quinta-feira, 30 de abril de 2015

Os cretinos e a fé...

Só os cínicos sabem, e os bocós acreditam:

Como raios falar em ajuste fiscal e equilíbrio orçamentário pagando mais de 13% de SELIC ao capital?

Que caralho de conta é essa?


Breve.

Ela pediu um tempo pr'á nós dois
Mas levou meu tempo embora

A galinha dos ovos de ouro!

Roberto Moraes já deu a dica em seu blog, sobre o Bradesco, lucros e crise...leia aqui...


Pois é...

Ao mesmo tempo o covarde Beto Richa (psdb), baixa a porrada nos professores, como anotado pelo El Pais...

Em Londres, milhares de sem teto são varridos para as periferias, como disse o The Independent, "vergonhosa limpeza social", que você poderá ler aqui também...Tudo como resultado do encolhimento das medidas (paliativas) de bem estar social...

Outra vez Roberto Moraes nos avisa quem ganha e quem perde com os preços do petróleo, nesta outra postagem...

E o que isso tudo a ver com os escândalos propagados pela mídia, Petrobrás, Lava Jato e etc...?

Só os tolos não enxergam o que está em jogo, como eu sempre repito...

É determinar, daqui para diante, quando um novo ciclo de expansão capitalista se anuncia, quem dará as cartas...

A pergunta é básica: A quem servirá o Estado e seus impostos?

Esta é a disputa político-ideológica que se esconde atrás das mentiras e meias-verdades da mídia, da super exposição de alguns corruptos e seus esquemas, enquanto outros são generosamente esquecidos, no terrorismo econômico que é divulgado por toda sorte de canalhas colonistas, praticantes de extorsão jornalística, alimentado pela mais fajuta quiromancia econômica...

Interessante notar o silêncio dos cretinos de sempre...

Quando havia alguma abundância de recursos, até bem recentemente, propagavam as fórmulas de "crescimento econômico" que utilizava a dependência direta dos empreendimentos dos favores fiscais dos governos, doações de terrenos, isenções e etc...

De acordo com eles, estes seriam os antídotos para qualquer crise...

E agora, quando os Estados e Municípios minguam sem arrecadação, e as empresas traem acordos e vomitam desempregados, fica a pergunta: cadê o dinheiro público?

Os bancos riem à toa, a cada volta na roda dos juros, que vai espremendo a sociedade, como um antigo instrumento de tortura medieval...

Claro que juro alto uma hora ou outra acaba contendo a inflação, é como matar o paciente para conter infecções...

E os bancos riem...

E os idiotas também...Não percebem que a presidenta Dilma e seu governo estão sendo atacados, justamente, para que permaneça imobilizada por esta rede de chantagem nacional e internacional...

De quando em vez passo o olho em "artigos" de beócios locais, travestidos de títulos de mestrados e doutorados em economia, trazendo a público como causa aquilo que é só efeito...

Um deles é ex-prefeito de um município vizinho, que de lá saiu corrido, antes do fim do mandato, por força de péssima gestão, deixando a fazenda local quebrada...

E agora se arvora dando "aulas" de economia e gestão a presidenta...

PQP...

Não perceberam que nosso país é o prato da vez, e que submeter o Brasil, dentro do contexto geopolítico regional, é crucial para que Europa (leia-se Alemanha) e EUA se mantenham como "donos do mundo"... 

Enquanto isso, em seus próprios países, tratam de desossar cada conquista social, cada investimento público em bem estar para alimentarem o monstro financista, que nunca perde a fome...

domingo, 19 de abril de 2015

Causas e consequências...

Ao ler as notícias sobre o mais novo media-massacre proporcionado ISIS, onde 30 cristãos etíopes foram decapitados em solo líbio, o leitor mais apressado poderá manifestar seu horror, e reproduzir mais grande bocado de senso comum...

O juízo fácil de valor é algo que sempre acompanha tragédias humanitárias...

Difícil é raciocinar e entender o fenômeno...

Claro que qualquer ato de violência é, per si, repugnante, ainda mais quando a violência traz implícita uma metalinguagem, um objetivo semiótico de ultrapassar a consternação do ato físico, funcionando como um paradigma de terror imagético e de propaganda...

Mas ao ler outra triste notícia, de que podem chegar a 700 os mortos que estavam à bordo de uma embarcação clandestina,  que naufragou na costa líbia no Mar Mediterrâneo, e que trazia refugiados líbios que deixam seu país natal (Líbia) rumo a Europa (provável destino, a ilha de Lampedusa, Itália), é preciso um pequeno esforço intelectual (não muito, vejam só, que até eu consigo) para entender que os fatos estão trágica e irremediavelmente relacionados...

As notícias estão na Al Jazeera e no The Independent...

É preciso dar certo desconto na vinculação proposta por um líder oposicionista inglês, em plena campanha, quando tenta responsabilizar o governo inglês (Cameron), e o então governante francês (Sarkozy) pelo caos humanitário e pela implosão da Líbia, após os ataques aliados ocidentais sobre aquele país, com objetivo de destronar o ex-amigo de longuíssima data. e sanguinário ditador Muammar Gadaffi...

Mas é certo que o precário "equilíbrio" foi rompido graças às intervenções franco-inglesas na região, ainda mais se considerarmos que a extrema volatilidade do ambiente sempre proporciona "espetáculos de selvageria", cada vez que ingredientes externos são adicionados à explosiva mistura de etnias, credos, e óbvio: muitíssimos interesses econômicos...

Logo, não se apresse em procurar culpados ou inocentes para tirar suas conclusões (apressadas)...

Em cada morte, seja ela a de um pacífico cristão ou muçulmano xiita ou sunita, de um soldado ocidental e/ou de força militar aliada, de um repórter ou funcionário de ONG ou da ONU, há uma pequena ou grande parcela de responsabilidade daqueles que gostam de se imaginar como "mocinhos" desta história... 

sábado, 18 de abril de 2015

O preço do silêncio.

A julgar pelo súbito esquecimento sobre o problema do fundo de previdência (e outros rombos de caixa) de uma cidade muito (mais muito) longe daqui, um índio da tribo dos banqueiros, próceres da oposição e situação,  demissão de secretário de fazenda, etc, poderíamos arriscar que todos fumaram o cachimbo da paz...

E como diziam nos "antigamentes": 

"São doze horas e 30 minutos, e está tudo bem na Vila de San Salvador..."

Da série: poesia ruim para momentos péssimos.


Poema da parede.

Sabes a diferença
Entre um gato e um poema?
Jogue ambos na parede
O que miar é gato
Mas se arranhar sua alma
É poesia



Anunciação

Um dia Virgulino,
Quando era ainda menino,
Ouviu a voz do divino:
Vá cabra-da-peste...lava de sangue o Nordeste...pr'eu ver no que reste...alguma coisa que preste.

Cicuta.

Me dê  um copo de sua angústia
Mas sirva em copo descartável
Para que possa me descartar por aí


Ágora.

Não parece ironia
(e não é)
Que a morte seja
A única instituição
Verdadeiramente democrática?


Hipoetenusa.

A poesia
É o teorema da alma

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Testamento...

Na minha lápide
Se quiserem escrever algo
Que seja diferente de um xingamento
Repitam ali uma frase que um amor me disse
Desses amores vadios
Que chegam em hora (in)certa
E depois saem para comprar cigarros
E levam dez anos procurando a marca predileta

Falou-me assim, esse vagabundo:

A única condição que o verdadeiro amor impõe
É ser incondicional...

As veias (sempre) abertas da América Latina...

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Eu creio que não há, como querem alguns, um ou dois livros fundamentais para uma vida (a não ser para quem lê pouco, o que é uma lástima)...

Mas há sempre livros que captam momentos fundamentais de nossa vida, que podem sempre ser descritos como um despertar:

Despertar de um longo período de obscurantismo, despertar da ignorância sobre algo, despertar de amor sobre outra pessoa, e tantos outros despertares, que não se excluem e podem até ser complementares, e talvez até conflitantes (são os melhores)...

De que me lembro, foi assim que me senti ao ler Cem Anos de Solidão, ou o livro-ilustrado de Darcy Ribeiro, Aos Trancos e Barrancos, Como O Povo Brasileiro Deu No Que Deu, ou Blackwater (a história de como o maior exército de mercenários do planeta passou a controlar o esforço de guerra dos EUA, e o faz até hoje), ou Dom Casmurro, e certamente, As Veias Abertas da América Latina...

Como toda obra com aquela pretensão, descrever os processos históricos e painéis sócio-econômicos que levaram a América Latina a sua dependência permanente dos centros capitalistas mundiais, com ênfase no sofrimento das classes desfavorecidas, que em verdade, produziam a riqueza que as elites entregavam (e dali retiravam sua parte como sócios menores), As Veias...não poderiam ser unânimes no gosto dos críticos...

Muito menos conter um rigor acadêmico apurado, na medida que esta característica lhe roubaria o enorme sentido pedagógico que permitiu, por exemplo, um garoto de 15, 16 anos, como eu, ler e entender aquilo que se propunha a dizer...

Há falhas...claro...

Mas sua grandeza está no fato de que as falhas não escurecem o brilho da obra e sua indispensabilidade para a formação de um pensar crítico...

Mantenho o exemplar surrado em minha estante, e de quando em vez dou uma olhada, principalmente quando a fala de alguns cretinos da oposição e da mídia me dão aquela sensação de deja-vú...

Sejam nos meandros da internet, ou nas asas de pombos correios, sejam com máquinas a vapor, ou outras movidas por nanotecnologia, o capital continua a pensar o mesmo sobre si mesmo, e assim como deus, se imaginam eternos...

domingo, 12 de abril de 2015

Leminski para fechar o domingo...

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Parada cardíaca

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

Não discuto

não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino

Sem título

Eu tão isósceles
Você ângulo
Hipóteses
Sobre o meu tesão
Teses sínteses
Antíteses
Vê bem onde pises
Pode ser meu coração

Inimigo íntimo...

Wilson Ferreira continua implacável...É bom ler com atenção:

O Homem-Aranha e a auto derrota do PT


Em uma das suas intermináveis lutas na franquia Homem-Aranha, o super-herói, cansado e perplexo depois de mais uma batalha contra vilões bizarros, desabafa: “de onde vem toda essa gente?”. Diante das manifestações Anti-Dilma as esquerdas parecem tentar responder à mesma pergunta perplexa do Homem-Aranha:de onde vêm os manifestantes? Eleitores do Aécio? Classe média branca? Conspiração de magnatas do petróleo dos EUA de olho no pré-sal? Há um “elemento de auto derrota” histórico nas esquerdas, como afirmava o filósofo Herbert Marcuse – o pragmatismo e o economicismo que ignoram a base imaginária e psíquica do funcionamento das ideologias. Enquanto isso, a Direita sabe “de onde vem toda essa gente”: ouve a sociedade profunda por meio de pesquisas etnográficas que perscrutam os novos perfis psicográficos chocados pelo neodesenvolvimentismo do PT.

Depois de enfrentar o Homem-Areia que tentava roubar o dinheiro de um carro-forte, o Homem-Aranha dispara sua teia e salta para um topo de um prédio. Exausto, tira sua máscara e as botas cheias de areia depois de ter sido obrigado a se engalfinhar com o vilão. E então, o herói desabafa: “de onde vem toda essa gente?...”.

Essa é uma sequência do filme Homem-Aranha 3, mas o estado de espírito do herói ao mesmo tempo cansado e perplexo guarda suas analogias com as reações das esquerdas ao ver a escalada neoconservadora que culminou com os protestos anti-Dilma do dia 15 de março.

Homem-Aranha: "De onde vem toda essa gente?"

E o principal deles, na avenida Paulista em São Paulo, onde milhares de manifestantes revelaram uma bizarra combinação de tipos humanos: militantes da TFP (Tradição, Família e Propriedade - organização católica tradicionalista) recolhendo assinaturas em defesa da Família Brasileira; pessoas dando parabéns a policiais militares e pedindo a eles que dessem um golpe na presidenta Dilma; famílias que entre alguns gritos de slogans raivosos davam um tempo para selfies como se estivessem em algum parque temático político;  jovens que em conversas confundiam os conceitos políticos de Direita e Esquerda (dislexia política?); outros protestavam contra a ameaça da “ditadura comunista” e da “ditadura gay” (o que deve ter chamado a atenção dos militantes da TFP, sempre ávidos por mais assinaturas para seu abaixo-assinado), um manifestante carregando uma bandeira do movimento integralista pedia o fim dos partidos e sindicatos...

O elemento de auto derrota


De onde vem toda essa gente? Talvez a primeira pista esteja na fala do filósofo Paulo Arantes, durante o encontro dos seminários da FFLCH-USP. Remetendo a uma tese clássica da esquerda europeia dos anos 30 de que o fascismo é uma expressão da derrota da esquerda, afirmou: “Se você tem uma massa revoltada, proletária e que vai te massacrar é porque você perdeu. A outra coisa que nos dá medo é o que nós perdemos”.

Isso lembra as reflexões de outro filósofo, Hebert Marcuse, que em seu livro Eros e Civilização de 1966 apontava para um “elemento de auto derrota” em todos os movimentos revolucionários que tentaram abolir formas de dominação e exploração: “Em todas as revoluções parece ter havido um momento histórico em que a luta contra a dominação poderia ter saído vitoriosa... mas o momento passou. Um elemento de auto derrota parece estar em jogo nessa dinâmica. Nesse sentido, todas as revoluções foram revoluções traídas” – MARCUSE, Herbert, Eros e Civilização,Zahar Editores, 6a edição, 1975, p.92.

Antes de entender esse “elemento de auto derrota”, as esquerdas buscam rapidamente racionalizações para, talvez no íntimo, encontrarem explicações tranquilizadoras para uma derrota anunciada.

Segredos de polichinelo: magnatas do petróleo de olho no pré-sal - conspirações como
álibi da auto derrota

Por exemplo, nas denúncias de que os magnatas do petróleo e da extrema-direita dos EUA, os irmãos Koch, poderiam estar bancando os “Estudantes Pela Liberdade”(EPL) ou as denúncias das supostas conexões do empresário Rogério Chequer, líder do grupo “Vem Pra Rua”,  com empresários brasileiros e com nomes do setor financeiro dos EUA.

Magnatas do petróleo de olho no pré-sal e empresários financiando movimentos golpistas? Ahh!!! Vááá!!!! Segredos de polichinelo que surgem como denúncias bombásticas para encontrar um álibi racionalizador que esconda esse “elemento de auto derrota” - auto-piedade e auto-indulgência que parecem sempre assombrar as esquerdas nos momentos decisivos de tentar consolidar projetos ou vitórias.

A instituição imaginária da sociedade


Mas o que é esse “elemento de auto derrota”?. Acredito que a resposta esteja conectada com a reposta da pergunta que faz o perplexo Homem-Aranha: de onde vem essa gente? Poderíamos então acrescentar: Qual serpente chocou os ovos de onde veio toda essa gente?

Cornelius Castoriadis
Marcuse, assim como outro filósofo chamado Cornelius Castoriadis (1922-1997), apontavam para displicência das esquerdas em relação à necessidade de compreender do funcionamento imaginário da sociedade: presos que estão ao pragmatismo da ação política e do economicismo, ignoram as bases simbólicas ou psíquicas do funcionamento das ideologias nas quais se fundamentam a instituição imaginária da sociedade.

Por exemplo, Castoriadis  lembrava que a aplicação da chamada administração científica e dos métodos fordistas na Rússia pós-revolução bolchevique para acelerar o desenvolvimento econômico reproduziram as estruturas verticais de poder burguesas, contaminando a experiência socialista soviética, levando-a à ditadura stalinista – veja CASTORIADIS, Cornelius, A Instituição Imaginária da Sociedade, Paz e Terra.

Da mesma forma, a estratégia economicista ou neodesenvolvimentista dos governos petistas com a  inclusão de grande parte dos brasileiros na sociedade de consumo resultou nos ovos chocados pela serpente cujos filhotes agora armam o bote. Acreditava-se que, por si mesmo, a inclusão na sociedade de consumo significaria inclusão social e desenvolvimento da consciência de cidadania.

Novos perfis psicográficos


Bem diferente disso, a última década mostrou o surgimento de uma variedade de novos perfis psicográficos ou tipos-ideais que esse humilde blogueiro vem mapeando em postagens recentes: - simples descolados, coxinhas, coxinhas 2.0, novos tradicionalistas, rinocerontes etc. – sobre esses tipos-ideais clique aqui e aqui.

A Direita compreende os novos perfis psicográficos

O crédito público educativo do FIES colocou milhares de brasileiros em faculdades privadas. Se por um lado proporcionou a oportunidade de inclusão e melhoria de vida, por outro permitiu que fossem, durante quatro anos de curso, diariamente doutrinados nas salas de aulas dentro da ideologia da meritocracia e empreendedorismo - a percepção de que o sucesso é puramente individual, ignorando de que também é o resultado de um investimento da sociedade no indivíduo.

Todos aqueles que nessa última década ascenderam em processos seletivos como vestibulares, concursos públicos ou entrevistas dos RHs de empresas creditaram seu sucesso muito mais ao esforço pessoal do que a uma conjuntura sócio-econômica favorável através de políticas públicas.

É essa a percepção moldada subliminarmente pelas TVs, revistas ou portais de Internet por meio de filmes publicitários, reality shows, telenovelas e matérias de telejornais sobre start ups e jovens empreendedores bem sucedidos.

“Meninos do golpe” ouvem a sociedade profunda


Um reality chamado Food Truck – A Batalha (o raio gourmetizador combinado com dicas para construir um negócio de sucesso) do canal GNT faz muito mais estrago no imaginário social do que todos os milhões de dólares dos magnatas do petróleo gringos que supostamente turbinam as manifestações Anti-Dilma na Avenida Paulista.

Jamais os chamados “meninos do golpe” por trás de lideranças como “Estudantes Pela Liberdade”, “Vem Pra Rua” ou “Movimento Brasil Livre” seriam bem sucedidos se não encontrassem “toda essa gente” que foi diariamente lapidada nos bancos das universidades graças aos créditos educativos governamentais e pelas mídias privadas regidas sob a lei da concessão pública dos meios de comunicação.

Os governos petistas cumpriram a missão histórica de inclusão na sociedade de consumo de amplas parcelas da população que no passado eram excluídas. Mas recorreram no mesmo elemento de auto derrota – o economicismo e o pragmatismo.

Uma batalha de food trucks na TV faz mais estragos do que conspirações de magnatas do petróleo

Enquanto a Esquerda acredita que poderá conquistar corações e mentes através do Marketing e da Propaganda (vocação histórica, já que o Lênin teria inventado o Marketing – sobre isso clique aqui), a Direita investe nas pesquisas etnográficas (entrevistas domiciliares, intercept interview, entrevistas etnográficas efocus groups) que conseguem perscrutar as profundezas do imaginário e do inconsciente social.

A Esquerda ainda espera que o amadurecimento das condições econômicas ideais abra por si só o caminho para a consciência de classe e a revolução. E slogans e palavras de ordem cimentariam a vitória. Enquanto isso, a Direita maquiavelicamente prospecta os perfis psicográficos  em grupos de discussões nas salas espelhadas em cada empresa de pesquisa de mercado. A Direita ouve a sociedade profunda.


Mais do que ninguém, os “meninos do golpe” sabem de onde vem toda essa gente. E as esquerdas repetem o cansaço e a perplexidade do Homem-Aranha. 

sábado, 11 de abril de 2015

Morphine Live Pinkpop Festival, Landgraaf, Netherlands, 1994 05 23





Mark Sandman e seu Morphine dispensam apresentações...




Com a boca na butija...

O blog abre exceção na aridez dos temas cotidianos para um assunto da maior importância...Vem do Diário do Centro do Mundo (diariodocentrodomundo.com.br) esse delicioso texto-manual de Laís Motagnana...

Leiamos todos e aprendamos todos:

Um breve manual de como conduzir um oral-encharca-calcinha. Por Laís Montagnana



Postado em 09 abr 2015

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Sexo não se resume a penetração. É de um falocentrismo gigante assumir que uma relação sexual consiste apenas nesse momento. Sexo começa bem antes. As tais das preliminares fazem a diferença no rolê, afinal, uma mulher bem lubrificada, se tiver vontade, topa todas as aventuras sexuais que passarem pela sua cabeça. Os apressadinhos que pulam essa etapa tão importante não devem manjar disso, ou talvez tenham medo de perder a ereção, ou apresentam algum outro motivo injustificável, porque não há desculpas para homens não-chupadores! Pra dar uma forcinha aos cavalheiros a deixar esse momento *mágico* e fazer uma performance maneira, segue aqui um breve manual de como conduzir um oral-encharca-calcinha:
1- Preliminar da preliminar.
Antes de cair de boca na garota, aproveite a vista e sinta a paisagem. Use as mãos, explore o corpo da gata, tasque uns beijos beeem gostosos, molhados e demorados. Faça que nem o Mc Brinquedo ensinou: “roça o piru nela, que ela gosta”. Esse é o momento de atiçar a sua parceira e deixá-la no mood “tá toda se querendo”.
2- S a l i v a.
Senhor, abençoa e multiplica esse lubrificante natural do ser humano capaz de operar milagres. Vamos combinar uma coisa? Língua dura e secona direto no clitóris não dá! Tem que usar toda a extensão da língua, molinha, molhada e lamber não só o clitóris.
3- O segredo está na suavidade.
Meça a força do seu oral, parça. Nossa buceta é sensível, então, na dúvida sobre qual intensidade aplicar, aposte numa pegada mais suave e fique sussa porque, se a mina estiver curtindo mas quiser algo mais hardcore, ela mesma vai se encarregar de dar uma pressãozinha maior na sua cabeça contra a pepeca dela ou aplicar uma clássica chave de xota.
4- Fique atento aos feedbacks dela.
O maior segredo para fazer um oral com sucesso é observar as reações dela. Persista nos movimentos que você está vendo claramente que estão dando prazer a ela, e mude de tática quando ela ficar muito tempo parada ou der umas “esquivadas”. Também facilita o job sempre perguntar o que ela curte.
Palmas para a autora
Palmas para a autora
5- O dedo também é seu amiguinho.
Os dedinhos, os dedinhos! Onde estão? Aqui estão! Então use-os ao seu favor! Pode ser um vibrador também (viu só, dildo não é seu inimigo!), o importante é dar aquela lubrificada no instrumento antes de colocá-lo em cena.
6- Oscile a velocidade e movimentos.
Sem língua preguiçosa! Você não curte aquela alternância de movimentos quando tá recebendo um boquete? O mesmo é válido pra nós também.
7- Segura o “vai gozar?”
“Já chegou? Tá chegando? Falta muito?”. Não banque a criança ansiosa pra chegar à praia e evite ficar perguntando de 5 em 5 minutos se a mina vai gozar. Isso não é legal, não funciona como um incentivo e não agiliza o processo. Quando ela gozar, você vai perceber.
8- Supere câimbra na língua.
Quando você acha que ela está chegando lá, na real, deve estar na metade do caminho. Se você quiser fazer a mina gozar na sua boca, vai ter que comer muito danoninho sem colher pra aguentar o rolê com vitalidade.
9- Saiba esperar pelo grand finale.
Um oral bem feito só acaba quando a mina te puxa para cima. Se você quiser dar prazer pra gata sempre lembre-se disso: você tá com a língua lá embaixo, mas quem tá no comando da situação é ela.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Laís Montagnana
Sobre o Autor
Laís Montagnana, nem puta, nem santa. Amante de bons drinks, bons discos, noites quentes e mesas de bar na calçada. Escritora, feminista e encontrável em www.deliriosemcomprimidos.com e @lmontag

Nosso entrave civilizatório: Violência policial reflete a violência da sociedade...e vice-versa!

Hoje pela manhã tive a grata surpresa de encontrar com meu amigo Brand Arenari em um supermercado local...

Para quem não sabe, Brand é um dos novos (?) expoentes da intelectualidade goytacá, junto com a trinca Vitor Peixoto, Roberto Torres e George Gomes Coutinho...Todos "crias" da UENF e seu CCH...

Dividimos as trincheiras virtuais quando eles pilotavam um blog chamado Outros Campos...

Feito o prelúdio, vamos à vaca fria...

Brand comentou comigo, animado, uma notícia que eu já sabia, a de que Jessé de Souza iria assumir o IPEA, com a tarefa (inglória?) de mudar radicalmente a estrutura do pensamento acadêmico que orienta o governo Dilma...

O IPEA é o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, tido e havido como um dos eixos do think tank da administração federal, que está vinculado  a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), que recentemente também recebeu de volta Mangabeira Unger, um dos teóricos (praxistas) mais importantes da nossa História Ocidental recente (que não por acidente, é quase solemente ignorado no país)...

Papo animado, divergências sobre as capacidades e interdições de Dilma, o consenso é que o ato de pensar estrategicamente e politicamente o governo, e o Estado, deve merecer maior atenção e zelo, empurrando o debate para as instâncias que parecem sofrer de inanição, como partidos e sociedade civil...

Ao final da conversa, propus ao Brand que se tivesse acesso ao Jessé, lhe enviasse uma sugestão:

Um país com 50 mil mortos por arma de fogo, sendo a esmagadora maioria deles oriundos de uma classe social (pobres), com cor definida (pretos) e com faixa etária como "fator adicional de corte" (15 a 25 anos), não poderá pretender chamar a si mesma de desenvolvida, justa ou civilizada...

Concordamos que desde ffhhcc até Lula, chegando a Dilma, nada foi feito em segurança pública que não repetisse os chavões militarizantes macaqueados dos EUA...

Seguimos a repetir os mesmos erros esperando resultados diferentes...

Isso frustra e confunde quem está com armas na mão, lá na ponta...

É certo em países com maior maturidade institucional e com processos de desenvolvimentos diferentes, como EUA e Europa, a militarização policial também acaba por se impor, seja pelas "guerras" ao terror ou às drogas, mas seus efeitos mais drásticos tendem a ser suavizados pela resistência da sociedade em conviver com um clima (estado) permanente de "sítio urbano"...

O que podemos chamar de barreiras da civilidade...

A política de combate às drogas, como tem sido praticada, só nos legou estatísticas graves: Aumento das compras governamentais na escalada de compras de armas e insumos, e por outro lado, aumento ou permanência do índice de letalidade violenta em níveis dramáticos...

Disse ao Brand que alguém deveria dizer ao núcleo central do pensamento do governo que não é mais possível conviver neste cenário, que só contribui para o aumento da desigualdade, resultado da precarização do convívio coletivo, empurrando as gentes para os espaços privados e para soluções de força, improviso e particularizadas...

Claro que a violência policial não é particularidade do Brasil...mas sim um efeito (indesejável) da ação do Estado para manter cada coisa em seu lugar, haja vista que manter "as coisas em seu lugar", quase sempre significa garantir privilégios de quem lucra com a desigualdade...

Olhando a página do The Independent me deparei com esta matéria de capa, que veio bem a calhar:

Um ladrão de cavalos (suposto), Francis Jared Pusok, 30 anos, é agredido impiedosamente por 11 policiais...O evento foi gravado por um helicóptero, desses que registram imagens para aqueles programas tão ao gosto da audiência brasileira e estadunidense (a espetacularização da ação estatal é outro cacoete que imitamos dos nossos "irmãos do Norte")...

O suspeito desarmado, e já dominado, leva 17 chutes, 37 socos e atingido 4 vezes com um bastão, sendo que três vezes na cabeça...

O material do jornal inglês e o vídeo podem ser vistos aqui...O vídeo contém imagens fortes, é bom avisar...

Bem, então qual é a diferença?

Certamente que policiais alemães, suíços, estadunidenses ou brasileiros podem reagir a situações com extrema e desmedida violência...

O problema é quando essa violência desmedida se transforma em política extra-oficial de Estado, e é aceita e legitimada de cima a baixo em todas as classes sociais, seja pela repetição de conceitos apreendidos dos centros de produção de informação (mídia), seja pela reprodução de soluções privadas para conflitos, desembocando na expressão que de tão repetida já está banalizada: a banalização da violência...

É isso: banalizamos a banalização da violência...


segunda-feira, 6 de abril de 2015

À procura de um bode expiatório...SEMPRE!

Se as notícias são ruins, matem o mensageiro...Se as coisas vão mal, achem um inimigo público número 01...

Essa é a cartilha do napoleão da lapa e seus acólitos...

Mas há algo errado no cálculo político desse pessoal...

Afinal, nada mais inofensivo hoje que blogs e redes sociais, ou não?

Periga o pessoal da lapa ressuscitar uma união que se dissolveu há tempos, pelo motivo mais perigoso de todos: sobrevivência...!

Não custa nada lembrar: Desde 1955 (Guerra da Coreia), o maior e mais poderoso exército do planeta não ganhou um confronto militar digno desse nome (Vietnã, Afeganistão, Iraque, etc)...

Guerras assimétricas não podem ser vencidas!