quinta-feira, 19 de março de 2015

Ao tempo...o tempo...às palavras, o vento...

Na atualidade fluída das novas tecnologias, o ser humano é remetido ao pior de si, instigante paradoxo sobre nossa existência...

Ora bolas, se estamos cada vez mais conectados,  por que parecemos tão distantes, e organicamente fracionados, envolvidos em um individualismo que nada liberta, mas só nos prende a dogmas?

Se há cada vez mais informação, por que cada vez mais gente parece destinada a se submeter as manobras dos mesmos grupos que buscam monopolizar a opinião?

Não sei, sinceramente não sei...Apenas desenvolvi, pessoalmente, um hábito que me veio a calhar, e que confesso, deveria ter praticado há mais tempo: Deixar as coisas assentarem, olhar o passar dos dias, encampar a realidade com um olhar que vá o mais longe possível...

Se tenho obtido sucesso? Não sei, mas tenho desprendido menos energia, ou melhor, tenho poupado para o que de fato interessa...

Os últimos acontecimentos no país, repercutidos pelos de sempre, com o viés de sempre, nos colocam como se estivéssemos à beira de um abismo...

Claro, ninguém com um pouco mais de dois neurônios desconhece que esse clima favorece a alguns que se ressentem de terem perdido a mais recente batalha pelo controle político da nação, embora ainda estejam, economicamente falando, no topo da hierarquia brasileira...

Não se trata de ignorar o que está acontecendo, mas sim diagnosticar a forma como nos contam...

Manifestações pró e contra, ministros "perdendo a linha", o milionésimo depoimento de uma investigação que DEVE ser levada até o fim, mas que parece não render mais tanto impacto quanto antes, apesar dos berros dos "analistas e especialistas", e toda uma gama de eventos alçados a principal "preocupação" de todos...

Enquanto isso, o que interessa (ou deveria) permanece escondido sob o manto da hipocrisia e do discurso anti-política, anti-partidário e anti-ideológico: 

Estado para quê e para quem?

Sobre as manifestações pouco resta a dizer, exceto rir das simplificações dos gorilas de plantão: 

Adoram demonstrar força, gritam em voz alta seu ódio, mas quando são identificados pelos focinhos, correm a dizer que são perseguidos, que não é nada disso, que apenas se trata de "gente pacífica e ordeira"....

Outros, pilotando esquemas de mídia, dizem a plenos pulmões que são o quarto, quinto, ou o décimo sexto poder da República, mas quando são acusados de manipuladores e de praticar a mais escrota caricatura do que chamam jornalismo, que eu chamo de charlatojornalismo, dizem que são perseguidos e censurados, e que respeitam solenemente a liberdade alheia, o contraditório, o escambal...

Eu vos digo: O problema não é o cara odiar pobre, querer um país para poucos, rosnar contra a política e partidos, ou ser inimigo visceral deste ou aquele personagem político, o problema é quando ele age como tal e se diz o contrário, ou pior, quando vive a repetir, diariamente, os defeitos que critica nos outros, e mais, boa parte deles construiu fortuna e poder estruturados nos defeitos (dos outros), que neles é "vantagem competitiva"...

Enfim, o problema não é ser de direita ou esquerda, mas sim dizer que esta divisão não existe! Aí está a fraude, geralmente elaborada pelo lado direito!

Hoje o tema da vez é o deputado Cid Gomes, e ex-Ministro da Educação que acusou  capo Cunha de ser aquilo que ele é, fielmente...melhor dizendo, o Cid Gomes não disse nem um décimo sobre o que sabe dele...

Descontando o fato de que Cid sabia o que fazia, temos a repercussão, sim, senhores, a maldita repercussão...Sendo as palavras de quem ouve, e não de quem fala (como ensina Bordieu), cada um diz o que quer sobre o que ouviu...

E nossa mídia segue fazendo seu papel cretino...

Não há sequer um rasgo de posicionamento que ofereça um conceito fora da "caixinha", ainda que não fosse favorável ao governo (hipótese impossível)...

A sentença: O governo é refém do PMBD!

Tenham santa paciência, então um Ministro fala o que falou o presidente da Câmara, prócer do PMDB, volta e lhe diz nas fuças o que repetiu, e o PMDB continua no governo, e é esse governo que é refém?

Se fôssemos considerar que o modelo político-representativo atual, cuja agenda é capturada pelo capital, faz com que aliados e opositores troquem caneladas e acusações, que operações lavem a jato ( e outras nem tanto), e mesmo assim, os interesses do capital continuem intactos, caminhando Vossas Excelências (governo e oposição) para estranhos consensos sobre juros, política fiscal, etc, aí eu lhes diria: O debate promete...

Mas não é o caso...

E seguem os tolos da mídia a repetir chavões e refrões...

Se acotovelam para apresentar estes tótens semióticos...Alguns, intoxicados pelo ambiente, acabam por acreditar nas baboseiras que escrevem, mas são minorias, geralmente incrustradas nos nichos subalternos ou nas redações pelo interior...

Boa parte dos "analistas" sabe das mentiras escabrosas que pregam, destinadas a manter as coisas em estado no qual seus donos (os barões da mídia) continuem a por e dispor do país como se fosse o quintal de suas mansões...

Claro que a Presidenta e o Ministro sabem da inconveniência do discurso sobre o Parlamento, ainda mais neste momento, mas o fato é: Em nenhum momento a Presidenta exigiu que sobre o capo Cunha, individualmente, fosse feita alguma retratação, mas apenas sobre o Congresso...

Sendo ele quem é, e presentando o PMDB, o recado foi claro...

Mas as raposas do PMDB sabem que atos de bravura andam lado a lado com a idiotice, e uma renúncia do "cocho" poderia desidratar o maior partido do Congresso ao limite da inanição...

Por isso o PMDB fez "beicinho", ouviu o que não queria, mas continua lá, refém da ideia que faz de si mesmo, o fiador da "governabilidade"...

Mas as investigações da Petrobrás nos revelam de que o PMDB é refém...embora a maior parte da conta seja do PT...

Eu sigo me divertindo, e escrevendo cada vez menos, lendo e ouvindo cada vez mais...



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