domingo, 19 de abril de 2015

Causas e consequências...

Ao ler as notícias sobre o mais novo media-massacre proporcionado ISIS, onde 30 cristãos etíopes foram decapitados em solo líbio, o leitor mais apressado poderá manifestar seu horror, e reproduzir mais grande bocado de senso comum...

O juízo fácil de valor é algo que sempre acompanha tragédias humanitárias...

Difícil é raciocinar e entender o fenômeno...

Claro que qualquer ato de violência é, per si, repugnante, ainda mais quando a violência traz implícita uma metalinguagem, um objetivo semiótico de ultrapassar a consternação do ato físico, funcionando como um paradigma de terror imagético e de propaganda...

Mas ao ler outra triste notícia, de que podem chegar a 700 os mortos que estavam à bordo de uma embarcação clandestina,  que naufragou na costa líbia no Mar Mediterrâneo, e que trazia refugiados líbios que deixam seu país natal (Líbia) rumo a Europa (provável destino, a ilha de Lampedusa, Itália), é preciso um pequeno esforço intelectual (não muito, vejam só, que até eu consigo) para entender que os fatos estão trágica e irremediavelmente relacionados...

As notícias estão na Al Jazeera e no The Independent...

É preciso dar certo desconto na vinculação proposta por um líder oposicionista inglês, em plena campanha, quando tenta responsabilizar o governo inglês (Cameron), e o então governante francês (Sarkozy) pelo caos humanitário e pela implosão da Líbia, após os ataques aliados ocidentais sobre aquele país, com objetivo de destronar o ex-amigo de longuíssima data. e sanguinário ditador Muammar Gadaffi...

Mas é certo que o precário "equilíbrio" foi rompido graças às intervenções franco-inglesas na região, ainda mais se considerarmos que a extrema volatilidade do ambiente sempre proporciona "espetáculos de selvageria", cada vez que ingredientes externos são adicionados à explosiva mistura de etnias, credos, e óbvio: muitíssimos interesses econômicos...

Logo, não se apresse em procurar culpados ou inocentes para tirar suas conclusões (apressadas)...

Em cada morte, seja ela a de um pacífico cristão ou muçulmano xiita ou sunita, de um soldado ocidental e/ou de força militar aliada, de um repórter ou funcionário de ONG ou da ONU, há uma pequena ou grande parcela de responsabilidade daqueles que gostam de se imaginar como "mocinhos" desta história... 

3 comentários:

Anônimo disse...

PRISÃO DE VACCARI E NOVA AMEAÇA A JOSÉ DIRCEU: LAVA JATO NÃO PASSA DO “SEGUNDO TEMPO” DO PROCESSO FARSA DO “MENSALÃO”.

A arbitrária prisão do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari e a covarde ameaça de uma iminente e nova detenção de José Dirceu apenas confirmaram: a Operação “Lava Jato” não passa de um “segundo tempo” da farsa do processo do “Mensalão” contra os dirigentes do PT.

Vaccari vinha sendo um alvo preferencial das investigações da “Lava Jato” na tentativa da criminalização do conjunto do PT, afinal era o quadro político do partido (em atividade) mais próximo ao “núcleo duro” lulista.

A prisão decretada pelo “justiceiro” Sérgio Moro teve como “base” o fato do PT ter recebido pesadas doações de empreiteiras em suas últimas campanhas eleitorais, as “contribuições” financeiras destas empresas foram todas registradas legalmente, assim como ocorre em todos os grandes partidos burgueses deste país.

Com base nesta evidência do regime democrático, onde os grupos capitalistas financiam as campanhas políticas dos gestores e parlamentares do Estado burguês, Moro deveria ter decretado a prisão de toda a República, sem uma única exceção!

Joaquim Barbosa não tinha interesse algum em promover qualquer “faxina” ética nas entranhas corrompidas do Estado burguês, ao contrário seu objetivo era o de apoiar ideologicamente as alas mais corruptas e direitistas da política nacional como o PSDB e DEM.

Com Moro é exatamente a mesma sentença: favorecer o Tucanato e os interesses imperialistas para destruir a Petrobras e as reservas de mercado da economia brasileira.

Anônimo disse...

Aécio é citado na Lava Jato, mas...

Investigações da Polícia Federal estão destinadas apenas a incriminar o PT, suas lideranças e a presidência da República

A Operação Lava Jato tem objetivos claros; e não é o combate à corrupção, como faz crer a imprensa cartelizada de direita, a Polícia e a Justiça federal no Paraná. O mesmo ocorre com a CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados.

Primeiro, está o desgaste e desvalorização com fins à privatização da Petrobras; segundo a incriminação do PT, sua liderança e a presidenta da República.

Esse segundo aspecto-chave da Operação pôde ser visto muito claramente na última semana com a prisão arbitraria e ilegal do agora ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto e familiares.

A prisão foi baseada exclusivamente em depoimentos conseguidos através de delação premiada. No entanto, as mesmas delações que levaram à prisão de Vaccari não motivaram, sequer, uma manchete nos jornais ou abertura de uma linha de investigação sobre o ex-governador de Minas Gerais, o senador Aécio Neves (PSDB).

“Ele foi citado pelo doleiro Alberto Youssef que disse que o senador teria recebido recursos desviados de Furnas, através de sua irmã. O doleiro ainda afirmou que recolheu dinheiro de propina na empresa Bauruense, que prestava serviços para Furnas, duas vezes. Em uma delas, faltavam 4 milhões de reais. E foi avisado que o PSDB já havia coletado a quantia” (Brasil 247,17/4/2015).


As citações sobre o envolvimento de Aécio Neves no caso de Furnas foram arquivadas pelo STF à pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Com isso, a irmã de Aécio e ele próprio se livraram não apenas da prisão preventiva ou temporária, como até mesmo das investigações.

Depois disso, ainda no âmbito da Lava Jato, a Polícia Federal descobriu anotações em um escritório da empresa UTC Participações, em São Paulo, que faziam comentários sobre os rumos da CPI da Petrobras no Congresso Nacional.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo nas anotações constavam que o senador Aécio Neves teria sido “pressionado pela CNO para não aprofundar”, assim como teria escalado dois colegas – Álvaro Dias (PR) e Mário Couto (PA) – para “fazer circo” na ocasião. A sigla pode ser uma referência à Construtora Norberto Odebrecht.

Essa não é a primeira evidência da tentativa do PSDB de calar a Comissão. Em depoimento em delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que o ex-presidente do partido, Sérgio Guerra, teria recebido R$ 10 milhões para abafar a CPI que apurava irregularidades nos contratos da estatal” (Portal Metrópole).

Anônimo disse...

Maioridade Penal

É Jaula pra moleque porque engorda meu contracheque

O apoio econômico por trás da “necessidade” da diminuição da maioridade penal para “salvaguardar os cidadãos de bem”.

A chamada “Bancada da Bala” que engloba os 43 parlamentares responsáveis pela aprovação da PEC 171/1993 que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos tem seus interesses descortinados simplesmente diante de uma simples análise do financiamento da campanha dos parlamentares que a compõem.

É Jaula neles!

A "Bancada da Bala" realmente se tornou a "Bancada da Jaula". O deputado federal Silas Câmara do PSD do Amazonas recebeu R$ 200 mil da empresa Umanizzare Gestão Prisional e Serviços Ltda. que é responsável por gerir presídios privados. Não são necessários parênteses para mostrar a ironia do nome Humanizar para uma empresa que gere presídios. A esposa de Silas e sua filha receberam também R$ 550 mil reais para suas campanhas. Apenas Câmara foi eleito. E vai garantir a propagação das já seis cadeias existentes geridas pela Umanizzare.

Outros parlamentares também recebem muito dinheiro de empresas que oferecem serviços de escolta armada e vigilância ostensiva.

Essas prisões privatizadas são um fenômeno novo no Brasil, mas existe uma comparação recente no Brasil que demonstra o que vai acontecer com a propagação delas.

No campo da saúde mental , os hospitais psiquiátricos privados que foram se propagando indiscriminadamente até a década de 1990 acabaram por tornar tais instituições “cadeias” nas quais o estado pagava por cada paciente internado. Resultado: os diretores de tais hospitais chegavam a “caçar”, ou seja, buscar pacientes até em outros estados de forma a garantir mais e mais verbas públicas. Esse caminho já trilhado nesta área, agora se torna bem mais escancarado na área das cadeias de verdade. Obviamente quanto mais detentos, mais dinheiro público essas instituições vão angariar. Com a possibilidade de prender adolescentes de 16 anos esse dinheiro se torna mais garantido dado o aumento do volume da população carcerária.

Não é a toa que esse congresso é chamado por muitos como “o mais conservador no período pós-1964”. Quais são as chances de tal bancada não ser composta e auto-proclamada “cidadãos de bem”?

E ainda querem ser chamados de bancada da vida...