro e no trabalho.
Foi feito BO é solicitado a 1001 que nos levassem até o destino final mas eles ignoraram e nos deixaram sem assistência na delegacia de rio bonito, pegamos, por nossa conta, um taxi até rodoviária novo rio.
Segue cópia boletim de ocorrência, passagens, e fotos do ônibus  
velho, sujo, sem manutenção e com primeira poltrona sem cinto e outra  poltrona onde viajei com cinto semi rompido.
 Gostaria muito que isso fosse divulgado pois faço esse percurso macae-rio-macae pelo menos duas vezes na semana e em
todas as viagens tenho problema com as condições dos ônibus e não tem outra opção de empresa que ofereça o serviço. Não gostaria que meu nome e dos outros dois passageiros fossem divulgados.

Att,

M..."

Aos mestres com carinho.

Acompanho a luta dos professores, ora como aluno, ora como militante, e agora como blogueiro, desde a década de 80...

Nos estertores da ditadura, tive a chance de conviver com professores que me deram a única lição possível: O exemplo...

Impossível não lembrar o vento arejado a soprar pelas estruturas centenárias do Liceu de Humanidades de Campos com a chegada de Magdala Vianna na direção...Junto a ela um time de professoras que deram direção às minhas inquietações, como Marluce, Heloísa (de Cássia), Dona Lourdes, Dona Yves, Carmen Lúcia, e tantas outras...

Na Escola (Técnica Federal de Campos), como se chamava o IFF, convivi e pude participar do esforço para que Luciano D'Ângelo fosse confirmado pelo Ministério da Educação, ao arrepio das forças conservadoras que não queriam largar o osso...

O resultado está aí, com todas as suas contradições e disputas (e certamente, por causa delas), o IFF é orgulho da terra, e ali também estive sentado à frente de Roberto (Moraes), Neila, Dadau, Hélio Coelho, e etc...Uns mais, outros menos militantes, mas nunca omissos...

Na década de 80 também assisti os movimentos do SEPE (que na época tinha outro nome, não me recordo), funcionando como ponta de lança dos movimentos sindicais no RJ, e impregnando de vitalidade as fileiras dos partidos progressistas, principalmente o PT...

Em cada tempo da História, os professores são chamados a dar esta lição (trocadilho barato, mas insubstituível)...

E não se engane: A reação dos governantes é sempre a mesma, ou seja, primeiro com contrafações e mentiras de todo tipo, depois, porrada mesmo...

Seja no Paraná, seja na UENF, em SP, ou na rede municipal, o lombo dos mestres vira pandeiro...

Uma estranha atitude, que talvez revele um recalque, uma raiva incontida dos governantes com aqueles que lhes ensinaram a ler e escrever...

Por que será?

Porque se tiveram bons mestres, e acredito que também os tiveram, sabem o que é certo...

Por isso atacam os professores, com forma de aniquilar suas consciências e o peso enorme que habita nelas....

Sabem que é melhor pagar bem professores, e lhes dar ambientes salubres, com poucos alunos por turma, ao invés de torrar bilhões em traquitanas e fórmulas mágicas de materiais "pedagógicos" prontos, em reformas físicas mal feitas (para serem repetidas), tudo isso como forma de alimentar o carreamento de recursos para empresas de sistemas educacionais e empreiteiros "amigos"....

Sabem que uma boa conversa e acompanhamento sistemático é melhor que duzentas palestras, cujos "doutores" cobram milhares de reais por cachê para fazer propaganda de governos...

Sabem tudo isso...

Não fazem...

Espancam a verdade, suas consciências e os professores que as representam...

Todo apoio aos profissionais da Educação da Rede Municipal...

domingo, 17 de maio de 2015

Nem deus salva o mercado municipal...

Sentado do alto de sua onipotência, deus deve estar de saco cheio:

De um lado, a sanha demolidora e privatista da dinastia da lapa, avançando sobre o bem público como se fosse seu inventário familiar...

De outro, as viúvas do garotismo, intelectuais de botocúndia, arquitetos tabajaras e mídias de aluguel, propondo ou o imobilismo bolorento conservacionista radical, ou o shopinização do mercado e seu entorno...

É demais até para deus, não acham...?

sábado, 16 de maio de 2015

A caderneta da comida ou La Libreta Gringa!

Durante anos e anos, os canalhas anti-Cubanos, e conservadores de toda sorte, sempre tiveram suas vozes ampliadas pelo pior lixo midiático, criando e distorcendo mitos e mentiras sobre qualquer tentativa de regime ou sistema econômico que desafiasse a ordem vigente que subordina o mundo, a saber:

- Dinheiro para a banca e as elites com fome e sacrifício de bilhões, em um ciclo mortal de acumulação, concentração e retração da riqueza nas mãos de poucas pessoas e países...

Essa ordem sempre nos fez crer (e alguns idiotas acreditam), que há um mercado que a tudo regule, inclusive a si mesmo, e que o Estado fosse uma força demoníaca, a não ser que estivesse a serviço dos interesses desta elite e do mercado...

Todas as escolhas democráticas que saiam deste círculo são, via de regra, autoritárias e/ou um erro dos eleitores, que não saberiam do mal que lhes espreita, onde golpes e soluções de força são legitimadas como uma "pedagogia política" a ser empurrada goela abaixo dos povos rebeldes e inconscientes...

Os maiores mitos criados nesses últimos 60 ou 70 anos foram em relação a Cuba a Revolução Cubana...

Falavam de presos políticos em Cuba, mas esquecem Guantánamo...Falavam da falta de Democracia em Cuba, mas foram os EUA os principais patrocinadores de ditaduras muito mais sangrentas na América Latina...

Vomitavam impropérios contra a falta de um mercado livre em Cuba, mas eram eles que impunham um bloqueio econômico covarde à Ilha...

Exemplos não faltaram até que o próprio presidente estadunidense quebrou um paradigma de mais de meio século, aproximando-se da Ilha sem que qualquer mudança do governo cubano fosse notada como signo de rendição...ao contrário...a Ilha continua lá...

Neste tempo todo, inúmeras reportagens pisaram a repisaram o tema da caderneta com "racionamento" de comida...

Claro, tudo colocado na conta do fracasso do sistema cubano, muito embora não se tenha uma única notícia em 70 anos de qualquer morte ou caso de desnutrição por lá, como acontece em tantos outros países (inclusive os ricos)...

A "libreta" era o caralho para a mídia...um símbolo da opressão do governo, que escolhia o quanto e como o cubano iria comer...

Desprezando qualquer contexto, ou análise de causa e efeito, que informasse ao cidadão que a Ilha vive sob um regime de bloqueio criminoso, que lhe nega o direito soberano de comercializar os mais simples itens, a mídia assassina seguia batendo na mesma tecla...

Mas qual a surpresa minha quando, na noite de hoje, como sempre faço, passei o olho nos jornais britânicos The Guradian e The Independent, e no sítio da Al Jazeera, do Catar) e li uma notícia estarrecedora, que, por óbvio, você não lerá em nenhum veículo das latrinas nacionais de mídia:

O estado do Wisconsin aprovou em sua Casa de Representantes, algo como nossa ALERJ, uma lei que PROÍBE, eu disse , PROÍBE que cidadãos inscritos no Food Stamps (programa de benefícios para segurança alimentar para famílias em risco social), que comprem determinados itens de uma lista...

Sob os protestos do comércio local, que prevê uma retração nas vendas, o projeto vai para o Senado Estadual deles (lá são duas casas legislativas por unidade da Federação)....

Nem é preciso dizer que o projeto é da lavra dos Republicanos, a matriz intelectual e política da nossa oposição e da nossa mídia (grupo FOX)...

Os estúpidos, cretinos, beócios e outras formas de vidas sub-inteligentes dirão: "Ahhhh, mas é diferente!"...

Eu concordo: É muitíssimo pior, pois vejam:

Em Cuba, assolados por um bloqueio mortal, o governo planeja a distribuição para que todos tenham o mínimo...

Lá, no Wisconsin, unidade da Federação da maior economia do planeta, da pátria da fartura e do progresso, da liberdade de escolha e da Democracia, as forças conservadoras daquele Estado dizem que pobre só pode comer aquilo que for pré-determinado, aumentando a desigualdade, e marcando cada pessoa economicamente mais frágil com a etiqueta da EXCLUSÃO...como se fosse uma pena (a mais) ser pobre...

Não se trata de dividir o pouco para que todos tenham, mas manter os melhores alimentos ao alcance dos mais ricos, como se os pobres fossem culpados, eles mesmos, de se encontrarem na situação de penúria que os colocam nesses programas...

A reportagem do jornal inglês está aqui.

Pois é...eu queria ouvir os débeis mentais zurrando sobre este tema...

Vão todos tomar no cú!

Depois dos resultados da Petrobrás, apesar de toda a hipocrisia da mídia cretina, do assédio dos torquemadas de toga, e dos abutres das redações, a empresa estatal brasileira de petróleo revelou seus resultados e seu verdadeiro valor: É um patrimônio nacional mantido pelos esforços de seus trabalhadores...

Quiseram-na de joelhos, para entregar aos canibais internacionais...

Querem o país de joelhos, como quando nossos embaixadores tiravam os sapatos para entrar nos EUA...

Aos que queriam Petrobrax, eu respondo: vão todos tomar no centro do olho do cú!

domingo, 10 de maio de 2015

No dias das mães matamos nossas mulheres...

Não, esse texto não é um libelo ultra-feminista, do tipo que coloca o papel de mãe como oposto ao de mulher...nada disso.

É uma constatação, ou melhor, uma opinião

Para além das evidências, de que um dia reservado às mães é muito mais um truque comercial, baseado na chantagem e culpa que sentimos por esquecermos a importância de nossos parentes em nossas vidas, nesse caso específico, a mãe, esse texto se dedica a compreender como somos capazes de seguirmos matando nossas mulheres para vestir nelas, na maioria das vezes, à força ou por coerção sentimental irreversível, o fardo da maternidade...

Como sempre gosto de dizer, são relações de poder que permeiam os laços sociais e familiares, e as mães, neste sentido, não são apenas vítimas, mas também ajudam a reproduzir nos seus rebentos a lógica machista...

Dias desses, estava com minha família em um lugar público, e conversamos sobre um gesto de uma mãe, que socorria seu menino, colocando-o para aliviar o líquido de sua pequena bexiga em público.

Por óbvio, o gesto, de tão usual e cândido, talvez não tenha merecido de nenhum dos outros transeuntes qualquer censura, salvo de nossa família, que mesmo assim o fez de forma privada...

São essas mulheres, junto com suas filhas e tantas outras, que serão vítimas do assédio e da violência moral de homens adultos bêbados (ou não) que urinam em qualquer lugar público...

E pior: garantem impunidade a falta de higiene e atentado ao pudor masculino, mas vedam com fervor caso uma mulher faça o mesmo, ainda que seja uma pequena menina amparada por sua mãe...

Há outros tantos exemplos, mas não cabe citá-los aqui, hoje é o "Dia das Mães"...

São mães as que ganham 30 a 40% menos que os pais quando fazem as mesmas tarefas no mercado de trabalho...

São mães as que continuam vítimas quase exclusivas da violência doméstica...

São as mães as vítimas da violência sexual, inclusive por seus parceiros...

E assim, quando celebramos a maternidade, como nosso fervor religioso-sentimentalista-consumista, soterramos o que de mais bonito tem uma mãe: o fato de serem mulheres antes...

Queremos mães, não queremos mulheres...

Tanto é verdade que separamos os dias que celebram essa condição, como se disséssemos que ser mãe é uma categoria "superior"...


Condenamos nossas mulheres à maternidade, e sequestramos seus corpos em dogmas religiosos transformados em leis absurdas, proibindo-as de escolher, impondo-lhes a maternidade com sentença definitiva...Uma vez mãe, uma vez prenha, não há volta...

O verdadeiro dias das mães será quando ser mãe for uma decorrência de ser mulher, e não ao contrário, como ainda é...

Felizes dias para as mulheres que escolheram ser mães.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Nestor Cerveró enfrenta a Inquisição...

Assista estarrecido o vídeo onde o réu Nestor Cerveró enfrenta e empareda o juiz Batman do Paraná, sucessor no imaginário coxinha nacional do cargo de torquemada, antes ocupado pelo ex-ministro do STF...

Eis o link...

Mas não se espante...acostume-se: esse é o "novo" padrão da "justiça" brasileira...

Antes de vociferar contra o réu, pare e pense: e se fosse eu?

Não se trata aqui de discutir se ele fez ou não fez, mas sim a pergunta básica que não foi respondida pelo juiz: "O quê há contra mim, e o quê motivou minha prisão?"

Mais uma vez para que fique alto e claro: Ninguém poderá ser acusado (e condenado) SEM PROVAS, muito menos privado de sua liberdade...

Essa não é uma garantia que protege criminosos, mas que protege TODO E QUALQUER CIDADÃO, INCLUSIVE OS COXINHAS CRETINOS E IDIOTAS QUE IMAGINAM QUE NUNCA SERÃO ACUSADOS SEM PROVAS...

Seria cômico, se não fosse trágico, ouvir um juiz federal engasgar quando o réu lhe diz que a "denúncia" de 40 milhões em suas contas não achou nem 100 mil reais...

Outra passagem estarrecedora é o juiz impedindo o réu de fazê-lo raciocinar para chegar a conclusão que se houvesse dinheiro lá fora, o réu estando bem perto da Espanha (onde é cidadão), não há razão para que voltasse para ser preso...

Entalado com tal verdade, o juiz cala o réu de falar, como é seu direito, e assim derrubar os argumentos FALSOS para sua prisão, que ao contrário do que disse o juiz, pode ser feito a qualquer tempo, em se tratando de direito ambulatório do réu...

É isso de que se trata essa mais nova farsa...cinismo puro e simples para desmontar e fatiar a maior empresa estatal do país, e de quebra, soterrar o partido que ousou mudar a estrutura social que perdurou por 500 anos...

The fruits of the poison tree...

Aos que gostam dos termos e temas jurídicos, este é um dos prediletos...Tão "chique" como citar em latim, é citação em inglês e/ou alemão (está na última moda)...

Então, como leigo mas curioso, aqui vai uma entrevista que pode se encaixar nesta teoria...De acordo com ela, um processo, ou uma sentença, perde todo seu valor, e torna-se nula, quando uma das fases do processo ou do inquérito policial impedir ou turbar o amplo direito de defesa e contraditório aos quais todo cidadão tem direito...

Há controvérsias, pequenas é verdade, sobre o conceito de ampla defesa e contraditório frente ao inquérito policial, mas a maioria entende que mesmo a natureza inquisitiva não pode cercear as prerrogativas constitucionais...

Voltando à vaca fria, a teoria acima foi apelidada, na tradução ao idioma local, de os frutos da árvore envenenada, ou seja, uma vez contaminada a instrução pela inconstitucionalidade e/ou abuso, tudo o que vier como resultado perece...

Alguns imaginam e advogam que podem aproveitar aquilo que não tem relação direta com a cadeia de eventos envenenada, mas isso é outro debate...

Usamos este preâmbulo para introduzir a entrevista de Henrique Pizzolato, ex-Diretor de Marketing do Banco do Brasil, condenado na (farsa) ação 470 do STF, atualmente "refugiado" na Itália...

Um aviso aos cretinos de sempre: Antes de se prestar a uma defesa ou ataque ao réu e ao grupo político que ele integra (PT), este texto se refere a garantias constitucionais que estão sob ameaça, como legado nefasto de uma das figuras mais nocivas à Democracia e ao Estado de Direito nos últimos 40 anos, o ex-ministro barbosa...

O que está em jogo afeta todos nós, afinal, ninguém sabe quando poderá ser acusado injustamente e condenado por um tribunal de exceção...

Eis a entrevista republicada no blog do Nassif, a partir do conteúdo do Brasil de Fato:

"Só quero um julgamento justo, baseado em fatos e na lei", afirma Pizzolato

"Fui julgado por um tribunal político. Me considero um refugiado, uma vítima de acordos expúrios". Em entrevista para o Brasil de Fato, Pizzolato se defende das acusações da Justiça brasileira e revela sua expectativas para o futuro.
Henrique Pizzolato, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no processo da Ação Penal 470 - vulgarmente conhecida como Mensalão – vive um momento decisivo.
Recentemente, o Tribunal Administrativo Regional (TAR) do Lacio suspendeu a extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil para apreciar um recurso da defesa. O Ministério da Justiça italiano, havia dado parecer favorável à medida no dia 24 de abril. O Tribunal de Bolonha já havia decido contrariamente à extradição, sob o argumento de que a integridade física de Pizzolato estaria em risco no Brasil.
Nessa entrevista exclusiva para o Brasil de Fato, Pizzolato conta sua trajetória política, comenta o julgamento do STF e afirma se considerar um refugiado político.
Brasil de Fato - Por conta do julgamento no STF, há um estigma em torno da sua pessoa.  Qual sua trajetória? Que cargos você ocupou nos últimos anos? 
Henrique Pizzolato - Na década de 70, estudei na UNISINOS [Universidade do Vale do Rio dos Sinos] em São Leopoldo [RS]. Participei da direção do DCE [Diretório Central dos Estudantes] na luta contra a ditadura militar e o fim do decreto 433 no Brasil.
Em 1974, tomei posse, aprovado por concurso público nacional, como funcionário do Banco do Brasil, onde trabalhei por mais de 30 anos, sem nenhuma falta ao trabalho, nenhuma advertência, falha ou irregularidade funcional.
No início da década de 80, integrei-me ao movimento sindical bancário em Porto Alegre, na luta pelas eleições diretas, na organização da CUT [Central Única dos Trabalhadores] e do PT [Partido dos Trabalhadores]. Em meados dos anos 80 fui morar no estado do Paraná. Lá ajudei a fundar e fui o primeiro presidente do sindicato dos bancários de Toledo  e da CUT Regional Oeste do estado.
Depois fui Diretor da CUT no Paraná, duas vezes presidente da mesma entidade, candidato a prefeito de Toledo, pelo PT, candidato a governador do Paraná, presidente do conselho do Centro de Formação de Trabalhadores  "Chico Mendes", um convênio CUT (PR) e Igreja Luterana do Brasil.Também fui o primeiro presidente do Conselho da Escola Sul da CUT, englobando Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e da Escola de formação para trabalhadores em cooperação internacional com a CGIL, CISL e DGB. Fui também Diretor nacional do Dieese [Departamento Intersindical de Estudos Sociais e Econômicos].
Em 1993, fui o primeiro Diretor eleito por voto direto, com 46 mil votos, representante dos funcionários do Banco do Brasil no Conselho de Administração do Banco, aonde exerci o mandato até 1996.De 1998 a meados de 2002, fui o primeiro diretor eleito por voto direto dos associados da Previ[Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil], com mais de 60 mil votos.
Em 2003 até meados de 2005, trabalhei como Diretor de Marketing e Comunicação do Banco do Brsil e presidente do Conselho Deliberativo da Previ.
Do que você foi acusado no STF?   E qual sua explicação para essa acusação?
Fui acusado de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. São acusações completamente infundadas por diversos motivos.
Peculato é um crime restrito à funcionário público e eu nunca fui funcionário público. Fui funcionário concursado, com contrato de trabalho privado, em uma empresa de economia mista, o Banco do Brasil. Peculato só existe com recursos públicos. Eu fui acusado de desviar recursos que provinham de uma empresa privada, a Visanet, uma subsidiária da Visa internacional, portanto, dinheiro privado! Não poderia haver peculato.
Todas as decisões no Banco do Brasil eram tomadas em comitês, ou seja, uma gestão compartilhada, com no mínimo oito participantes, o que tornava impossível eu tomar qualquer decisão isoladamente e, portanto, impossível de serem unicamente atribuídas a mim qualquer decisão. O Banco do Brasil nomeou um gestor, não ligado à Diretoria de Marketing, responsável pela Visanet. Todos os documentos referentes aos recursos da Visanet foram assinados por esse gestor. Não existe nenhum documento, ato, etc., assinado por mim para a Visanet.
A investigação da polícia federal  feita a pedido do Ministro relator, Joaquim Barbosa, comprova que eu não era responsável pelos recursos da Visanet, mas sim o gestor do Banco junto à Visanet, senhor Léo Batista dos Santos. O Laudo  2828 do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal,  que me inocentava, foi "escondido" pelo Ministro relator, Joaquim Barbosa, em um outro processo, cujo número é 2474, que foi por ele decretado como tendo segredo de justiça, e por ele foi impedindo o acesso a todos os advogados e réus do processo "mensalão".
Eu fui o único funcionário do Banco do Brasil a ser denunciado. Os funcionários, que também eram gestores e conselheiros nomeados pelo banco junto à Visanet, que assinaram os documentos e que, segundo o laudo da PF, eram os responsáveis do Banco do Brasil junto à Visanet e os demais dirigentes do Banco do Brasil, ou seja, Presidente, vices-Presidentes e 28 Diretores, ninguém foi denunciado.
O Banco do Brasil e a Visanet informaram ao Ministro Relator Joaquim Barbaosa, nos autos do processo, que não constataram falta de nenhum centavo em suas contas e que os recursos da Visanet haviam sido utilizados totalmente conforme previstos nos regulamentos do Banco e da Visanet. As contas do Banco do Brasil foram aprovadas pela auditoria Interna e Externa do Banco, pelo Conselho Fiscal, pelo Conselho de Administração, pela Assembléia de acionistas, pela CVM [Comissão de Valores Mobiliários[, pelo TCU [Tribunal de Contas da União], etc...Os donos do dinheiro não encontram e não reclamaram nenhum ‘desvio’ ou falta de nenhum centavo dos recursos do Banco do Brasil e da empresa privada Visanet.

Não existiu desvio de dinheiro, portanto as acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro são totalmente improcedentes. O crime de corrupção pressupõe uma troca, uma compensação para quem tem poder de fazer uma ação ou prometer uma ação em benefício do corruptor, o que era impossível de se efetivar, pois eu não tinha poder nem para solicitar que a Visanet efetuasse pagamentos, nem para prometer ou garantir que a Visanet iria pagar. No Banco do Brasil, como eu disse, todas as decisões eram tomadas por comitês compostos por um mínimo de oito funcionários não subordinados hierarquicamente.
A Receita Federal informou ao Ministro Relator e ao Ministério Publico, que todos os meus bens tinham fonte nos meus ganhos salariais, devidamente comprovados e que não havia encontrado nenhuma irregularidade em meu patrimônio e rendas nos últimos 20 anos.
Por que você considera que não teve direito a ampla defesa?
Porque fui julgado por um tribunal politico, em um juízo ilegal. em uma única instância. Eu não tive direito a um juizo natural, tribunal de primeira instância, como prevê a lei brasileira.  Fui julgado diretamente no STF, tribunal competente só para julgar quem está exercendo mandato e cargo politico, o que não era o meu caso.
A Constituição brasileira prevê para todo cidadão o direito a recurso, direito que me foi negado. Por que esconderam provas e documentos que me inocentavam em outro processo ao qual foi decretado segredo de justiça e ao qual foi negado acesso  a todos os documentos que provavam o erro do julgamento?
Por que decidiu vir morar na Itália?
Vim para Itália, num gesto desesperado, para continuar a minha vida! E porque tambem sou cidadão italiano.
Vim para a Itália para buscar a última forma de restabelecer a justiça e a verdade, um julgamento justo, onde a Justiça seja independente, não seja refém de negócios, não seja refém dos grandes grupos midiáticos e faça um julgamento imparcial com base em provas e documentos, preocupada com a justiça e não com as pesquisas de opinião públicada.
Nesse sentido, você se considera um perseguido político?
Sim. Me considero um refugiado político, uma vítima de acordos políticos expúrios, de um julgamento ilegal, já que não tive direito a recurso como prevê a Constituição brasileira. Vítima de um julgamento injusto, pois me denunciaram e condenaram por crimes que não existiram, crimes impossíveis de serem cometidos por mim, de um julgamento mentiroso, onde provas de inocência foram escondidas e desconsideradas, de um julgamento em forma de espetáculo, em que a justiça foi relegada para se transformar num show de mídia, onde inocentes foram condenados e juízes se transformaram em atores vingadores e inquisidores.
O que você espera da Justiça italiana?
Espero que a justiça italiana não deixe essa farsa, essa mentira seguir adiante. Espero que as provas e documentos sejam analisados para que a verdade e a justiça prevaleçam. E que minha extradição não seja mais um instrumento de troca de favores entre governos e Estados.
Do que o senhor está vivendo agora, aqui na Itália?
Hoje vivo na Itália com uma aposentadoria privada do Banco do Brasil, que paguei mensalmente durante 32 anos de trabalho.