domingo, 1 de fevereiro de 2015

PT de Campos dos Goytacazes: Ou vai ou racha...

Inacreditável que a direção petista atual permaneça inerte frente a necessidade de contrapor os ataques sofridos pelo governo Dilma, tanto pela mídia nacional, tanto pelos seus lacaios locais, somados ao esforço dos patetas da Lapa...

Não é possível que o partido ainda não tenha uma plataforma própria, seja no campo virtual, seja através dos meios tradicionais, para dar conta do embate ideológico...

E o pior, é inadmissível que este partido ainda vocalize suas falas pelo que há de pior na mídia local, funcionando como bonecos de ventríloquos...

Eu me recordo do esforço da vereadora Ivete Marins, quando tentamos editar e divulgar as ações de seu mandato através de um pasquim, quase um fanzine, feito na fotocopiadora...

Ou das edições dos jornais do mandato do vereador Antônio Carlos Rangel...

Não se trata de apurar a qualidade ou alcance, mas a natureza primordial que era inerente a estas tentativas, que era a vontade de se comunicar com voz própria, sem mediações...

Claro, as coisa mudaram, todos dirão com acerto, mas esta necessidade nunca será alterada: A de ter um discurso, e de divulgá-lo pelos seus (nossos) próprios meios...

Esta demanda seminal é gêmea de outra: Alimentar o debate que dará corpo as ideias que serão publicadas...

O Partido morre quando não conversa entre si, quando é incapaz de gerar conteúdo, e vive de repercutir fatos que nunca influenciará de verdade, porque seu peso relativo nos acontecimentos é drenado pela ausência de debate sobre estes, como em um círculo vicioso...


E não adianta reclamar da base partidária ou dos militantes e simpatizantes exilados em algum canto esquecido da memória política desta cidade, eles têm sua parcela de culpa, mas: 

É tarefa exclusiva das direções prover o ambiente para que tal debate ocorra, mesmo que no início os resultados sejam piores que os esperados...Por isso se chamam "DIREÇÃO"...

Fazer política não é fácil, e nunca foi...

Panfletar no meio da Brizolândia em 1989, na região da Saara (Rio de Janeiro) não foi fácil...Assim como não era fazê-lo na descida da ponte de pau, às 06, 07 horas, ou na porta de colégios, fábricas e empresas...

Enfrentar duas, três ou quatro horas de reunião, idem...

Mas este é ônus e também, ao mesmo tempo, o bônus...E nem todos terão a capacidade ou disponibilidade de operar em todas as instâncias...

Outra vez é a DIREÇÃO que saberá, como um treinador de futebol, escalar cada qual na posição que melhor rende...

A ação política não será substituída, como que por encanto, por gadgets ou traquitanas eletrônicas, ou por espaços artificialmente construídos em mídias mal intencionadas...O nome já diz: São meios, e não fins em si mesmas...

Isso não quer dizer que teremos que abdicar ou renunciar a estas formas de interlocução...nada disso...o que repetimos ad nauseam é que um Partido não pode ficar refém destas formas de comunicação...

Precisamos superar o paradoxo: 

Hoje, as possibilidades oferecidas pela tecnologia quase que equiparam os canais alternativos de comunicação aos canais tradicionais da mídia mercenária....

Alguns destes canais tradicionais estão até ameaçados de extinção pelos meios virtuais, e ainda assim, com toda essa potência comunicativa, nosso fluxo de formulação e compartilhamento de informação retrocede a cada dia...

O PT de Campos está em coma, mas há jeito...É só observar na movimentação dos nossos adversários para entender a nossa verdadeira força (que permanece anestesiada)...Sempre quando podem, atacam o PT e o capital social que este partido detém junto a sociedade...

É preciso resgatar este capital social...

É preciso renunciar a qualquer união programática ou apriorística com os setores chamados de "oposição", que na verdade representam outra facção que opera com os mesmos modos da situação...Isso não implica em interditar conversas, mas é o PT que dá a sua direção, que elabora o SEU projeto, para então deliberar sobre o que é negociável ou não!

Neste sentido, o PT de Luis Carlos Magalhães ou de "Soneca" tinha muito mais relevância que o de hoje...Por mais "malucos" e equivocados que fossem os rumos, eram fruto de luta política, ainda que primitiva, mas luta política...

Por mais que se diga o contrário, o eleitor, a população sabe fazer a diferença entre alianças necessárias e adesismo oportunista...

E só conseguiremos revelar alguma característica pela intensidade com que praticamos a política...

É hora de deixar o peso morto para trás, senão afundamos juntos...



Texto dedicado ao incansável Luciano D'Ângelo, que nunca desacredita.

12 comentários:

Roberto Moraes disse...

Boa Douglas.

Está corretíssima sua observação. Não há saída fora dessa linha geral. O resto é o caminho que irá definindo o caminhar com muita conversa e auscultação. É preciso conversar nas bases e gerar confiança para uma virada em meio à crise, irmã da oportunidade.

Abs.

Jose Luis Vianna disse...

Perfeito, Douglas, me emocionou. Onde foi parar essa vibração, entre nossos companheiros? Como disse Roberto, vamos escutar os companheiros, muitas coisas contribuiram para o desânimo. Mas, é preciso recuperar a garra e ir à luta!
José Luis Vianna da Cruz

Anônimo disse...

Esta crise de comunicação, que não é o todo, mas é parte, também existe no governo federal. Dilma fala pouco aos brasileiros e quando fala, erra muito.

Esta comunicação, de tão fácil (meios) acaba sendo um paradoxo como você observa.

douglas da mata disse...

Roberto e Zé, sem querer posar de analista (de Bagé), eu acho que é o resultado dessse processo que eu chamo de "ensimesmação", que todos nós passamos.

Uns a cata de realização acadêmica outros, a profissional, ou econômica, outros, tentando reunir todas...

Não é pecado.

Mas o truque velho e manjado que nos aprisionou, e que Marx já revelava, é que essa busca aliena, até os mais conscientes, que só se diferem dos ignorantes pela culpa que carregam.

A herança do neoliberalismo também não nos poupou, embora gostemos de acreditar que somos distintos da grande manada.

Nada...no máximo mugimos diferente.

Porém, na política a gente morre e vive várias vezes, como disse o Churchill.

Parece que esquecemos disso.

Se a gente não arregaçar as mangas agora, vamos perder tudo aquilo que ousamos sonhar lá atrás.

Aí então, estaremos, de fato, mortos a espera do enterro.

Não tenho grandes expectativas, senão tentar sempre e de novo, cada vez que for preciso.

Talvez a lição mais importante de (Alebrt) Camus em Sísifo seja que embora repetitiva a tarefa, a pedra se move sempre!

Um abraço.

douglas da mata disse...

Ao outro comentarista:

Tenho certas reservas sobre a análise da comunicação do governo.

Não é uma maravilha, e nem poderia, dado o nível da imprensa brasileira.

Acho que há uma hesitação: Partir para o ataque, e debater a regulamentação abre outra frente de batalha que o governo parece não querer bancar (pelo menos por agora).

A sociedade mandou o recado com as eleições parlamentares e configurou um Congresso mais conservador que nunca.

E paradoxalmentem, quanto mais isolados e sem poder de convencimento fica a mídia, mais virulenta, golpista e estreita ela fica.

Isso aconteceu em 64, e acho que o governo sente-se responsável (e institucionalmente, no jogo democrático, de fato, é) pela manutenção do campo de diálogo sempre aberto, ainda que seja com esses "animais".

Não há densidade à esquerda para grandes inflexões, e a tarefa de acumular esse capital é do Partido, não de um governo de coalisão de base tão ampla e heterogênea.

É bom encarar que mesmo com todos os ataques diuturnos, que nenhum outro presidente em nenhum outro país ocidental jamais ousou sofrer, Dilma ganhou as eleições.

Agora, em relação ao partido, a inércia é indesculpável...

É o partido que deve falar o que o governo quer, mas não pode.

É o partido que deve provocar a sociedade, e não só ir a reboque dela e seus humores.

Isso não significa abrir mão da "eleitorabilidade", mas é preciso alterar um pouco a busca pela quantidade de votos (apenas).

Há uma disputa a ser feita no cotidiano das pessoas, que foi possibilitado pelas conquistas que proporcionamos, mas que se tratadas de forma isoladas e descontextualizadas, acabam por gerar um monstro chamado "nova classe média", com os recalques antigos e com outros novos, fermentando um caldo ainda mais e mais conservador.

Grato pela participação.

Anônimo disse...

Muito bom o texto! Espero que os petistas desta cidade tenham lido. Esse texto é valido também para todos os militantes de esquerda e os movimentos sociais. Precisamos nos unir! Temos que começar a fazer política aqui na cidade. Que se crie uma oposição progressista por aqui!

Anônimo disse...

Tem uma turma boa e capacitada no PT de Campos. Mas o problema é que eles não participam mais da vida do partido. O resultado disso foi ter um cara de direita como Makoul na presidência e elegermos um vereador que não é alinhado com a história e a ideologia do partido.

Anônimo disse...

Sou um simpatizante do PT e sempre voto no partido, mas aqui em Campos o partido é decepcionante e não tenho mais esperanças dele conseguir chegar a algum lugar nessa planície. Explico: existe hoje um sentimento anti-petista forte na sociedade brasileira, e aqui em Campos não é diferente. Inegavelmente que o PT ainda tem uma militância comprometida e que vai a luta, mas não é mais a mesma, apesar de ter sido ela quem garantiu a vitória da Dilma na última eleição. Mas temos que reconhecer, ela não é mais a mesma, e aqui em Campos menos ainda. O que eu percebo é que aqui em Campos o PT municipal não cresceu junto com o PT nacional, não aproveitou os bons ares que sopravam a favor do partido e não conseguiu transformar em capital político na cidade tudo que Lula fez pelo Brasil. Tudo bem que aqui se enfrenta o Garotinho, político experiente, com força nacional e um grande estrategista, mas o PT daqui parece que encolheu, andou para trás. Uma pena... Douglas, apesar do seu emocionado e vibrante texto, acho que o PT de Campos não sai mais do atoleiro. O sentimento anti-petista vai contaminar as próximas eleições e esse desgaste não vai possibilitar a viabilidade de um projeto por aqui, sem falar que Garotinho ocupa os espaços nas camadas mais populares, que o PT poderia trabalhar e o partido não consegue uma boa interlocução com os movimentos sociais e os intelectuais da cidade. Uma pena.

Anônimo disse...

Anturragem Dilmista prepara "acordão" com o PMDB de Cunha para "rifar" Chinaglia: É o neopetismo em ação na eleição da Câmara dos Deputados

Visualizando uma derrota política que seria desastrosa para a governabilidade de Dilma, o governo neopetista "jogou a toalha" a poucas horas da eleição da mesa diretora da Câmara dos Deputados e mandou seus ministros abandonarem a campanha de Arlindo Chinaglia à presidência da Casa.

O núcleo histórico do PT, ligado a Lula e Dirceu, ficou "revoltado " com a manobra de última hora do Planalto e mandou um recado para a anturragem Dilmista: manterá até o fim a candidatura do parlamentar membro do "Campo Majoritário" (corrente interna do PT) que já presidiu a Câmara anteriormente.

A "base" do acordão negociado junto ao vice Temer e o próprio deputado Eduardo Cunha seria a de um "rodízio" na direção da Câmara, o pemedebista ocuparia agora a presidência e Chinaglia seria conduzido no próximo biênio, 2017/2018.

Ao que tudo indica Cunha aceitou receber os votos da base aliada do governo Dilma neste momento mas não teria se comprometido em apoiar o PT em 2017. O Planalto não perdeu tempo, já liberou bancadas importantes na Câmara como o PP, PR e PSD para sufragarem Cunha. Comenta-se nos bastidores do Congresso que o ministro Mercadante estaria à frente da "rasteira" em Chinaglia.

A "traiçoeira" ação de Dilma pode até suavizar momentaneamente os ataques frontais de Cunha ao governo (levando em conta sua provável vitória), porém abrirá uma crise sem precedentes no interior do PT. Os passos do governo vem sendo determinados por uma novo "bloco de poder", bem alinhado com as teses neoliberais e o capital financeiro.

Nesta vertente a condução de Cunha a presidência da Câmara é considerada mais um elemento de barganha das classes dominantes para "empurrar" o governo Dilma na rota de Washington e de seus interesses econômicos no país.

Como todos sabem Cunha é o "homem" dos grandes negócios no Congresso nacional (particularmente das empreiteiras), Chinaglia poderia ser um importante "reforço" aos petistas que criticam abertamente a senda do "ajuste" fiscal e monetário trilhado plenamente por Dilma.

Anônimo disse...

Será que o pulso do PT de Campos ainda pulsa?

Anônimo disse...

A ausência do verdadeiro PT (maior partido de esquerda do mundo) de Campos na luta política da cidade abriu espaço para blogueiros oportunistas, que querem se portar como "oposicionistas limpinhos" e para políticos conservadores. Como a população não é idiota, o resultado disso (ausência do discurso de esquerda e progressista) é a percepção de que o grupo de Garotinho atende muito mais as demandas populares do que esta atual oposição.

douglas da mata disse...

Ao comentarista de 03/02, 0h e 47min...

Não foi só o PT e sua mnilitância que mudaram, foi a própria noção de representatividade e a institucionalidades dos partidos, muito pela força da legislação eleitoral que buscou (e conseguiu) encaixotar os partidos com militância e vida orgânica, como o PT.

Não é uma questão de saudosismo...isso é besteira...As coisas mudam.

O sentimento anto-PT é fabricado, um exagero que poderá se tornar realidade se nos acovardarmos (ainda mais).

O PT é o partido com 37% de preferência do eleitorado, apesar de toda a exposição e ataques abaixo da linha da cintura durante todos esses anos.
Se tivesse o mesmo tratamento do psdb, talvez tivesse 110% da preferência.

Não superestime os "ventos" da Era Lula. Conforto econômico nem sempre rima com solidariedade ou gratidão política.

É preciso disputar SEMPRE o imaginário popular, quer seja na bonança, quer seja na "seca".