sexta-feira, 17 de abril de 2015

As veias (sempre) abertas da América Latina...

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Eu creio que não há, como querem alguns, um ou dois livros fundamentais para uma vida (a não ser para quem lê pouco, o que é uma lástima)...

Mas há sempre livros que captam momentos fundamentais de nossa vida, que podem sempre ser descritos como um despertar:

Despertar de um longo período de obscurantismo, despertar da ignorância sobre algo, despertar de amor sobre outra pessoa, e tantos outros despertares, que não se excluem e podem até ser complementares, e talvez até conflitantes (são os melhores)...

De que me lembro, foi assim que me senti ao ler Cem Anos de Solidão, ou o livro-ilustrado de Darcy Ribeiro, Aos Trancos e Barrancos, Como O Povo Brasileiro Deu No Que Deu, ou Blackwater (a história de como o maior exército de mercenários do planeta passou a controlar o esforço de guerra dos EUA, e o faz até hoje), ou Dom Casmurro, e certamente, As Veias Abertas da América Latina...

Como toda obra com aquela pretensão, descrever os processos históricos e painéis sócio-econômicos que levaram a América Latina a sua dependência permanente dos centros capitalistas mundiais, com ênfase no sofrimento das classes desfavorecidas, que em verdade, produziam a riqueza que as elites entregavam (e dali retiravam sua parte como sócios menores), As Veias...não poderiam ser unânimes no gosto dos críticos...

Muito menos conter um rigor acadêmico apurado, na medida que esta característica lhe roubaria o enorme sentido pedagógico que permitiu, por exemplo, um garoto de 15, 16 anos, como eu, ler e entender aquilo que se propunha a dizer...

Há falhas...claro...

Mas sua grandeza está no fato de que as falhas não escurecem o brilho da obra e sua indispensabilidade para a formação de um pensar crítico...

Mantenho o exemplar surrado em minha estante, e de quando em vez dou uma olhada, principalmente quando a fala de alguns cretinos da oposição e da mídia me dão aquela sensação de deja-vú...

Sejam nos meandros da internet, ou nas asas de pombos correios, sejam com máquinas a vapor, ou outras movidas por nanotecnologia, o capital continua a pensar o mesmo sobre si mesmo, e assim como deus, se imaginam eternos...

Um comentário:

Anônimo disse...

Isso mesmo. E Galeano, completo e incompleto, atual e anacrônico, será sempre um referencial, até mesmo na literatura futebolística, mais amena. A sensação de perder um referencial do tempo em que formávamos a nossa personalidade é mesmo de "déjà vu". E olha que esse é um "herói" que nem morreu de "overdose". Sigamos órfãos!